Gadareno é um gentílico, não um nome próprio: quer dizer “morador da região dos gadarenos”, do lado oriental do mar da Galileia. O homem que Jesus libertou em Marcos 5 ficou conhecido pelo lugar onde vivia, porque a Bíblia não registra o nome dele.
O episódio aparece nos três evangelhos sinóticos e é um dos mais discutidos do Novo Testamento: muda o nome da região de uma versão para outra, muda o número de endemoninhados entre Mateus e Marcos, e termina com uma cidade inteira pedindo que Jesus se retirasse. Este estudo trata de cada um desses pontos a partir do texto.
O que significa gadareno
Gadareno é a forma portuguesa do gentílico que designa quem pertence à região dos gadarenos, nomeada a partir da cidade de Gadara, uma das cidades de cultura grega que ficavam a leste do mar da Galileia.
O termo aparece no relato como indicação geográfica, e não como identificação pessoal: “E chegaram ao outro lado do mar, à província dos gadarenos” (Mc 5:1 ACF). Lucas usa a mesma designação ao descrever a viagem: “E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galiléia” (Lc 8:26 ACF).
Por isso “o endemoninhado gadareno” quer dizer, literalmente, “o endemoninhado daquela região”. É o único identificador que o texto oferece, e é o motivo de o episódio ter entrado na tradição cristã com um apelido geográfico em vez de um nome.
Aquele era território gentio. O próprio desfecho do relato situa o homem em Decápolis (Mc 5:20 ACF), o conjunto de dez cidades helenísticas da margem oriental, e comentaristas apontam esse episódio como um dos casos em que Cristo age em favor de gentios, fora dos limites de Israel.1
Gadarenos, gerasenos ou gergesenos: a divergência das versões
Quem compara traduções percebe rápido que o nome da região não é o mesmo em todas. Não se trata de erro de uma delas: as famílias de manuscritos gregos preservaram mais de uma forma, e cada tradução seguiu a que julgou melhor atestada.
A tabela abaixo mostra como as sete versões em português mais usadas no Brasil trazem os três textos paralelos.
| Versão | Marcos 5:1 | Lucas 8:26 | Mateus 8:28 |
|---|---|---|---|
| ACF | gadarenos | gadarenos | gergesenos |
| ARC | gadarenos | gadarenos | gadarenos |
| BKJ | gadarenos | gadarenos | gergesenos |
| ARA | gerasenos | gerasenos | gadarenos |
| NAA | gerasenos | gerasenos | gadarenos |
| NVI | gerasenos | gerasenos | gadarenos |
| NVT | gerasenos | gadarenos | gadarenos |
Três observações saem daí. A primeira: nenhuma versão é uniforme por acaso. As Almeidas de linha corrigida (ACF e ARC) e a King James Fiel ficam com “gadarenos” em Marcos e Lucas; as revisões mais recentes (ARA, NAA, NVI, NVT) preferem “gerasenos” nesses mesmos textos.
A segunda: em Mateus a distribuição se inverte. A ACF e a BKJ trazem “gergesenos” onde as demais trazem “gadarenos”. A terceira forma, portanto, não é invenção de tradutor moderno — está na tradição textual que sustenta as versões mais conservadoras.
A terceira observação é a mais importante para quem estuda: as três formas apontam para a mesma margem e o mesmo episódio. Gadara, Gerasa e Gergesa eram localidades daquela região oriental, e um evangelista podia identificar a área pela cidade mais conhecida enquanto outro a identificava pela mais próxima da praia.
Nenhum dos três relatos depende do topônimo para dizer o que quer dizer. O que o texto sustenta é o lugar: fora de Israel, em terra de gentios, do outro lado do mar.
A travessia que antecede o encontro
Marcos não separa este milagre do anterior. O capítulo 5 começa com a chegada à outra margem, e essa travessia é a noite da tempestade acalmada, em Marcos 4:35-41. Mesma viagem, mesma madrugada, mesmo barco.
Ler os dois episódios juntos muda o peso do segundo. Wiersbe observa que o maior perigo daquela travessia não estava no vento nem nas ondas, mas na incredulidade dos discípulos, e que os problemas mais sérios do ser humano estão dentro dele, não nas circunstâncias ao redor.2
O mesmo comentarista faz a ligação direta com o desembarque: sem aquela travessia sob tormenta, os endemoninhados continuariam onde estavam e como estavam.2 A tempestade não era desvio de rota. Era o preço da rota.
O homem que morava entre os sepulcros
Marcos descreve a cena com quatro traços rápidos, e cada um deles é uma perda concreta.
“E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo” (Mc 5:2 ACF). A moradia é a primeira informação: ele vivia entre os túmulos, no lugar reservado aos mortos.

A segunda é a força. “Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguém o podia amansar” (Mc 5:4 ACF). A comunidade tentou contê-lo e não conseguiu.
