Quem Foi Zaqueu na Bíblia: o Publicano de Lucas 19

↑ Este artigo faz parte da coleção Personagens Bíblicos — quem foram e o que ainda ensinam à igreja de hoje.

Zaqueu era chefe dos publicanos em Jericó, e era rico (Lc 19:2 ACF). Baixo demais para enxergar Jesus por cima da multidão, subiu numa árvore à beira do caminho — e ouviu o próprio nome de quem ele só queria ver de longe.

A história inteira dele cabe em dez versículos, em Lucas 19. O nome aparece três vezes na Bíblia, e todas as três estão nesse capítulo.

Quem foi Zaqueu na Bíblia

O texto o apresenta em uma frase, com três informações: “havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico” (Lc 19:2 ACF).

Jericó não era uma cidade qualquer para esse cargo. Ficava numa rota de passagem, com produção de bálsamo e trânsito de mercadoria — ou seja, um posto de arrecadação lucrativo.

Repare que o texto não diz que ele era desonesto. Diz que era chefe e que era rico. A conclusão sobre como ficou rico quem tira é a multidão, no versículo 7 — e, mais adiante, o próprio Zaqueu.

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O que significa o nome Zaqueu

Zaqueu vem do hebraico Zacai, que significa “puro”.

Vale deixar a ironia à mostra, porque ela é do próprio texto: o homem que a cidade inteira chamava de pecador (Lc 19:7 ACF) carregava a vida toda um nome que quer dizer puro.

E o nome não era só dele. Zacai aparece no Antigo Testamento como chefe de família entre os que voltaram do exílio: “Os filhos de Zacai, setecentos e sessenta” (Ed 2:9 ACF, repetido em Ne 7:14). Não é o mesmo homem — é o mesmo nome, algumas centenas de anos antes.

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Chefe dos publicanos: que cargo era esse

Publicano era o judeu que arrematava do império o direito de cobrar impostos da própria gente. Ele repassava a Roma o valor combinado e ficava com o que conseguisse arrecadar acima disso.

Por isso o ofício era odiado duas vezes: pelo dinheiro e pela traição implícita.

E aqui há um detalhe que quase todo estudo deixa passar. “Chefe dos publicanos” aparece uma única vez em todo o Novo Testamento — aplicado a Zaqueu. A palavra comum, “publicano”, aparece vinte vezes; a que descreve o cargo dele, uma.

Ou seja, o texto não o apresenta como mais um cobrador. Apresenta como o homem no topo daquela estrutura, na cidade errada para se estar no topo dela.

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Zaqueu era judeu ou romano?

Judeu. O próprio Jesus resolve a questão no fim da cena: “Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão” (Lc 19:9 ACF).

A confusão vem do cargo. Publicano trabalhava para Roma, mas era gente da terra — e era exatamente isso que tornava o ofício tão malvisto.

A frase de Jesus tem endereço. Ao chamá-lo de filho de Abraão, ele devolve a Zaqueu a condição que a multidão acabara de negar ao chamá-lo de “homem pecador”.

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Figueira brava ou sicômoro? depende da tradução

As duas coisas circulam, e as duas estão certas — é a mesma árvore, com nomes diferentes em português:

  • ACF“subiu a uma figueira brava para o ver”;
  • ARC“subiu a uma figueira brava para o ver”;
  • ARA“subiu a um sicômoro a fim de vê-lo”;
  • BKJ“subiu em uma árvore de sicômoro para vê-lo”.

O sicômoro do Oriente Próximo é uma figueira de fruto pequeno, de tronco baixo e ramos largos — fácil de escalar, e por isso comum à beira de estrada. As traduções mais antigas em português preferiram descrevê-la (“figueira brava”); as mais recentes preferiram transliterar o nome da espécie.

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Por que ele precisou subir na árvore

O texto dá o motivo sem rodeio: “E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura” (Lc 19:3 ACF).

E acrescenta o que ele fez: “correndo adiante, subiu a uma figueira brava” (Lc 19:4 ACF).

Repare no que isso custava. Um chefe de publicanos, rico, correndo pela rua e trepando numa árvore diante da cidade que o odiava. Não era só altura que estava em jogo ali.

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“Zaqueu, desce depressa”

A cena vira no versículo 5: “olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa” (Lc 19:5 ACF).

Duas coisas acontecem nessa frase, e as duas importam.

A primeira é o nome. Zaqueu queria só ver quem era Jesus; foi Jesus quem o chamou pelo nome.

