Quem Foi a Sunamita: a Mulher que Hospedou Eliseu

↑ Este artigo faz parte da coleção Personagens Bíblicos — quem foram e o que ainda ensinam à igreja de hoje.

A sunamita foi a mulher de Suném que construiu um quarto na própria casa para hospedar o profeta Eliseu — e a Bíblia nunca diz o nome dela (2Rs 4:8-10 ACF).

A história está em 2 Reis 4:8-37, e tem uma segunda parte que quase ninguém prega: em 2 Reis 8:1-6 ela volta, e a cena é das mais surpreendentes do Antigo Testamento.

Quem foi a sunamita na Bíblia

A apresentação dela tem duas informações e nenhum nome: “indo Eliseu a Suném, havia ali uma mulher importante, a qual o reteve para comer pão” (2Rs 4:8 ACF).

Suném era uma cidade do território de Issacar (Js 19:18); “mulher importante” é a descrição que o próprio texto escolhe. E a iniciativa é dela desde a primeira linha: foi ela quem reteve o profeta para comer, e passou a fazer isso todas as vezes que ele passava por ali (2Rs 4:8).

Vale reparar em quem ela reconhece antes de qualquer milagre: “Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus” (2Rs 4:9 ACF). Ela concluiu isso observando — a palavra é dela.

E o texto não dá o nome dela, nem o do marido, nem o do filho. Ela é identificada pela cidade e pela condição, do começo ao fim das duas aparições.

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São duas sunamitas: Abisague e a mulher de Suném

Esta confusão é comum, e a conta resolve: a palavra “sunamita” aparece 8 vezes na Almeida Corrigida Fiel, e são duas mulheres diferentes.

Abisague, a sunamita 1Rs 1:3; 1:15; 2:17; 2:21; 2:22 a jovem que servia ao rei Davi já velho, e depois pedida por Adonias
a mulher de Suném 2Rs 4:12; 4:25; 4:36 a que hospedou Eliseu e teve o filho ressuscitado

São 5 ocorrências de uma e 3 da outra — não há uma nona.

“Sunamita” não é nome, é gentílico — significa “de Suném”, como “carioca” ou “mineiro”. Suném era uma cidade de Issacar, listada em Josué 19:18. Basta isso para entender por que duas mulheres de épocas diferentes carregam a mesma palavra.

Só uma delas é chamada pelo nome: Abisague. A do tempo de Eliseu permanece anônima nas três ocorrências.

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O quarto de quatro móveis

A proposta que ela faz ao marido é concreta e o texto guarda o inventário: “Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto junto ao muro, e ali lhe ponhamos uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro” (2Rs 4:10 ACF).

cama para dormir
mesa para comer e escrever
cadeira para sentar
candeeiro para a luz

São quatro itens para quatro necessidades, e nada além. Não há luxo na lista — há suficiência. E o quarto é “junto ao muro”, isto é, um acréscimo à casa, não um espaço tirado de dentro dela.

Um detalhe que a narrativa vai cobrar depois: é nessa cama que a mãe deitará o filho morto (2Rs 4:21). O móvel que ela comprou por hospitalidade é o lugar onde ela deposita o problema que só o hóspede pode resolver.

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“Eu habito no meio do meu povo”: a recusa dela

Eliseu quer retribuir e faz uma oferta de peso, por intermédio de Geazi: “Haverá alguma coisa de que se fale por ti ao rei, ou ao capitão do exército?” (2Rs 4:13 ACF).

É acesso ao poder — a moeda mais valiosa da época. E a resposta dela tem cinco palavras: “Eu habito no meio do meu povo” (2Rs 4:13 ACF).

Ela recusa influência dizendo onde mora. Não alega que não precisa; diz que o lugar dela é entre os seus.

Porém o pedido que ela não fez aparece pela boca do servo: “Ora ela não tem filho, e seu marido é velho” (2Rs 4:14 ACF).

Ou seja: a única falta que ela tinha foi identificada por outra pessoa. Ela não pediu nada — e é exatamente isso que o profeta resolve.

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O filho prometido e a resposta dela

O anúncio é datado: “A este tempo determinado, segundo o tempo da vida, abraçarás um filho” (2Rs 4:16 ACF).

A reação dela não é de alegria. Repare: é de defesa — “Não, meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva” (2Rs 4:16 ACF).

