Obede-Edom – Um Guardião da Arca da Aliança

↑ Este artigo faz parte da coleção Personagens Bíblicos — quem foram e o que ainda ensinam à igreja de hoje.

Lidar com as coisas de Deus, aquelas separadas para um propósito específico, requer muito cuidado. Além de zelo pela manutenção, precisamos seguir detalhadamente o que o Senhor estabeleceu para o que é sagrado.

Quando tratamos o sagrado com desleixo ou falta de atenção, corremos o sério risco de enfrentar grandes dificuldades na vida.

O Perigo do Desleixo com o Sagrado

A Bíblia nos dá um exemplo claro desse desleixo na história de Nadabe e Abiú, filhos de Arão. Eles lidavam diretamente com os objetos sagrados no tabernáculo de Moisés.

Em determinado dia, eles misturaram fogo comum com o fogo que estava na presença de Deus (Lv 10:1-11). Mas a falha não parou por aí.

Além de misturarem fogo comum com o fogo santo da presença divina, eles estavam embriagados. Acabaram fazendo a obra de Deus sem qualquer consciência do que estavam fazendo.

A Arca em Terras Inimigas

Mais tarde, já durante o reinado de Davi em Israel, o rei decide trazer a arca de volta para Jerusalém.

Porém, anos antes, no tempo dos juízes, o povo agiu de maneira irresponsável. Sem direção divina, a arca da aliança foi levada para o meio de uma batalha contra os filisteus (1Sm 4:1-10).

O resultado foi desastroso: o exército de Israel foi derrotado, e os filisteus levaram a arca. Para piorar, Hofni e Fineias, filhos do sacerdote Eli, morreram naquele combate (1Sm 4:11-17).

Nas terras dos filisteus, a arca provocou diversos danos. Sem saída, eles resolveram devolvê-la aos israelitas, deixando-a na cidade de Bete-Semes (1Sm 6).

A Decisão de Davi de Resgatar a Arca

É aqui que retornamos ao reinado de Davi. O rei toma conselho com os capitães do seu exército e com todo o povo para, enfim, trazer a arca novamente a Jerusalém (1Cr 13:1-4).

No entanto, durante esse percurso até Jerusalém, algo trágico acontece (1Cr 13:7-11). Novamente, houve desleixo e irresponsabilidade com a maneira de lidar com o objeto sagrado.

Esse triste episódio provocou grande temor em Davi. Assustado, ele decidiu deixar a arca na casa de um homem chamado Obede-Edom (1Cr 13:13-14).

O que Precisamos Saber Sobre a Arca da Aliança?

Durante a peregrinação no deserto, Deus chamou Moisés e lhe deu instruções claras sobre como realizar o culto (Êx 25-30).

Mesmo com Israel ainda em formação como nação, o Senhor apresentou a Moisés todos os detalhes. Ele estabeleceu o local de culto (o tabernáculo), quem deveria trabalhar ali (os levitas) e quais seriam os ritos (sacrifícios, ofertas e dízimos).

Deus também detalhou as festas religiosas e todos os objetos utilizados no culto (candelabro, altar, mesa, pia, talheres, lamparinas, etc.).

A Construção e o Transporte da Arca

Além de tudo isso, Deus mandou que Moisés fizesse uma arca de madeira. Ela precisava ser revestida de ouro tanto por dentro quanto por fora.

Sobre essa arca, haveria uma tampa, chamada de propiciatório, também feita de madeira e completamente revestida de ouro.

Mas, entre todos esses detalhes de construção, havia um ponto crucial: a forma correta de transportá-la. A arca só poderia ser carregada pelos levitas.

Para isso, foram colocadas quatro argolas de ouro, uma em cada extremidade da arca. Por essas argolas passavam duas varas de madeira, também revestidas de ouro (Êx 25:10-16).

Ou seja: a arca tinha uma única maneira aprovada por Deus para ser transportada: sempre nos ombros dos levitas.

Ela media cerca de um metro e meio de comprimento, por 75 centímetros de largura e de altura. Dentro dela, repousavam as duas tábuas da lei, a vara de Arão que floresceu e o maná colhido no deserto (Hb 9:4).

Relembrando o Contexto Bíblico

Como já comentamos, lá no tempo dos juízes, os filisteus levaram a arca após vencerem uma batalha contra Israel.

Mas a arca, longe do seu território de origem, causou um enorme transtorno. O povo filisteu enfrentou desde a queda de sua divindade, Dagom, até uma infestação de doenças e ratos (1Sm 5).

Completamente sem alternativa, eles decidiram mandar a arca de volta, despachando-a na direção de Bete-Semes (1Sm 6).

