Quem Foi o Rei Josias na Bíblia?

Após a divisão da nação de Israel em dois reinos (o Reino do Norte, com capital em Samaria, e o Reino do Sul, com capital em Jerusalém), cada um seguiu o seu próprio caminho.

Esses reinos tiveram seus próprios reis. O Reino do Sul, em especial, seguiu a linhagem do rei Davi.

E, entre eles, havia os profetas: alguns eram a boca de Deus no Norte, outros no Sul, e ainda havia aqueles que traziam a palavra do Senhor para ambas as nações.

A Decadência Espiritual dos Reis

A maioria dos reis, no entanto, afastou-se completamente de Deus. Eles conduziram o povo à imoralidade, à injustiça e, principalmente, à idolatria.

O resultado não poderia ser outro: a ira divina caiu sobre eles, e ambos os reinos foram levados cativos para terras estrangeiras.

O Reino do Norte foi tomado pelos assírios, chegando ao seu fim. Já o Reino do Sul foi levado cativo pelos babilônicos, tornando-se escravo por longos 70 anos.

Contudo, mesmo diante de tanta perversão, houve reis que temiam ao Senhor e promoveram significativas reformas religiosas na nação.

Eram homens que deram crédito à Palavra de Deus, ouviam os profetas e prestavam o seu culto de acordo com as leis estabelecidas pelo próprio Senhor.

Dentre esses monarcas de Judá, um que merece grande atenção foi o rei Josias. Mesmo assumindo o trono com apenas oito anos de idade e passando a governar efetivamente com dezesseis, ele promoveu uma das maiores reformas religiosas de toda a história de Israel.

SEUS ANCESTRAIS

O bisavô de Josias foi o rei Ezequias. Ele foi aquele monarca que, ao saber de sua morte iminente pelo profeta Isaías, orou ao Senhor, e Deus lhe concedeu mais 15 anos de vida (2Rs 20.1-11).

O Reinado Perverso de Manassés

Após a morte de Ezequias, quem passou a reinar sobre Judá foi Manassés, um dos mais perversos reis da história.

Manassés assumiu o trono com apenas 12 anos e reinou por 55. A Bíblia relata que ele “fez o que era mal aos olhos do Senhor” (2Rs 21.2 ARC). Ele construiu altares e bosques dedicados a Baal, chegando a erguer altares idólatras até mesmo dentro do templo em Jerusalém.

Esse rei também fez com que um de seus filhos fosse sacrificado aos deuses. Além disso, praticava a leitura das nuvens como forma de adivinhação e espalhou adivinhos e feiticeiros por todo o reino.

A Palavra informa que Manassés praticou abominações ainda maiores que as dos amorreus (2Rs 21.11).

E como se não bastasse, ele derramou muito sangue inocente em Jerusalém (2Rs 21.16), pervertendo toda a nação.

A Breve e Má Herança de Amom

Após sua morte, seu filho Amom assumiu o trono com 22 anos, porém reinou por apenas 2 anos (2Rs 21.19-26).

Amom seguiu o mesmo caminho perverso de seu pai e também se entregou à idolatria. Após um levante do povo, ele foi morto, e seu filho, Josias, passou a ser rei em seu lugar.

JOSIAS

O nome Josias tem origem hebraica (Yo’shiyah ou Yo’shiyahuw) e significa “o Senhor me sustenta” ou “aquele que Javé cura”.

Uma Profecia Sobre o Seu Nascimento

Sua história começa muito antes do seu nascimento, com uma predição feita por um homem de Deus ainda durante o reinado de Jeroboão (o primeiro rei do Reino do Norte).

Jeroboão havia se entregado à idolatria a ponto de queimar incenso no altar em Betel. Nesse exato momento, um profeta o confrontou com a seguinte declaração:

“Ó altar, ó altar! Assim diz o Senhor: ‘Um filho nascerá na família de Davi e se chamará Josias. Sobre você ele sacrificará os sacerdotes dos altares idólatras que agora queimam incenso aqui, e ossos humanos serão queimados sobre você’” (1Rs 13.2 NVI)

O nascimento e o glorioso reinado de Josias foram, portanto, o cumprimento claro dessa profecia.

