Tanto o Antigo como o Novo Testamento estão repletos de orações. Homens e mulheres, assim como o próprio Jesus, fizeram uso dessa maravilhosa maneira de se comunicar intimamente com Deus.
Afinal, não existe forma mais próxima de comunicação com alguém do que uma conversa sincera. Sendo assim, a oração é o momento em que mais exercemos intimidade com o Senhor.
No entanto, ninguém nasce sabendo orar. Nós ouvimos falar sobre oração, conhecemos o conceito, sabemos da sua necessidade e entendemos que Deus responde aos nossos clamores.
Além disso, conhecemos orações bíblicas memoráveis, como:
- A oração de Jonas no ventre do grande peixe (Jn 2.1-9);
- O clamor de Ana, mãe de Samuel (1Sm 1.10,11);
- A oração de Salomão (1Rs 8.22-53);
- A oração do rei Ezequias (2Rs 19.15-19);
- O clamor de Sansão (Jz 15.19);
- As orações do próprio Jesus (Jo 11.41,42; Jo 17; Lc 22.41-45 e outras);
- E a oração do apóstolo Paulo (Ef 3.14-21).
O Desafio de Manter o Foco na Oração
Contudo, quando chega o nosso momento de orar, muitas vezes nos falta certa disciplina e até mesmo referências claras sobre o que e como devemos apresentar a Deus.
Muitas vezes, podemos nos sentir perdidos durante esse momento, repetindo as mesmas frases de sempre ou nos distraindo após poucos minutos.
É justamente para nos ajudar a superar essa dificuldade de foco e constância que a aplicação de um método simples pode transformar completamente a nossa vida de oração.
Por isso, nada melhor do que recorrermos ao modelo ensinado por Jesus Cristo e aplicá-lo em nossa rotina.
Uma Oração Ensinada por Jesus
Sem precisarmos nos aprofundar nos diversos textos bíblicos que enfatizam a necessidade e o poder da oração, o Evangelho de Lucas nos relata um episódio marcante.
Certa vez, os discípulos viram Jesus orando. Quando Ele terminou, eles pediram:
“Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos”
Lc 11.1 ARC
Em resposta, Jesus lhes ensinou a famosa oração dominical (oração do Senhor) ou, simplesmente, a oração do Pai Nosso (Lc 11.2-4).
O Evangelho de Mateus (6.5-8) também registra esse ensino, trazendo um contexto fundamental: Jesus apresentou esse modelo para contrastar com dois erros muito comuns de sua época.
O Contraste com as Vãs Repetições
De um lado, as orações exibicionistas dos fariseus, feitas apenas para serem vistas pelos homens. Do outro, as “vãs repetições” dos gentios, que acreditavam ser ouvidos pelo muito falar.
Portanto, Jesus não estava apenas entregando palavras a serem recitadas mecanicamente, mas sim ensinando uma postura de coração e uma estrutura focada no que realmente importa.
Sabemos que alguns segmentos do cristianismo recitam exatamente essa oração conforme foi dita por Jesus — o que possui um valor histórico e litúrgico riquíssimo.
Entretanto, o próprio Jesus advertiu que, ao orarmos, não devemos nos prender a vãs repetições (Mt 6.7). O perigo não está nas palavras do Pai Nosso, mas na repetição mecânica, sem o envolvimento sincero do coração. Devemos orar, conversar com o Pai.
Pense bem: se a oração é uma comunicação com Deus, cada vez que falamos com Ele, não devemos repetir sempre a mesma coisa. Ninguém que se comunica com alguém usa as mesmas palavras o tempo todo.
Elementos Essenciais do Pai Nosso
Nesse sentido, a oração do Pai Nosso funciona como um excelente modelo. Ela nos mostra os elementos necessários em uma oração, apresentando um método muito prático de conversar com o Senhor.
Ou seja, nessa oração nós encontramos elementos essenciais como:
- Adoração ao Nome de Deus;
- Submissão à Sua vontade;
- Petição pelo sustento diário;
- Confissão de pecados com o compromisso de perdoar o próximo;
- Clamor por proteção e livramento do mal.
De maneira prática, são exatamente esses elementos que podemos colocar nas orações que fazemos.
Um Método Prático de Oração
Agora, conhecendo um pouco sobre a maneira como Jesus nos ensinou a orar, podemos colocar em prática essa mesma estrutura em nossos momentos com Deus.
1. Inicie com Adoração
Primeiramente, no início de nossa oração, necessitamos nos localizar espiritualmente.
