Quem Foi Melquisedeque na Bíblia?

↑ Este artigo faz parte da coleção Personagens Bíblicos — quem foram e o que ainda ensinam à igreja de hoje.

Melquisedeque foi rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, que abençoou Abraão na volta da batalha e recebeu dele o dízimo de tudo (Gn 14:18-20 ACF). O nome dele aparece onze vezes na Bíblia — duas no Antigo Testamento e nove em Hebreus — e o próprio Novo Testamento traduz o nome: “rei de justiça” (Hb 7:2 ACF).

Melquisedeque. Um nome que aparece poucas vezes nas Escrituras Sagradas, porém, carrega um significado profundo e intrigante. Mas afinal, quem foi Melquisedeque na Bíblia?

Hoje vamos falar sobre uma figura bíblica que aparece em três livros: Gênesis, o primeiro livro escrito por Moisés, depois no livro dos Salmos e por último no Livro de Hebreus.

Mas antes de entender o que essa figura bíblica representa, vamos começar falando sobre o significado desse nome.

Significado do Nome e Quem Foi Melquisedeque?

Seu nome, em hebraico, significa “rei de justiça”, uma combinação de “melek” (Rei) e “tsedeq” (Justiça). Vale registrar as variações de grafia que circulam por aí: Melquisedec e Melquesedeque em português, e Melchizedek na forma inglesa — todas se referem ao mesmo personagem de Gênesis 14.

A cidade de Salém ao amanhecer

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Melquisedeque e Abraão

Na Bíblia, Melquisedeque é mencionado pela primeira vez em Gênesis 14:18.

Neste relato, ele é descrito como rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo. Salém é geralmente identificada com Jerusalém, e o próprio Saltério aproxima os dois nomes: “E em Salém está o seu tabernáculo, e a sua morada em Sião” (Salmos 76:2 ACF).

E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo.
Gênesis 14:18

Sua aparição ocorre após Abraão, o patriarca da fé judaica, ter resgatado seu sobrinho Ló e derrotado vários reis que haviam levado Ló cativo.

Após a vitória de Abraão, Melquisedeque surge e traz pão e vinho, uma oferta que tem sido interpretada de várias maneiras pelos estudiosos da Bíblia.

Abrão entrega o dízimo a Melquisedeque

Alguns vêem isso como um gesto de hospitalidade, outros como um ritual sacerdotal que aponta para a Ceia do Senhor.

Independentemente da interpretação, é claro que Melquisedeque estava honrando Abraão e reconhecendo a bênção de Deus sobre ele.

“19 – E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra;

20 – E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.”
Gênesis 14:19-20

Repare que esta bênção é significativa: é a primeira bênção registrada na Bíblia que é feita em nome do “Deus Altíssimo”.

Em resposta à bênção de Melquisedeque e ao seu reconhecimento do Deus Altíssimo, Abraão dá a Melquisedeque um dízimo de tudo, um décimo dos despojos da guerra.

Este ato de Abraão é visto como um reconhecimento da autoridade sacerdotal de Melquisedeque e uma expressão de gratidão a Deus.

A interação entre Melquisedeque e Abraão é breve, mas profundamente significativa.

Ela estabelece um precedente para a prática do dízimo na tradição judaica (veja os principais versículos sobre dízimos e ofertas na Bíblia) e destaca a importância do reconhecimento e da gratidão a Deus.

A figura de Melquisedeque como um rei justo e sacerdote de Deus serve como um poderoso símbolo de liderança espiritual e integridade.

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Melquisedeque nos Salmos

O Salmo 110 é um dos textos mais citados do Antigo Testamento no Novo Testamento, e é aqui que encontramos uma referência intrigante a Melquisedeque.

No versículo 4, o salmista escreve:

“O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.”
Salmos 110:4

Esta é uma declaração poderosa e profunda. O salmo é geralmente considerado um salmo messiânico, uma profecia sobre o futuro Messias que viria para governar e trazer salvação.

A menção de Melquisedeque neste contexto é significativa para os acontecimentos futuros.

A cruz vazia ao entardecer

Ao afirmar que o Messias é um sacerdote “segundo a ordem de Melquisedeque”, o salmista está fazendo uma distinção entre o sacerdócio levítico estabelecido na Lei de Moisés e este sacerdócio “segundo a ordem de Melquisedeque”.

Este último sacerdócio é único, pois Melquisedeque, como descrito em Gênesis, era tanto rei quanto sacerdote.

Em Israel esses dois papéis ficavam separados: o sacerdócio pertencia à tribo de Levi, por determinação da Lei, e a realeza veio a se firmar em Judá, na casa de Davi — séculos depois de Moisés.

Ao se referir a Melquisedeque, o Salmo 110 aponta para um sacerdócio que é diferente do sacerdócio levítico, um sacerdócio que combina as funções de rei e sacerdote.

Este é um sacerdócio eterno, não baseado na linhagem física, mas estabelecido pelo próprio juramento de Deus.

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Melquisedeque no Novo Testamento

No Novo Testamento, ele é mencionado principalmente na Epístola aos Hebreus, onde é retratado como uma figura simbólica de Cristo.

