Jejum Bíblico – Como Iniciar e Qual o Seu Verdadeiro Propósito

Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento falam sobre a prática do jejum. O próprio Senhor Jesus Cristo, logo após o seu batismo, foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto. Ali, Ele jejuou por quarenta dias e quarenta noites (Mt 4.2).

O livro de Atos nos conta que os irmãos em Antioquia também jejuaram. Eles fizeram isso antes de serem direcionados pelo Espírito Santo para separar Barnabé e Saulo para a primeira viagem missionária (At 13.1-3).

Mais tarde, os próprios apóstolos, Barnabé e Saulo, oraram e jejuaram antes de escolherem os anciãos para conduzir a igreja que estava em Listra e Antioquia (At 14.23).

Além disso, Jesus nos alertou que “uma espécie de demônios só sai pela oração e pelo jejum” (Mt 17.21 NVI). Assim, podemos perceber que o jejum está ligado diretamente a uma vida de piedade.

Praticar o jejum é algo comum para quem busca viver uma vida regrada pela Palavra de Deus, unida à oração e ao cumprimento do propósito do Senhor.

Por isso, é fundamental que a gente entenda a prática do jejum. Precisamos saber o seu real objetivo e por que, de fato, devemos cultivá-la em nossas vidas.

O que é o Jejum?

Primeiramente, é muito importante conhecermos a origem e o significado da palavra jejum. Na língua portuguesa, ela vem do latim, jejunus.

Já nas línguas originais da Bíblia, encontramos o termo hebraico tsuwm (jejuar, cobrir a boca) e o grego nesteuo (abster-se de comida).

Ambos os termos apontam para a privação ou a redução da alimentação durante um período do dia. Essa privação pode ocorrer por motivos medicinais.

Por exemplo, antes de um exame médico, a prática do jejum é necessária por algum tempo. Ele também pode ser feito por motivos de saúde, como em uma dieta.

Mas o jejum também é amplamente praticado por motivos religiosos. Religiões como o judaísmo, o islamismo, o budismo, o hinduísmo e outras mais, incluindo o cristianismo, adotam essa prática.

No Antigo Testamento, a prática do jejum era inicialmente exigida anualmente em algumas festas dos judeus. Eles jejuavam no Dia da Expiação.

É interessante notar que, no texto de Levítico sobre o Dia da Expiação, a expressão “jejum” não aparece, mas sim “afligireis a vossa alma” (Lv 23.27 ARC), pois esse era o sentido do jejum.

Mais tarde, após o exílio babilônico, o jejum foi incluído em outras festas judaicas (Zc 8.19). Ainda no Antigo Testamento, o jejum carrega esse sentido de humilhação, penitência e punição, como um meio de demonstrar arrependimento.

Contudo, essa prática passou a demonstrar que os homens que jejuavam tinham alguma forma de mérito diante de Deus. Essa visão chegou até a classe religiosa dos fariseus e saduceus do Novo Testamento.

Por isso, essa atitude foi criticada veementemente pelo Senhor Jesus no Sermão do Monte (Mt 6.16-18). No Novo Testamento, alguns judeus piedosos jejuavam duas vezes por semana (Lc 18.12).

Temos também o caso da profetisa Ana. Ela mantinha a prática constante do jejum e da oração em sua vida (Lc 2.36).

O texto do Novo Testamento ainda nos apresenta Jesus (Mt 4.2), os discípulos de João Batista (Lc 5.33), os líderes dos apóstolos (At 13.1-3) e outras pessoas que tinham a prática do jejum. Vale lembrar que a igreja primitiva manteve essa prática com muito fervor.

Documentos históricos dos primeiros cristãos, como o Didaquê (o ensino dos doze apóstolos, escrito no final do século I), orientavam os irmãos a jejuarem em dias específicos. O objetivo era se dedicarem ao Senhor de coração sincero e manterem a disciplina espiritual.

