Quem crê no Senhor Jesus Cristo logo sente a necessidade de conhecer mais a Palavra de Deus. Afinal, ao ser alimentado por ela, o desejo de se aprofundar na Bíblia Sagrada só aumenta.
Além de ler as Escrituras e de ouvir pregações ou estudos bíblicos, o cristão quer vivenciar, ele mesmo, a experiência de estudar a Palavra.
Essa prática é uma marca do protestantismo: a leitura e o estudo individual da Bíblia Sagrada. No entanto, muitas vezes, por falta de orientação ou por não saber por onde começar, encontramos sérias dificuldades no início dessa jornada.
Queremos estudar a Bíblia, mas frequentemente não temos em mãos os materiais necessários para que esse estudo seja promissor e nos conduza a um conhecimento mais profundo.
Nesse sentido, o caminho mais adequado é contar com três ferramentas essenciais para desenvolver um estudo pessoal e constante: um Dicionário Bíblico, um Comentário Bíblico e uma Bíblia de Anotações.
Como Charles Spurgeon disse certa vez: “Nenhum homem é capaz de compreender a Bíblia sem estudá-la”. E essa foi exatamente a minha experiência.
Lembro-me de quando comecei a ler as Escrituras com mais dedicação. O texto me maravilhava, mas a distância histórica frequentemente me deixava com dúvidas.
Foi apenas quando passei a utilizar as ferramentas certas que a Bíblia se abriu de uma forma completamente nova e profunda.
Antes de investir em muitos materiais ou se perder em pesquisas na internet, é fundamental que você conheça essas três ferramentas clássicas e indispensáveis.
Um Dicionário Bíblico
Basicamente, um dicionário bíblico é um livro, ou conjunto de livros, que organiza os mais diversos assuntos presentes nas Escrituras.
Nele, você encontra explicações sobre temas como templo, tabernáculo, moedas, pesos e medidas, Paulo de Tarso, Abraão, Moisés, Timóteo, sinagoga, calendários, festas, desertos, Rio Jordão, Monte Sinai, tendas, Samaria, Tiro, Sidom, Canaã, entre outros.
São pessoas, fatos, construções, locais, rios, desertos, cidades, deuses e religiões que aparecem na Bíblia Sagrada, mas que não recebem uma explicação direta no próprio texto bíblico.

Como estamos distantes das culturas e do tempo em que esses fatos ocorreram, o uso do dicionário bíblico se torna indispensável. Por exemplo, no Evangelho de João, lemos:
“E, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba”
Jo 7.37 ARC
O texto bíblico não explica o que acontecia nesse “grande dia da festa”. Por isso, ao pesquisar no dicionário sobre as festas dos judeus — especialmente a Festa dos Tabernáculos e os seus ritos —, conseguimos compreender as palavras de Jesus de maneira muito mais profunda.
Entre as muitas opções do mercado, o Novo Dicionário da Bíblia – edição revisada, organizado por J. D. Douglas e publicado pela editora Vida Nova, é uma excelente aquisição.
Com suas 1.402 páginas, a obra está repleta de informações precisas sobre os mais variados temas bíblicos.
Ele aborda pessoas, lugares, geografia, história, cultura e costumes. Além disso, traz a exposição dos livros e a apresentação de doutrinas importantes — como justificação, salvação e revelação.
Com uma leitura de fácil compreensão, esse material proporciona o entendimento claro de qualquer tema pesquisado.
Um Comentário Bíblico
Além do dicionário, outra ferramenta básica para o seu aprendizado é um comentário bíblico. Vale ressaltar que todo comentário segue a linha teológica do seu autor.
Ou seja, se o autor é pentecostal, a obra seguirá a teologia pentecostal. Se for luterano, seguirá a teologia luterana, e assim por diante.
Junto à linha teológica, há diferentes tipos de comentários: existem os exegéticos (focados nas línguas originais), os histórico-culturais e os devocionais/expositivos (voltados para a aplicação prática).
Para quem está começando, o comentário bíblico expositivo é a melhor escolha. Ele traz explicações básicas e acessíveis sobre a autoria, o motivo, a organização e o contexto de cada livro, além de aplicar o texto à vida diária.

Algumas dessas obras detalham cada versículo, formando coleções extensas de vários volumes. Outras opções condensam o conteúdo em apenas dois volumes: um para o Antigo e outro para o Novo Testamento.
Existem excelentes comentários no mercado, como o Comentário Bíblico Moody e os de William MacDonald. Porém, um dos meus favoritos — que eu mesmo utilizo bastante por ser prático e enriquecedor — é o Comentário Bíblico Wiersbe, de Warren W. Wiersbe.
A obra foi publicada pela Geográfica Editora e pela editora Central Gospel (estando também disponível em uma edição maior de seis volumes).
Esse material apresenta os livros da Bíblia Sagrada com introdução e esboço, partindo em seguida para a análise dos fatos narrados. As explicações não ocorrem versículo por versículo, mas focam nos capítulos estratégicos de cada livro.
Sendo uma obra de dois volumes, ela entrega o conteúdo de maneira prática e concisa, sem abrir mão da profundidade. O volume do Antigo Testamento conta com 678 páginas, e o do Novo Testamento possui 911 páginas.
Uma Bíblia para Anotações
Uma Bíblia sempre será a Palavra de Deus, independentemente da versão.
Seja ela a Almeida Revista e Corrigida (ARC), Nova Versão Internacional (NVI), Bíblia de Jerusalém (BJ), King James (KJ), JFA 1819, Nova Versão Transformadora (NVT), Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH), Almeida Revista e Atualizada (ARA), Almeida Século XXI (AS21) ou outras, quem a lê sempre receberá a iluminação do Espírito Santo.
Contudo, na nossa caminhada com Jesus, surge a necessidade natural de conhecer mais. E para ir além da leitura diária, o estudo do texto sagrado se faz obrigatório.
É aí que entram os dicionários e comentários, mas é essencial registrar o que você está aprendendo. Hoje em dia, há diversas Bíblias projetadas com espaços em suas páginas para que você anote as informações estudadas.

