O ministério de intercessão é o grupo da igreja que assume, de forma organizada e sob a orientação do pastor, a tarefa de orar pelas necessidades da congregação, da liderança, da cidade e da obra missionária, recebendo os pedidos de oração e cuidando para que nenhum deles fique esquecido.
Toda a igreja é chamada a orar uns pelos outros, mas quando essa oração não tem quem a organize, os pedidos se perdem entre um culto e outro, e o irmão que pediu oração numa quarta-feira raramente fica sabendo se alguém, de fato, orou por ele.
Portanto, o ministério existe para dar forma a essa responsabilidade: reunião com dia marcado, escala de quem ora antes e durante o culto, um caminho seguro para os pedidos e alguém que presta contas ao pastor sobre o que foi recebido.
Hoje, vamos entender o que é o ministério de intercessão e o que a Bíblia mostra sobre quem intercedeu pelo povo de Deus. Depois, na parte prática, você encontra o passo a passo para montar a equipe, a tabela da escala, um roteiro de reunião de 60 minutos pronto para imprimir e os cuidados com os pedidos de oração.
O que é o ministério de intercessão?
Interceder é apresentar a Deus a necessidade de outra pessoa. Quem intercede não está pedindo por si, e sim levando ao Senhor o que pesa sobre um irmão, uma família ou uma cidade, e nisso põe em prática o amor que o próprio Deus tem por eles.1
Já tratamos da oração de forma mais ampla, com seus tipos e o sentido que ela possui na Escritura, no estudo sobre o que é a oração na Bíblia.
Sendo assim, o ministério de intercessão é a equipe que se compromete com essa oração de forma regular, e ele possui duas faces: a espiritual, que é a oração em si, e a organizacional, que envolve a reunião, a escala, os pedidos e a prestação de contas à liderança.
Mas há um ponto que você precisa ter claro desde o começo: o ministério não é dono da oração da igreja. Quando Paulo pede que se façam intercessões “por todos os homens” (1 Timóteo 2:1), ele escreve para a congregação inteira. Ou seja, o grupo garante a constância e a ordem, mas não substitui a oração de cada membro.
O ministério de intercessão na Bíblia
O nome do ministério é uma forma de organização da igreja de hoje, mas a Escritura mostra uma sequência de pessoas que se colocaram diante de Deus em favor de outros, e cada uma ensina algo sobre esse serviço.
| Intercessor e texto | Por quem orou | O que ensina ao ministério |
|---|---|---|
| Abraão (Gênesis 18:23-32) | Pelos justos de Sodoma | A intercessão se apoia no caráter de Deus |
| Moisés (Êxodo 32:11-14, 31-32) | Pelo povo que fez o bezerro de ouro | Quem intercede se coloca junto do povo, não acima dele |
| Samuel (1 Samuel 12:19-23) | Pelo povo que pediu um rei | Deixar de orar pelo povo é pecado |
| Jesus (João 17:9-20; Hebreus 7:25) | Pelos discípulos e pelos que haveriam de crer | Toda intercessão nossa depende da dele |
| A igreja em Jerusalém (Atos 12:5-12) | Por Pedro, preso por Herodes | A igreja ora reunida, por alguém com nome |
| Paulo (1 Timóteo 2:1-4) | Pelas autoridades e por todos os homens | A intercessão é prioridade no culto |
Abraão e Moisés: a intercessão que nasce de quem Deus é
Quando o Senhor revela a Abraão o juízo sobre Sodoma, Abraão não pede que o pecado seja ignorado. Ele argumenta a partir da justiça de Deus: “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gênesis 18:25). O pedido desce de cinquenta justos para dez, e a resposta vem: “Não a destruirei por amor dos dez” (Gênesis 18:32).
Moisés faz o mesmo depois do bezerro de ouro: “suplicou ao Senhor seu Deus” (Êxodo 32:11) lembrando o juramento feito aos patriarcas, reconhece que o povo “cometeu grande pecado” e pede: “perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro” (Êxodo 32:31-32).
Ou seja, os dois apoiam o pedido no que Deus já revelou de si (a justiça, a misericórdia e a promessa), e esse fundamento continua valendo porque o caráter de Deus não mudou. Portanto, a reunião que abre com a Palavra e com adoração, antes da lista de pedidos, não está perdendo tempo.