É uma frase dura e o texto a registra sem corrigir. Ela pede que não lhe dêem uma esperança falsa; e o cumprimento vem no versículo seguinte, no prazo anunciado (2Rs 4:17).

Anos depois, o menino adoece no campo, com o pai e os segadores. A cena tem uma frase repetida que qualquer pai reconhece: “Ai, a minha cabeça! Ai, a minha cabeça!” (2Rs 4:19 ACF).

E o texto marca a hora exata da morte: “esteve sobre os seus joelhos até ao meio-dia, e morreu” (2Rs 4:20 ACF).

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“Vai bem contigo?” — três perguntas e uma resposta

Esta é a parte mais impressionante do capítulo, e ela é toda de diálogo. A mãe deita o filho morto na cama do profeta, fecha a porta e sai (2Rs 4:21). O marido pergunta por que ela vai ao profeta num dia comum — “Não é lua nova nem sábado” — e ela responde duas palavras: “Tudo vai bem” (2Rs 4:23 ACF).

No monte Carmelo, Eliseu a vê de longe. Ou seja: ela não precisou anunciar a chegada. E ele manda Geazi correr com três perguntas:

1 “Vai bem contigo?”
2 “Vai bem com teu marido?”
3 “Vai bem com teu filho?”
Resposta dela: “Vai bem” (2Rs 4:26 ACF)

Ela diz que vai bem com o filho enquanto o filho está morto em casa. E não diz isso a Eliseu: diz ao servo dele. A verdade sai só quando ela chega ao profeta em pessoa e pega nos pés dele (2Rs 4:27).

O texto explica a atitude dela por dentro, e a explicação vem do próprio profeta: “Deixa-a, porque a sua alma está triste de amargura, e o Senhor me encobriu, e não me manifestou” (2Rs 4:27 ACF).

Duas coisas que esse versículo não deixa pregar: que ela estava serena — o texto diz “amargura” —, e que o profeta sabia de tudo — o texto diz que o Senhor lhe encobriu. O “vai bem” dela não era negação da dor: era o que ela escolheu dizer a quem não podia resolver.

E aí vem a única acusação dela, dirigida a quem tinha prometido: “Pedi eu a meu senhor algum filho? Não disse eu: Não me enganes?” (2Rs 4:28 ACF).

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O bordão que não funcionou

Eliseu tenta primeiro uma solução à distância. Vale acompanhar o detalhe: ele manda Geazi na frente, com instruções detalhadas — não saudar ninguém no caminho e “põe o meu bordão sobre o rosto do menino” (2Rs 4:29 ACF).

A mãe não aceita ficar: “Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te hei de deixar” (2Rs 4:30 ACF). E o profeta se levanta e vai com ela.

O bordão não funcionou, e o texto diz isso sem rodeios: “e pôs o bordão sobre o rosto do menino; porém não havia nele voz nem sentido” (2Rs 4:31 ACF).

E não há explicação. O capítulo não diz se faltou fé a Geazi, se o método era errado ou se Deus quis assim — apenas registra que não houve resposta. Quem preenche esse silêncio está pregando hipótese.

O que a narrativa mostra é o resultado prático: a insistência da mãe em não largar o profeta é o que põe Eliseu na estrada. A criança volta à vida quando ele chega em pessoa, não quando o objeto dele chega.

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A ressurreição, passo a passo

O texto descreve a sequência com uma precisão quase física:

  1. Ele fecha a porta e ora“entrou ele, e fechou a porta sobre eles ambos, e orou ao Senhor” (4:33);
  2. Ele se estende sobre o menino — boca sobre boca, olhos sobre olhos, mãos sobre mãos (4:34);
  3. A carne aquece“e a carne do menino aqueceu” (4:34);
  4. Ele desce, anda pela casa e sobe outra vez — e se estende sobre ele de novo (4:35);
  5. O menino espirra sete vezes e abre os olhos (4:35 ACF).

“Espirrou sete vezes” é o tipo de detalhe que não se inventa — não tem função teológica nenhuma e está lá, contado.

E a entrega é seca: “Chama esta sunamita”, e depois, quando ela vem, “Toma o teu filho” (2Rs 4:36 ACF). Ela se prostra, se inclina à terra, “e tomou o seu filho e saiu” (2Rs 4:37 ACF).

Repare no que não acontece: nenhuma fala dela é registrada no fim. A mulher que disse “vai bem” quando não ia sai da cena em silêncio, com o filho no colo.