Devemos reconhecer que Deus é Deus, conhecedor de todas as coisas e que está muito além do tempo, enquanto nós somos limitados e sujeitos às circunstâncias desta vida.
Assim, nada melhor do que iniciarmos com palavras de adoração ao Senhor. Você pode dizer algo como:
“Senhor, Tu és santo, Tu és poderoso, Tu és o conhecedor de todas as coisas, Tu és fiel, Tu tens em tuas mãos todos os meus dias”. Declare quem é Deus!
2. Seja Sincero com Deus
Em segundo lugar, seja sincero com o Senhor. Afinal, Ele já conhece tudo sobre nós.
Exponha ao Senhor como você está. Fale sobre os seus sentimentos, suas frustrações, suas alegrias, seus medos e sua falta de fé.
Principalmente, expresse o desejo de que a vontade do Senhor seja real em sua vida. E, mesmo que você não tenha esse desejo de fazer a vontade dEle, seja sincero e diga isso a Ele.
3. Apresente Suas Necessidades e Interceda
Em terceiro lugar, nossa oração precisa expor ao Senhor todas as nossas necessidades. Isso mesmo, tudo aquilo que nos falta.
Apresente suas necessidades materiais ou espirituais, as enfermidades, situações emocionais, profissionais ou de estudos.
Fale sobre aquelas áreas da sua vida que o pecado e a carne ainda dominam, áreas que carecem de domínio próprio e regiões profundas do seu ser que precisam da luz do Espírito Santo.
Nessas necessidades, inclua situações da família: pais, filhos, parentes, amigos e colegas de trabalho.
Inclua também aquelas pessoas que precisam conhecer o Senhor Jesus Cristo para que sejam alcançadas pela salvação.
É interessante notar que, quando começamos a orar por outras pessoas, logo começamos a lembrar de muitas outras que precisam da interferência de Deus.
É aí que vamos percebendo que a oração vai ganhando forma e volume. Ainda na comunicação de nossas necessidades, fale sobre os desafios da igreja onde você congrega.
Ore pelos pastores, líderes e pelos diversos grupos e ministérios (crianças, adolescentes, jovens, casais, louvor, diaconia, pregadores, professores, obreiros etc.).
Ore também por aqueles que pregam o Evangelho nas mais diversas e desafiadoras situações, como nas ruas, nos hospitais, nos presídios, nas casas, nos centros de recuperação e em outros países.
Nesse momento, a sua oração vai se ampliando. O próprio Espírito Santo vai trazendo até você inúmeras situações que precisam de intercessores.
Ore ainda pelas autoridades da sua cidade, do seu estado e do seu país. Interceda por lugares onde os cristãos são perseguidos.
Enfim, perceba que sua oração deixa de ser algo puramente pessoal e passa a ter uma abrangência mundial.
4. Peça e Libere Perdão
Em quarto lugar, jamais se esqueça de pedir perdão por seus erros, pecados, tropeços, omissões, distrações e por tudo mais que nos distancia da vontade de Deus.
Ore também por aqueles que o perseguem, que falam mal de você ou que o desprezam, e tome a decisão de liberar perdão sobre a vida deles.
Superando as Distrações
Saiba que é perfeitamente normal que, durante esse processo, a mente tente divagar ou que falte a vontade de orar em alguns dias. Quando isso acontecer, não desanime nem abandone o seu momento com Deus.
Apresente essa própria dificuldade ao Senhor em sinceridade. A constância é construída aos poucos, e o Espírito Santo sempre nos ajuda em nossas fraquezas.
5. Busque Santidade e Leia a Bíblia
Finalmente, manifeste com suas palavras o sincero desejo de agradar a Deus com a sua vida. Peça ao Senhor para ser cheio do Seu Espírito Santo e clame para ser santo em toda a sua maneira de viver.
Terminada a oração, mantenha-se confiante naquilo que você expôs ao Senhor e leia a Bíblia Sagrada. Afinal de contas, você acabou de falar com o Senhor; agora permita que Ele fale com você!
Dê o Primeiro Passo
E você?
Está pronto para colocar este método prático de oração na sua rotina diária?
Fique na Paz!
Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irmão Moisés Brasil. Você pode acompanhar o seu trabalho excepcional através do YouTube e Instagram.
Para Aprofundar
A oração é algo que envolve a experiência e intimidade com Deus, porém, além das dicas desse artigo, você poderá aprender ainda mais sobre essa prática espiritual através dos seguintes livros: