Quem Foi Gideão na Bíblia: o Velo, os 300 e o Éfode que o Derrubou

↑ Este artigo faz parte da coleção Personagens Bíblicos — quem foram e o que ainda ensinam à igreja de hoje.

Gideão foi juiz de Israel, um lavrador da tribo de Manassés que derrotou os midianitas com trezentos homens (Jz 7:7 ACF). A história dele ocupa três capítulos: Juízes 6, 7 e 8.

E ela guarda uma inversão que a pregação popular costuma pular. O episódio do velo, lido como modelo de fé, é a passagem em que Gideão pede a Deus, na primeira noite, exatamente aquilo que o orvalho faria sozinho.

Quem foi Gideão na Bíblia

Gideão era filho de Joás, do clã de Abiezer, em Ofra, no território de Manassés (Jz 6:11). O nome dele aparece em 38 versículos da Almeida Corrigida Fiel: 37 em Juízes e um em Hebreus 11:32.

A carreira tem três fases, e Wiersbe as resume assim: começou covarde em Juízes 6, tornou-se conquistador entre 7:1 e 8:21 e terminou condescendente em 8:22-351. O livro não esconde nenhuma das duas metades.

Vale marcar desde já o que o texto não diz: Juízes nunca chama Gideão de homem de grande fé. Quem faz isso é Hebreus, séculos depois, numa lista que o próprio autor declara incompleta: “Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão” (Hb 11:32 ACF).

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Sete anos de Midiã e um homem no lagar

O contexto é de saque anual. Por sete anos, midianitas, amalequitas e “filhos do oriente” subiam na época da colheita e levavam tudo — “e eram inumeráveis os seus camelos, como a areia que há na praia do mar” (Jz 7:12 ACF).

A cena de apresentação de Gideão é de escassez e de esconderijo: “e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas” (Jz 6:11 ACF). Onde a ACF diz “lagar”, a NVI traz “estava malhando o trigo num tanque de prensar uvas, para escondê-lo dos midianitas” (Jz 6:11 NVI), e a NVT, “no fundo de uma prensa de uvas”.

Afinal, debulhar trigo é serviço de eira: área aberta, de chão batido, onde a brisa leva a palha embora. O comentário histórico-cultural explica a escolha do lugar: bater o trigo dentro de um tanque de prensar uvas chamava bem menos atenção do que fazê-lo numa eira5.

Ou seja: Gideão fazia, num buraco cavado na rocha, um trabalho que só rende a céu aberto. Trocou eficiência por invisibilidade.

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“Homem valoroso”: o que o anjo chamou Gideão

É para esse homem que a saudação chega: “Então o anjo do Senhor lhe apareceu, e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valoroso” (Jz 6:12 ACF).

As sete versões dividem o mesmo epíteto em duas famílias:

ACF “homem valoroso”
ARC “varão valoroso”
NAA “homem valente”
BKJ “homem poderoso e valente”
ARA e NVI “poderoso guerreiro”
NVT “guerreiro corajoso”

A expressão hebraica por trás disso é gibbôr hayil, e ela tem alcance maior que “guerreiro”. O comentário histórico-cultural observa que o mesmo epíteto descreve gente em contextos que não são de batalha, e aponta dois casos5. Basta ler os dois nas versões brasileiras:

  • Boaz, em Rute 2:1 — a ACF diz “homem valente e poderoso”; a NVI, “Era um homem rico e influente, pertencia ao clã de Elimeleque e chamava-se Boaz” (Rt 2:1 NVI);
  • Quis, pai de Saul, em 1 Samuel 9:1 — a ACF diz “homem poderoso”; a NVI, “Havia um homem de Benjamim, rico e influente, chamado Quis, filho de Abiel” (1Sm 9:1 NVI).

Nem Boaz nem Quis aparecem lutando. O que a expressão marca nesses dois casos é peso social: posição, recursos, responsabilidade reconhecida na comunidade. O anjo não elogia um currículo militar que Gideão não tem. E a resposta dele discorda em cheio: “Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai” (Jz 6:15 ACF).

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A noite do altar de Baal e a resposta de Joás

Antes de qualquer guerra contra Midiã, a ordem é doméstica: derrubar o altar de Baal do próprio pai e cortar o poste de Aserá ao lado dele (Jz 6:25).

Gideão obedece, e o texto explica o horário sem eufemismo: “e sucedeu que, temendo ele a casa de seu pai, e os homens daquela cidade, não o fez de dia, mas fê-lo de noite” (Jz 6:27 ACF). Obedeceu com medo. As duas coisas cabem no mesmo versículo.

