A gestão financeira de uma igreja é um dos maiores desafios de quem está à frente da tesouraria ou da liderança eclesiástica.
Diferente de uma empresa, a igreja vive de dízimos, ofertas e campanhas, costuma operar com voluntários e tem uma natureza jurídica imune a tributos — o que torna o seu planejamento financeiro um caso à parte dentro do terceiro setor.
Neste guia completo de gestão financeira para igrejas, reunimos os fundamentos que todo gestor precisa dominar:
Do controle básico de caixa e bancos ao planejamento estratégico, passando pela classificação contábil dos quatro grupos (ativo, passivo, receitas e despesas) e chegando à rotina diária de registro de dízimos, ofertas e demais entradas.
O objetivo é dar a você um caminho prático, descomplicado e transparente para gerir os recursos da igreja com segurança.
Por que a Gestão Financeira da Igreja é Diferente?
Uma das maiores dificuldades da Gestão Financeira para Igrejas e instituições é montar um planejamento financeiro que seja moderno, atrelado às ferramentas digitais.
Mas que seja eficaz de acordo com as suas próprias necessidades. Com as igrejas isso não é diferente; na verdade, em vista da dinâmica própria dos templos, apresenta um grau de dificuldade ainda maior.
É importante ressaltar que a gestão financeira para igrejas tem que ser um processo descomplicado e eficiente; tem que ser transparente e confiável para que o gestor perceba em cada processo o resultado de sua ação.
Por exemplo: se há uma receita à vista que entrou pelo caixa, esse valor precisa imediatamente ser somado ao saldo anterior do caixa, simples assim.
Não pode haver processos no meio, como entrar em outra tela, recalcular, nada disso. Assim que efetuar o lançamento, é necessário que você já consiga vê-lo; isso dá segurança para quem trabalha na gestão.
Neste quesito, a gestão financeira para igrejas e instituições tem, por se enquadrarem no terceiro setor, uma abordagem diferenciada. Já de início, um ponto crucial a ser levado em consideração é que igrejas, diferentemente das empresas comerciais, não têm receita de vendas.
Há exceções, embora poucas, mas as igrejas sobrevivem praticamente da contribuição de seus membros e visitantes; então, as principais receitas são de dízimos e ofertas.
Uma boa parte das igrejas tem o costume de fazer campanhas para arrecadação e esta, também em boa parte das igrejas, faz parte da totalidade das receitas.
É de suma importância ressaltar que, em qualquer circunstância, estando a igreja devidamente constituída, com registros dos seus atos constitutivos em cartório e inscrita na Receita Federal do Brasil, por força do mandamento constitucional, conforme art. 150, inciso VI, alínea b:
É expressamente vedada a tributação da totalidade das suas receitas, incluindo o patrimônio, a renda e os serviços, desde que esses estejam relacionados com as finalidades essenciais da igreja. Simplificando, isso quer dizer que toda a receita da igreja é imune a qualquer tipo de imposto, seja no âmbito municipal, estadual ou federal.
A igreja, na maioria das vezes, trabalha em torno do voluntariado; as pessoas dedicam um pouco do seu tempo nas atividades da igreja, principalmente nas menores.
Assim, nem sempre temos pessoas experientes nas áreas em que atuam e, como foi dito no início do artigo, o planejamento ou a gestão financeira são atividades que apresentam as maiores dificuldades para as igrejas.
Os Controles Essenciais: Caixa, Bancos e Conciliação
Para quem está começando, uma das maiores dificuldades é entender o que controlar. Existem outros controles – vamos falar deles mais tarde – mas, a princípio, temos que controlar separadamente CAIXA e BANCOS.
Caixa é o valor que temos em mãos, aquele dinheiro que está disponível na gaveta ou no cofre da tesouraria, não importa se dinheiro ou cheque.
Se tivermos três notas de cem reais e um cheque de duzentos reais, o nosso controle de caixa tem que mostrar quinhentos reais (300,00 + 200,00).
O saldo atual do meu caixa é composto pelo saldo que tínhamos no início do período MAIS tudo que entrou MENOS tudo que saiu.