Além disso, Moisés acrescenta um detalhe que interessa a qualquer equipe: ele nomeia o pecado do povo sem se separar do povo, e é nele que a intercessão do Antigo Testamento encontra o seu modelo.1
Samuel: orar e ensinar
Em 1 Samuel 12 o povo havia pedido um rei, e Samuel deixava a liderança civil de Israel. Com medo, o povo lhe diz: “Roga pelos teus servos ao Senhor teu Deus, para que não venhamos a morrer” (1 Samuel 12:19).
A resposta de Samuel coloca a intercessão no campo da fidelidade, e não da opção: “longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito” (1 Samuel 12:23). Orar e instruir aparecem juntos como as duas tarefas que ele manteria diante do povo,2 e intercessão que se afasta do ensino da Palavra tende a virar misticismo.
Jesus, o intercessor de quem dependemos
Na noite anterior à cruz, Jesus ora pelos discípulos, “Eu rogo por eles” (João 17:9), e estende a oração “também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim” (João 17:20). Depois da ressurreição, Hebreus afirma que ele continua “vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25).
Em João 17, a intercessão está no centro da obra de Cristo e tem como finalidade a glória de Deus.1 Como existe “um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2:5), o intercessor ora apoiado no mesmo Mediador a quem qualquer membro da igreja tem acesso.
A igreja em Atos e as cartas de Paulo
Herodes havia matado Tiago e colocado Pedro na prisão, “mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus” (Atos 12:5). Quando Pedro é libertado, ele vai à casa de Maria, mãe de João Marcos, “onde muitos estavam reunidos e oravam” (Atos 12:12).
Anos depois, escrevendo a Timóteo em Éfeso, Paulo ordena: “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens” (1 Timóteo 2:1). O “antes de tudo” coloca a oração como prioridade no culto público da igreja.3
A palavra grega traduzida aqui por “intercessões” (enteuxis) queria dizer, primeiro, um encontro e uma conversa, e só depois um pedido.4 Ou seja, a ideia é a de quem se aproxima de Deus com confiança para falar com ele.5
“Todos os homens” inclui os reis e as autoridades, isto é, todo tipo de pessoa, seja qual for a sua posição,6 e o motivo vem logo depois: isso “é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, Que quer que todos os homens se salvem” (1 Timóteo 2:3-4).
O que faz um ministério de intercessão?
Na prática, o ministério cobre seis frentes de oração. Cada uma tem um texto que a sustenta e uma forma concreta de acontecer na rotina da igreja.
| Frente | Base bíblica | Como acontece na igreja |
|---|---|---|
| O culto e a pregação | Efésios 6:19; Colossenses 4:3 | Oração antes do culto pelo pregador e pela ministração |
| A liderança e as autoridades | 1 Timóteo 2:1-2 | Oração pelo pastor, pelos líderes de ministério e pelos governantes |
| Os pedidos dos membros | Tiago 5:16 | Pedidos recebidos na semana, apresentados na reunião e acompanhados |
| Os enfermos | Tiago 5:14-15 | Oração junto com a visita pastoral, nunca no lugar dela |
| A cidade e a nação | Jeremias 29:7 | Oração pela paz do bairro, pelas escolas, pela segurança e por quem governa |
| Missões e obreiros | Mateus 9:38; Romanos 15:30 | Oração pelos missionários que a igreja sustenta e por novos obreiros |
Duas dessas frentes pedem uma palavra a mais. A oração pelos enfermos, em Tiago, tem endereço: “Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele” (Tiago 5:14). Por isso, o grupo de intercessão ora junto, mas a visita ao doente continua sendo atribuição da liderança pastoral.
Jeremias escreve aos judeus levados para a Babilônia e manda que procurem “a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao Senhor” (Jeremias 29:7). Era a cidade do inimigo, e Deus mandou orar por ela porque governava também ali. Afinal, se a ordem valia para a Babilônia, vale para o bairro onde a sua igreja está.
O perfil do intercessor
O perfil tem duas camadas: o que a Bíblia pede de quem ora pelos outros e o que você, junto com a liderança da sua igreja, pode combinar como critério de funcionamento do ministério.
Do lado bíblico, a primeira exigência é uma vida de oração própria, porque quem não ora sozinho dificilmente sustenta a oração em grupo; o método prático de oração que já publicamos é um bom ponto de partida.
A segunda é uma vida reta diante de Deus. Tiago fala que “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5:16), e o mesmo versículo começa mandando confessar as culpas uns aos outros, ou seja, justo aqui é quem anda em arrependimento, não quem se acha perfeito.
