Quem Eram os Midianitas na Bíblia: Origem, Território e História

Os midianitas são um dos poucos povos da Bíblia que aparecem dos dois lados da história de Israel. Deram abrigo a Moisés e um sogro sacerdote a ele; depois seduziram Israel em Baal-Peor e o oprimiram por sete anos, até Gideão. Entender quem eles eram explica passagens de Gênesis a Isaías.

Este artigo reúne o que a Escritura diz sobre a origem, o território, a religião e o fim dos midianitas, mostra onde eles são confundidos com ismaelitas e amalequitas, e traz um esboço para quem vai pregar sobre Juízes 6 a 8.

Quem eram os midianitas

Os midianitas eram um povo seminômade do noroeste da Arábia e do sul da Transjordânia, descendente de Midiã, um dos filhos que Abraão teve com Quetura. Viviam de rebanhos e do comércio de caravanas, e não formavam um reino único: a Bíblia fala de cinco reis ao mesmo tempo (Nm 31:8 ACF).

Eram, portanto, parentes distantes de Israel. É por isso que a relação entre os dois povos nunca é simples: ela vai do casamento de Moisés à guerra de extermínio, e o texto bíblico não esconde nenhum dos dois lados.

A origem: filhos de Abraão com Quetura

A genealogia é explícita. Depois da morte de Sara, “Abraão tomou outra mulher; e o seu nome era Quetura” (Gn 25:1 ACF), e dela nasceram seis filhos: “Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Suá” (Gn 25:2 ACF). A lista se repete em 1 Crônicas 1:32.

Midiã teve cinco filhos — Efá, Efer, Enoque, Abida e Elda (Gn 25:4 ACF) —, e desses clãs saiu o povo. Um deles, Efá, reaparece séculos depois numa profecia de Isaías sobre caravanas de camelos (Is 60:6 ACF), sinal de que a atividade comercial marcou a identidade midianita do começo ao fim.

O significado do nome Midiã

A forma hebraica midyan se liga à raiz de “contenda”, “disputa”. O nome designa ao mesmo tempo o homem, a tribo que dele descendeu e o território que ela ocupou — três sentidos que o leitor precisa distinguir conforme o contexto de cada passagem.

Por que Abraão os afastou

Gênesis registra que Abraão deu presentes aos filhos das concubinas e os enviou “ao oriente, para a terra oriental”, ainda em vida, separando-os de Isaque (Gn 25:6 ACF). O parentesco existia; a herança da promessa, não. Toda a história posterior dos midianitas se passa nessa margem: perto o bastante para se cruzar com Israel, fora o bastante para não pertencer a ele.

Onde ficava a terra de Midiã

O núcleo do território midianita ficava no noroeste da península Arábica, na faixa que se estende a leste do golfo de Ácaba. Em certos períodos eles se espalharam para oeste, pelo Sinai, e para o norte, pela Transjordânia1.

Isso resolve uma dificuldade comum de leitura: os midianitas aparecem no Sinai com Moisés, nas planícies de Moabe com Balaão e no vale de Jizreel com Gideão. Ou seja, trata-se de um povo móvel, cuja área de circulação variava conforme a época — e não de grupos distintos que dividiam o mesmo nome.

A arqueologia da região mostra que, embora fossem em boa parte beduínos, os midianitas também tiveram aldeias, cidades muradas e sistemas de irrigação já na época em que Israel saiu do Egito e viveu sob os primeiros juízes1. Nômade, no antigo Oriente Próximo, raramente significava sem estrutura.

Onde os midianitas aparecem na Bíblia

Na Almeida Corrigida Fiel, as palavras “Midiã” e “midianitas” aparecem em 63 versículos, distribuídos por 11 livros. Vale olhar a distribuição antes de qualquer conclusão: quase metade das ocorrências está em Juízes.

Livro Versículos Onde se concentra
Juízes 29 Jz 6 a 8 — a opressão e a campanha de Gideão
Números 13 Nm 22; 25; 31 — Balaão, Baal-Peor e a guerra
Gênesis 5 Gn 25 (origem) e Gn 37 (venda de José)
Êxodo 5 Êx 2 a 4 e 18 — o exílio de Moisés e Jetro
1 Crônicas 3 Genealogias de Quetura e de Edom
Isaías 3 Is 9:4; 10:26; 60:6 — memória e profecia
Josué 1 Js 13:21 — os cinco príncipes de Midiã
1 Reis 1 1 Rs 11:18 — a fuga de Hadade por Midiã
Salmos 1 Sl 83:9 — oração que invoca o precedente
Habacuque 1 Hc 3:7 — as tendas de Midiã tremendo
Atos 1 At 7:29 — Estêvão recontando o exílio de Moisés

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Os midianitas e a venda de José

A primeira aparição dos midianitas em ação é numa rota de caravana. Eles compram José dos irmãos e o revendem no Egito: “E os midianitas venderam-no no Egito a Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda” (Gn 37:36 ACF).