Vejamos um exemplo:
| Saldo Anterior | 100,00 C |
| Todas as Entradas | 5.000,00 C |
| Todas as Saídas | 4.600,00 D |
| Saldo Atual | 500,00 C |
Já o que chamamos de banco é o valor depositado em uma instituição financeira. A forma de se controlar o saldo é a mesma do controle de caixa:
O saldo do período anterior MAIS os nossos depósitos MENOS os valores dos nossos saques através de cheques e débitos em conta. Como esse valor não fica em nosso poder, é interessante, de tempos em tempos, tirar um extrato dessa conta e conferir os lançamentos.
Isso é importante, visto que por vezes aparece algum lançamento que não estamos esperando, como tarifas bancárias ou débito de contas.
A esse processo de conferir os lançamentos no extrato bancário damos o nome de conciliação bancária.
Por vezes, ficamos com uma soma alta de dinheiro no caixa, aquele do cofre ou da nossa gaveta. Não é bom ficar com esses valores na igreja.
Então, temos que fazer um depósito no banco. No âmbito da gestão financeira, essa operação diminui o valor do saldo do caixa e aumenta o valor no saldo do banco, de forma que não altera o que temos, apenas transfere de um controle para outro.
Vamos a um exemplo:
| Saldo do Caixa | 2.600,00 C | |
| Saldo do Banco | 1.200,00 C | |
| Total do Saldo Financeiro | 3.800,00 C |
A igreja fez um depósito bancário no valor de R$ 2.200,00, confira como ficou o nosso saldo abaixo:
| Saldo do Caixa | 400,00 C | |
| Saldo do Banco | 3.400,00 C | |
| Total do Saldo Financeiro | 3.800,00 C |
Veja que o valor do nosso disponível, ou seja, o total do nosso saldo financeiro, não sofreu mudanças, embora tenhamos feito uma operação que tirou o dinheiro de um lugar e colocou em outro.
O que aconteceu foi que validamos o que foi dito no parágrafo anterior: diminuímos o valor do saldo do caixa e aumentamos o valor do saldo do banco.
Com relação à conta bancária da igreja, muitas pessoas nos indagam se a igreja é obrigada a ter conta no banco. Claro que não; ninguém é obrigado a ter conta no banco, muito menos a igreja.
Agora pensemos na falta de praticidade que isso vai trazer. A igreja tem seu funcionamento parecido com o de uma empresa: ela tem que pagar contas de energia, água, telefone, fornecedores, despesas diversas. Imagine a dificuldade de ter que pagar tudo isso em dinheiro.
Não é tão comum, mas ainda existem dizimistas que devolvem o dízimo em cheques. Também verificamos que cresce o número de pessoas que querem entregar dízimos e ofertas com cartão de crédito ou débito, em vista da praticidade e da segurança. Então, concluímos que obrigatório não é; entretanto, não ter uma conta é bastante inviável.
Finalizando, as pessoas querem praticidade e segurança nas suas ações. A abertura de uma conta corrente bancária é quase uma necessidade para a igreja.
Com ela você pode pagar contas pela internet, transferir recursos online, gozar da praticidade do atendimento 24 horas, depositar e sacar nos caixas eletrônicos; enfim, é algo que pode facilitar a vida da tesouraria e dos membros da igreja.
Planejamento e Controle: As Duas Pernas da Gestão
Em nossos estudos e na experiência lidando com igrejas há mais de duas décadas, por amostragem, notamos que a maioria não tem controle ou, quando tem, estes são muito frágeis, desprovidos de ciência e feitos a toque de caixa.
Muitas vezes não integrados e fadados ao retrabalho toda vez que se precisa de uma informação mais apropriada para uma tomada de decisão, que é uma ferramenta indispensável na gestão financeira para igrejas ou qualquer instituição.
O pastor ou o líder da igreja que está à frente dos trabalhos, além das atribuições próprias desta função, ao final é quem vai suportar o peso desta grande carga.
Despesas inesperadas, contas que crescem, diminuição das entradas, desalinhamento entre receitas e despesas são exemplos de coisas que vão acontecendo e podem trazer estresse e, infelizmente, isso não pode ser ignorado.
Se você, na condição de gestor, ignorar a situação financeira da sua instituição por muito tempo, varrendo as dificuldades para debaixo do tapete, você pode estar trilhando um caminho sem volta.
Se levantar das cinzas é muito mais difícil e oneroso do que antever as dificuldades e dar-lhes o devido remédio. Nem sempre é possível resolver tudo no curto prazo, mas tem como amenizar os resultados não satisfatórios.