A terceira é a autoagressão contínua: “E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras” (Mc 5:5 ACF). A quarta vem de Lucas, que acrescenta a nudez e a ausência de casa (Lc 8:27 ACF).
A expressão “espírito imundo” traduz o grego akathartos, adjetivo que significa “impuro”. Nos evangelhos ele aparece quase sempre acompanhando a palavra “espírito”, e é a designação padrão de Marcos para essas entidades, do primeiro capítulo em diante.
Wiersbe resume o efeito dessa possessão como uma perda em cadeia: o lar, o convívio com os seus, a decência, o domínio próprio, a paz e o próprio sentido de viver.2 A lista é útil porque impede a leitura sensacionalista. O relato não está interessado no espetáculo; está interessado em quanto aquele homem havia perdido.
Qual era o nome do endemoninhado gadareno
A Bíblia não informa o nome dele. Nem Marcos, nem Lucas, nem Mateus registram como aquele homem se chamava, antes ou depois da libertação.
A confusão nasce de um diálogo específico: “E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos” (Mc 5:9 ACF). Lucas traz a mesma resposta com a explicação equivalente: “Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios” (Lc 8:30 ACF).
Repare em quem responde. A pergunta é feita ao homem, mas quem fala é o espírito, e a justificativa dada — “porque somos muitos” — é no plural. “Legião” é o nome dos demônios, não o nome da pessoa.
O termo grego legiōn é empréstimo do latim legio e ocorre quatro vezes no Novo Testamento: aqui, na resposta ao interrogatório (Mc 5:9), na descrição do homem já curado (Mc 5:15), no paralelo de Lucas (Lc 8:30) e na fala de Jesus sobre as doze legiões de anjos (Mt 26:53).
Uma legião romana reunia por volta de seis mil homens, e Wiersbe usa esse número para dimensionar o que aquele homem enfrentava dia e noite.3 O nome, portanto, não é uma identidade: é uma declaração de quantidade, dita por quem o ocupava.
Um ou dois endemoninhados?
Marcos e Lucas falam de um homem. Mateus fala de dois: “saíram-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar por aquele caminho” (Mt 8:28 ACF).
A diferença é real e não precisa ser escondida. Wiersbe trata o episódio a partir de Mateus, com dois endemoninhados, e observa que um deles era o que falava.2
Essa é a chave de leitura mais simples. Nem Marcos nem Lucas dizem “apenas um”: eles narram o que aconteceu com aquele que dialogou com Jesus, foi identificado pela legião e recebeu ordem de voltar para casa. Mateus, que costuma ser mais econômico nas cenas, registra o número completo dos envolvidos.
O mesmo padrão aparece em outros pontos dos evangelhos, e a explicação vale para todos: relato mais curto não é relato contrário, desde que nenhum dos dois exclua o outro. Aqui nenhum exclui.
Por que Jesus permitiu que os demônios entrassem nos porcos
O pedido parte deles: “Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles” (Mc 5:12 ACF). O resultado é imediato e devastador: “a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar” (Mc 5:13 ACF).
Wiersbe organiza o capítulo em torno de três pedidos: o dos demônios, para entrar nos porcos; o dos moradores, para que Jesus se retirasse; e o do homem liberto, para acompanhá-lo. Os dois primeiros foram atendidos, o terceiro não.3
Sobre a destruição do rebanho, ele levanta a questão econômica sem escapar dela: como a cena se passa em território gentio, o mais provável é que os criadores não fossem judeus, e a perda foi real.3 O comentarista aponta então a função do episódio: a destruição da manada provou aos que assistiam que a libertação havia de fato acontecido.3
Há um detalhe do texto que merece atenção: os demônios pedem para não serem enviados para fora daquela região (Mc 5:10 ACF), e Lucas registra o mesmo pedido em outros termos — que não fossem mandados para o abismo (Lc 8:31 ACF). Eles negociam destino porque reconhecem quem manda.
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Por que a cidade pediu que Jesus fosse embora
A reação dos moradores é o ponto mais desconfortável do relato. Eles chegam, encontram o homem “assentado, vestido e em perfeito juízo” (Mc 5:15 ACF) — e o efeito não é alegria.
“E começaram a rogar-lhe que saísse dos seus termos” (Mc 5:17 ACF). Lucas explica o motivo com uma palavra: “porque estavam possuídos de grande temor” (Lc 8:37 ACF).
Wiersbe lê a cena pelo bolso: o interesse maior daquela gente estava nos negócios, e havia o receio de que a permanência de Jesus custasse ainda mais caro à economia local.4 Ele acrescenta que Jesus permanece onde é desejado, e por isso atendeu o pedido e partiu.4
O que estava em jogo ali não era teologia, era contabilidade. Um homem foi restaurado e dois mil porcos morreram, e a região fez a conta antes de fazer a pergunta. É por isso que a passagem incomoda: ela não descreve inimigos declarados de Jesus, e sim vizinhos comuns que preferiram o prejuízo conhecido ao poder que não sabiam medir.