O Objetivo do Jejum

Como já apontado, no Antigo Testamento o jejum tinha um significado de penitência. Afligir a alma era um sinal de arrependimento.

Essa prática, infelizmente, foi trazendo o entendimento de que, se alguém jejuasse, Deus o estaria abençoando. Ou seja, o jejum tornou-se uma ferramenta para receber algum mérito de Deus.

Jesus nunca ensinou que seus discípulos não devessem jejuar. No entanto, Ele os instruiu sobre em que momentos deveriam jejuar: principalmente quando Ele fosse levado aos céus (Lc 5.33-35).

Jesus traz um entendimento muito mais profundo quanto ao jejum. Ele o desvinculou da aflição da alma e da ideia de que proporciona algum tipo de merecimento diante de Deus.

No Sermão do Monte (Mt 6.16-18), de maneira contrária à classe religiosa de Israel, que jejuava para ser notada pelos homens, Jesus ensinou que se deve jejuar de maneira secreta e discreta. Sem informar a ninguém, unicamente diante de Deus.

Encontramos também Jesus ensinando que uma determinada classe de demônios é expulsa somente por meio da oração e do jejum (Mt 17.14-21). Não que a oração e o jejum sejam poderosos em si mesmos, nada disso!

Mas quem ora e jejua exerce uma maior intimidade com o Senhor Jesus. Tem uma espiritualidade amadurecida e, assim, crendo, terá autoridade sobre essa determinada classe de espíritos imundos.

Ainda que o Novo Testamento não declare de maneira muito clara a sua importância, afirma-se que o jejum diminui consideravelmente as necessidades e os apetites do corpo. Com isso, a alma se torna mais sensível às suas funções mais nobres.

É um caminho em direção à comunhão do espírito humano com o Espírito de Deus. Consequentemente, quem jejua terá discernimento espiritual.

Como os apóstolos em Atos (At 13.1-3), que ouviram a direção do Espírito Santo para separarem Barnabé e Paulo para a viagem missionária. Assim, o objetivo do jejum é fazer-nos mais sensíveis à voz de Deus, para que realmente possamos cumprir a Sua perfeita vontade.

Neste sentido, o jejum, quando praticado com a leitura da Palavra de Deus e a oração, produz um tremendo fortalecimento espiritual na vida do crente em Jesus Cristo. Ele proporciona direção, sabedoria, autoridade e convicção de seu chamado em Deus.

Tipos de Jejum

Alguns intérpretes da Bíblia Sagrada apontam alguns tipos de jejum, e esses jejuns podem variar de acordo com o entendimento de cada intérprete.

Primeiramente, temos o jejum normal. Como o do Senhor Jesus Cristo por 40 dias (Mt 4.2), em que se afirma apenas que ele não comeu nada, sem informar se ele ingeriu água.

Logo, é um jejum apenas alimentar, com água, mas sem ingerir alimento algum. O jejum de Paulo por três dias (At 9.9) sem comer nem beber pode ser denominado um jejum total.

Ainda que o texto bíblico diga que era por luto ou tristeza da alma, afirma-se que a abstinência de alguns tipos de alimentos e unguentos por parte de Daniel (Dn 10.2,3) pode ter sido um jejum parcial.

Neste caso, somente alguns tipos de alimentos não eram ingeridos, bem como nenhum tipo de unguento ou perfume foi usado.

Ainda como jejum parcial, alguns apontam o texto de Paulo sobre o casamento, que afirma haver um tipo de abstinência sexual entre o marido e a mulher para se dedicarem à oração (1Co 7.5).

Esta abstinência, para alguns, é considerada um jejum parcial. Cabe ainda salientar que todo jejum tem um caráter sobrenatural a ponto de permitir que pessoas fiquem sem comer nem beber por longos dias.

Como Moisés diante do Senhor (Êx 34.28), que jejuou por 40 dias inteiros sem comida nem água. Este tipo de jejum é denominado jejum sobrenatural.