Existem muitos problemas que afligem quem está a frente de uma instituição e se depara com a dificuldade de gerir as diversas situações.
Sejam elas de fundo organizacional ou problemas financeiros. Entretanto, podemos agrupá-las em dois grandes pacotes: Planejamento e Controle.
Controle e planejamento são meio-irmãos. O controle sobrevive sozinho; já o planejamento depende do controle. Você pode ter só o controle sem o planejamento, mas para ter o planejamento, você vai precisar das informações obtidas através do controle.
O que é Planejamento?
No meio empresarial, isso é chamado de Planejamento Estratégico, e é o processo pelo qual a administração tenta definir os cenários futuros da empresa e entender qual será o plano de ação para que os objetivos sejam alcançados.
Temos deixado bem claro em nossos artigos que igreja não é empresa; a igreja não tem como meta principal angariar lucros. Enfatizamos que a riqueza da igreja é de cunho espiritual; entretanto, ela necessita de recursos para sobreviver e alcançar o seu objetivo, que é comum a todas.
Planejar para as igrejas é caminhar rumo ao futuro com segurança nos seus passos. Igrejas, assim como as empresas, têm receitas e despesas; quando as receitas são maiores que as despesas, temos um superávit operacional.
Isso significa que, ao efetuarmos o pagamento de todas as nossas obrigações, vai sobrar dinheiro em caixa. Quando ocorre o contrário, temos um déficit operacional, ou seja, não vai dar para pagar todas as nossas obrigações.
A gestão, seja de empresas, seja de instituições, tem suas facetas. Cada qual tem as suas particularidades, e ainda existem diversas ferramentas e métodos que podem nos auxiliar no planejamento, como Análise SWOT, Balanced ScoreCard, Metas SMART, entre outras que, às vezes, pela falta de conhecimento, parecem coisas distantes do nosso universo. Já vou adiantando que não são, e serão abordadas mais profundamente em outros artigos.
Planejar significa deixar de “vender o almoço para comprar a janta”, coisa que fazemos inconscientemente no nosso dia a dia.
Vivemos apagando incêndios, fazendo aquilo que é urgente. Planejamento é o contrário disso. Como professor universitário, compartilho da ideia de que a ferramenta pedagógica mais eficiente que temos em mãos é o exemplo; vamos lá, então:
Como gestor à frente dos trabalhos da igreja, você sabe, mesmo sem controle, que em alguns meses do ano as despesas são maiores do que em outros, e que em um determinado período do ano as receitas são melhores.
Planejar, nestes casos, seria tentar descobrir quais são as despesas que engordam os gastos e trabalhar nelas com o intuito de diminuí-las, ou ainda, nos meses em que as receitas são maiores, fazer uma poupança para quando gastos inevitáveis surgirem.
Outro exemplo: A igreja pode promover a venda de pizzas e de sorvetes para dar um incremento na receita. Provavelmente, a renda da venda das pizzas é maior do que a renda da venda de sorvetes.
Porque a pizza vende o ano inteiro, e sorvetes só no verão. Planejar, neste caso, é o gestor promover, por exemplo, 5 eventos de venda de sorvetes e 10 eventos de venda de pizza no ano, já definindo as datas antecipadamente, convocando o pessoal que vai trabalhar e negociando um preço melhor com fornecedores. Tudo isso ajuda a obter melhores resultados.
Já se o gestor resolve num estalo que o evento é semana que vem, convoca o pessoal um dia antes, sai para comprar o material em cima da hora, perde o poder de barganha e fica sem tempo para comparar preços, o resultado deixa a desejar.
Citamos apenas exemplos de coisas simples e corriqueiras, que envolvem poucos recursos. Agora imaginem a compra de um terreno, a construção de um prédio novo, uma grande reforma ou mesmo a compra de equipamentos mais caros.
Tudo requer planejamento para que possamos tirar o melhor proveito do dinheiro da igreja, que é um recurso revestido de santidade.
O que é Controle?
Aqui não falamos de controle estratégico; é simplesmente o controle organizacional, em outras palavras, “ter a igreja na mão”.
Saber quantos membros tem no nosso cadastro, quantos dizimam, quantos frequentam regularmente os cultos, quantos saíram, quantos entraram, quantos batizamos, quantos recebemos por aclamação.
