Carmesim e Escarlate Significado na Bíblia: O que Diz Isaías 1:18

Carmesim e escarlate são, na Bíblia, o mesmo vermelho: a cor de um corante caro extraído de um inseto, usado nas cortinas do tabernáculo, nas vestes do sumo sacerdote e no cordão que Raabe pendurou na janela. Em Isaías 1:18 esse vermelho vira imagem do pecado — e a promessa é que ele fique branco.

O que quase toda pregação sobre o versículo pula é o detalhe que a língua hebraica guarda: a palavra que Isaías usa para “carmesim” é, no resto do Antigo Testamento, a palavra para verme.

O que é carmesim e o que é escarlate

Carmesim e escarlate (ou “escarlata”, na grafia das Almeidas mais antigas) são dois nomes portugueses para tons de vermelho intenso. Nas traduções da Bíblia, os dois traduzem o mesmo material: um tecido — normalmente lã — tingido com um corante vermelho de origem animal.

Vale insistir num ponto: não são cores decorativas escolhidas por gosto. São, no Antigo Testamento, uma matéria-prima de valor, listada ao lado do ouro, da prata e do linho fino: “Manda-me, pois, agora um homem hábil para trabalhar em ouro, em prata, em bronze, em ferro, em púrpura, em carmesim e em azul” (2 Cr 2:7 ACF). Quem aparece vestido dessa cor na Bíblia é rainha, noiva, sacerdote ou gente rica — nunca alguém comum.

Voltar ao topo

De onde vinha o vermelho: um inseto, não uma planta

O léxico hebraico do STEPBible descreve a origem do corante sem rodeios. Sob a palavra shani, a definição é: “propriamente, o inseto coccus ilicis, o corpo seco da fêmea, que fornece a matéria corante da qual se faz a tintura usada para tingir tecido de escarlate ou carmesim”1. A entrada de tola’ repete a mesma origem e acrescenta o sentido primário da palavra: “verme — a fêmea do coccus ilicis2.

Do lado grego, o léxico deriva o adjetivo kokkinos (“escarlate”) de kokkos, palavra que ele registra como usada para a “baga” do ilex coccifera3. As aspas em “baga” são do próprio léxico: o nome descreve o que o olho via na planta, não o que a coisa era.

Ou seja, o vermelho do santuário sai de um bicho. Duas consequências disso explicam o resto da história. A primeira é que a cor era cara: cada porção de tinta saía de corpos secos de insetos. A segunda é que ela é irreversível no sentido prático: nenhum texto bíblico descreve alguém tirando o vermelho de um tecido já tingido. Quando um pano de escarlate volta a ser branco nas Escrituras, é porque Deus prometeu que voltaria.

Voltar ao topo

As três palavras hebraicas: tola’, shani e karmil

No texto hebraico etiquetado do STEPBible (TAHOT), três palavras respondem por “carmesim” e “escarlate” nas traduções portuguesas — e elas não se distribuem por igual.

Palavra Strong Sentido de base Versículos Onde aparece
shani (שָׁנִי) H8144 escarlate, carmesim 42 tabernáculo, Raabe, Gênesis 38, Provérbios 31
tola’ / tola’at (תּוֹלָע) H8438 verme; e o corante dele 43 tabernáculo, e oito textos onde significa verme
karmil (כַּרְמִיל) H3758 carmesim 3 só em 2 Crônicas (2:7; 2:14; 3:14)
argaman (אַרְגָּמָן) H0713 púrpura 38 tabernáculo, templo, realeza
tekhelet (תְּכֵלֶת) H8504 azul, violeta 49 tabernáculo, franjas, templo

Repare no cruzamento, que é onde está o dado mais útil: em 34 dos 42 versículos de shani, a palavra vem colada a tola’, formando a expressão que as Almeidas condensam num só termo, “carmesim”. Trinta e três deles são instruções do tabernáculo em Êxodo e Números e os ritos de purificação em Levítico e Números 19. O trigésimo quarto é Isaías 1:18.

Nos oito versículos restantes, shani aparece sozinho — e são justamente as cenas narrativas mais lembradas: o fio na mão do bebê em Gênesis 38, o cordão de Raabe em Josué 2, as filhas de Israel vestidas por Saul (2 Sm 1:24), a mulher virtuosa de Provérbios 31, os lábios do Cântico 4:3 e a Jerusalém enfeitada em vão de Jeremias 4:30.