O texto bíblico nos fornece detalhes sobre a sua ascensão: “Tinha Josias oito anos de idade quando começou a reinar e reinou trinta e um anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe, Jedida, filha de Adaías, de Bozcate” (2Rs 22.1 ARC).

A Bíblia também garante que Josias “fez o que era reto aos olhos do Senhor” (2Rs 22.2 ARC), caminhando por onde Davi andou e não se desviando nem para a direita nem para a esquerda. Foi logo no oitavo ano do seu reinado que ele começou a buscar intensa e genuinamente a Deus (2Cr 34.3).

A Restauração do Templo

Mais tarde, Josias ordenou que parte de seu tesouro fosse enviada ao sumo sacerdote Hilquias para reparar o templo, e que outra parte fosse entregue aos próprios trabalhadores da obra (2Rs 22.3-6).

Ele confiou os recursos de forma tão íntegra que sequer exigiu uma contagem do valor, pois aqueles homens “procediam com fidelidade” (2Rs 22.7 ARC).

O Encontro com o Livro da Lei

Durante essas reformas sagradas, o grande acontecimento ocorreu: o sumo sacerdote encontrou o livro da lei e o levou até o rei (2Rs 22.8-20).

Ao ouvir os preceitos milenares do Senhor, Josias rasgou imediatamente as suas vestes, demonstrando sua profunda humilhação e quebrantamento diante de Deus.

Logo em seguida, enviou Hilquias até a profetisa Hulda para buscar instruções celestes a respeito do livro.

Hulda confirmou que o Senhor traria juízo sobre Judá devido à constante idolatria e injustiça. Contudo, ela trouxe uma mensagem especial de perdão direcionada ao rei:

“Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante o Senhor… e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também te ouvi, diz o Senhor” (2Rs 22.18,19 ARC).

A Grande Reforma Religiosa de Josias

Tocado por essa revelação, Josias deu início a uma profunda e agressiva reforma religiosa por todo o reino. Primeiro, ele reuniu o povo, os sacerdotes e os profetas no templo para firmarem juntos uma aliança com o Senhor (2Rs 23.1,2).

O acordo era claro: andar novamente em todos os mandamentos de Deus e destruir implacavelmente todos os altares idólatras espalhados por Judá.

E ele cumpriu sua promessa. Josias destituiu todos os sacerdotes pagãos que seus antepassados haviam estabelecido. Destruiu as repugnantes casas de prostituição cultual, despedaçou as réplicas a Baal e colocou fim aos falsos locais de adivinhação.

O mais impressionante é que, ao destruir de fato o altar erguido por Jeroboão no passado, a antiga profecia dita pelo profeta de Deus finalmente se cumpriu!

A Celebração Histórica da Páscoa

Além de varrer de vez a idolatria do reino, um dos atos mais sublimes do seu governo foi a restauração e celebração da Páscoa.

Desde os dias em que Israel era liderada por juízes, o povo não via uma Páscoa celebrada de maneira tão profunda como nos tempos de Josias.

Seu reinado só encontrou fim tempos depois, quando o monarca morreu tragicamente lutando durante uma batalha contra o Faraó Neco (2Rs 23.29). Mesmo assim, seu esplendor espiritual continua incontestável:

“E antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao Senhor com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés; e, depois dele, nunca se levantou outro tal” (2Rs 23.25 ARC)

O Legado de Sucesso do Rei Josias

Podemos resumir o memorável sucesso de Josias não apenas pelo fim que deu aos ídolos, mas sim pelo empenho de buscar continuamente o Senhor.

O seu amor apaixonado pela casa de Deus, o valor devolvido à missão de sacerdotes e profetas, aliada a um arrependimento genuíno provam como Deus busca se relacionar através de uma aliança inquebrável.

E você?

Como está o seu relacionamento e a sua busca pelo cumprimento da Palavra de Deus nos dias de hoje?

Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irmão Moisés Brasil. Você pode acompanhar o seu trabalho excepcional através do YouTube e Instagram.

Fique na Paz!

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