Ter o conhecimento de quantas pessoas temos na escola bíblica dominical, conhecer o fluxo de caixa, quais as despesas que mais impactam no orçamento da igreja e, principalmente, ter, no detalhe, as nossas receitas. Tudo isso num certo período de tempo: mensal, semestral, anual.
Resumidamente, controlar significa estabelecer medidas de acompanhamento nos diversos departamentos da igreja que produzam registros fiéis dos fatos e atos administrativos que ocorreram com o fim de propiciar ao gestor dados para tomada de
decisões.
Os Quatro Grupos da Gestão Financeira: Ativo, Passivo, Receitas e Despesas
Como vimos no controle de caixa e bancos descrito anteriormente, esses são apenas uma pequena parte de um grande grupo que denominamos de ativo, que significa aquilo que a igreja possui.
Ou seja, o seu patrimônio, que é composto por bens e direitos. Desta forma, são quatro os grandes controles que precisamos ter: Ativo, Passivo, Receitas e Despesas.
Parece que você já viu esses nomes. É verdade, já viu sim; eles são emprestados da contabilidade, mas nesse momento são para controles financeiros e patrimoniais, uma forma de separá-los em grupos distintos.
Vamos fazer uma definição de cada um para você ter uma melhor ideia do que são.
O que é Ativo?
É tudo que a igreja possui, bens e direitos: o saldo do caixa, dos bancos, das aplicações, os créditos que a igreja tem para receber, móveis, máquinas, terrenos, prédios acabados e os que estiverem sendo construídos.
Quando a igreja compra um instrumento musical, não deve registrá-lo como despesa; ele é um bem do patrimônio. Portanto, devemos classificá-lo como um bem do ativo. Quando registramos erroneamente como despesa, os controles se perdem.
O que é Passivo?
É o que a igreja deve, é uma conta corrente: quando compramos um bem ou efetuamos uma despesa a prazo.
Seja por cheque pré-datado, duplicata ou mesmo no cartão de crédito, assumimos uma dívida que deverá ser paga ao longo do tempo. É nesse grupo de controle que vamos registrar o nosso débito.
Essa premissa também se aplica quando contraímos um empréstimo. Muita gente se confunde achando que empréstimo é receita. É óbvio que não: é uma dívida a ser paga e, como tal, deve ser classificada como um passivo.
O que é Receita?
No caso das igrejas, receitas são as entradas decorrentes da colaboração de seus membros, como dízimos e ofertas.
Também são receitas aquelas decorrentes de campanhas para um fim específico que esteja dentro das atividades da igreja, os serviços cobrados como taxas para casamentos, batismos, etc.
O que é Despesa?
São considerados como despesas todos os gastos que a igreja precisa ter para funcionar normalmente como água, luz, aluguel, despesas de manutenção, salários, prebenda pastoral, entre outros — assunto que aprofundamos no guia de gestão de contas a pagar para igrejas.
Da Decisão à Prática: A Gestão Diária do Caixa
É muito comum as pessoas acreditarem que sabem o que é gestão financeira. Porém, na hora de pôr em prática o seu conhecimento para administrar uma empresa ou instituição, acabam cometendo erros básicos que, ao final, trazem muitos problemas.
Para que possamos conhecer com efetividade os dados financeiros da nossa instituição precisamos de uma ferramenta de controle, isso tem que ser feito de forma sistemática.
Cada centavo que entra deve ser controlado; cada centavo que sai deve ter seu registro de forma a identificar onde foi gasto, quem autorizou, quem recebeu e sua correta classificação.
Nós sempre enfatizamos que igreja não é empresa; a igreja não visa lucro. Entretanto, ela tem o seu viés financeiro; ela precisa de recursos para sobreviver. Erroneamente, muita gente acha que a igreja não tem custos e é “isenta” de impostos e outras obrigações de cunho tributário: ledo engano.
A igreja, como qualquer empresa, precisa de um local para desenvolver as suas atividades: ou ela compra um prédio e faz adaptações; ou ainda, tendo recursos, pode construir, já de acordo com suas necessidades.
Ou, em último caso, pode alugar um espaço, adaptando-o para que possa funcionar como igreja. Tudo isso exige investimentos e custos de manutenção.
