Desde o seu nascimento, a Igreja sempre precisou superar dificuldades. Mas esses mesmos desafios permitiram que ela amadurecesse ao longo do tempo.
Problemas, crises, cismas e perseguições serviram como combustível para o crescimento. Tudo isso gerou mais sabedoria nas decisões, expansão do Evangelho, cuidado mútuo e a formação de novas lideranças.
O próprio livro de Atos dos Apóstolos mostra que, com o rápido crescimento da Igreja, surgiram queixas:
“houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano”
At 6.1 ARC
Os discípulos de Jesus já atendiam às necessidades das viúvas. No entanto, o número de novos convertidos aumentou tanto que algumas delas acabaram sendo esquecidas.
Para resolver isso, surgiram os primeiros diáconos. Eles assumiram a responsabilidade de servir às mesas e cuidar das necessidades materiais dos irmãos na fé.
Mas, entre os sete irmãos escolhidos, Filipe se destacou. Além de atuar como diácono, ele se tornou um grande evangelista, anunciando a Palavra por onde o Espírito do Senhor o guiava.
Conhecer um pouco mais sobre a vida de Filipe nos oferece um excelente modelo para seguirmos hoje.
Como Surgiram os Primeiros Diáconos?
Como vimos, a Igreja primitiva já enfrentava forte perseguição dos judeus, mas agora também lidava com problemas internos. Um dos maiores desafios envolvia justamente o atendimento diário às viúvas.
Após a descida do Espírito Santo, muitas pessoas entregaram a vida a Jesus. Com isso, os apóstolos focaram ainda mais na oração e na pregação, e algumas viúvas acabaram ficando sem assistência.
Isso não era apenas um problema de logística, mas revelava uma forte tensão cultural da época. Os crentes de origem grega sentiam que suas viúvas eram negligenciadas em favor das viúvas hebreias.
A liderança precisava tomar uma atitude rápida para promover tanto o cuidado quanto a comunhão. Isso gerou murmuração. Então, os doze apóstolos “convocaram a multidão dos discípulos” (At 6.2 ARC).
Eles explicaram que não seria certo deixarem de pregar a Palavra de Deus para servir às mesas. A solução? A própria comunidade deveria escolher homens preparados para assumir a responsabilidade de servir aos necessitados (At 6.3).
Vale lembrar que servir às mesas envolvia muito mais do que distribuir alimentos. Tratava-se da administração cuidadosa das contribuições da comunidade, exigindo homens de profunda integridade.
Os apóstolos não consideravam o serviço inferior, mas entenderam que “não é razoável” (At 6.2 ARC) negligenciar o ministério da Palavra e da oração.
Eles não podiam escolher qualquer um. A comunidade deveria buscar sete homens com qualidades bem específicas:
- De bom testemunho;
- Cheios do Espírito Santo;
- Cheios de sabedoria (At 6.3).
Foram escolhidos Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau. Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles para abençoar o seu trabalho.
Dentre eles estava Filipe, escolhido pela comunidade como diácono na Igreja primitiva.

O que Precisamos Saber sobre Filipe?
O nome Filipe tem origem grega (φίλιππος, Philippos) e significa “amante de cavalos” ou “amigo de cavalos”. Na Bíblia, encontramos algumas pessoas com esse nome:
- Filipe, que foi discípulo e apóstolo de Jesus;
- Filipe, filho de Herodes, o Grande, com Cleópatra de Jerusalém. Casado com Salomé, ele fundou a cidade de Cesareia de Filipe (Mt 16.13);
- Filipe, também filho de Herodes (com Mariamne), cuja esposa era Herodias;
- Filipe, o diácono.
Nossa atenção se volta para o último: a história do diácono Filipe ganha força no capítulo 6 de Atos (At 6.1-7).
Considerando as exigências dos apóstolos, podemos ter certeza de que ele possuía um excelente testemunho, era cheio do Espírito Santo e sábio.
Após sua separação para o diaconato, o capítulo 8 de Atos relata que uma intensa perseguição se levantou, liderada por Saulo de Tarso.
Os crentes se dispersaram pelas regiões da Judeia e de Samaria, e apenas os apóstolos permaneceram em Jerusalém (At 8.1).
Mas a perseguição não calou a Igreja! Por onde passavam, os crentes continuavam pregando o Evangelho. Filipe estava nesse grupo, e seu destino foi a cidade de Samaria (At 8.4,5).
Essa viagem de Filipe tem um peso enorme quando analisamos o contexto da época. Ele superou uma antiga e profunda inimizade histórica entre judeus e samaritanos.
Ao pregar lá, evidenciou que a mensagem de Cristo estava muito acima de qualquer barreira cultural.
Como o Evangelho Transformou Samaria?
Lá, o diácono Filipe passou a atuar como evangelista. Ele pregava com poder, realizando grandes sinais, como a libertação de endemoninhados e a cura de enfermos.
O impacto foi tão grande que até Simão, um feiticeiro muito conhecido na região, se converteu e foi batizado por ele (At 8.9-13).
A notícia não demorou a chegar a Jerusalém. Quando os apóstolos souberam dos feitos de Filipe, enviaram imediatamente Pedro e João (At 8.14).
A chegada dos apóstolos desencadeou um imenso derramamento do Espírito Santo na região. Esse momento resultou na conversão de tantos samaritanos que alguns estudiosos o chamam de o “Pentecostes Samaritano”.
E o que Aconteceu no Deserto?
Ainda em Atos dos Apóstolos, vemos outro fato impressionante sobre Filipe: a conversão de um alto funcionário da rainha dos etíopes (At 8.26-40).
O que mais chama a atenção é a pronta obediência de Filipe. A obra estava prosperando em Samaria, mas ele não hesitou em ir para um caminho deserto. Esse ato levou à expansão da fé cristã até um homem de grande autoridade no continente africano.
Guiado por uma mensagem de um anjo do Senhor, ele foi para o sul, na estrada de Jerusalém para Gaza. No meio do deserto, ele se encontrou com um eunuco, mordomo de Candace, rainha dos etíopes.
Ao notar que o oficial lia uma passagem do profeta Isaías sobre o sofrimento do Messias, Filipe fez uma pergunta certeira:
“Entendes tu o que lês?”
At 8.30 ARC
Com sinceridade, o homem lhe respondeu:
“Como poderei entender, se alguém não me ensinar?”
At 8.31 ARC
Foi a oportunidade perfeita! Filipe explicou que o texto de Isaías se referia a Jesus e anunciou-lhe o Evangelho. Crendo na mensagem, o homem pediu para ser batizado ali mesmo, em um local com água no meio do deserto.
A última menção bíblica a Filipe acontece quando o apóstolo Paulo retornava da sua terceira viagem missionária rumo a Jerusalém:
“No dia seguinte, partindo dali Paulo e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesareia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam”
At 21.8,9 ARC
Olhando para tudo isso, aprendemos uma lição valiosa. A fidelidade de Filipe em cuidar das questões materiais e servir às mesas o preparou. Foi isso que permitiu ao Espírito Santo guiá-lo a um ministério evangelístico de impacto internacional.
Fora da Bíblia Sagrada, algumas informações indicam que Filipe teria feito parte dos 70 discípulos enviados por Jesus (Lc 10.1-24). E alguns intérpretes afirmam que ele viveu o resto de sua vida em Cesareia, sempre anunciando o Evangelho.
E você?
O que a trajetória de Filipe lhe ensina sobre o chamado para servir?
Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irmão Moisés Brasil. Você pode acompanhar o seu trabalho excepcional através do YouTube e Instagram.
Fique na Paz!