A Bíblia Sagrada é um dos livros mais influentes de toda a história. Ela é uma verdadeira coletânea de textos sagrados que serve de base para o judaísmo e para o cristianismo.
O Antigo Testamento forma a base do judaísmo, enquanto a união do Antigo com o Novo Testamento fundamenta a fé cristã.
Devido a essa enorme influência, a Bíblia é o livro mais lido, traduzido, questionado, defendido, rejeitado, impresso, queimado, perseguido e desejado de todo o mundo. Portanto, é muito natural que surjam diversos questionamentos sobre ela.
Uma das perguntas mais comuns que as pessoas fazem aos cristãos – ou até mesmo que surge entre os novos convertidos – é justamente esta: “quem escreveu a Bíblia Sagrada?”.
Afinal, quem foi o escritor (ou quais foram os escritores) por trás das histórias, leis, profecias, poesias, parábolas, mandamentos, novelas e cânticos contidos nas páginas das Escrituras?
Revelação, Inspiração e Iluminação
Para compreendermos melhor a questão de quem escreveu a Bíblia Sagrada, é muito importante conhecermos três elementos que têm relação direta com a criação e a leitura da Palavra. O primeiro elemento é a revelação.
Deus é um ser que se revela. Ao longo de toda a história humana, de maneira crescente, Ele foi se mostrando, se dando a conhecer e se revelando à humanidade.
Essa revelação parte do próprio Deus para o homem, sendo Ele quem iniciou todo esse processo. Ele se revelou a Noé, a Abraão, a Jacó, a Moisés e aos profetas do Antigo Testamento; enfim, Deus se deu a conhecer.
Mas para que essa revelação não morresse com aqueles a quem Ele se revelou, Deus inspirou homens ao longo de toda a história bíblica para que escrevessem aquilo que viam e ouviam. Aqui, temos o segundo elemento: a inspiração.
Diante de palavras, visões e manifestações divinas, inúmeros homens na Bíblia receberam a inspiração do Senhor para registrar Suas diversas obras.
Isso aconteceu de forma direta, quando Deus ordenava que escrevessem o que testemunhavam, ou de maneira indireta, quando apenas relatavam fatos históricos, músicas e provérbios.
Nós também vemos os autores do Novo Testamento (com exceção de alguns textos do Apocalipse) que não receberam uma ordem divina direta para escrever, mas que foram impulsionados e inspirados a fazê-lo.
Nos Evangelhos, por exemplo, Deus não ordenou explicitamente que Mateus, Marcos, Lucas e João escrevessem sobre a vida e a obra de Cristo. Contudo, o Senhor compeliu, impulsionou e inspirou esses homens a relatarem a trajetória de Jesus.
Por fim, após a revelação e a inspiração, nós temos a iluminação. Hoje, quando lemos a Bíblia Sagrada e compreendemos algo que ainda não tínhamos percebido, nós estamos experimentando a iluminação concedida pelo Espírito Santo.
Embora muitas pessoas usem o termo “revelação” para essas descobertas diárias, a expressão teológica mais correta é “iluminação”. Assim, Deus se revelou, inspirou homens para escreverem e, agora, ilumina quem lê para que entenda as Escrituras.
O que é o Cânon Bíblico?
Quando conversamos sobre quem escreveu a Bíblia e como esses livros foram reunidos, é muito comum esbarrarmos na expressão cânon bíblico. Mas o que isso significa na prática?
A palavra cânon vem do termo grego kanwvn e significa literalmente “vara reta”, “régua” ou “regra”. Quando a aplicamos às Escrituras, ela passa a designar os livros que se conformam à regra da inspiração e da autoridade de Deus.
Sendo assim, “livros canônicos” são exatamente aqueles inspirados pelo Senhor e que compõem a nossa Bíblia Sagrada.
Como os Livros Foram Reconhecidos?
Uma dúvida que surge frequentemente é: como a Igreja soube quais livros deveriam entrar na Bíblia e quais precisavam ficar de fora?
A resposta definitiva para isso está na própria doutrina da inspiração. Nós precisamos entender que não foi a Igreja que “determinou” ou “escolheu” o cânon; ela apenas reconheceu os livros que o próprio Espírito Santo já havia inspirado.
Para que esse reconhecimento acontecesse (especialmente no caso do Novo Testamento), alguns critérios foram fundamentais no decorrer da história:
- O Testemunho do Espírito Santo: O critério mais essencial foi o testemunho interno do Espírito Santo no coração da Igreja, testificando e convencendo os crentes da veracidade daqueles escritos.