Nos templos, não existe subsídio para contas de água, luz ou telefone; no máximo, alguns estados concedem isenção para ICMS, e é só. Como as igrejas têm imunidade sobre os impostos, tendo um processo bem montado, os municípios deixam de cobrar o IPTU, mas cobram as taxas.
Para existirem, as igrejas têm os seus custos, as suas despesas e, obviamente, as suas receitas para poderem funcionar e cumprir as suas finalidades estatutárias.
É no entendimento desta premissa que entra uma importante ferramenta para você ter o controle da sua igreja, a gestão financeira.
Gerir não é anotar, nem registrar; é muito mais que pagar contas e receber dízimos. Gestão financeira envolve conhecimento da instituição, saber como ela funciona, planejamento, estatística, controle e visão de futuro.
Engana-se quem acha que precisa ser um mago ou um gênio para cuidar de tudo isso; é preciso estar preparado.
É bom que o pastor, gestor ou administrador saiba que gerir bem não é nada mirabolante, não exige esforços monumentais de uma equipe gigante, nada disso. A receita é disciplina e organização.
A correta gestão financeira oferece ao administrador uma visão real sobre o movimento financeiro, contábil e patrimonial da igreja, e deverá servir de parâmetro para que se tomem decisões acertadas, ajudando ainda a evitar que se comprometa o seu funcionamento pela falta de recursos.
Então, de forma resumida, gestão financeira são ações e procedimentos administrativos que têm relação íntima com planejamento, registro, execução e controle das rotinas financeiras da sua igreja, e que têm a finalidade de maximizar os seus resultados: fazer mais com menos.
Decisão
Uma das ações mais importantes para se iniciar uma boa gestão financeira não requer nenhum investimento, não se trata de uma tarefa árdua e não é algo desafiador.
O primeiro e mais importante passo para inserir sua igreja na gestão financeira chama-se DECISÃO.
Tomar uma decisão firme, com propósito de seriedade e a meta de não voltar atrás, não “afrouxar a corda”, é o primeiro passo e é aquele capaz de fazer tudo mais acontecer. A partir daqui, são pequenas atitudes, cada vez mais integradas, que vão te ajudar na gestão financeira.
Agora, o próximo passo tem a ver mais com atitude, fazer algo de concreto. É importante compreender que agora vamos dividir as demais tarefas em pequenas outras que podem ser vistas como módulos ou partes da gestão financeira.
Essa divisão tem dois propósitos: o primeiro deles é para você não se perder no meio de tanta informação; o segundo é para que você tenha completo domínio de uma rotina e só depois parta para a próxima.
Até mesmo essas rotinas menores vão ser divididas e explicadas em outras menores, exatamente para você não se perder e não desanimar no meio do caminho.
Registro de Dízimos, Ofertas e Demais Entradas
A rotina diária do caixa é um dos primeiros instrumentos práticos para tirar a sua igreja do improviso.
Esse é um dos principais instrumentos de gestão de uma empresa, instituição e, claro, também da nossa igreja. É importantíssimo entender que aqui, quando falamos em caixa, é TUDO: toda a movimentação que envolva valores tem que ser registrada. Esse é o grande segredo.
Mas, como dissemos mais acima, vamos devagar, aos poucos. Então, primeiro vamos falar sobre as entradas que ocorrem na igreja: os dízimos e ofertas, receitas de campanhas, receitas de serviços eclesiásticos e rendas eventuais.
Um dos grandes problemas de quem trabalha com financeiro é o “depois”: depois eu anoto, depois eu registro, depois eu confiro. Já que você tomou a decisão, é hora de deixar de “empurrar com a barriga”.
Organize-se, faça uma rotina, estabeleça um dia e horário para receber dízimos e ofertas e ANOTE TUDO no ato do acontecimento.
Em relação ao controle de dízimos e ofertas, o ideal é que o controle seja nominal, assim você pode saber quem devolveu o dízimo regularmente.
Mas é sabido que há igrejas que preferem não proceder dessa forma: lançam as entradas em lote, no total. Também não há problema; não existe uma regra específica quanto a isso.
Em qualquer dos casos, se você usa o gazofilácio, ótimo; se você recebe cada um individualmente, é bom que você tenha um local reservado para fazê-lo. O importante é não deixar para depois a anotação do registro de quem recebeu, a data em que recebeu, o quanto recebeu e a natureza, dízimo ou oferta.
