O que é Diácono na Igreja Evangélica: Função, Requisitos e Como Escolher

O diácono na igreja evangélica é o membro escolhido pela congregação para servir em nome dela, cuidando dos necessitados, da ordem do culto e das tarefas práticas que liberam o pastor para a oração e o ensino da Palavra.

Em muitas igrejas, é ele quem ajuda a preparar e a servir a Santa Ceia, recolhe os dízimos e as ofertas, recebe os visitantes, mantém a ordem durante o culto, visita os enfermos e coordena a ajuda aos necessitados, ou seja, quem cuida para que o serviço da igreja funcione no dia a dia.

A pergunta parece simples, mas quem pesquisa o termo encontra quase só a resposta católica, em que o diácono faz parte do clero, ordenado num dos graus do sacramento da Ordem. Se você lidera uma igreja evangélica, ou acabou de ser indicado para o cargo, essa resposta não ajuda em nada na hora de escolher, preparar e consagrar alguém.

E a escolha tem peso. Um diácono bem escolhido resolve problemas antes que eles cheguem ao púlpito; um diácono escolhido por conveniência costuma criar os problemas que ninguém sabe a quem levar.

Hoje, vamos entender o que a palavra diácono significa, como surgiram os primeiros diáconos em Atos 6, quais são os requisitos de 1 Timóteo 3, o que o diácono faz em cada tradição evangélica e como você e a sua igreja podem escolher e consagrar os seus.

O que é diácono?

Diácono vem do grego diákonos, palavra que significa servo, atendente, alguém que presta um serviço. No Novo Testamento ela aparece em 28 versículos, e na maior parte deles não descreve cargo nenhum: é o servo das bodas de Caná, o “servo de todos” do ensino de Jesus, o próprio Paulo como ministro do evangelho.

As palavras da mesma família giram em torno do mesmo serviço: o verbo diakonéō quer dizer servir, muitas vezes servir à mesa, e o substantivo diakonía quer dizer serviço ou ministério.

Há ainda uma diferença que ajuda a entender o cargo. O Novo Testamento tem outra palavra para servo, doûlos, o escravo, que é definido pelo senhor a quem pertence; o diákonos, por sua vez, é definido pelo trabalho que realiza.

O sentido de ofício, ou seja, de uma função reconhecida na igreja local, aparece em poucos textos. O mais claro é a saudação de Filipenses, endereçada aos santos da cidade “com os bispos e diáconos” (Filipenses 1:1), sendo que “bispo”, no Novo Testamento, é o mesmo presbítero que supervisiona a igreja, como lê a maior parte das igrejas evangélicas. Ali já existem duas funções lado a lado, e a carta a Timóteo vai dizer quem pode ocupar cada uma.

O modelo do serviço, porém, vem antes do cargo. Jesus inverteu a régua de grandeza dos discípulos e se colocou como o exemplo dela:

Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. Marcos 10:45

O verbo traduzido por “servir” nesse versículo é o mesmo diakonéō. Portanto, todo cristão é chamado a servir, e o diácono é aquele que a igreja separa para liderar esse serviço de forma organizada.

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Os primeiros diáconos em Atos 6

A primeira organização do serviço na igreja nasceu de uma reclamação. A igreja de Jerusalém crescia, e com ela crescia a distribuição diária de alimentos às viúvas:

Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. Atos 6:1

Os “gregos” eram judeus de fala grega, vindos de fora da Palestina, e os “hebreus” eram os judeus da terra. As viúvas do primeiro grupo eram tratadas como forasteiras e ficavam sem a sua parte na distribuição.1 Era um problema de assistência social com potencial para dividir a igreja ao meio.

Os apóstolos não resolveram sozinhos. Reuniram a multidão e disseram que não era razoável deixarem “a palavra de Deus” para servir às mesas (Atos 6:2), e propuseram uma divisão de tarefas:

Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Atos 6:3

Repare em quem escolhe. A igreja indicou os nomes, e os apóstolos os constituíram, orando e impondo as mãos sobre eles (Atos 6:6). Esse detalhe sustenta a prática, comum em muitas igrejas evangélicas, de o diácono ser eleito pela congregação em vez de nomeado de cima.2

Os sete eram Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia, isto é, um gentio convertido ao judaísmo. Todos têm nomes gregos, o que sugere judeus de fala grega, embora muitos judeus da Palestina também usassem nomes gregos.1

Se a leitura estiver certa, a igreja entregou o cuidado das viúvas de fala grega a homens do próprio grupo que tinha reclamado.2 E o resultado veio no versículo seguinte: “crescia a palavra de Deus” (Atos 6:7).