O detalhe que confunde o leitor é que o mesmo capítulo chama os mercadores de ismaelitas e de midianitas quase na mesma frase (Gn 37:28 ACF). Afinal, o texto trata os dois grupos como muito próximos, e Juízes 8:24 ainda chama de ismaelitas os midianitas derrotados por Gideão2.

Como as versões traduzem Gênesis 37:28

A escolha do tradutor muda a impressão que o leitor tem da cena. Veja o mesmo versículo em cinco versões:

Versão Como identifica os mercadores
ACF “os mercadores midianitas… venderam José… aos ismaelitas”
ARC “os mercadores midianitas… venderam José por vinte moedas de prata aos ismaelitas”
ARA “os mercadores midianitas… o venderam por vinte siclos de prata aos ismaelitas”
NAA “os mercadores midianitas… o venderam aos ismaelitas por vinte moedas de prata”
NVI “os mercadores ismaelitas de Midiã… o venderam… aos ismaelitas”

Quatro versões mantêm os dois nomes lado a lado e deixam a tensão visível. A NVI funde os dois numa expressão só, “mercadores ismaelitas de Midiã”, e assim entrega ao leitor a interpretação já resolvida. Nenhuma das duas escolhas é desonesta — mas quem compara Bíblias precisa saber que a diferença está no português, não em dois relatos distintos.

Moisés em Midiã: refúgio, casamento e Jetro

Depois de matar o egípcio, “Moisés fugiu de diante da face de Faraó, e habitou na terra de Midiã, e assentou-se junto a um poço” (Êx 2:15 ACF). Ali ele encontra as sete filhas do sacerdote de Midiã, casa-se com uma delas, Zípora, e passa quarenta anos como pastor de rebanhos alheios.

Moisés como pastor junto a um poço no deserto com o rebanho de Jetro
Moisés apascenta o rebanho de Jetro junto a um poço no deserto de Midiã durante seus quarenta anos de refúgio.

Foi apascentando “o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã” que Moisés chegou a Horebe e viu a sarça (Êx 3:1 ACF). O chamado que definiu a história de Israel aconteceu enquanto ele trabalhava para um midianita. Estêvão retoma exatamente esse período no seu discurso (At 7:29 ACF).

Reuel, Jetro ou Hobabe?

O sogro de Moisés recebe três nomes na Bíblia, e isso costuma travar a leitura:

Nome Onde aparece Como o texto o descreve
Reuel Êx 2:18 pai das sete moças que Moisés defendeu
Jetro Êx 3:1; 18:1 sogro de Moisés, sacerdote de Midiã
Hobabe Nm 10:29 filho de Reuel, o midianita, sogro de Moisés

A explicação mais simples é que “Reuel” seja o nome próprio e “Jetro” um título ou nome honorífico do mesmo homem, e que Hobabe seja o cunhado — o termo hebraico traduzido por “sogro” cobre parentesco por afinidade de modo mais amplo que o português. Juízes 1:16 e 4:11 chamam essa família de queneus, um clã que se agregou a Israel e permaneceu com ele.

O que Jetro adorava

Jetro não era israelita, e mesmo assim reconhece o Deus de Israel depois do êxodo: “Agora sei que o Senhor é maior que todos os deuses” (Êx 18:11 ACF). Inscrições egípcias do segundo milênio mencionam o nome divino associado a beduínos da região de Seir, o que alguns estudiosos leem como pano de fundo plausível para a informação bíblica de que havia adoração ao Senhor entre os midianitas3.

Isso importa para não simplificar o povo. Na Escritura, Midiã é o nome de uma gente em que houve um sacerdote que se alegrou com o que o Senhor fez — e, uma geração depois, chefes que arrastaram Israel para a idolatria. Basta comparar Êxodo 18 com Números 25 para ver a distância entre os dois retratos.

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A virada: Baal-Peor e a guerra de Números 31

A relação muda no fim da peregrinação. Quando Israel acampa nas planícies de Moabe, são “os anciãos dos midianitas” que se juntam a Moabe para contratar Balaão contra o povo (Nm 22:4,7 ACF). Sobre esse episódio, vale ler também o estudo de como Deus usou Balaão.