Logo depois, a arca seguiu para Quiriate-Jearim, onde foi deixada na casa de Abinadabe. Lá, o seu filho Eleazar foi consagrado como guardião (1Sm 7:1-2).

A Primeira Tentativa de Davi

Os anos se passaram. Israel teve Saul como primeiro rei, e em seguida, Davi. Durante todo esse tempo, a arca permaneceu em Quiriate-Jearim.

Foi então que o rei Davi reuniu seus capitães, o povo, os sacerdotes e os levitas para buscarem a arca e a levarem de volta a Jerusalém (1Cr 13:1-6).

Quando chegaram ao local, as Escrituras revelam um detalhe preocupante:

“E levaram a arca de Deus sobre um carro novo”
1Cr 13.7 ARC

Apesar da grande alegria de Davi e de todo o povo perante Deus, o transporte estava completamente errado. Como vimos, a arca não podia ser levada sobre carros, mas exclusivamente nos ombros dos levitas.

A Tragédia com Uzá

Além desse grave erro, Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, seguiam à frente guiando o carro de bois (2Sm 6:3).

Em um determinado momento da viagem, os bois tropeçaram e a arca começou a cair. Imediatamente, Uzá estendeu a mão para segurá-la e acabou morrendo ali mesmo (1Cr 13:10).

Lembre-se: o mandamento era não apenas levá-la nos ombros, mas também nunca tocar nela (Nm 4:15). Por esse motivo, Deus havia ordenado o uso das varas passando pelas argolas.

Toda essa situação causou profunda tristeza em Davi. Com a morte de Uzá, o temor do Senhor tomou conta do rei, que questionou:

“Como vou conseguir levar a arca do Senhor?”
2Sm 6.9 NVI

Assustado e sem saber como prosseguir, Davi desviou o caminho e deixou a arca na casa de um homem chamado Obede-Edom (2Sm 6:10).

A Postura Correta para Levar a Arca

Mais tarde, tendo compreendido seu erro, Davi foi buscar a arca na casa de Obede-Edom com a postura correta.

Ele então declarou:

“Ninguém pode levar a arca de Deus, senão os levitas; porque o Senhor os elegeu, para levarem a arca de Deus, e para o servirem eternamente”
1Cr 15.2 ARC

O Simbolismo da Arca da Aliança

A arca da aliança sempre apontou para o compromisso de Deus com os homens, algo que se cumpriu perfeitamente através de Jesus Cristo.

Tudo nela simbolizava o Salvador:

  • As tábuas da lei (a Palavra de Deus);
  • O maná (o pão que desce do céu);
  • E a vara que floresceu (a nova vida).

A arca representava, em essência, a presença do próprio Senhor Jesus em meio à humanidade.

O Que Podemos Aprender com Obede-Edom?

A especulação de que Obede-Edom seria um filisteu nasce de uma palavra: o texto o chama de “o giteu” (2Sm 6:10 ACF), e Gate era cidade filisteia. Só que havia outra GateGate-Rimom, cidade levítica —, e o gentílico se explica por ela sem precisar fazer dele um estrangeiro1. Repare que a própria Escritura resolve o resto: em 1 Crônicas 15:18 Obede-Edom aparece entre os porteiros levitas encarregados da arca.

Ou seja: não é preciso recorrer ao argumento de que Davi jamais confiaria algo tão sagrado a um filisteu. O epíteto tem explicação mais simples que a especulação.

Por isso o mais provável é que Obede-Edom fosse um levita da linhagem dos coraítas, justamente aqueles encarregados do transporte da arca. Afinal, somente eles tinham autorização para lidar com ela.

Um Homem Chamado para Guardar a Arca

Existem registros que colocam Obede-Edom como um dos porteiros da arca (1Cr 15:24) e até como músico de Asafe (1Cr 16:5), tocando harpas e alaúdes quando Davi finalmente levou a arca a Jerusalém.

Vale parar nos três meses em que a arca permaneceu em sua residência. A Bíblia garante:

“e o Senhor abençoou a casa de Obede-Edom, e tudo quanto tinha”
1Cr 13.14 ARC

A Transformação na Vida de Obede-Edom

Flávio Josefo, historiador judeu do século I, relata que Obede-Edom era pobre antes desse acontecimento: ao abrigar a arca, passou “de um homem pobre, em condição humilde” a alguém “extremamente feliz, e objeto de inveja de todos os que viam ou perguntavam pela sua casa” (Antiguidades dos Judeus, livro VII, cap. 4).