Na manhã seguinte a cidade quer matá-lo, e quem o defende é o dono do altar destruído: “Contendereis vós por Baal? Livrá-lo-eis vós? Qualquer que por ele contender ainda esta manhã será morto; se é deus, por si mesmo contenda” (Jz 6:31 ACF). O argumento de Joás é jurídico antes de ser teológico: quem foi ofendido que cobre.

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O velo foi um oráculo, e o primeiro pedido não provava nada

Este é o trecho mais citado da história e o mais mal lido.

Deus já havia prometido a vitória em Juízes 6:16. Ainda assim, Gideão propõe um teste: “Eis que eu porei um velo de lã na eira; se o orvalho estiver somente no velo, e toda a terra ficar seca, então conhecerei que hás de livrar a Israel por minha mão” (Jz 6:37 ACF).

Repare no formato: pergunta de sim ou não, respondida por um evento físico combinado de antemão. Isso tem nome no mundo antigo: oráculo binário. Era o mecanismo do Urim e do Tumim, que o sacerdote portava e que Gideão não tinha à mão.

E aqui entra o dado que muda a leitura. Lã é macia e absorvente; o chão de uma eira é de pedra ou de terra batida. Deixar um velo ao relento a noite inteira e encontrá-lo úmido, com o chão seco, é o que aconteceria de qualquer jeito6. Foi o que aconteceu: “porque no outro dia se levantou de madrugada, e apertou o velo; e do orvalho que espremeu do velo, encheu uma taça de água” (Jz 6:38 ACF).

Ou seja: a primeira noite não distinguiu Deus da meteorologia. Por isso existe uma segunda. Gideão inverte os termos, de modo que só o resultado fora do comum conte como resposta7: “rogo-te que só o velo fique seco, e em toda a terra haja o orvalho” (Jz 6:39 ACF). E foi o que houve (Jz 6:40).

Duas observações necessárias. A primeira: o pedido veio depois da promessa, não no lugar dela. Wiersbe é duro com o episódio: provas desse tipo, escreve ele, “não são um método bíblico de determinar a vontade de Deus” — são o recurso de quem não confia que a promessa será cumprida, e o atendimento veio por graça, não por aprovação2.

A segunda é uma conta que o próprio livro entrega. A palavra “sinal” aparece uma única vez em Juízes 6-8, no pedido de 6:17. Porém o texto registra quatro confirmações antes da batalha: o fogo que subiu da rocha (6:21), o velo molhado (6:38), o velo seco (6:40) e o sonho do soldado inimigo (7:13-15). Ele pediu um sinal e recebeu quatro.

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Jerubaal: o apelido de escárnio que virou nome de registro

A frase de Joás rende a Gideão um apelido, e o apelido pega: “Por isso naquele dia lhe chamaram Jerubaal, dizendo: Baal contenda contra ele, pois derrubou o seu altar” (Jz 6:32 ACF).

Era deboche, e terminou virando nome de arquivo. Na ACF, “Jerubaal” aparece em 13 versículos — doze em Juízes (6:32; 7:1; 8:29; 8:35; 9:1, 2, 5, 16, 19, 24, 28, 57) e um fora do livro, na retrospectiva de Samuel: “E o Senhor enviou a Jerubaal, e a Bedã, e a Jefté, e a Samuel; e livrou-vos da mão de vossos inimigos em redor” (1Sm 12:11 ACF).

Vale reparar em duas notas de tradução. Em 1 Samuel 12:11, seis das sete versões mantêm “Jerubaal”; só a NVT troca pelo nome de batismo: “O SENHOR enviou Gideão, Bedã, Jefté e Samuel para livrá-los, e vocês viveram em segurança” (1Sm 12:11 NVT). E em 2 Samuel 11:21 o nome reaparece deformado, com bosete (“vergonha”) no lugar de “Baal”: “Quem feriu a Abimeleque, filho de Jerubesete?” (2Sm 11:21 ACF).

É o mesmo homem em três formas: Gideão, Jerubaal e Jerubesete. O apelido que a vila inventou para humilhá-lo virou a maneira como Israel se lembrou dele.

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Os trezentos, o pão de cevada e as trombetas

A redução do exército tem duas etapas e um motivo declarado no próprio texto: “Muito é o povo que está contigo, para eu dar aos midianitas em sua mão; a fim de que Israel não se glorie contra mim, dizendo: A minha mão me livrou” (Jz 7:2 ACF).