Frustrada a maldição, veio a sedução. Em Baal-Peor, uma mulher midianita é levada ao acampamento à vista de todos (Nm 25:6 ACF), e a praga que se segue mata milhares. O texto identifica a mulher: “Cosbi, filha de Zur, cabeça do povo da casa paterna entre os midianitas” (Nm 25:15 ACF). Era filha de um chefe do povo, e não um caso isolado entre gente comum.

A ordem de guerra vem em seguida, e o motivo declarado é esse: “Porque eles vos afligiram a vós com os seus enganos com que vos enganaram no caso de Peor” (Nm 25:18 ACF). Israel ataca, e morrem “os reis dos midianitas: a Evi, e a Requém, e a Zur, e a Hur, e a Reba, cinco reis” — e Balaão junto (Nm 31:8 ACF).

Josué 13:21 reapresenta esses mesmos cinco homens como “príncipes de Midiã” aliados de Siom. Rei e príncipe, aqui, descrevem chefes tribais de porte parecido: a estrutura midianita era uma confederação de clãs, não uma monarquia central.

Os sete anos de opressão e a derrota por Gideão

Já em Canaã, Juízes abre o ciclo mais conhecido: “o Senhor os deu nas mãos dos midianitas por sete anos” (Jz 6:1 ACF). A tática era econômica, não territorial. Eles esperavam a colheita e a destruíam.

“Porque subiam com os seus gados e tendas; vinham como gafanhotos, em grande multidão que não se podia contar, nem a eles nem aos seus camelos; e entravam na terra, para a destruir.” (Jz 6:5 ACF)

O efeito aparece no versículo seguinte: “Assim Israel empobreceu muito pela presença dos midianitas” (Jz 6:6 ACF). Israelitas passaram a se esconder em covas, cavernas e fortificações nos montes (Jz 6:2 ACF), e Gideão foi encontrado malhando trigo dentro de um lagar — um tanque de pisar uvas — só para não ser visto (Jz 6:11 ACF).

Os camelos de Juízes 6

A menção insistente aos camelos (Jz 6:5; 7:12; 8:21,26 ACF) já foi lida como se Midiã tivesse uma cavalaria montada. Porém o texto se limita a dizer que eles tinham muitos camelos. Pelo que se sabe hoje sobre quando o camelo foi domesticado, montá-lo em combate é prática de séculos mais tarde; a sela em uso naquele tempo servia a transporte e a carga4.

A diferença pesa para quem prega. O terror midianita vinha de mobilidade, de número e da capacidade de aparecer todo ano na época exata da colheita — e não de uma tecnologia militar superior.

Por que trezentos homens

A razão da redução do exército é dada por Deus, e é teológica: “Muito é o povo que está contigo… a fim de que Israel não se glorie contra mim, dizendo: A minha mão me livrou” (Jz 7:2 ACF). De trinta e dois mil restaram trezentos (Jz 7:7 ACF).

A conta do outro lado é registrada em Juízes 8:10 ACF: cento e vinte mil já haviam caído e quinze mil restavam — cerca de cento e trinta e cinco mil homens ao todo, contra trezentos com trombetas, cântaros e tochas5. O relato faz questão de que a desproporção seja aritmética, não retórica.

Tochas e cântaros quebrados no vale durante a vitória de Gideão contra os midianitas
Na escuridão do vale de Jezreel, o toque dos shofares, as tochas e os cântaros quebrados causaram a derrota dos midianitas por Gideão.

Os quatro chefes derrotados

A campanha mata dois príncipes, Orebe e Zeebe (Jz 7:25 ACF), e depois dois reis, Zeba e Salmuna, capturados já em fuga (Jz 8:12 ACF). O resultado é resumido em uma linha: “Assim foram abatidos os midianitas diante dos filhos de Israel, e nunca mais levantaram a sua cabeça; e sossegou a terra quarenta anos” (Jz 8:28 ACF).

No caminho de volta, Gideão pune Sucote e Peniel, cidades israelitas que se recusaram a alimentar seus soldados. A recusa não foi mera falta de hospitalidade: era medo de represália midianita, e portanto aposta na vitória do opressor — ofensa de outra natureza que o orgulho ferido de Efraim, perdoado poucos versículos antes6. Veja o estudo completo sobre quem foi Gideão na Bíblia.

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O que a Bíblia diz dos midianitas depois de Gideão

Depois de Juízes 8, os midianitas somem como potência. Não há registro de nova invasão. O que sobra são referências ao episódio como marco, e uma nota comercial no fim.