A terceira é guardar o que ouve: “O mexeriqueiro revela o segredo, mas o fiel de espírito o mantém em oculto” (Provérbios 11:13). E a quarta é a humildade, já que Jesus condena quem gosta de orar “para serem vistos pelos homens” (Mateus 6:5).
Do lado da igreja, cada liderança define os seus critérios, porém alguns aparecem na maioria dos ministérios que funcionam bem:
- ser membro da igreja e participar dela com regularidade;
- comprometer-se com a reunião semanal;
- aceitar a orientação do pastor e do coordenador do grupo;
- assumir um compromisso de sigilo sobre os pedidos;
- ter disponibilidade para entrar na escala pelo menos uma vez por mês.
Como montar o ministério de intercessão passo a passo
Montar o ministério é menos complicado do que parece, basta respeitar a ordem:
- Converse com o pastor e definam juntos o propósito do ministério e a quem ele responde;
- Escolha um coordenador e um auxiliar;
- Faça o convite no culto e também pessoalmente;
- Converse com cada interessado antes de integrá-lo;
- Ofereça uma formação inicial curta;
- Fixe o dia da reunião semanal e o canal por onde chegam os pedidos;
- Combine como o coordenador presta contas ao pastor.
Começar pela conversa com o pastor evita o problema mais sério que um grupo de intercessão pode criar, que é funcionar à parte da liderança. Portanto, com o pastor na definição do propósito, o ministério nasce como braço da igreja.
A conversa com cada interessado (o quarto passo) costuma ser pulada, mas ela serve para você entender por que a pessoa quer participar, qual é a disponibilidade real dela e se ela compreende o peso do sigilo.
Você pode fazer a formação inicial em três ou quatro encontros. O que vimos acima sobre o perfil do intercessor serve de roteiro para o primeiro, e os seguintes tratam de como orar em grupo, de como receber e guardar os pedidos e da relação do ministério com a liderança.
A prestação de contas não precisa ser burocrática: basta um relatório mensal com o número de pedidos, os casos que pedem visita pastoral e as respostas de oração para manter o pastor informado.
Quanto ao dia da reunião e ao caminho dos pedidos (o sexto passo), você encontra o detalhe nas próximas seções: a escala, o roteiro da reunião e o cuidado com os pedidos de oração.
A escala do ministério de intercessão
Há uma cena em Êxodo que ajuda a pensar a escala. Na batalha contra Amaleque, “quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia” (Êxodo 17:11). As mãos dele, porém, pesaram, e foi preciso que “Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado e o outro do outro” (Êxodo 17:12).
O texto não registra as palavras de uma oração, mas mostra uma tarefa diante de Deus que um homem só não conseguiu sustentar até o pôr do sol, por isso uma escala existe exatamente para que o peso seja distribuído.
| Função | Quando e quantos | O que faz |
|---|---|---|
| Oração antes do culto | 20 a 30 minutos antes do início · 2 a 4 pessoas | Ora pelo pregador, pelo louvor, pelos visitantes e pelo culto |
| Oração durante a pregação | Durante a pregação · 1 ou 2 pessoas | Ora em sala separada ou do próprio lugar, sem circular pelo templo |
| Atendimento ao final do culto | Depois da bênção · 2 pessoas | Ora com quem pede e registra o pedido, com a permissão da pessoa |
| Responsável pelos pedidos | A semana inteira · 1 pessoa | Recebe, organiza e leva os pedidos à reunião |
| Dirigente da reunião semanal | No dia fixo da reunião · 1 pessoa | Conduz o roteiro e controla o tempo |
No atendimento ao final do culto, é importante que você escale duas pessoas juntas e, quando possível, do mesmo sexo de quem pede oração. Isso protege quem pede e protege quem ora.
Diferente do louvor, as funções da intercessão não exigem habilidades técnicas difíceis de substituir, o que permite a você fechar a escala com um mês de antecedência e manter um rodízio folgado. Os princípios gerais de rodízio e antecedência estão no artigo sobre a escala da igreja.
Para a oração ao longo da semana, fora dos cultos, muitas igrejas usam turnos individuais, e o artigo sobre como fazer um relógio de oração na igreja mostra como montar esse cronograma.
Roteiro de uma reunião de intercessão de 60 minutos
Reunião sem roteiro costuma gastar mais tempo em conversa do que em oração. Então, o roteiro abaixo resolve isso, e você pode imprimi-lo para o dirigente.
| Bloco | O que fazer | Texto de apoio |
|---|---|---|
| Acolhida (5 min) | Recepção, avisos breves e oração de abertura | Colossenses 4:2 |
| Adoração e confissão (10 min) | Louvar a Deus pelo que ele é e confessar pecados antes de pedir | Daniel 9:18 |
| Palavra (10 min) | Ler um texto curto que oriente a oração do dia, sem transformar em pregação | Colossenses 1:9 |
| Pedidos da igreja (15 min) | Apresentar os pedidos da semana sem detalhes desnecessários e orar em duplas ou trios | Tiago 5:16 |
| Liderança, autoridades e cidade (10 min) | Orar pelo pastor, pelos líderes, pelos governantes, pelas escolas e pela segurança | 1 Timóteo 2:1-2; Jeremias 29:7 |
| Missões e o próximo culto (5 min) | Orar pelos missionários, por novos obreiros e pelo pregador do domingo | Mateus 9:38 |
| Ações de graças (5 min) | Registrar respostas de oração e encerrar agradecendo | Efésios 1:16 |
A ordem não é arbitrária. Daniel, ao orar pelo povo no exílio, diz: “não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias” (Daniel 9:18). Ou seja, começar pela adoração e pela confissão coloca os pedidos no lugar certo.
As orações em grupo funcionam melhor quando são curtas, de um a dois minutos, com uma pessoa orando por vez; oração longa em reunião coletiva costuma virar um pequeno sermão, e os mais tímidos deixam de participar.
Se você só dispõe de quarenta minutos, a adoração, a Palavra e o bloco da liderança caem para cinco minutos cada, os pedidos para dez, e os outros três blocos ficam como estão. O que não deve sair é o bloco final, porque é ali que a equipe registra as respostas e aprende a esperar por elas.
Como receber e organizar os pedidos de oração

O pedido de oração é um voto de confiança, e muitas vezes chega carregado de informações delicadas, como uma doença, uma crise no casamento ou um filho afastado.
Portanto, alguns combinados que você pode fazer com a equipe resolvem a maior parte dos problemas:
- Pergunte se pode compartilhar. Quem pede deve saber se o pedido fica com a equipe, se pode ser mencionado à igreja ou se é só para o pastor;
- Registre o mínimo. Nome ou iniciais, o pedido em uma linha, a data, o nível de sigilo e quem vai acompanhar;
- Defina um prazo de revisão. Depois de trinta dias, alguém da equipe procura a pessoa para saber como ela está, e o pedido é renovado ou encerrado;
- Encaminhe o que não é da equipe. Pedido que revela risco à vida, violência ou abuso vai ao pastor no mesmo dia;
- Guarde e descarte com cuidado. Papel com pedidos não fica esquecido em cima do púlpito.
Há também uma questão legal. A Lei Geral de Proteção de Dados classifica como dado pessoal sensível tudo o que se refere à convicção religiosa e à saúde de uma pessoa,7 e um pedido de oração costuma reunir as duas coisas. O que a sua igreja precisa fazer para se adequar, você encontra no nosso artigo sobre a LGPD e as igrejas.
Infelizmente, o caminho mais comum é o grupo aberto de mensagens, com dezenas de participantes e nenhum controle sobre quem encaminha o quê. Sendo assim, um grupo restrito à equipe, ou um registro com acesso limitado, já resolve boa parte do risco.
Erros comuns no ministério de intercessão
O primeiro é transformar o pedido em conversa. Começa com um “vamos orar pela irmã” seguido de detalhes do casamento dela, e termina com a equipe sabendo o que a irmã contou só ao pastor. A oração não precisa de detalhes para chegar a Deus, e o versículo de Provérbios sobre o mexeriqueiro vale inteiro aqui.
O segundo é orar contra pessoas. Paulo lembra que Elias “fala a Deus contra Israel” (Romanos 11:2), e no grego esse “fala” é o mesmo verbo que Hebreus usa para a intercessão de Cristo, ou seja, Elias intercedia, só que contra o povo.4 Perseguido, ele achava que só ele tinha restado fiel.
A resposta divina corrigiu o profeta: “Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal” (Romanos 11:4). Portanto, quando um grupo de intercessão passa a orar contra um líder, uma família ou outro ministério da igreja, ele percorre o caminho oposto ao de Moisés.
O terceiro é prometer resultado. Frases como “Deus vai curar” ou “recebi uma palavra sobre o seu caso” colocam a equipe num lugar que não é dela. Pedimos com confiança “segundo a sua vontade” (1 João 5:14), e Deus, que sabe o que é melhor, pode negar um pedido específico, como fez com o espinho na carne de Paulo.1
O quarto é o grupo sem pastoreio, que passa a ter reuniões, revelações e prioridades próprias, desconectadas do restante da igreja. Samuel, que orava e ensinava, mostra o caminho contrário.