Em Hebreus 7, o autor faz uma comparação detalhada entre Melquisedeque e Jesus.

“1- Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou;

2 – A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz;”
Hebreus 7:1-2

O livro de Hebreus descreve Melquisedeque como “rei de justiça” e “rei de paz”, títulos que são frequentemente aplicados a Jesus no Novo Testamento.

O autor de Hebreus observa ainda que Melquisedeque é “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hebreus 7:3 ACF).

O texto não está dizendo que Melquisedeque era eterno — e sim que a Escritura silencia sobre a origem dele, sem pai, sem mãe e sem registro genealógico. É esse silêncio que o autor usa: no mesmo versículo ele conclui que Melquisedeque foi “feito semelhante ao Filho de Deus”, e permanece sacerdote para sempre. A semelhança está na figura, não na natureza.

Vale destacar outro ponto do argumento: o autor de Hebreus lembra que Melquisedeque era tanto um rei quanto um sacerdote.

Na tradição judaica, esses dois papéis eram geralmente separados – o rei vinha da linhagem de Davi, enquanto o sacerdote vinha da linhagem de Arão.

Davi, o rei de Israel, no terraço do palácio em Jerusalém
Arão, sumo sacerdote, com o peitoral de doze pedras diante do Tabernáculo

Melquisedeque, porém, como rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, uniu esses dois papéis.

Da mesma forma, Jesus é descrito no Novo Testamento como o “Rei dos reis” e o nosso grande Sumo Sacerdote, que se ofereceu como sacrifício perfeito por nossos pecados.

Através de sua morte e ressurreição, Jesus cumpriu a promessa simbolizada na figura de Melquisedeque, trazendo salvação e vida eterna para todos que creem nele.

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O que Aprendemos com Melquisedeque?

Melquisedeque, era tanto um rei quanto um sacerdote, uma combinação rara na Bíblia.

Ele governou a cidade de Salém e abençoou Abraão, o patriarca dos israelitas, após uma batalha decisiva. Vale precisar o que se sabe sobre esse lugar: a identificação mais aceita é com Jerusalém, mas ela não é unânime — as evidências cristãs mais antigas e o mapa de Madaba, o mapa mais antigo da Palestina, associam Salém a Siquém1. Ou seja: quem afirma categoricamente que Salém era Jerusalém está escolhendo um lado de uma questão que segue aberta.

Descobrimos que, apesar de sua breve aparição no Antigo Testamento, Melquisedeque deixou uma impressão duradoura.

Ele foi mencionado novamente no livro de Salmos e, mais notavelmente, no livro de Hebreus no Novo Testamento, onde foi comparado a Jesus Cristo.

Vimos que Melquisedeque, sem genealogia ou linhagem conhecida, prefigurou o sacerdócio eterno de Jesus Cristo, que não é baseado na descendência, mas na eternidade de Cristo como o Filho de Deus.

A história de Melquisedeque nos ensina sobre a importância da fé, da bênção e do sacerdócio.

Ele nos mostra que Deus pode trabalhar de maneiras misteriosas e inesperadas, e que a fé em Deus, cultivada na oração, pode trazer bênçãos inesperadas.

A figura de Melquisedeque é um testemunho do plano divino de Deus que se desenrola ao longo da Bíblia, um plano que culmina no sacerdócio eterno de Jesus Cristo.

Assim como outros personagens de aparição breve mas impacto teológico — como Simão Cirineu no Novo Testamento —, Melquisedeque nos mostra que Deus usa encontros curtos para moldar a história da salvação.

Outros personagens do Antigo Testamento, como a história de José do Egito, também ilustram essa mão providencial de Deus em circunstâncias aparentemente adversas.

Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo

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Quantas Vezes Melquisedeque Aparece na Bíblia?

O nome de Melquisedeque aparece só algumas vezes nas Escrituras. Mas onde ele aparece? Bem, a sequência de aparições é:

Primeiro, nós o encontramos em Gênesis, capítulo 14. Ali, ele surge como o rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo.

Depois, há uma menção rápida dele no Salmo 110, onde o salmista faz uma comparação interessante entre o Messias e Melquisedeque.

Agora, o maior destaque sobre quem foi Melquisedeque encontra-se no livro de Hebreus. O autor desse livro parece muito interessado na figura dele!

O nome do sacerdote aparece várias vezes nos capítulos 5, 6 e 7, fazendo toda uma análise comparando o sacerdócio dele com o de Jesus.