Quando trabalhamos com números, e especialmente quando nos referimos a dinheiro, o melhor é sempre pecar pelo excesso de zelo. Com os lançamentos em dia, facilita-se a análise de dados e tomadas de decisão, o que ainda minimiza os riscos e falhas, evitando os famosos furos de caixa.
Quando você utilizar o gazofilácio e os dizimistas entregarem envelopes nominais, citando a natureza (dízimo ou oferta) e o mês de referência, é mais fácil fazer os lançamentos. Quando abrir o gazofilácio, você registra envelope por envelope com os dados de cada um.
Agora, quando optar por NÃO fazer o controle nominal, as pessoas apenas depositam o dinheiro. A dica é que você monte uma comissão de contagem de dízimos e ofertas.
Quando abrir o gazofilácio, conte o dinheiro, faça um documento (ele vai conferir validade jurídica ao seu registro), colha a assinatura do pessoal da comissão e faça IMEDIATAMENTE o registro da entrada no seu caixa.
Quanto às demais receitas (campanhas, serviços eclesiásticos e receitas eventuais), a recomendação é a mesma: assim que receber, faça o lançamento, registrando a data, quem pagou, a que se refere a entrada e o respectivo valor.
É claro que é possível utilizar planilhas para fazer isso. Neste caso, você precisa ter um conhecimento avançado sobre planilhas e ainda partir do zero. O problema é que elas podem facilmente perder os dados, além de ser difícil a integração com outras entradas.
Neste caso, o ideal é que você tenha um sistema integrado, onde você já tenha os membros cadastrados e possa imprimir a ficha cadastral dos membros.
Se for o caso, ter a ficha de dizimistas e fazer os lançamentos de forma integrada e ter relatórios consistentes, sem ter que ficar criando fórmulas mirabolantes.
Perguntas Frequentes sobre Gestão Financeira para Igrejas
Como Fazer a Gestão Financeira de uma Igreja na Prática?
A gestão financeira de uma igreja começa com uma decisão firme da liderança e três rotinas básicas:
Registrar imediatamente toda entrada de caixa (dízimos, ofertas, campanhas e serviços eclesiásticos), classificar cada lançamento em um dos quatro grupos (ativo, passivo, receita ou despesa) e fazer a conciliação bancária periodicamente.
A partir daí, é possível planejar gastos, antecipar necessidades sazonais e tomar decisões com base em dados reais, e não em achismos.
Qual a Diferença entre Receita e Despesa na Contabilidade de Igreja?
Receita é tudo que entra no Caixa da igreja: dízimos, ofertas, contribuições de campanhas, taxas de serviços (casamentos, batismos, etc.) e rendas eventuais.
Despesa é tudo que a igreja precisa pagar para funcionar normalmente: água, luz, aluguel, salários, prebenda pastoral e manutenção.
Note que a compra de um instrumento musical, por exemplo, não é despesa — é um bem do ativo (patrimônio);
E um empréstimo não é receita — é uma dívida que entra no passivo.
A Igreja é Obrigada a Ter Conta no Banco?
Não há obrigação legal de a igreja manter conta bancária, mas, na prática, é quase inviável administrar a tesouraria sem ela.
A conta corrente permite pagar contas pela internet, transferir recursos online, depositar valores recebidos em dinheiro com mais segurança, receber dízimos e ofertas via cartão ou Pix e ter um histórico bancário auditável.
Para igrejas regularmente constituídas, a abertura da conta também respalda a transparência financeira diante dos membros e da Receita Federal.
A gestão financeira para igrejas é, antes de tudo, uma questão de disciplina e organização. Não exige uma equipe gigante nem conhecimento avançado de contabilidade — exige rotina, classificação correta e ferramentas adequadas.
Planilhas até funcionam para os primeiros passos, mas perdem fôlego rapidamente: dados se perdem, a integração com o cadastro de membros é trabalhosa e a margem para erro é grande.
Para quem decidiu profissionalizar a tesouraria da igreja, o caminho mais consistente é apoiar-se em um sistema integrado que una membros, dizimistas, lançamentos e relatórios em um mesmo lugar.
É exatamente esse o propósito do Zeke: simplificar a gestão financeira, patrimonial e administrativa da sua igreja, com o rigor de um software pensado especificamente para o terceiro setor
cristão.