Porém karmil é palavra tardia e rara: os três usos estão em 2 Crônicas, no relato da construção do templo de Salomão, onde o Cronista usa um vocabulário diferente do de Êxodo para descrever o mesmo tipo de tecido.

Voltar ao topo

A palavra do corante é a palavra de verme

Fora dos 34 versículos em que tola’ anda junto de shani, sobram nove. Em um deles, Lamentações 4:5, a palavra ainda é tecido: “os que se criaram em carmesim abraçam monturos” (Lm 4:5 ACF). Nos outros oito, o sentido é o bicho, e as traduções portuguesas escrevem “verme” ou “bicho”:

  • o maná guardado além da conta e que “criou bichos” (Êx 16:20 ACF);
  • a vinha cuja uva “o bicho as colherá” (Dt 28:39 ACF);
  • o rei da Babilônia, sobre quem “os vermes debaixo de ti se estenderão” (Is 14:11 ACF);
  • Israel chamado por Deus de “tu verme de Jacó” (Is 41:14 ACF);
  • o juízo final de Isaías, “o seu verme nunca morrerá” (Is 66:24 ACF);
  • o homem diante de Deus em Jó 25:6;
  • o verme que fere a aboboreira de Jonas (Jn 4:7);
  • e o Salmo 22:6: “Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo” (Sl 22:6 ACF).

Vale parar no último. O Salmo 22 é o salmo que Jesus cita na cruz. A mesma raiz que nomeia o inseto de onde sai o vermelho do santuário nomeia, ali, aquele que é humilhado até o chão. A Bíblia não constrói essa ponte explicitamente, e seria forçar o texto dizer que Davi pensava em corante. Mas o vocabulário está lá, e vale saber que está.

Voltar ao topo

Isaías 1:18: o versículo que carrega a imagem

“Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Is 1:18 ACF).

O versículo é um paralelismo perfeito: duas cores, duas comparações brancas. E o hebraico usa exatamente as duas palavras da tabela acima — shanim na primeira metade, tola’ na segunda. Isaías 1:18 é um dos 34 versículos em que as duas andam juntas; é o único fora do vocabulário do santuário.

Repare que o contexto é de tribunal. O verbo hebraico traduzido por “arrazoemos” no versículo 18 significa formalmente “decidir uma causa em tribunal” — e aqui, em vez de lavrar a condenação cabível, o próprio Juiz soberano oferece o perdão completo.4 Isso muda o tom da leitura. O convite não é um apelo emotivo; é uma convocação judicial cuja sentença já foi decidida a favor do réu.

E ele vem logo depois de uma acusação pesada: “as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1:15 ACF), seguida da ordem “Lavai-vos, purificai-vos” (Is 1:16 ACF). A escarlata do versículo 18 não é metáfora vaga de “pecado em geral” — é a cor do sangue que Deus acabou de dizer que está nas mãos deles.

As traduções concordam no essencial e divergem num ponto:

ACF “como a escarlata” … “vermelhos como o carmesim”
ARA “como a escarlata” … “vermelhos como o carmesim”
NAA “como o escarlate” … “vermelhos como o carmesim”
NVT “como o escarlate” … “vermelhos como o carmesim”
NVI “vermelhos como escarlate” … “rubros como púrpura

A NVI é a única das sete versões consultadas que traz “púrpura” na segunda metade. Do ponto de vista do hebraico, ali está tola’, não argaman; “carmesim” é a tradução mais próxima da palavra.

Voltar ao topo

Por que a imagem funciona

Artesãos hebreus retirando lãs profundamente tingidas de vermelho carmesim em caldeirões de barro
“Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve” (Is 1:18 ACF) — No mundo antigo, o tingimento duplo de carmesim impregnava a fibra de modo indelével; o perdão de Deus remove até a mancha mais profunda.

A explicação que se ouve com mais frequência é que a tinta de carmesim não desbotava — era firme, não saía na lavagem, e por isso serve de figura para o pecado que o pecador não consegue tirar de si. É uma explicação antiga e plausível. Vale dizer com honestidade que ela não está no texto: nem Isaías nem qualquer outro autor bíblico comenta a fixação do corante, e as fontes que sustentam este artigo tampouco.