O quinto é usar o ministério como depósito de quem não foi aproveitado em outro lugar, como se orar exigisse menos preparo do que tocar um instrumento ou ensinar as crianças.
O sexto é orar sem esperar resposta. Quando Pedro bateu à porta da casa onde a igreja orava por ele, a reação foi: “Estás fora de ti” (Atos 12:15). Quem intercede por dever, sem contar com a resposta, acaba reagindo como aquela casa reunida.8 Por isso, registrar as respostas na reunião é uma forma simples de corrigir isso.
Versículos de intercessão pela igreja
Você pode usar os doze textos abaixo para abrir a reunião, orientar a oração de um bloco do roteiro ou acompanhar o convite para o ministério.
- “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Efésios 6:18);
- “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças” (Colossenses 4:2);
- “não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade” (Colossenses 1:9);
- “Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações” (Efésios 1:16);
- “E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento” (Filipenses 1:9);
- “o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8:26);
- “que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus” (Romanos 15:30);
- “rogai por nós, para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada” (2 Tessalonicenses 3:1);
- “Irmãos, orai por nós” (1 Tessalonicenses 5:25);
- “Ajudando-nos também vós com orações por nós” (2 Coríntios 1:11);
- “Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lucas 22:32);
- “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).
Perguntas Frequentes sobre o Ministério de Intercessão
O que faz um ministério de intercessão?
Ele ora com regularidade pelos cultos, pela liderança, pelos membros, pelos doentes, pela cidade e pelas missões. Também recebe e acompanha os pedidos de oração e avisa o pastor dos casos que precisam de visita.
Quais são os três pilares da intercessão?
A expressão “três pilares” não aparece no texto bíblico. O que a Bíblia oferece é a combinação de súplica, ação de graças e perseverança: Paulo pede intercessões acompanhadas de ações de graças (1 Timóteo 2:1) e manda perseverar em oração, vigiando nela (Colossenses 4:2).
O que a Bíblia diz sobre o ministério de intercessão?
A prática atravessa a Escritura, de Abraão e Moisés até a igreja reunida em Atos 12. Samuel trata a falta de oração pelo povo como pecado, e Hebreus apresenta Cristo vivendo para interceder pelos seus.
O que o intercessor não deve fazer?
Não deve espalhar o que ouviu, orar contra pessoas, prometer curas em nome de Deus nem agir à margem da liderança. Também não deve se apresentar como intermediário entre o irmão e Deus.
Quantas pessoas são necessárias para começar um ministério de intercessão?
Quatro a seis pessoas comprometidas já permitem fazer a reunião semanal e cobrir a oração antes dos cultos de domingo. Começar pequeno, com gente formada e fiel ao sigilo, costuma funcionar melhor do que abrir as portas para todos de uma vez.
Conclusão
Um ministério de intercessão organizado devolve à igreja algo que se perde com facilidade, que é a certeza de que alguém está orando por ela com constância. Ele faz isso com coisas simples, como uma reunião com dia fixo, uma escala justa, um roteiro que coloca Deus antes dos pedidos e um cuidado sério com o que cada irmão confiou à equipe. E tudo isso descansa em Cristo, que continua intercedendo pelos seus.
Se você começar pela conversa com o seu pastor e por meia dúzia de pessoas dispostas a orar e a guardar segredo, tenho certeza de que a estrutura cresce depois, à medida que o ministério amadurece.
E você? Quem ora hoje pelos pedidos que chegam ao final do culto na sua igreja, e que caminho eles fazem até a oração?
Fique na paz!
Fontes
- BÍBLIA de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã; Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. Nota teológica “Oração”, p. 1201.
- BÍBLIA de Estudo de Genebra, nota a 1 Samuel 12:23, p. 328.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. II. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 279.
- ABBOTT-SMITH, G. A Manual Greek Lexicon of the New Testament, verbetes ἔντευξις (G1783) e ἐντυγχάνω (G1793), via STEPBible (TBESG, Tyndale House, CC BY 4.0).
- WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. II, p. 280.
- BÍBLIA de Estudo de Genebra, nota a 1 Timóteo 2:1, p. 1443.
- BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), art. 5º, II. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm.
- BOICE, James Montgomery. Fundamentos da Fé Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 426.
Nota sobre as citações bíblicas: todas as citações deste artigo seguem a versão Almeida Corrigida Fiel (ACF).