- A Autoria e a Origem: No Antigo Testamento, os profetas eram a voz de Deus. Já no Novo Testamento, a origem apostólica foi o critério humano mais importante. Como os apóstolos eram as testemunhas autorizadas por Jesus, um livro precisava ter sido escrito por um apóstolo ou por alguém diretamente ligado a eles (a exemplo de Marcos, que era ligado a Pedro, e Lucas, ligado a Paulo).
- O Conteúdo dos Livros: Nenhum texto que estivesse em desacordo com o padrão doutrinário e ético ensinado por Cristo e pelos apóstolos poderia ser recebido. O conteúdo precisava apresentar perfeita harmonia com todo o restante das Escrituras reveladas.
A Questão dos Livros Apócrifos
Talvez você já tenha notado que a Bíblia Católica possui alguns livros a mais em seu Antigo Testamento (como Tobias, Judite, Sabedoria e Macabeus). Nós chamamos esses textos adicionais de Apócrifos.
Mas por que existe essa diferença?
A resposta está exatamente na história das traduções bíblicas. Os judeus, assim como o próprio Senhor Jesus e os apóstolos, reconheciam apenas o cânon hebraico (que corresponde aos 39 livros do Antigo Testamento que temos nas Bíblias protestantes).
Para você ter uma ideia, o Novo Testamento cita o Antigo Testamento cerca de seiscentas vezes, mas nunca cita os livros apócrifos como se tivessem autoridade divina.
Esses livros extras acabaram entrando nas Bíblias católicas apenas porque fizeram parte de traduções antigas muito conhecidas, como a Septuaginta (tradução grega) e a Vulgata (tradução latina).
Embora os tradutores daquela época, como Jerônimo, considerassem esses textos úteis somente como fonte de informação histórica e não como regra de fé, a Igreja de Roma acabou declarando-os oficialmente canônicos séculos mais tarde, durante o Concílio de Trento (em 1546).
Para os evangélicos (seguindo a herança da Reforma Protestante e o modelo usado por Jesus), os apócrifos não carregam a marca da inspiração divina.
Eles podem ter um grande valor histórico para entendermos o período interbíblico, mas não são vistos como a Palavra de Deus.
Os Escritores da Bíblia
Antes de listarmos os escritores bíblicos, vale a pena lembrar que a base para este artigo é a Bíblia protestante (e/ou evangélica), que é composta por 66 livros (39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento).
Além disso, a autoria de alguns desses livros ainda é alvo de debates acadêmicos. Contudo, os nomes que apresentamos a seguir estão de acordo com o consenso da grande maioria dos intérpretes e estudiosos da Palavra.
| Antigo Testamento | ||
|---|---|---|
| Conjunto de Livros | Livro | Autor |
| Pentateuco | Gênesis | Moisés |
| Êxodo | ||
| Levítico | ||
| Números | ||
| Deuteronômio | ||
| Históricos | Josué | Josué |
| Juízes | ||
| Rute | Samuel | |
| I Samuel | ||
| II Samuel | ||
| I Reis | Alguns Cronistas | |
| II Reis | ||
| I Crônicas | Esdras ou Neemias !? | |
| II Crônicas | ||
| Esdras | Esdras | |
| Neemias | Neemias | |
| Ester | Desconhecido | |
| Poéticos ou Sabedoria | Jó | Desconhecido |
| Salmos | Diversos Autores (Davi, Asafe, Moisés etc.) | |
| Provérbios | Salomão, Agur e Lemuel | |
| Eclesiastes | Salomão | |
| Cantares | ||
| Profetas Maiores | Isaías | Isaías |
| Jeremias | Jeremias | |
| Lamentações de Jeremias | ||
| Ezequiel | Ezequiel | |
| Daniel | Daniel | |
| Profetas Menores | Oséias | Oséias |
| Joel | Joel | |
| Amós | Amós | |
| Obadias | Obadias | |
| Jonas | Jonas | |
| Miqueias | Miqueias | |
| Naum | Naum | |
| Habacuque | Habacuque | |
| Sofonias | Sofonias | |
| Ageu | Ageu | |
| Zacarias | Zacarias | |
| Malaquias | Malaquias | |
| Novo Testamento | ||
|---|---|---|
| Conjunto de Livros | Livro | Autor |
| Os Evangelhos | Evangelho de Mateus | Mateus |
| Evangelho de Marcos | Marcos | |
| Evangelho de Lucas | Lucas | |
| Evangelho de João | João | |
| Histórico | Atos dos Apóstolos | Lucas |
| Epístolas | Romanos | Paulo |
| I Coríntios | ||
| II Coríntios | ||
| Gálatas | ||
| Efésios | ||
| Filipenses | ||
| Colossenses | ||
| I Tessalonicenses | ||
| II Tessalonicenses | ||
| I Timóteo | ||
| II Timóteo | ||
| Tito | ||
| Filemom | ||
| Hebreus | Desconhecido | |
| Tiago | Tiago (Talvez Irmão de Jesus) | |
| I Pedro | Pedro | |
| II Pedro | ||
| I João | João | |
| II João | ||
| III João | ||
| Judas | Judas (Talvez Irmão de Jesus) | |
| Profético | Apocalipse | João |
Assim, nós temos Deus como aquele que inspirou cerca de 40 autores de épocas e situações completamente diferentes para escreverem aquilo que eles testemunharam ou viveram.