Quem pergunta pelo primeiro diácono da Bíblia costuma receber a resposta “Estêvão”, por ser o primeiro nome da lista. A rigor, os sete foram escolhidos juntos, e o próprio texto de Atos 6 não os chama de diáconos; usa apenas palavras da mesma família, diakonía para a distribuição e diakonéō para o servir às mesas.3 Mesmo assim, a igreja passou a ver ali a origem do diaconato porque o serviço descrito ali corresponde ao ofício que Filipenses 1:1 e 1 Timóteo 3 nomeiam depois.

Dois dos sete foram muito além das mesas. Estêvão pregou diante do Sinédrio e se tornou o primeiro mártir da igreja, como contamos no artigo sobre quem foi Estêvão na Bíblia. Filipe levou o evangelho a Samaria (Atos 8:5) e anos depois é chamado de “Filipe, o evangelista, que era um dos sete” (Atos 21:8) — a história dele está no artigo sobre Filipe, o diácono que virou evangelista.

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Os requisitos bíblicos para ser diácono

Paulo escreveu a Timóteo, que pastoreava em Éfeso, uma lista de qualificações para os bispos (1 Timóteo 3:1-7) e, logo em seguida, outra para os diáconos. A lista dos diáconos fala de caráter, não de tarefas, e isso já diz muito sobre o que você e a liderança devem observar.4

Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância; guardando o mistério da fé numa consciência pura. 1 Timóteo 3:8-9

Somando os versículos 8 a 13 ao critério de Atos 6:3, você tem a lista inteira numa tabela:

Requisito Texto O que significa na prática
Boa reputação, cheio do Espírito e de sabedoria Atos 6:3 Testemunho conhecido na igreja e fora dela; sabedoria para decidir em situações delicadas
Honesto (respeitável) 1 Timóteo 3:8 Leva o serviço a sério e é digno de ser imitado
Não de língua dobre 1 Timóteo 3:8 Fala a mesma versão dos fatos para todos e guarda o que ouve nas visitas
Não dado a muito vinho 1 Timóteo 3:8 Domínio próprio, sem vício que comprometa o serviço
Não cobiçoso de torpe ganância 1 Timóteo 3:8 Integridade com dinheiro, porque o diácono costuma recolher ofertas e repassar ajuda
Guarda o mistério da fé numa consciência pura 1 Timóteo 3:9 Conhece a doutrina e vive de acordo com ela
Primeiro provado 1 Timóteo 3:10 Já serviu antes, e a igreja observou a sua conduta
Irrepreensível 1 Timóteo 3:10 Sem acusação séria que desabone o testemunho
Marido de uma só mulher 1 Timóteo 3:12 Fidelidade no casamento (as leituras variam; ver abaixo)
Governa bem os filhos e a casa 1 Timóteo 3:12 A liderança no lar antecipa a liderança na igreja

O requisito de não ser “de língua dobre”, ou seja, de não ter duas versões para a mesma conversa, merece atenção especial, pois ele não aparece na lista dos bispos. Afinal, o diácono entra na casa das pessoas, ouve problemas financeiros, conhece doenças e conflitos familiares, e, portanto, a discrição dele protege a igreja inteira de boatos e mágoas.5

A ausência também ensina. Do bispo, Paulo exige que seja “apto para ensinar” (1 Timóteo 3:2); do diácono, não. Ou seja, o diácono pode ensinar, e muitos ensinam, mas a função dele não depende desse dom.5

Sobre “marido de uma só mulher”, existem leituras diferentes entre os comentaristas evangélicos. Uma entende o requisito como fidelidade conjugal, considerando a imoralidade comum no mundo greco-romano; outra o lê como proibição da poligamia; e uma terceira, como impedimento para quem se divorciou e casou de novo.6 Wiersbe, por exemplo, fica com esta terceira e entende que o diácono não deve ser divorciado e casado novamente.7

O versículo 10, “sejam primeiro provados, depois sirvam”, não fixa um prazo de experiência. Ele pede que a conduta e o compromisso do candidato sejam examinados com cuidado antes da escolha.6 Na prática, isso significa que o futuro diácono já serve na recepção, na visitação, na EBD ou em outra frente, e você e a igreja conhecem o trabalho dele antes de lhe dar o cargo.

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Qual a função do diácono na igreja evangélica?