“Vai para tua casa”: a missão que ele recebeu
O único pedido negado no capítulo é o do homem curado. Ele quer ficar com Jesus, e ouve outra coisa: “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti” (Mc 5:19 ACF).
Wiersbe explica a negativa sem diminuir o pedido: aquele homem pertencia ao lar de onde havia sido arrancado, e o testemunho cristão começa justamente entre quem nos conhece de perto.4 Ele chama o resultado de missão pioneira entre gentios.4
Há um detalhe fino nos dois relatos. Jesus manda anunciar o que o Senhor fez (Mc 5:19 ACF); Lucas registra a ordem como anunciar o que Deus fez, e diz que o homem saiu proclamando o que Jesus lhe tinha feito (Lc 8:39 ACF).
A troca de sujeito não é descuido do evangelista. Ele recebeu a ordem de falar da obra de Deus e falou de Jesus, porque foi Jesus quem a fez.
E a obediência foi ampla: “E ele foi, e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilharam” (Mc 5:20 ACF). Uma cidade pediu que Jesus saísse; dez cidades ouviram falar dele pela boca do homem que ficou.

A família do endemoninhado gadareno
Esta é uma das perguntas mais buscadas sobre o episódio, e a resposta honesta é curta: a Bíblia não descreve a família dele. Não há nome de esposa, não há filhos, não há genealogia.
O que o texto oferece são dois indícios, e vale ficar neles. O primeiro é a expressão de Marcos 5:19 ACF, “para tua casa, para os teus” — havia uma casa e havia gente dele. A ordem de Jesus pressupõe vínculos que a possessão interrompeu, não pessoas inexistentes.
O segundo é a descrição de Lucas, de que ele não andava vestido nem habitava em casa alguma, e vivia nos sepulcros (Lc 8:27 ACF). Alguém que morava entre túmulos tinha, antes, morado em outro lugar.
Wiersbe descreve exatamente esse dano quando lista o que a possessão custou àqueles homens, começando pelo lar e pela convivência com familiares e amigos.2
Daí o cuidado necessário na pregação: descrever a esposa que teria chorado por ele ou os filhos que não o reconheceriam é acrescentar cena ao texto. O que está escrito basta e é mais forte — o primeiro lugar para onde o homem restaurado foi enviado foi a casa de onde havia sido arrancado.
O que o texto ensina
As aplicações abaixo nascem do que o relato diz aos seus primeiros leitores, na margem gentia do mar da Galileia, e só então chegam ao presente.
Havia um limite que a comunidade conhecia bem
“Ninguém o podia amansar” (Mc 5:4 ACF) é a confissão de uma cidade que já tinha tentado tudo o que sabia: cadeia, corrente, vigilância. Marcos registra a tentativa e o fracasso lado a lado.
Wiersbe observa que a sociedade, diante de gente nessa condição, consegue isolar e vigiar, mas não libertar.2 A observação continua verdadeira, e não como crítica a médicos, autoridades ou famílias. É reconhecimento de escala: contenção e cura são coisas diferentes, e o texto mostra a segunda acontecendo onde a primeira já havia falhado por completo.
A restauração foi descrita com palavras comuns
Marcos não usa vocabulário grandioso para descrever o milagre. Ele diz que o homem estava sentado, vestido e em juízo perfeito (Mc 5:15 ACF).
O verbo por trás de “em perfeito juízo” é sōphroneō, “estar em sã consciência”. É o mesmo verbo que o Novo Testamento usa para a sobriedade que se espera de qualquer cristão, como quando Paulo pede que ninguém pense de si mesmo além do que convém (Rm 12:3) e quando orienta os jovens a serem moderados (Tt 2:6).
Ou seja: o extraordinário terminou em normalidade. Sentar, vestir-se, pensar com clareza. Quando Deus restaura alguém, o sinal costuma ser esse — a volta ao que é ordinário, não a produção de algo espetacular.
O pedido mais sincero pode receber um “não”
O homem quis seguir com Jesus e ouviu que não. Não foi castigo nem rebaixamento: foi destino diferente do imaginado, e mais custoso, porque testemunhar entre desconhecidos é mais fácil do que testemunhar entre quem sabe a sua história inteira.
Contas certas, decisão errada
A região calculou o prejuízo e pediu a retirada de Jesus. O cálculo estava correto — dois mil porcos são dois mil porcos. A conclusão é que estava invertida, porque avaliou um homem restaurado pelo custo do rebanho.