Passagem Como Midiã é lembrado
Sl 83:9 ACF oração pedindo a Deus que trate os inimigos atuais “como aos midianitas”
Is 9:4 ACF a libertação messiânica comparada ao “dia dos midianitas”
Is 10:26 ACF o juízo sobre a Assíria comparado à matança “junto à rocha de Orebe”
Hc 3:7 ACF “tremiam as cortinas da terra de Midiã” diante da vinda de Deus
1 Rs 11:18 ACF Midiã como rota de fuga do edomita Hadade rumo ao Egito
Is 60:6 ACF “os dromedários de Midiã e Efá” trazendo ouro e incenso ao Senhor

Repare no arco. O povo que veio como gafanhoto tomar a colheita reaparece na profecia trazendo ouro e incenso e publicando os louvores do Senhor. Isaías anuncia a caravana midianita chegando com oferta, e não o extermínio de Midiã.

Midianitas, ismaelitas, amalequitas e queneus

Quatro povos aparecem juntos ou intercalados nas mesmas narrativas, e trocá-los é o erro mais comum em estudos sobre Juízes.

Povo Origem Relação com Israel
Midianitas Midiã, filho de Abraão e Quetura (Gn 25:2 ACF) oscilante: abrigo a Moisés, depois opressão
Ismaelitas Ismael, filho de Abraão e Hagar (Gn 16:15 ACF) caravaneiros; nomes trocados com Midiã em Gn 37 e Jz 8:24
Amalequitas Amaleque, neto de Esaú (Gn 36:12 ACF) inimigos permanentes; aliados de Midiã em Jz 6:3 ACF
Queneus clã ligado à família do sogro de Moisés (Jz 1:16 ACF) agregados a Israel; Jael era desse grupo (Jz 4:11 ACF)

Repare que três dos quatro descendem de Abraão ou de Isaque. O conflito de Israel em Juízes não é, na maior parte, com estranhos vindos de longe — é com primos.

O que a história dos midianitas ensina

A ameaça que Israel não venceu foi a que veio de dentro

Midiã tentou duas coisas contra Israel. A primeira foi a maldição contratada em Números 22, e falhou inteiramente. A segunda foi o convite ao culto de Peor em Números 25, e essa funcionou: matou milhares.

Vale medir a distância entre os dois episódios. Nenhum exército derrubou Israel nas planícies de Moabe; um banquete derrubou. O texto não apresenta isso como azar, e sim como estratégia deliberada — é exatamente o que Números 25:18 chama de “engano”.

Hoje, a ponte com esse texto passa por aí: Deus protegeu Israel do que vinha de fora sem que isso o protegesse do que ele mesmo escolheu aceitar. Proteção divina e responsabilidade humana correm juntas na mesma página, e o pregador que separa as duas trai o capítulo.

Empobrecer não foi acidente de percurso: foi disciplina anunciada

Juízes 6:6 não diz que Israel empobreceu apesar de Deus, mas que Deus o entregou (Jz 6:1 ACF). A opressão midianita é apresentada como consequência de um abandono, e o profeta anônimo de Juízes 6:8-10 ACF chega para explicar isso ao povo antes que qualquer libertador apareça.

Isso muda o que se faz com o texto. Antes de aplicar Gideão a dificuldades pessoais, o pregador precisa reconhecer que Juízes está contando um ciclo de infidelidade nacional, e que a boa notícia da história não é o heroísmo do juiz, e sim a paciência de Deus em levantar mais um.

O sogro midianita e o chefe midianita são o mesmo povo

Jetro reconhece o Senhor e oferece sacrifício; Zur entrega a própria filha à sedução de Israel. Os dois são midianitas. A Escritura não permite fechar um juízo étnico sobre o povo inteiro em nenhuma das duas direções.

Onde o texto trata de um povo como inimigo, ele trata de um momento e de uma prática, não de uma essência. E ainda assim guarda a Midiã, em Isaías 60:6, um lugar na caravana que traz ofertas ao Senhor.

Trezentos homens é uma afirmação sobre Deus, não sobre eficiência

A redução do exército tem motivo declarado no próprio texto: impedir que Israel dissesse “a minha mão me livrou” (Jz 7:2 ACF). Não é elogio a equipes pequenas nem lição de gestão.

O ponto é a atribuição do crédito. Infelizmente, o próprio Gideão perdeu isso de vista logo adiante: o mesmo Gideão que devolveu a glória a Deus na batalha fez com o ouro do despojo um éfode que se tornou laço para Israel (Jz 8:27 ACF). A vitória bem interpretada não garantiu que o vitorioso continuasse interpretando bem.