Ele se tornou o segundo guardião da arca da aliança e foi poderosamente abençoado apenas por honrar aquele momento.

Ele respeitava os limites divinos: não abria a arca nem tocava nela, mas certamente toda a família observava aquela presença maravilhosa no centro do lar.

Imagina só as crianças perguntando curiosas sobre o que era aquilo! E ele, como um bom pai de família, prontamente respondendo que aquela era a gloriosa presença de Deus na casa deles.

A presença de Deus na casa de Obede-Edom chamou a atenção de todo o país. As notícias de tanta bênção ecoaram longe e logo chegaram aos ouvidos do rei Davi.

O texto sagrado diz:

“Então, avisaram a Davi, dizendo: Abençoou o Senhor a casa de Obede-Edom e tudo quanto tem, por causa da arca de Deus; foi, pois, Davi e trouxe a arca de Deus para cima, da casa de Obede-Edom, à Cidade de Davi, com alegria”
2Sm 6.12 ARC

E você?

Como tem lidado com o que é sagrado e com a presença de Deus na sua vida e na sua casa?

Perguntas Frequentes

Quem foi Obede-Edom na Bíblia?

Obede-Edom foi o homem em cuja casa a arca da aliança ficou guardada por três meses, depois que Davi interrompeu a primeira tentativa de levá-la a Jerusalém (2Sm 6:10-11 ACF). Nesse período, o texto registra que “o Senhor abençoou a casa de Obede-Edom, e tudo quanto tinha” (1Cr 13:14 ACF). Mais tarde ele aparece servindo como porteiro da arca e como músico.

Quanto tempo a arca ficou na casa de Obede-Edom?

Três meses. É o que dizem os dois relatos: “ficou a arca do Senhor em casa de Obede-Edom, o giteu, três meses” (2Sm 6:11 ACF), e “Assim ficou a arca de Deus com a família de Obede-Edom, três meses em sua casa” (1Cr 13:14 ACF).

Obede-Edom era levita ou filisteu?

Era levita. A confusão vem do texto chamá-lo de “giteu”, o que parece indicar naturalidade de Gate, cidade filisteia. Mas havia outra cidade com nome parecido: Gate-Rimom, que era cidade levítica (Js 21:24; 1Cr 6:69 ACF). É dali que vem o gentílico. O fato de ele aparecer depois como porteiro da arca (1Cr 15:24 ACF) confirma a condição levítica, já que somente os levitas podiam lidar com ela. O historiador judeu Flávio Josefo, no século I, também o descreve como um homem justo “que era, por sua família, um levita” (Antiguidades dos Judeus, livro VII, cap. 4).

Quais bênçãos Obede-Edom recebeu?

A Bíblia é genérica ao dizer que o Senhor abençoou “tudo quanto tinha” (1Cr 13:14 ACF), mas dá um detalhe concreto adiante: Obede-Edom teve oito filhos — Semaías, Jozabade, Joá, Sacar, Natanael, Amiel, Issacar e Peuletai — e o texto explica o motivo em cinco palavras: “porque Deus o tinha abençoado” (1Cr 26:4-5 ACF).

Por que Deus abençoou a casa de Obede-Edom?

O texto não apresenta nenhum mérito especial dele; apresenta a presença da arca. A bênção está ligada ao fato de ele ter recebido e honrado o que era sagrado, respeitando os limites que Deus havia estabelecido — sem abrir a arca e sem tocá-la (Nm 4:15 ACF). O contraste com a tragédia de Uzá, poucos versículos antes, é justamente esse: o mesmo objeto trouxe morte a quem o tratou com desleixo e bênção a quem o tratou com reverência.

O que aconteceu com Obede-Edom depois que a arca saiu de sua casa?

Ele não ficou para trás. Quando Davi finalmente levou a arca a Jerusalém, do modo correto, Obede-Edom aparece entre os porteiros da arca (1Cr 15:24 ACF) e entre os músicos que tocavam alaúdes e harpas diante dela (1Cr 16:5 ACF). Ou seja, passou de quem hospedou a arca a quem servia diante dela.

Onde Obede-Edom aparece na Bíblia?

Os episódios principais estão em 2 Samuel 6 e 1 Crônicas 13, que narram a arca em sua casa. Ele reaparece em 1 Crônicas 15 e 16, no transporte correto da arca, e em 1 Crônicas 26, na lista dos porteiros, com os nomes dos seus oito filhos.

Fontes

  1. YOUNG, Edward J. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1964, p. 343.

Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irmão Moisés Brasil. Você pode acompanhar o seu trabalho excepcional através do YouTube e Instagram.

Fique na Paz!

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