E você?
O que tem aprendido ao ler os livros escritos por esses grandes homens de Deus?
Perguntas Frequentes sobre a Autoria da Bíblia
Afinal, quem escreveu a Bíblia?
Não houve autor único. A Bíblia reúne o trabalho de cerca de quarenta escritores, separados entre si por séculos e por situações de vida bem distintas.
A unidade do conjunto vem de quem os moveu a escrever: para a fé cristã, Deus inspirou cada um deles a registrar aquilo que testemunhou ou viveu.
Qual a diferença entre revelação, inspiração e iluminação?
São três etapas de um mesmo processo. Na revelação, Deus toma a iniciativa e se dá a conhecer, como fez com Noé, Abraão, Moisés e os profetas. Na inspiração, Ele move homens a colocar por escrito o que viram e ouviram, para que aquilo não morresse com a geração que recebeu.
Na iluminação, o Espírito Santo abre o entendimento de quem lê. Quando alguém enxerga num texto conhecido algo que nunca tinha percebido, costuma chamar isso de “revelação”; o termo teológico apropriado é iluminação.
Todo escritor bíblico recebeu uma ordem direta de Deus?
Não. Em parte dos casos a ordem foi explícita, e o autor registrou por mandado o que presenciava. Em outros, a inspiração agiu de forma indireta, enquanto ele narrava fatos históricos, compunha cânticos ou reunia provérbios.
Os evangelistas ilustram bem o segundo caso: nada indica que tenham recebido um mandamento para escrever sobre Cristo, e ainda assim foram impulsionados a contar a trajetória dele.
Por que esses livros são chamados de canônicos?
Porque o termo grego por trás de “cânon” nomeava uma vara reta, uma régua — um instrumento de medida. Aplicado às Escrituras, ele aponta os livros que correspondem ao padrão da inspiração e carregam a autoridade de Deus.
Chamar um livro de canônico, portanto, é dizer que ele corresponde a essa medida, e não que alguma instituição lhe tenha concedido o título.
Foi a Igreja que escolheu os livros da Bíblia?
A igreja reconheceu; não conferiu inspiração a texto nenhum. O que ela fez foi identificar, ao longo do tempo, os escritos que o Espírito Santo já havia inspirado.
Três critérios sustentaram esse reconhecimento: o testemunho interno do Espírito na consciência dos crentes; a origem do escrito, profética no Antigo Testamento e apostólica no Novo, o que alcançava também companheiros próximos dos apóstolos, como Marcos ao lado de Pedro e Lucas ao lado de Paulo; e o conteúdo, que precisava concordar com o ensino de Cristo e dos apóstolos.
Por que a Bíblia católica tem mais livros que a protestante?
Por causa dos apócrifos, como Tobias, Judite, Sabedoria e os livros dos Macabeus. Eles ficaram de fora do cânon hebraico, o mesmo que Jesus e os apóstolos reconheciam, mas circularam em duas traduções de enorme alcance: a Septuaginta, em grego, e a Vulgata, em latim.
Jerônimo, responsável pela Vulgata, os tratava como leitura de valor histórico, e não como regra de fé. A declaração oficial de canonicidade veio muito depois, no Concílio de Trento, em 1546.
Existe livro bíblico cujo autor ninguém sabe quem foi?
Sim. Jó, Ester e Hebreus chegaram até nós sem o nome de quem os escreveu; Crônicas é atribuído ora a Esdras, ora a Neemias; e os livros de Reis vêm creditados a cronistas cujos nomes não se preservaram.
Desconhecer o escritor não abala o livro. O reconhecimento se apoiou antes no testemunho do Espírito Santo e na harmonia com o restante das Escrituras: a autoria humana pesou como um critério entre outros.
Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irmão Moisés Brasil. Você pode acompanhar o seu trabalho excepcional através do YouTube e Instagram.
Outras Fontes:
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