A segunda é o convite invertido. Ele não pede licença para entrar — diz que convém pousar ali. E a resposta é imediata: “apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente” (Lc 19:6 ACF).

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O que a multidão murmurou

A multidão de Jericó murmurando por Jesus ter entrado na casa de Zaqueu

“E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador” (Lc 19:7 ACF).

Vale reparar em quem murmura: todos. Não é um grupo de fariseus destacado; é a cidade inteira que assiste à cena e desaprova o endereço escolhido.

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Metade e quadruplicado: o que ele prometeu

Zaqueu com a bolsa de moedas aberta, prometendo restituir o quádruplo

A resposta de Zaqueu vem em números, e é aqui que a conversão fica verificável: “Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado” (Lc 19:8 ACF).

Para entender o tamanho disso, vale comparar com o que a Lei pedia:

  • Restituição voluntária (Lv 6:5 ACF) — devolver o valor por inteiro e acrescentar o quinto;
  • Furto de ovelha (Êx 22:1 ACF) — “pela ovelha quatro ovelhas”;
  • Furto de boi (mesmo versículo) — “por um boi pagará cinco bois”.

Zaqueu estava na primeira categoria e se cobrou pela segunda. Quem devolve por conta própria deve o valor mais um quinto; ele ofereceu quatro vezes — a medida que o texto reserva a quem foi pego roubando.

E ainda começou dando metade dos bens aos pobres, o que a Lei não pedia de ninguém.

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5 lições que aprendemos com Zaqueu

O capítulo anterior tinha terminado com uma pergunta em aberto. Um homem rico acabara de ir embora triste, e quem assistiu perguntou: “Logo quem pode salvar-se?” (Lc 18:26 ACF).

Lucas responde com um endereço em Jericó. As cinco lições abaixo saem dessa costura e do versículo que fecha a cena: “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19:10 ACF).

  1. A curiosidade dele ainda não era fé (Lc 19:3) — o objeto do verbo, no texto, é a identidade de quem passava: “procurava ver quem era Jesus” (Lc 19:3 ACF). Wiersbe recorre a Calvino nesse ponto — “a curiosidade e a simplicidade são uma espécie de preparação para a fé”1. Quem entra num culto só para saber do que se trata não precisa de vocabulário formado para ser chamado pelo nome;
  2. O chefe da alfândega subiu na árvore mais ordinária da estrada (Lc 19:4) — o sicômoro é a figueira que a Bíblia toma como medida do barato: no reinado de Salomão o cedro ficou abundante “como sicômoros que estão nas planícies” (1Rs 10:27 ACF), e Amós vivia de colhê-los (Am 7:14). Correr e trepar ali custou posição antes de dar altura — o movimento que Jesus tinha acabado de descrever: “qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc 18:14 ACF). Quem sustenta um lugar na cidade reconhece a moeda: paga-se em figura antes de pagar em dinheiro;
  3. “Convém” é a palavra que Lucas guarda para o que Deus determinou (Lc 19:5) — em “hoje me convém pousar em tua casa” está o verbo grego deî (Strong G1163), o mesmo de “me convém tratar dos negócios de meu Pai” (Lc 2:49 ACF), a primeira fala de Jesus no evangelho, e de “é necessário que o Filho do homem padeça” (Lc 9:22 ACF). Isso põe a visita na mesma lista do que ele precisava cumprir. Wiersbe observa que em nenhum outro ponto dos quatro evangelhos Jesus se autoconvida para a casa de alguém2. Ou seja: quem prega a cena como prêmio da escalada inverteu a direção dela;
  4. Ele se cobrou pela lei do ladrão pego (Lc 19:8) — quem confessava por conta própria devolvia o valor mais um quinto, e entregava “àquele contra quem se fez culpado” (Nm 5:7 ACF) — pessoa com nome, não caixa de oferta. Repare no salto: ele ofereceu quatro vezes, a medida de Êx 22:1, e ainda metade dos bens sem que ninguém pedisse. O rico do capítulo anterior ouvira pedido parecido e fora embora triste (Lc 18:22-23) — advertência, escreve Wiersbe, a quem deseja “uma fé cristã que não mude seus valores nem perturbe seu estilo de vida”3;
  5. O título que a cidade tinha por herança, Jesus deu a quem ela excluía (Lc 19:9) — João Batista já avisara às multidões: “não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai” (Lc 3:8 ACF), e entre os que o ouviam havia publicanos (Lc 3:12). Em Jericó, a cidade que se dizia de Abraão chamou Zaqueu de “homem pecador” (Lc 19:7 ACF), e foi ele quem ouviu “também este é filho de Abraão”. Vale para a igreja que já decidiu quem ali é caso perdido: dá para estar certo sobre o que uma pessoa fez e errado sobre o que ela ainda pode ser.