O Novo Testamento descreve quem pode ser diácono com muito mais detalhe do que descreve o que ele faz. Atos 6 mostra uma função concreta, o cuidado das viúvas, mas é um relato histórico de um problema específico e não pretende limitar o diaconato àquela tarefa.5

A partir do relato e do próprio sentido da palavra, você consegue reconhecer pelo menos três áreas de responsabilidade:5

  • Misericórdia, ou seja, o socorro aos necessitados, a começar pelos da igreja e alcançando também os de fora;
  • Evangelismo, que nasce naturalmente da ajuda prática, como aconteceu com Filipe e Estêvão;
  • Treinamento, levando outros membros para a visitação e a ação social, em vez de fazer tudo sozinho.

Na teologia batista clássica, a mesma função aparece por outro ângulo: o diácono auxilia o pastor e a igreja, tanto nas coisas espirituais quanto nas materiais. Ele alivia o pastor das tarefas externas, informa-o das necessidades do rebanho e serve de ligação entre o pastor e os membros.8

Sendo assim, na prática cada tradição organiza o cargo de um jeito, e duas denominações têm esse modelo descrito em documento oficial.

Na Igreja Presbiteriana do Brasil, a Constituição define que o diácono é eleito pela assembleia da igreja e ordenado pelo Conselho, com mandato de cinco anos renovável. Cabe a ele recolher as ofertas destinadas à caridade, assistir pobres, enfermos e inválidos, cuidar da ordem e da reverência no culto e zelar pelo templo, enquanto o governo da igreja fica com o Conselho (pastor e presbíteros), que pode consultá-lo em assuntos administrativos.9

Nas Assembleias de Deus ligadas à CGADB, a Declaração de Fé da convenção descreve o diácono como alguém separado oficialmente perante a igreja para servir nas atividades dela: como porteiro e recepcionista, na ordem do culto e na distribuição dos elementos da Ceia do Senhor. Além disso, diáconos atuam como professores e dirigentes da escola dominical e como líderes de jovens e adolescentes, “desde que autorizados por seus superiores”.10 Nessas igrejas, o diácono faz parte de uma estrutura de obreiros presidida pelo pastor, que inclui ainda evangelistas, presbíteros e cooperadores.11

Nas igrejas batistas e em muitas igrejas independentes, que têm autonomia local, a forma de escolha, as atribuições e a participação na administração variam de uma congregação para outra. Portanto, a regra que vale na sua igreja é a do seu estatuto e do seu regimento interno.

No dia a dia, o trabalho diaconal costuma voltar à lista curta da abertura: ofertas, recepção, ordem do culto, apoio na Ceia, visita a enfermos e afastados e ajuda aos necessitados. É uma rotina que exige escala, e você encontra a organização dela detalhada no artigo sobre a escala da igreja.

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Diácono e presbítero: qual a diferença?

A dúvida é comum porque as duas funções aparecem juntas em Filipenses 1:1 e em 1 Timóteo 3. A diferença fica clara quando você compara o que o texto pede de cada um:

Presbítero (bispo) Diácono
Texto-base 1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9; 1 Pedro 5:1-4 Atos 6:1-7; 1 Timóteo 3:8-13
Foco do serviço Supervisão espiritual e ensino Serviço prático, misericórdia e ordem
Apto para ensinar Exigido (1 Timóteo 3:2) Não exigido
Relação com o governo Participa do governo da igreja (1 Timóteo 5:17) Serve sob a supervisão da liderança

Em Atos 6, a divisão já estava desenhada: os apóstolos perseveraram “na oração e no ministério da palavra” (Atos 6:4), e os sete assumiram o serviço às mesas. Os dois serviços são ministério, e nenhum é inferior ao outro. A diferença é de chamado e de dom, não de importância.

Quem governa a igreja, e de que jeito, muda de uma tradição para outra. Na IPB, os presbíteros governam junto com o pastor, no Conselho.9 Nas Assembleias de Deus, os termos ancião, presbítero e bispo também são lidos como sinônimos no Novo Testamento, mas os presbíteros atuam como “auxiliares dos pastores” e formam “o corpo auxiliar no governo da Igreja sob a presidência de um pastor”.12 Já na teologia batista clássica, o bispo ou presbítero do Novo Testamento é o próprio pastor, e a igreja tem dois ofícios: pastor e diácono.13

Nas igrejas brasileiras aparecem ainda outros nomes, como obreiro, auxiliar e cooperador. Nas Assembleias de Deus, esses nomes são oficiais. “Obreiro” vale para qualquer cargo ou função. O cooperador, também chamado de auxiliar ou trabalhador conforme a região, é o membro que se coloca à disposição da igreja para servir onde for preciso, com base em textos como 1 Coríntios 3:9 e Atos 13:5.11 Em outras denominações, esses títulos têm outro sentido ou nem existem, então você precisa conferir o que cada um significa na sua igreja antes de comparar uma congregação com outra.