32.000 responderam à convocação (Jz 7:3)
-22.000 voltaram para casa: “quem for medroso e tímido, volte” (Jz 7:3)
10.000 ficaram, e foram levados à água (Jz 7:4)
300 beberam lambendo, levando a mão à boca (Jz 7:6-7)

Do outro lado, a conta de Juízes 8:10 fecha em 135 mil: 120 mil caíram e 15 mil restaram com Zeba e Salmuna.

Sobre o modo de beber, cabe uma honestidade: Juízes não diz por que um jeito passou e o outro não. As explicações devocionais que circulam são leituras, e Wiersbe rejeita a mais comum delas — a de que os ajoelhados ficariam vulneráveis —, lembrando que o inimigo estava a mais de seis quilômetros dali (Jz 7:1).

A confirmação seguinte chega pela boca do adversário. Gideão desce ao acampamento e ouve um sonho: “eis que um pão de cevada torrado rodava pelo arraial dos midianitas, e chegava até à tenda, e a feriu” (Jz 7:13 ACF). Cevada era cereal de pobre e tenda era a casa do nômade; o companheiro traduz a imagem na hora, dizendo que aquilo é “a espada de Gideão” (Jz 7:14). A resposta veio do inimigo, e Gideão adorou antes de voltar (Jz 7:15).

A tática também tem explicação prática. Cada homem recebeu uma trombeta, um cântaro e uma tocha (Jz 7:16). Em batalhas noturnas, só uma fração dos soldados carregava trombeta ou tocha, porque os demais precisavam das mãos para as armas — de modo que trezentas trombetas soando ao mesmo tempo sugeriam um exército muitas vezes maior7. O pânico fez o resto: “o Senhor tornou a espada de um contra o outro, e isto em todo o arraial” (Jz 7:22 ACF).

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O éfode: a vitória que ele venceu e o troféu que o derrubou

Juízes 8 é o capítulo em que Gideão ganha tudo e perde o rumo.

Primeiro ele acerta. Efraim reclama de não ter sido chamado para a guerra (Jz 8:1); ele responde com elogio em vez de patente, e a briga morre ali: “Então a sua ira se abrandou para com ele, quando falou esta palavra” (Jz 8:3 ACF). Depois disciplina Sucote e Peniel, que negaram pão ao exército em marcha (Jz 8:14-17), e executa os reis Zeba e Salmuna (Jz 8:18-21).

E acerta de novo na recusa mais importante da carreira: “Sobre vós eu não dominarei, nem tampouco meu filho sobre vós dominará; o Senhor sobre vós dominará” (Jz 8:23 ACF).

O erro vem no versículo seguinte. Ele pede uma parte do despojo e junta “mil e setecentos siclos de ouro” (Jz 8:26 ACF), algo em torno de 20,5 quilos — o equivalente a uns 3.400 brincos8. Com isso faz um éfode e o instala em Ofra: “e todo o Israel prostituiu-se ali após ele; e foi por tropeço a Gideão e à sua casa” (Jz 8:27 ACF).

O éfode era peça de vestimenta sacerdotal, e o manto sacerdotal aparece em outros textos ligado a consultas oraculares8. Ou seja: o homem que precisou de quatro confirmações montou, no fim, uma central de confirmações para os outros — e sem ser sacerdote.

Wiersbe atribui o declínio ao orgulho e resume a virada numa frase: Gideão começou como servo e terminou como celebridade4. As contas do capítulo acompanham o diagnóstico. Ele recusou o título de rei e passou a viver como um: setenta filhos, muitas mulheres, uma concubina em Siquém e um filho chamado Abimeleque (Jz 8:30-31), nome que significa “meu pai é rei”.

O fecho é o mais amargo: “como Gideão faleceu, os filhos de Israel tornaram a se prostituir após os baalins” (Jz 8:33 ACF).

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Cem versículos: o juiz a quem Juízes deu mais espaço

Há uma medida objetiva de quanto o livro se importa com essa história, e ela fecha dentro de Juízes.

Gideão Jz 6:1-8:35 100 versículos
Sansão Jz 13:1-16:31 96 versículos
Jefté Jz 10:6-12:7 60 versículos
Eúde Jz 3:12-30 19 versículos
Otniel Jz 3:7-11 5 versículos
Sangar Jz 3:31 1 versículo

Juízes 6, 7 e 8 somam 40, 25 e 35 versículos na ACF: exatamente cem. É o maior bloco dedicado a um único juiz, e Wiersbe faz a mesma observação, acrescentando que Gideão é o juiz cujas lutas pessoais com a fé ficaram registradas1.