Quando bem utilizadas, essas Bíblias de Anotações vão se transformando, com o passar do tempo, em um verdadeiro depósito de conhecimento bíblico.
Esse hábito também facilita muito na preparação de uma pregação ou estudo bíblico. Muitos irmãos, inclusive, chegaram a escrever livros de comentários inteiros a partir dos registros feitos em suas Bíblias de Anotações.
Se você estudar e anotar um trecho bíblico todos os dias, em apenas um ano, terá reunido inúmeras e preciosas anotações em sua Bíblia Sagrada.
Uma excelente opção para investir é a Bíblia Sagrada na tradução Nova Versão Internacional (NVI), com letra gigante, no modelo Leitura Perfeita, da Thomas Nelson Brasil.
Ela possui uma fonte muito agradável para leitura, pequenas notas explicativas ao texto e os desejados espaços para anotações.
Além disso, as páginas são confeccionadas em um papel diferenciado, o que garante maior destaque aos seus registros.
Colocando as Três Ferramentas em Prática
Para ilustrar a força da união dessas três ferramentas, vamos voltar ao exemplo de João 7.37, onde Jesus clama no último dia da Festa dos Tabernáculos. Como eu faria esse estudo?
- A Leitura: Primeiro, leio o texto na minha Bíblia de Anotações e marco a expressão “no último dia, o grande dia da festa”.
- O Dicionário: Em seguida, recorro ao Novo Dicionário da Bíblia. Pesquiso sobre a “Festa dos Tabernáculos” e descubro que havia um ritual em que os sacerdotes derramavam água do tanque de Siloé no altar, clamando por chuva e lembrando a provisão de Deus no deserto.
- O Comentário: Depois, abro o Comentário Bíblico Wiersbe em João 7. Ele me explica que foi exatamente no momento em que os sacerdotes derramavam a água que Jesus exclamou ser a água viva, cumprindo simbolicamente aquele rito de uma forma extraordinária.
- A Anotação: Por fim, escrevo na margem da minha Bíblia de Anotações ao lado de João 7.37: “Jesus declara ser a água viva bem no momento do ritual das águas na Festa dos Tabernáculos — Ele é a provisão perfeita!”.
Com essa dinâmica de estudo, a sua compreensão das Escrituras será muito mais profunda.
Perguntas Frequentes sobre Como Estudar a Bíblia
Quais são os três materiais essenciais para estudar a Bíblia?
Um dicionário bíblico, um comentário bíblico e uma Bíblia com espaço para anotações. Cada um cumpre uma função distinta: o primeiro explica o que o texto sagrado não explica, o segundo acompanha o argumento de cada livro e o terceiro guarda o que você aprendeu. Com os três em mãos, o estudo pessoal se sustenta sem depender de buscas soltas na internet.
Para que serve um dicionário bíblico?
Para responder ao que a Bíblia menciona sem explicar: festas, pesos e medidas, cidades, rios, cargos, costumes e personagens. O leitor de hoje está a séculos e a uma cultura de distância daqueles fatos, e o verbete devolve aquilo que o primeiro leitor já sabia de cor. Uma opção acessível é o Novo Dicionário da Bíblia, organizado por J. D. Douglas, com 1.402 páginas.
O que o dicionário muda na leitura de João 7.37?
Jesus clama “no último dia, o grande dia da festa” (Jo 7:37, ARC), e o evangelho não informa que festa era essa. O verbete sobre as festas judaicas apresenta a dos Tabernáculos e o rito em que se trazia água do tanque de Siloé para derramar junto ao altar. O convite de Jesus a quem tem sede foi feito ali, no momento exato daquele gesto.
Que tipo de comentário bíblico serve para quem está começando?
O expositivo. Ele apresenta autoria, propósito, contexto e divisão de cada livro em linguagem acessível, e leva o texto para a vida diária. Os exegéticos trabalham as línguas originais e os histórico-culturais se concentram no pano de fundo — proveitosos mais adiante, quando a dúvida já é específica.
Todo comentário bíblico diz a mesma coisa sobre uma passagem?
Não. Cada obra carrega a tradição teológica de quem a escreveu: o comentarista pentecostal comenta como pentecostal, o luterano como luterano. Conhecer a linha do autor antes de abrir o volume evita que a interpretação dele seja recebida como se fosse o próprio texto bíblico.
Preciso trocar de versão da Bíblia para estudar?
Qualquer versão serve de ponto de partida: ARC, NVI, ARA, NVT, NTLH e as demais entregam a mesma Palavra a quem lê. O que pesa no estudo é a margem, porque uma página com espaço em branco ao lado do texto permite registrar o que foi aprendido. Uma edição pensada para isso é a NVI em letra gigante, no modelo Leitura Perfeita, da Thomas Nelson Brasil.
Como usar as três ferramentas juntas em um único estudo?
Leia a passagem e marque a expressão que ficou obscura. Procure o verbete correspondente no dicionário. Abra o comentário naquele capítulo e veja o que ele acrescenta. Por fim, escreva na margem, ao lado do versículo, uma frase curta com o que você descobriu. Repetido dia após dia, ao fim de um ano a sua própria Bíblia terá virado material de consulta.
E você?
Já sabe por qual livro ou passagem vai começar o seu estudo bíblico hoje?
Fique na Paz!
Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irmão Moisés Brasil. Você pode acompanhar o seu trabalho excepcional através do YouTube e Instagram.