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Como escolher e consagrar um diácono

Pastor ora com a mão no ombro de um novo diácono, enquanto dois presbíteros também impõem as mãos durante o culto

Com os textos à vista, você pode organizar o processo de escolha em etapas que respeitam o modelo de Atos 6 e os requisitos de 1 Timóteo 3. Ele começa pela necessidade e termina no registro, e não o contrário:

  1. Defina a necessidade. Atos 6 começou com um problema real; quantos diáconos a igreja precisa depende do trabalho que existe, não do desejo de preencher vagas;
  2. Ensine a igreja antes da escolha. A Constituição presbiteriana pede que o pastor instrua a igreja sobre as qualidades do cargo com pelo menos trinta dias de antecedência,9 e qualquer igreja ganha com essa prática;
  3. Observe quem já serve. O “primeiro provados” de 1 Timóteo 3:10 aponta para quem já tem histórico de serviço, testemunho e discrição, e a Declaração de Fé das Assembleias de Deus repete a exigência: os diáconos são provados antes de serem separados;10
  4. Envolva a congregação. Em Atos 6, a multidão indicou os nomes e os apóstolos os constituíram. Na IPB, o diácono é eleito pela assembleia da igreja;9 nas Assembleias de Deus, ele é separado oficialmente perante a igreja;10 nas demais, a forma segue o estatuto;
  5. Consagre com oração e imposição de mãos, como em Atos 6:6,14 num culto em que o diácono assume o compromisso diante da igreja. Nas Assembleias de Deus, o diácono é consagrado (ou “separado”) na própria igreja local, e não pela convenção;12
  6. Decida se haverá mandato. O Novo Testamento não fixa duração. Há quem veja vantagem em mandatos com possibilidade de reeleição,15 como a IPB, que adota cinco anos renováveis;9 a Declaração das Assembleias de Deus não menciona mandato;10
  7. Registre a decisão em ata e no cadastro de membros, com o cargo, a data da consagração e, se houver, o fim do mandato.

Porém, a pressa costuma estragar esse processo. Paulo aconselha Timóteo a não impor as mãos “precipitadamente” sobre ninguém (1 Timóteo 5:22), e o conselho vale para a consagração de diáconos tanto quanto para a de presbíteros.

Para o culto de consagração, você pode usar quatro textos que costumam servir bem à leitura e à palavra:

  • Atos 6:3, que traz o critério da escolha;
  • Marcos 10:45, que mostra o modelo do serviço;
  • 1 Timóteo 3:13, com a promessa de “boa posição e muita confiança na fé” para quem serve bem;
  • 1 Pedro 4:10, que chama cada um a administrar o dom recebido como bom despenseiro.

O último passo, o registro, costuma ficar em cadernos e planilhas que se perdem na troca de secretaria. Basta um cadastro de membros bem mantido para guardar quem é diácono, desde quando e até quando, e evitar que você descubra no meio do ano que metade da junta está com o mandato vencido.

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O que o diácono não é

O diaconato não é título de honra. O cargo existe para ser exercido, e não apenas ocupado, e você não deve usar a escolha para agradar ou segurar alguém na igreja, como dar o cargo a um membro faltoso na esperança de que ele passe a frequentar mais.16 O critério de Atos 6:3 é espiritual, e nem a riqueza nem a influência de um membro entram nele.

Também não é um cargo menor. Em muitas igrejas, diáconos fiéis são depois chamados a outras funções, e isso é motivo de alegria. Mas a promessa de 1 Timóteo 3:13 já vale para o próprio diaconato: “boa posição e muita confiança na fé”, ou seja, respeito na igreja e ousadia no serviço para quem serve bem.7

E não é um cargo de bastidor. O diácono lida com o dinheiro da igreja, entra na casa dos membros e representa a congregação diante dos necessitados. É por isso que Paulo exige dele quase tanto quanto exige do bispo. Portanto, a escolha merece todo esse cuidado!

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Perguntas Frequentes sobre o Diácono

Qual a função do diácono na igreja evangélica?

Servir à congregação em nome dela, principalmente no cuidado dos necessitados, na organização do culto, no recolhimento das ofertas e, em muitas igrejas, no apoio à Santa Ceia, sob a orientação do pastor e da liderança.

A lista exata de atribuições varia entre denominações e é definida pelo estatuto ou pela constituição de cada igreja.

Quem pode ser diácono?