O nome de Melquisedeque aparece 11 vezes na Bíblia: 2 no Antigo Testamento e 9 no Novo — todas, no Novo, dentro de Hebreus. Esta é a lista completa:

  • Gênesis 14:18 — rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, leva pão e vinho a Abraão;
  • Salmo 110:4 — “tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque”;
  • Hebreus 5:6 — “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque”;
  • Hebreus 5:10 — Jesus é chamado por Deus sumo sacerdote “segundo a ordem de Melquisedeque”;
  • Hebreus 6:20 — Jesus entrou como precursor, feito eternamente sumo sacerdote;
  • Hebreus 7:1 — rei de Salém e sacerdote que saiu ao encontro de Abraão e o abençoou;
  • Hebreus 7:10 — Levi “ainda estava nos lombos de seu pai” quando o encontro aconteceu;
  • Hebreus 7:11 — por que outro sacerdote precisaria se levantar, se o sacerdócio levítico bastasse;
  • Hebreus 7:15 — “à semelhança de Melquisedeque se levantar outro sacerdote”;
  • Hebreus 7:17 — repete o juramento do Salmo 110;
  • Hebreus 7:21 — o sacerdócio dele vem com juramento; o levítico, não;

Em Hebreus 7:2 e 7:4 o autor continua falando dele — “a quem Abraão deu o dízimo de tudo” — sem repetir o nome. Por isso esses dois versículos não entram na contagem, embora sejam sobre ele.

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Dúvidas Sobre Melquisedeque

Melquisedeque era Jesus?

Não. Melquisedeque é um tipo de Cristo — uma prefiguração —, não Jesus mesmo.

Hebreus 7 explica que Jesus é “sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Salmos 110:4 ARA), o que significa que o sacerdócio eterno de Cristo se assemelha ao de Melquisedeque (sem linhagem levítica, combinando rei e sacerdote), mas não os identifica como a mesma pessoa.

Melquisedeque era Filho de Quem?

A Bíblia não registra sua genealogia. Hebreus 7:3 afirma que ele é “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida”.

Isso reforça seu papel de tipo do sacerdócio eterno de Cristo, cuja autoridade não vem de linhagem humana.

Quem Governou sendo Rei e Sacerdote ao mesmo tempo?

Melquisedeque é o primeiro personagem bíblico citado como alguém que possuía dois ofícios simultâneos, a saber, Rei (de Salém) e Sacerdote do Deus Altíssimo.

Na Lei de Moisés, esses dois papéis ficavam estritamente separados — reis vinham da tribo de Judá, sacerdotes da tribo de Levi. Somente em Jesus Cristo os dois ofícios se unem novamente.

Salém, a Cidade de Melquisedeque, é Jerusalém?

A maioria dos estudiosos associa Salém à antiga Jerusalém. O próprio Salmo 76:2 parece fazer essa equivalência:

“Em Salém está o seu tabernáculo, e a sua morada em Sião”. “Salém” significa “Paz” em hebraico — o que dá força à leitura de Melquisedeque como “Rei de Paz” (Hebreus 7:2).

Você já conhecia algo sobre Melquisedeque?

Que outro personagem bíblico você gostaria de saber um pouco mais?

Fique na paz e até a próxima!

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Fontes

  1. WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Trad. Noemi Valéria Altoé. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 46.

12 comentários em “Quem Foi Melquisedeque na Bíblia?”

  1. A paz.

    Posso até estar errada, mas Melquisedeque veio até a Terra para dar continuidade, fortalecer e cuidar dos caminhos do Senhor Jesus.

    Deus cuida do que é Dele, nos mínimos detalhes.

    Aleluia!

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  2. Um texto muito interessante, uma curiosidade, a Bíblia é um celeiro de aprendizado. Cada história, dentro do seu contexto, nos ensina algo para a vida. Excelente texto. Parabéns Diego.

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  3. Acho q o texto foi claro q ele era um rei e sacerdote e no mais os detalhes sobre ele saberemos no céu. Deus deixou escrito apenas o q precisamos saber e ja existem muitas distorções…. no mais só especulações desnecessarias.

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  4. A bíblia já deixa bem claro quem foi Melquisedeque: Rei e Sacerdote, sem genealogia, sem princípio e sem fim, semelhante a Jesus Cristo.
    O que se tem a comentar mais do que a própria Escrituras Sagradas diz quem era Melquisedeque.
    Qualquer comentário além do que já está escrito, é pura especulação ou fantasia.

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  5. Eu acredito que Melquisedeque foi o Verbo preexistente que mais tarde se tornou o Filho de Deus, Jesus Cristo. Pois nenhum homem teria o nome de Rei da Justiça e Rei da Paz, que é o significado do nome Melquisedeque. Jesus é o único que se ajusta a essas qualificações. Jesus sempre interagiu no Antigo Testamento até que se manifestou no Novo Testamento, concluindo sua obra definitiva como Rei e Sacerdote.

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  6. Ouvi em uma pregação que Melquisedeque era descendente de Sete e que Abraão provavelmente já tinha ouvido falar dele; por esse motivo, teria lhe dado o dízimo de tudo. Gostaria de saber se mais alguém já ouviu essa pregação?

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    • Graça e paz, Carmen. Eu não ouvi essa pregação, mas estou confuso com a afirmação de que ‘Melquisedeque era descendente de Sete’, pois é fato que toda a humanidade descende de Sete. Se observar a sequência, perceberá a seguinte linhagem: Adão > Sete > Enos > Cainan > Maalalel > Jarede > Enoque > Matusalém > Lameque > Noé. Como toda a humanidade descende de Noé, logo, todos descendem de Sete. Portanto, tanto eu quanto você e Abraão somos descendentes de Sete.

      Deus te abençoe!

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