O que o próprio versículo oferece é melhor, e mais simples. Repare no segundo termo de comparação: “se tornarão como a branca lã” (Is 1:18 ACF). Afinal, lã é exatamente o material que se tingia de escarlate. Hebreus 9:19 descreve o instrumento do rito com essas duas palavras juntas — erion kokkinon, “lã escarlate”, que a ARA traduz por “lã tinta de escarlate” (Hb 9:19 ARA) e a ACF, curiosamente, por “lã purpúrea” (Hb 9:19 ACF).

Ou seja: Deus não promete branquear uma coisa vermelha qualquer. Ele promete devolver à lã a cor que ela tinha antes de alguém a mergulhar na tinta. O vermelho, no versículo, é adquirido; o branco é o original. Perdão, em Isaías 1:18, não é maquiagem por cima da mancha — é a fibra voltando a ser o que era.

Voltar ao topo

O tabernáculo e as vestes do sacerdote

A primeira lista de materiais do tabernáculo já fixa a paleta: “E azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino, e pêlos de cabras” (Êx 25:4 ACF). A mesma sequência volta nas cortinas — “de dez cortinas de linho fino torcido, e azul, púrpura, e carmesim” (Êx 26:1 ACF) — no véu, na porta da tenda e no reposteiro do pátio.

Nas vestes sacerdotais, os mesmos quatro materiais reaparecem: “E tomarão o ouro, e o azul, e a púrpura, e o carmesim, e o linho fino” (Êx 28:5 ACF), e o éfode do sumo sacerdote é feito deles (Êx 28:6). Quem entrava na presença de Deus vestia, literalmente, o mesmo tecido das paredes do santuário.

Hoje, boa parte da pregação sobre o tabernáculo começa pelo simbolismo das cores. Nada no texto explica o porquê de cada cor, e as leituras simbólicas correntes — azul para o céu, púrpura para a realeza, carmesim para o sangue — são interpretação cristã posterior, não instrução de Êxodo. O que Êxodo diz é o quanto: eram os materiais mais caros disponíveis, e Israel os entregou por oferta voluntária (Êx 35:6, 23).

Voltar ao topo

O carmesim nos ritos de purificação

Fora do santuário, o carmesim aparece em dois rituais, sempre no mesmo trio de ingredientes. Na purificação do leproso: “duas aves vivas e limpas, e pau de cedro, e carmesim, e hissopo” (Lv 14:4 ACF). E na queima da novilha vermelha: “E o sacerdote tomará pau de cedro, e hissopo, e carmesim, e os lançará no meio do fogo que queima a novilha” (Nm 19:6 ACF).

Ou seja: nos dois casos o carmesim é consumido ou aspergido junto com sangue e água. É a cor entrando no rito que devolve alguém à comunidade — a mesma lógica de Isaías 1:18, séculos antes de Isaías escrever.

Voltar ao topo

O cordão de escarlata de Raabe

Cordão vermelho escarlata trançado pendurado na janela da muralha de pedra de Jericó
“Atarás este cordão de fio de escarlata à janela pela qual nos fizeste descer” (Js 2:18 ACF) — O sinal da graça e do livramento em meio ao juízo sobre Jericó.

Os espias dão a Raabe uma instrução exata: “atarás este cordão de fio de escarlata à janela por onde nos fizeste descer” (Js 2:18 ACF). Ela obedece na hora: “e ela atou o cordão de escarlata à janela” (Js 2:21 ACF). O hebraico traz aqui shani sozinho, sem tola’ — a mesma forma do fio amarrado na mão de Zerá em Gênesis 38:28, que a ACF chama de “fio encarnado” e a NVI, de “fio vermelho”.

Vale reconhecer a força da leitura tradicional, que liga esse cordão ao sangue do cordeiro na Páscoa; e a ligação é razoável: nos dois casos, uma marca vermelha na entrada da casa separa quem morre de quem vive. Mas é preciso dizer o que o texto de Josué diz e o que não diz. Ele não chama o cordão de sangue, não menciona a Páscoa e não atribui poder ao fio — o que salva a família é o juramento dos espias, e o cordão serve de sinal para identificar a casa certa. A tipologia é boa como leitura; não é afirmação do narrador.

Voltar ao topo

O manto posto em Jesus: escarlate ou púrpura?

Aqui os evangelhos divergem, e vale tratar a divergência de frente em vez de harmonizá-la depressa.