Um membro da igreja que preencha os requisitos de Atos 6:3 e 1 Timóteo 3:8-13: boa reputação, sabedoria, honestidade, discrição, domínio próprio, integridade com dinheiro, firmeza na doutrina e um lar bem governado.

Além disso, ele precisa ter sido observado servindo antes da escolha. Idade mínima e tempo de membresia ficam por conta das regras de cada igreja.

Diácono pode casar?

Pode, e o texto bíblico pressupõe que a maioria seja casada, já que pede que os diáconos sejam “maridos de uma só mulher” e governem bem a própria casa (1 Timóteo 3:12).

E o solteiro? Para quem lê o requisito como fidelidade no casamento, ele não obriga ninguém a se casar para servir.

Qual a diferença entre diácono e presbítero?

O presbítero participa da supervisão espiritual e do ensino da igreja, junto com o pastor, sob a presidência dele ou como o próprio pastor, conforme a denominação, e por isso precisa ser apto para ensinar. O diácono lidera o serviço prático e a misericórdia, e esse requisito não aparece na lista dele.

Os dois são ofícios do Novo Testamento, citados juntos em Filipenses 1:1, e os dois exigem caráter aprovado.

Diácono recebe salário?

A Bíblia não trata de remuneração para o diácono. Quando Paulo fala que “digno é o obreiro do seu salário” (1 Timóteo 5:18), o contexto são os presbíteros que trabalham na palavra e na doutrina.

O diaconato costuma ser exercido por membros voluntários, que mantêm a sua profissão. Se a igreja contrata alguém para zeladoria ou secretaria, trata-se de vínculo de trabalho, separado do cargo eclesiástico.

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Conclusão

O diácono nasceu de um problema concreto, as viúvas esquecidas na distribuição de Jerusalém, e a solução dos apóstolos continua atual: gente cheia do Espírito e de sabedoria, escolhida pela igreja, cuidando do serviço para que a Palavra continue sendo pregada.

A forma muda de uma tradição para outra, na escolha, na consagração e nas atribuições. O que não muda é o retrato de 1 Timóteo 3, que olha para o caráter antes de olhar para a tarefa, e o modelo de Marcos 10:45, que transforma o serviço em grandeza.

Por isso, antes da próxima escolha, gaste tempo ensinando a igreja sobre o cargo e observando quem já serve. Essa costuma ser a etapa mais pulada, e é justamente ela que evita a maior parte dos arrependimentos depois.

E você? Como a sua igreja escolhe os diáconos hoje? Os requisitos de 1 Timóteo 3 entram de fato na conversa antes da escolha?

Fique na paz!

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Fontes

  1. BÍBLIA de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã; Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. notas a At 6.1 e 6.5, p. 1280.
  2. BOICE, James Montgomery. Fundamentos da Fé Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 546-547.
  3. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. 5 — Atos. Santo André, SP: Geográfica Editora, p. 557.
  4. BÍBLIA de Estudo de Genebra, nota a 1Tm 3.1-13, p. 1444.
  5. BOICE, Fundamentos da Fé Cristã, p. 547-549.
  6. BÍBLIA de Estudo de Genebra, notas a 1Tm 3.2 e 3.10, p. 1445.
  7. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. 6 — 1 Timóteo. Santo André, SP: Geográfica Editora, p. 289.
  8. STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática, vol. 2. Trad. Augusto Victorino. São Paulo: Hagnos, 2003, p. 679.
  9. IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, arts. 8º, 25, 53, 54, 110 e 111. Disponível em: https://www.executivaipb.com.br/site/constituicao/constituicao.pdf.
  10. CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL. Declaração de Fé. CPAD, nov. 2016, cap. XIV, 5 (“Os diáconos”), p. 76.
  11. CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL, Declaração de Fé, cap. XIV, introdução, 3 (“Pastores e evangelistas”) e 6 (“Os cooperadores”), p. 75-76.
  12. CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL, Declaração de Fé, cap. XIV, 4 (“Os presbíteros”), p. 76.
  13. STRONG, Teologia Sistemática, vol. 2, p. 674.
  14. STRONG, Teologia Sistemática, vol. 2, p. 687.
  15. STRONG, Teologia Sistemática, vol. 2, p. 680.
  16. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. 6, p. 287-288.

Consultados sem nota: o sentido de diákonos, diakonía e diakonéō e as ocorrências no Novo Testamento seguem o léxico grego e o texto etiquetado do STEPBible (Tyndale House, CC BY 4.0), com base no léxico de Abbott-Smith.

Nota sobre as citações bíblicas: todas as citações deste artigo seguem a versão Almeida Corrigida Fiel (ACF), salvo quando outra versão é indicada no texto.

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