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Esboço de pregação sobre Juízes 6 a 8

Tema: Deus livra do inimigo que oprime e do coração que o atraiu.
Texto base: Juízes 6:1-16; 7:1-8; 8:22-28.

1. O inimigo que veio porque fomos entregues (Jz 6:1-6)

Os sete anos, a colheita destruída, o povo em cavernas. Explicar que o verbo do versículo 1 é “entregou”, e que a origem do problema está antes da chegada dos midianitas. Aplicação: a pergunta certa diante do aperto prolongado não é apenas “como sair”, mas “o que me trouxe até aqui”.

2. O chamado que encontra o homem escondido (Jz 6:11-16)

Gideão malhando trigo no lagar, o cumprimento do anjo, a objeção do clã mais fraco e a promessa. Aplicação: Deus chama pelo que promete fazer, não pelo que encontra pronto.

3. A vitória que não admite outro dono (Jz 7:1-8; 8:22-28)

A redução a trezentos com o motivo declarado no texto, a derrota do maior exército da narrativa e, no fim, o éfode de Gideão. Aplicação e apelo: pedir a Deus livramento é fácil; devolver a Ele o crédito depois do livramento é a parte que Israel não conseguiu sustentar, e é onde a igreja de hoje escorrega igual.

Perguntas frequentes sobre os midianitas

Quem eram os midianitas na Bíblia?

Eram um povo seminômade descendente de Midiã, filho de Abraão com Quetura. Viviam no noroeste da Arábia e no sul da Transjordânia, criavam rebanhos e atuavam no comércio de caravanas. Aparecem em 63 versículos da Bíblia, quase metade deles no livro de Juízes.

Os midianitas eram descendentes de quem?

De Abraão. Gênesis 25:2 lista Midiã entre os seis filhos que Abraão teve com Quetura, depois da morte de Sara. Por isso os midianitas eram parentes distantes de Israel, e não um povo estrangeiro sem qualquer ligação com os patriarcas.

Onde ficava a terra de Midiã?

No noroeste da península Arábica, na região onde hoje fica a Arábia Saudita, numa faixa a leste do golfo de Ácaba. Em certas épocas o povo avançou até a península do Sinai e subiu à região a leste do Jordão, o que explica encontrá-los em cenários bem distantes entre si.

Qual a diferença entre midianitas e ismaelitas?

São descendências diferentes de Abraão: Midiã nasceu de Quetura e Ismael de Hagar. Na prática comercial os dois grupos se misturavam tanto que Gênesis 37 usa os dois nomes na mesma cena e Juízes 8:24 chama de ismaelitas os midianitas vencidos por Gideão.

Por que Deus mandou Israel guerrear contra os midianitas?

A ordem de Números 31 responde ao episódio de Baal-Peor, em que chefes midianitas participaram de um plano para levar Israel à idolatria e à imoralidade, causando uma praga que matou milhares. O texto aponta o engano religioso, não uma disputa por território.

Quantos anos os midianitas oprimiram Israel?

Sete anos, segundo Juízes 6:1. A opressão era anual e sazonal: eles subiam na época da colheita, destruíam as plantações e levavam os rebanhos, o que empobreceu o país e obrigou muita gente a viver escondida nos montes.

Quem derrotou os midianitas?

Gideão, com trezentos homens armados de trombetas, cântaros e tochas. A vitória levou à captura dos reis Zeba e Salmuna e à morte dos príncipes Orebe e Zeebe, e a terra teve quarenta anos de paz.

Jetro, sogro de Moisés, era midianita?

Sim. Êxodo 3:1 o chama de sacerdote em Midiã. Moisés se refugiou entre os midianitas ao fugir do Egito, casou-se com Zípora, filha dele, e foi apascentando o rebanho do sogro que chegou a Horebe e recebeu o chamado diante da sarça.

Os midianitas ainda existem?

Não como povo identificável. Depois de Juízes 8 eles desaparecem como força política, e as menções posteriores são lembranças da derrota ou referências geográficas. A última aparição é uma profecia de Isaías 60:6, que descreve camelos de Midiã levando ouro e incenso ao Senhor.

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Fontes

Texto bíblico: Almeida Corrigida Fiel (ACF), com as demais versões identificadas quando citadas. Veja também quem foi Moisés na Bíblia e a história de José do Egito.

  1. WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 170.
  2. Ibid., p. 68.
  3. Ibid., p. 80.
  4. Ibid., p. 260.
  5. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II. Santo André, SP: Geográfica Editora, p. 120.
  6. Ibid., p. 126.

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