Aviso Importante sobre Saúde: O jejum de Moisés foi sustentado milagrosamente por Deus e não deve ser imitado por nós. A medicina comprova que o corpo humano não sobrevive a tantos dias sem água.

Além disso, pessoas com condições crônicas (como diabetes, pressão alta, etc.), gestantes, lactantes e idosos devem sempre consultar um médico antes de iniciar jejuns prolongados.

Nosso corpo é templo do Espírito Santo (1Co 6.19) e Deus não exige sacrifícios que prejudiquem a nossa saúde física.

O Tempo do Jejum

A Bíblia não estabelece regras de tempo para o jejum. Mas apresenta exemplos de pessoas que jejuaram por períodos específicos, como Jesus (40 dias), Daniel (21 dias) etc. Assim, é determinante, quando alguém for jejuar, estabelecer diante de Deus o tempo de seu jejum.

Em nossa rotina moderna — em meio à correria do trabalho e dos estudos —, você pode, por exemplo, estabelecer um jejum parcial pulando apenas uma refeição e dedicando o tempo daquela alimentação à leitura bíblica e à oração.

Não se deve jejuar sem propósito, do tipo “vou jejuar até quando puder”. Nada disso, o jejum é algo muito sério e exige planejamento espiritual. Um ótimo exemplo de propósito foi o jejum de Ester.

Jejum de Instagram e TikTok?

Certo dia alguém me perguntou se poderia se abster do Instagram e do TikTok como uma forma de jejum.

Neste caso, a resposta que dei foi: certamente, qualquer coisa que passa dos limites, comprometendo parte do nosso tempo que poderia ser aplicado em outras atividades — como meditação na Palavra de Deus, na oração, com a família, com os irmãos da igreja, ou desenvolvendo alguma aptidão como música, escrita, estudo etc. — deveria ser vista como falta de domínio próprio.

Isso mesmo! A parte do fruto do Espírito que nos capacita espiritualmente para termos domínio em diversas situações da nossa vida deveria ser aplicada também quanto ao tempo utilizado nas redes sociais.

Assim, se você precisa fazer jejum de rede social, a situação é bem grave. Não faça este jejum; peça a Deus domínio próprio para você poder usar seu tempo de maneira edificante.

Mas, se é para jejuar, então faça um jejum normal, um jejum total ou até mesmo um jejum parcial de algum tipo de alimento. Quem sabe o Senhor não lhe chame para viver experiências mais profundas em Sua presença e intimidade?

Conclusão

Ao longo das Escrituras, o jejum sempre esteve associado a uma busca mais intensa pela face de Deus. Ele não é uma “moeda de troca” para comprarmos bênçãos ou impressionarmos os outros, mas sim uma ferramenta maravilhosa de humilhação, quebrantamento e sintonia fina com o Espírito Santo.

Quando deixamos de alimentar a nossa carne, o nosso espírito se torna muito mais sensível à voz do Senhor. Que a prática do jejum faça parte da sua vida cristã diariamente, sempre acompanhada da oração constante, da meditação na Palavra e de muito amor a Deus e ao seu próximo.

Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irmão Moisés Brasil. Você pode acompanhar o seu trabalho excepcional através do YouTube e Instagram.

Referências Recomendadas

Para se aprofundar ainda mais neste importante tema, recomendamos as seguintes leituras e ferramentas de apoio para seus estudos:

  • Bíblia de Estudo Pentecostal ou Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (excelentes para notas de rodapé sobre o contexto histórico e cultural do mundo bíblico).
  • Dicionário Bíblico Wycliffe (muito útil para o estudo aprofundado das palavras originais hebraicas e gregas mencionadas neste texto).
  • O Jejum Escolhido por Deus, de Arthur Wallis (uma obra clássica sobre o propósito e o poder do jejum cristão em nossa vida).

E você?

O que pensa sobre a prática do jejum bíblico em nossos dias?

Fique na Paz!

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