Há ainda um detalhe de composição que fecha a história em círculo. A palavra “lagar” aparece duas vezes em Juízes 6-8: no versículo em que Gideão se esconde dentro de um (6:11) e no versículo em que um príncipe inimigo morre em outro — “e a Zeebe mataram no lagar de Zeebe” (Jz 7:25 ACF). Wiersbe repara nisso3, e a conta fecha: são esses dois e nenhum outro.

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O que a história de Gideão ensina

Antes das aplicações, o cenário — porque é dele que elas saem.

Juízes descreve um ciclo: o povo abandona o Senhor, é entregue a um opressor, clama, recebe um libertador, descansa, e recomeça tudo assim que o libertador morre (Jz 2:19). No trecho de Gideão o opressor é Midiã, a duração é de sete anos e o efeito é fome: “Assim Israel empobreceu muito pela presença dos midianitas; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor” (Jz 6:6 ACF). São famílias escondidas em cavernas e lagares, com a colheita levada ano após ano.

1. O clamor veio da fome, não da consciência — e Deus respondeu assim mesmo. O texto diz por que o povo gritou: “clamando os filhos de Israel ao Senhor por causa dos midianitas” (Jz 6:7 ACF). A queixa é do saque.

E a primeira resposta de Deus não é livramento: é um profeta anônimo que relembra o Egito e a aliança e fecha com uma acusação — “Eu sou o Senhor vosso Deus; não temais aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; mas não destes ouvidos à minha voz” (Jz 6:10 ACF).

Wiersbe lê a sequência com dureza: sofrimento que não conduz ao arrependimento não deixa nada de duradouro, e arrependimento que só quer escapar da dor não passa de remorso1. O que atravessa daquele tempo até este não é a semelhança das circunstâncias — é o mesmo Deus, que disciplina quem ama. Muda, então, a oração que se faz numa crise: pedir que ela passe foi o que Israel fez em Juízes 6, e em 8:33 o povo estava de volta aos baalins.

2. A guerra contra Midiã começou com uma demolição dentro de casa. O altar derrubado era do pai de Gideão, e a reação da vila inteira (Jz 6:30) mostra que servia à comunidade. Só depois disso o Espírito o reveste e ele convoca as tribos (Jz 6:34-35). A ordem tem lógica no próprio livro: Midiã era a consequência, Baal era a causa, como o profeta já dissera em 6:10. Wiersbe põe as duas guerras em ordem: a de dentro de casa tinha de ser vencida primeiro9. Vale para qualquer casa onde se ora contra um problema cuja raiz continua instalada na sala.

3. O exército encolheu para tirar de Israel uma frase. O motivo está escrito: “a fim de que Israel não se glorie contra mim, dizendo: A minha mão me livrou” (Jz 7:2 ACF). Num livro em que o povo esquece o libertador assim que a terra descansa, cortar de 32 mil para trezentos é medida contra o esquecimento. Wiersbe leva o princípio para a igreja: depender da “grandiosidade” — construções, multidões e orçamentos grandes — é pôr a confiança na coisa errada11.

4. Mandar os medrosos para casa era cumprimento de lei, não desprezo. A dispensa de Juízes 7:3 repete o que Moisés havia mandado: “Qual é o homem medroso e de coração tímido? Vá, e torne-se à sua casa, para que o coração de seus irmãos não se derreta como o seu coração” (Dt 20:8 ACF).

E o comandante que aplicou a regra tinha medo: derrubou o altar de noite (Jz 6:27) e desceu ao acampamento inimigo porque ainda temia (Jz 7:10). Juízes não elogia nem condena esse medo — registra que Deus deu quatro confirmações e mandou ir. Wiersbe resume o preço dos dois extremos: “O orgulho depois da batalha toma do Senhor a glória que lhe é devida, e o medo durante a batalha toma dos soldados do Senhor a coragem e o poder”10.

5. A parte mais difícil da história é o depois. Gideão venceu Midiã e a terra teve quarenta anos de paz (Jz 8:28) — o último descanso que Juízes registra. Foi dentro desse intervalo tranquilo que ele pediu o ouro, fez o éfode e viu Israel se prostituir atrás dele (Jz 8:27). Wiersbe atribui a queda ao orgulho e conclui que ninguém está seguro fora da vontade de Deus4. O texto vai além: assim que Gideão morreu, o povo voltou aos baalins (Jz 8:33), e o filho da concubina de Siquém matou sessenta e nove irmãos (Jz 9:5).