Esboço de pregação sobre o endemoninhado gadareno
Tema: Aquele que atravessa a tempestade para chegar até um só.
Texto base: Marcos 5:1-20 (paralelos em Mt 8:28-34 e Lc 8:26-39).
Tese: Cristo tem autoridade sobre aquilo que ninguém consegue conter, e devolve à vida comum quem havia sido entregue aos sepulcros.
1. A viagem: ninguém está longe demais (Mc 4:35-41; 5:1-2)
A travessia noturna, a tempestade e o desembarque em terra gentia. O destino não era mercado, sinagoga nem multidão: era um cemitério, e um homem. Aplicação: a iniciativa é de Cristo, e ela cruza o que estiver no caminho.
2. A ruína: o que a possessão custou (Mc 5:3-5; Lc 8:27)
Casa, roupa, convívio, domínio próprio, paz. Contenção humana tentada e vencida (Mc 5:4 ACF). Aplicação: nomear o dano sem espetáculo, e reconhecer o limite do que a força e a vigilância alcançam.
3. O encontro: quem manda e quem obedece (Mc 5:6-13)
A adoração forçada, a pergunta pelo nome, a legião, a negociação dos demônios. Aplicação: o poder do inimigo é real e é subordinado; ele pede, não decide.
4. A cidade: o preço que assustou (Mc 5:14-17; Lc 8:37)
A manada perdida, o homem restaurado, o pedido de retirada. Aplicação: toda comunidade faz essa conta em algum momento, e nem sempre acerta o resultado.
5. O envio: o primeiro campo é a própria casa (Mc 5:18-20; Lc 8:39)
O pedido negado, a ordem dada, a obediência em Decápolis. Aplicação e apelo: testemunhar onde a sua história é conhecida, e anunciar o que foi feito por você, não o que você conseguiu fazer.
Perguntas frequentes sobre o endemoninhado gadareno
O que significa gadareno?
Significa “natural da região dos gadarenos”, área a leste do mar da Galileia cujo nome vem da cidade de Gadara. É uma indicação de origem geográfica, como “mineiro” ou “baiano”, e não um nome pessoal nem um termo religioso.
Qual era o nome do endemoninhado gadareno?
O texto bíblico não informa. Quando Jesus pergunta o nome, quem responde é o espírito, e a resposta identifica a quantidade de demônios: “Legião é o meu nome, porque somos muitos” (Mc 5:9 ACF). Chamar o homem de Legião inverte o sentido do diálogo.
O que quer dizer “Legião” nesse texto?
Legião era uma unidade do exército romano, com milhares de soldados. Usada ali, a palavra comunica multidão organizada dentro de uma pessoa. O termo grego aparece quatro vezes no Novo Testamento, três delas neste episódio e uma na fala de Jesus sobre doze legiões de anjos (Mt 26:53).
O endemoninhado era um só ou eram dois?
Mateus registra dois (Mt 8:28 ACF); Marcos e Lucas narram o que se passou com um deles, o que conversou com Jesus e recebeu a ordem de voltar para casa. Como nenhum dos dois relatos afirma que havia apenas um, não há contradição entre eles.
Por que a Bíblia fala em gadarenos, gerasenos e gergesenos?
Porque as famílias de manuscritos gregos preservaram formas diferentes, e cada tradução seguiu a que considerou melhor atestada. As três apontam para a mesma faixa de terra na margem oriental do lago. ACF e ARC trazem “gadarenos” em Marcos 5:1; ARA, NAA, NVI e NVT trazem “gerasenos”.
Por que Jesus destruiu a manada de porcos?
O pedido para entrar nos animais partiu dos demônios (Mc 5:12 ACF). A cena se passa em território gentio, onde a criação de porcos era atividade comum, e o afogamento da manada tornou pública e inegável a libertação que acabara de acontecer.
O endemoninhado gadareno tinha família?
A Escritura não descreve parentes dele. O que registra é a ordem de Jesus para que voltasse “para tua casa, para os teus” (Mc 5:19 ACF), o que indica vínculos anteriores rompidos pela condição em que vivia. Detalhes além disso são acréscimo à narrativa.
Por que Jesus não deixou o homem segui-lo?
Porque o destinou a outra função: anunciar em casa e na própria região o que havia recebido. Ele obedeceu e passou a proclamar em Decápolis (Mc 5:20 ACF), tornando-se testemunha de Cristo em terra gentia, onde os discípulos ainda não haviam chegado.
Fontes
Texto bíblico: Almeida Corrigida Fiel (ACF), com as demais versões identificadas quando citadas. As formas gregas e as ocorrências de termos referem-se ao texto grego etiquetado do STEPBible (TAGNT, CC BY 4.0).
- BOICE, James Montgomery. Fundamentos da Fé Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, p. 548.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 162.
- WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I, p. 163.
- WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I, p. 164.