Mateus 27:28 “o cobriram com uma capa de escarlate” (Mt 27:28 ACF) grego chlamys kokkinē — escarlate
Marcos 15:17 “vestiram-no de púrpura” (Mc 15:17 ACF) grego porphyra — púrpura
João 19:2 “lhe vestiram roupa de púrpura” (Jo 19:2 ACF) grego himation porphyroun — púrpura

Mateus usa a palavra do carmesim; Marcos e João usam a palavra da púrpura. Três explicações são normalmente oferecidas, e nenhuma delas é demonstrável pelo texto: que “púrpura” funcionava como termo genérico para tecido de tom nobre; que a peça era um manto militar romano desbotado, cuja cor podia ser descrita das duas formas; ou que os evangelistas simplesmente descreveram a mesma cena com vocabulários distintos.

O que os três concordam é no que importa para a cena: a peça era do tipo que se põe num rei. A zombaria dos soldados depende disso. Se a cor exata fosse o ponto, um dos evangelistas teria corrigido o outro — nenhum corrigiu.

A palavra de Mateus, kokkinos, aparece seis vezes no Novo Testamento: aqui, em Hebreus 9:19 e quatro vezes em Apocalipse, sempre descrevendo a Babilônia e a mulher “vestida de púrpura e de escarlata” (Ap 17:4 ACF). A mesma cor que vestiu o santuário veste, no fim, a cidade que o imita.

Voltar ao topo

Carmesim, escarlate e púrpura lado a lado

Carmesim / escarlate Púrpura
Palavra hebraica tola’at shani; karmil argaman
Palavra grega kokkinos porphyra, porphyrous
Origem do corante cochonilha (coccus ilicis) o “peixe de púrpura”, no registro do léxico grego5
Tom vermelho vivo a rubro vermelho-arroxeado
Associação bíblica sacrifício, purificação, riqueza realeza, nobreza

Carmesim e escarlate são, na prática das traduções portuguesas, sinônimos — a escolha entre um e outro é da versão, não do hebraico. Púrpura é outra coisa: outro corante, outra palavra, outro animal. Nas listas do tabernáculo as três aparecem juntas e distintas, o que confirma que Êxodo as tratava como materiais diferentes (Êx 25:4).

Voltar ao topo

O que carmesim e escarlate significam para você hoje

Porém nada disso é só arqueologia de vocabulário. Três coisas saem da leitura, e nenhuma delas depende de aceitar a explicação sobre o corante que não desbota.

A cor do pecado, em Isaías, é uma cor cara. Escarlate não é sujeira barata. É o tecido do sacerdote e da rainha. Isaías está falando com um povo religioso, de culto caprichado e mãos sujas (Is 1:15) — o vermelho deles tinha acabamento. A acusação não é de vulgaridade; é de que a coisa mais bem-feita da vida deles estava tinta de sangue.

A promessa é de restauração, não de disfarce. A lã volta a ser lã. O que Deus oferece em Isaías 1:18 não é uma camada por cima, e por isso o convite vem grudado numa ordem prática nos versículos seguintes: “Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido” (Is 1:17 ACF). Perdão que não muda a mão que fez o mal ainda é tinta.

E o convite tem formato de tribunal. Wiersbe está certo ao insistir no vocabulário jurídico4: Deus chama o réu para discutir o caso e anuncia a absolvição antes de o réu argumentar. Isso é o oposto de barganha religiosa. Ninguém em Isaías 1 apresenta defesa — o texto acabou de dizer que os sacrifícios deles cansaram o Senhor.

Voltar ao topo

Esboço de pregação sobre Isaías 1:18

Texto: Isaías 1:15-18
Tema: O tribunal onde a sentença é o perdão

1. A cor que eles não conseguiam tirar (v. 15)
As mãos estão cheias de sangue e as orações não são ouvidas. O problema não é falta de religião — é excesso de religião com a mão suja. Mostre que a acusação é dirigida a gente que ia ao templo.

2. A ordem antes da promessa (vv. 16-17)
“Lavai-vos, purificai-vos” vem antes de “arrazoemos”. E o que Deus manda lavar não é o corpo: é a prática — órfão, viúva, oprimido. Arrependimento em Isaías tem endereço social.

3. A convocação judicial (v. 18a)
“Vinde então, e argüi-me.” O verbo é de tribunal4. Deus não pede que o pecador se explique; abre o processo já com a decisão tomada.

4. A troca de cor (v. 18b)
Escarlate e carmesim de um lado, neve e lã branca do outro. A lã é o material que se tingia: a promessa é de devolver o original, não de cobrir a mancha.