A pergunta que sobra é a que o período dos juízes refaz a cada ciclo: a fidelidade sobrevive ao homem que a liderou?

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Esboço de pregação sobre Gideão

Um roteiro em três pontos que percorre Juízes 6 e 7 e fecha em Juízes 8. Serve para culto, culto de jovens, célula ou EBD.

Tema: o homem que Deus chamou pelo nome que ele ainda não merecia. Texto: Juízes 6:11-24 (versículo-chave: 6:12).

  1. O chamado no lugar errado (Jz 6:11-16) — o lagar, a saudação e a objeção da família mais pobre em Manassés;
  2. As quatro confirmações (Jz 6:17-24; 6:36-40; 7:9-15) — o fogo, o velo molhado, o velo seco e o sonho do inimigo.

    Deus é paciente com quem duvida, e paciência não é aprovação;

  3. A vitória e o troféu (Jz 7:19-22; 8:22-27) — trezentas trombetas e, depois, vinte quilos de ouro.

Conclusão sugerida: ler Juízes 8:23 e Juízes 8:27 em sequência, sem comentário entre um e outro, e deixar a distância entre os dois versículos fazer o trabalho.

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Perguntas frequentes

Quem foi Gideão na Bíblia?

Foi juiz de Israel, filho de Joás, do clã de Abiezer, da tribo de Manassés. Deus o chamou para libertar Israel da opressão midianita e ele venceu com trezentos homens (Jz 7:7). A história está em Juízes 6 a 8, e o nome dele aparece em 38 versículos da ACF, incluindo Hebreus 11:32.

O que foi o velo de Gideão?

Foi um teste de sim ou não proposto por Gideão a Deus, com um chumaço de lã deixado ao relento numa eira (Jz 6:36-40). Na primeira noite ele pediu lã molhada e chão seco — o resultado natural, porque a lã retém o orvalho e o piso batido de uma eira não retém. Na segunda inverteu o pedido: lã seca e chão coberto de orvalho. Só essa exigia quebra do curso normal.

Por que Gideão foi chamado de Jerubaal?

Porque derrubou o altar de Baal do pai. Quando a cidade quis matá-lo, Joás respondeu que Baal se defendesse sozinho, e o apelido pegou: “Baal contenda contra ele” (Jz 6:32). Na ACF, “Jerubaal” aparece em 13 versículos, inclusive fora de Juízes, em 1 Samuel 12:11.

Quantos homens ficaram com Gideão na batalha contra os midianitas?

Trezentos. Dos 32 mil convocados, 22 mil voltaram para casa por medo (Jz 7:3) e outros 9.700 foram dispensados no teste da água (Jz 7:6-7). Do lado inimigo, Juízes 8:10 soma 135 mil homens.

O que significa “homem valoroso” em Juízes 6:12?

Traduz a expressão hebraica gibbôr hayil, que a ARA e a NVI vertem por “poderoso guerreiro” e a NVT por “guerreiro corajoso”. A mesma expressão descreve Boaz (Rt 2:1) e Quis (1Sm 9:1), homens que não aparecem lutando, e nesses casos a NVI traduz por “rico e influente”. Marca posição e responsabilidade na comunidade, não bravura já comprovada.

Qual foi o pecado de Gideão no fim da vida?

Ele recusou o título de rei (Jz 8:23), mas pediu o ouro do despojo e fez um éfode, que instalou em Ofra. Israel se prostituiu após esse objeto, e ele “foi por tropeço a Gideão e à sua casa” (Jz 8:27). O ouro somou mil e setecentos siclos, cerca de vinte quilos.

Quantos filhos teve Gideão?

Setenta e um. Setenta de suas muitas mulheres e um da concubina de Siquém, chamado Abimeleque (Jz 8:30-31). Depois da morte de Gideão, Abimeleque matou sessenta e nove dos meios-irmãos para se fazer rei (Jz 9:5).

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Fontes

Texto bíblico: Almeida Corrigida Fiel (ACF), com as demais versões identificadas quando citadas. As contagens referem-se ao texto da ACF.

  1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 111.
  2. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II, p. 116.
  3. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II, p. 122.
  4. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II, p. 128.
  5. WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Trad. Noemi Valéria Altoé. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 261.
  6. WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento, p. 262.
  7. WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento, p. 263.
  8. WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento, p. 265.
  9. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II, p. 115.
  10. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II, p. 119.
  11. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II, p. 123.

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