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Esboço de pregação sobre Zaqueu

Um roteiro em três pontos, seguindo a ordem da narrativa. Serve para mensagem, célula ou EBD.

Tema: o encontro que muda o endereço do dinheiro. Texto: Lucas 19:1-10 (versículo-chave: 19:10).

  1. O homem que subiu para ver (Lc 19:3-4) — a limitação era real: baixo, no meio da multidão. Aplicação: o preço da subida foi cobrado em posição — o chefe da alfândega correndo e trepando à vista da cidade que o odiava. Pergunte a quem ouve o que ainda está protegendo da própria figura;
  2. O convite que veio de cima (Lc 19:5) — Jesus para, olha para cima e chama pelo nome. Aplicação: o convém desta frase é o mesmo verbo com que Lucas fala da cruz (Lc 9:22). Não peça esforço à congregação neste ponto; peça que ela repare em quem falou primeiro;
  3. A conta que mudou de dono (Lc 19:8) — metade aos pobres, quádruplo aos defraudados. Aplicação: Zaqueu não prometeu ser mais honesto daqui em diante — disse quanto, para quem e por qual medida (Êx 22:1). O exame que se propõe a quem ouve é simples: existe uma lista com nomes?

Conclusão sugerida: fechar no versículo 10 — “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”. A frase explica a casa escolhida: ele entrou onde estava o perdido.

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Onde Zaqueu aparece na Bíblia

O nome Zaqueu aparece três vezes, todas em Lucas 19:

  • Lucas 19:2 — a apresentação: chefe dos publicanos, e rico;
  • Lucas 19:5 — Jesus o chama pelo nome: “Zaqueu, desce depressa”;
  • Lucas 19:8 — a promessa: metade aos pobres e restituição quadruplicada.

Fora desses três versículos, ele não aparece em mais nenhum lugar da Bíblia. O que existe no Antigo Testamento é o mesmo nome noutra pessoa: a família de Zacai, entre os que voltaram do exílio (Ed 2:9; Ne 7:14).

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Perguntas frequentes sobre Zaqueu

Quem foi Zaqueu na Bíblia?

Um chefe dos publicanos de Jericó, rico, que subiu numa árvore para ver Jesus passar e acabou recebendo-o em casa. A história está em Lucas 19:1-10.

O que significa o nome Zaqueu?

Vem do hebraico Zacai, que significa “puro” — o que dá à história uma ironia que o próprio texto explora, já que a cidade o chamava de “homem pecador” (Lc 19:7).

Zaqueu era judeu ou romano?

Judeu. Jesus o chama de “filho de Abraão” (Lc 19:9). Ele trabalhava para Roma como publicano, mas era da terra — e era isso que tornava o ofício tão malvisto.

Que árvore Zaqueu subiu?

Depende da tradução: a ACF e a ARC dizem “figueira brava”; a ARA e a BKJ dizem “sicômoro”. É a mesma árvore — o sicômoro do Oriente Próximo é uma espécie de figueira, de tronco baixo e fácil de escalar.

Qual era a altura de Zaqueu?

A Bíblia não dá medida. Diz apenas que ele “era de pequena estatura” (Lc 19:3) e que por isso não conseguia ver Jesus por cima da multidão.

Quanto Zaqueu prometeu devolver?

Metade dos bens aos pobres e o quádruplo a quem tivesse defraudado (Lc 19:8). A Lei pedia, de quem restituía por conta própria, o valor mais um quinto (Lv 6:5) — ele se cobrou pela medida do ladrão de ovelha (Êx 22:1).

Quantas vezes Zaqueu aparece na Bíblia?

Três, todas em Lucas 19 (versículos 2, 5 e 8).

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Fontes

Texto bíblico: Almeida Corrigida Fiel (ACF), com comparativo em ARC, ARA e BKJ. Contagens feitas no texto grego etiquetado (STEPBible, CC BY 4.0).

  1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 326 (capítulo “Enfim, Jerusalém!” — comentário de Lucas 19:1-10).
  2. Ibid., p. 327.
  3. Ibid., p. 325.

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