Aplicação: basta perguntar à igreja qual é a coisa mais bem-feita da vida dela — a que ela mostraria a Deus com orgulho. Isaías diz que é justamente ali que a tinta está.

Voltar ao topo

Perguntas frequentes

O que é carmesim na Bíblia?

Carmesim é um vermelho intenso obtido de um corante de origem animal. O léxico hebraico identifica a fonte como a fêmea seca do inseto coccus ilicis, a cochonilha1. Nas traduções portuguesas, “carmesim” costuma render a expressão hebraica tola’at shani, o tecido tingido dessa cor, presente no tabernáculo, nas vestes sacerdotais e nos ritos de purificação.

Carmesim e escarlate são a mesma cor?

Na prática das traduções bíblicas, sim. As duas palavras portuguesas traduzem o mesmo par hebraico, shani e tola’, e a escolha entre “carmesim”, “escarlata” e “escarlate” varia de versão para versão. Em Isaías 1:18 as duas aparecem no mesmo versículo, em paralelismo, o que mostra que ali funcionam como sinônimos poéticos.

Qual a diferença entre carmesim e púrpura?

São corantes diferentes, de animais diferentes. Carmesim vem da cochonilha e a palavra hebraica é tola’at shani; púrpura vem de molusco marinho e a palavra é argaman. Êxodo 25:4 lista as duas separadamente, junto com o azul, o que confirma que eram materiais distintos. Púrpura é associada à realeza; carmesim, ao sacrifício e à purificação.

Por que o tabernáculo usava azul, púrpura e carmesim?

Êxodo não explica o motivo de cada cor. O que o texto deixa claro é o custo: os três eram os corantes mais caros disponíveis, e entraram no santuário por oferta voluntária do povo (Êx 35:6, 23). As leituras simbólicas comuns — azul como céu, púrpura como realeza, carmesim como sangue — são interpretação posterior, não afirmação de Êxodo.

O cordão de escarlata de Raabe representa o sangue de Jesus?

É uma leitura tipológica antiga e coerente: como o sangue na porta na Páscoa, uma marca vermelha na casa separa quem vive de quem morre. Mas Josué 2 não faz essa ligação. O texto não chama o cordão de sangue nem atribui poder a ele — o que garante a vida da família é o juramento dos espias, e o fio serve para identificar a casa.

De que cor era o manto posto em Jesus?

Os evangelhos divergem no vocabulário. Mateus 27:28 usa kokkinos, escarlate; Marcos 15:17 e João 19:2 usam palavras da família de porphyra, púrpura. Nenhum evangelista corrige o outro, e o ponto comum é que a peça era do tipo que se veste num rei — o que sustenta a zombaria dos soldados. Harmonizações são possíveis, mas nenhuma é demonstrável pelo texto.

O que significa Isaías 1:18?

É um convite em linguagem de tribunal. O verbo traduzido por “arrazoemos” significa decidir um caso judicialmente, e em vez de sentenciar, o Juiz oferece perdão4. As cores tornam a imagem concreta: escarlate e carmesim contra neve e lã branca. Como a lã era o próprio material que se tingia de vermelho, a promessa é de devolver a fibra à cor original, não de encobrir a mancha.

Voltar ao topo

Fontes

Texto bíblico: Almeida Corrigida Fiel (ACF), com as demais versões identificadas quando citadas. As contagens de palavras hebraicas referem-se ao texto etiquetado do TAHOT (STEPBible).

  1. STEPBible. TAHOT — Translators Amalgamated Hebrew OT, verbete H8144 (שָׁנִי, shani). Tyndale House, Cambridge. Licença CC BY 4.0.
  2. STEPBible. TAHOT — Translators Amalgamated Hebrew OT, verbete H8438 (תּוֹלָע, tola’). Tyndale House, Cambridge. Licença CC BY 4.0.
  3. ABBOTT-SMITH, G. A Manual Greek Lexicon of the New Testament, verbete κόκκινος (G2847), conforme reproduzido no TAGNT/TBESG do STEPBible. Licença CC BY 4.0.
  4. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. IV — Profético. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 14.
  5. ABBOTT-SMITH, G. A Manual Greek Lexicon of the New Testament, verbete πορφύρα (G4209), conforme reproduzido no TAGNT/TBESG do STEPBible. Licença CC BY 4.0.

Deixe um comentário