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2 Reis 8: ela volta na hora exata

Quatro capítulos depois, ela reaparece — e é uma das cenas mais bem armadas do Antigo Testamento.

Eliseu a avisa de uma fome de sete anos e manda que ela peregrine (2Rs 8:1). Afinal, o aviso chega antes da fome, e não durante. Ela obedece, vai para a terra dos filisteus e, ao fim dos sete anos, volta para reclamar o que era seu: “saiu a clamar ao rei pela sua casa e pelas suas terras” (2Rs 8:3 ACF).

E aqui está a coincidência: no momento exato em que ela chega, Geazi estava contando ao rei a história dela“contando ele ao rei como ressuscitara a um morto, eis que a mulher cujo filho ressuscitara clamou ao rei” (2Rs 8:5 ACF).

Basta uma frase do servo para resolver o caso: “Ó rei meu senhor, esta é a mulher, e este o seu filho a quem Eliseu ressuscitou” (2Rs 8:5 ACF). E o rei manda restituir tudo, inclusive as rendas dos sete anos de ausência (2Rs 8:6).

Wiersbe faz duas observações prudentes sobre este trecho1: que ele provavelmente aconteceu antes da cura de Naamã — porque Geazi já estaria leproso e dificilmente seria recebido no palácio (2Rs 5:27) —, e que o marido dela não é mencionado em 2 Reis 8, o que, dada a idade dele em 2 Reis 4:14, sugere que já havia morrido.

As duas são leituras, não afirmações do texto. 2 Reis não declara cronologia rígida nem informa a morte do marido — e é assim que convém apresentá-las no púlpito.

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Sete lições da sunamita

Eliseu profetizou no reino do Norte, e a disputa ali era sobre quem dá pão, chuva e filho.

Elias tinha posto a questão em termos de escolha, no monte Carmelo: “Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o” (1Rs 18:21 ACF). O capítulo 4 de 2 Reis responde com quatro milagres em fila, e todos são de comida ou de vida: o azeite que não acaba, o filho dado a um ventre estéril, o veneno tirado da panela, o pão que sacia cem homens.

A história da sunamita está no meio dessa fila — e é ao Carmelo, o monte daquela prova, que ela cavalga no pior dia da vida dela (2Rs 4:25).

É essa disputa que dá o peso de cada uma das sete lições abaixo.

  1. O quarto foi levantado num reino sem templo (2Rs 4:9-10) — Suném ficava a pouco mais de trinta quilômetros de Abel-Meolá, a terra onde Eliseu nasceu, bem posicionada para ele quando subia ao monte Carmelo orar e buscar o Senhor; e ela mandou construir um cômodo à parte, moradia fixa para um pregador que vivia na estrada2.

    E é preciso lembrar onde essa casa ficava: no reino do Norte não havia santuário oficial consagrado ao Senhor, e sacerdotes e levitas fiéis tinham abandonado aquela terra apóstata e descido para Judá, de modo que as ofertas do povo fiel acabavam sendo entregues na escola de profetas mais próxima3.

    Aplicação: o que um israelita do Sul faria subindo a Jerusalém, ela fez com obra de alvenaria e quatro móveis. Deus não deixou de receber porque a instituição tinha ruído — mas quem quis dar teve de achar endereço, e o endereço custou dinheiro.

    Vale a pergunta para quem hoje está sem igreja por perto, ou viu a sua fechar: para onde foi o que você daria?

  2. A oferta que ela recusou era acesso à corte de Jorão (2Rs 4:13) — “Haverá alguma coisa de que se fale por ti ao rei, ou ao capitão do exército?” põe à disposição dela a porta de uma casa com endereço certo.

    O rei que a narrativa vinha nomeando é Jorão, filho de Acabe e Jezabel (2Rs 3:1 ACF), que tirou a estátua de Baal feita pelo pai (2Rs 3:2 ACF) mas não repudiou os profetas de Baal e de Aserá que os pais tinham favorecido4.

    O texto não diz que ela pesou isso: a razão que ela dá é de morada, e ela para por aí. Wiersbe lê a frase como recusa de ser tratada como pessoa fora do comum5. Aplicação: ela mediu a própria vida pelo lugar onde ia continuar morando.

    Antes de atravessar uma porta dessas, convém saber o que ela cobra e de que lado ela põe você a partir do dia seguinte.

  3. A promessa veio com data, e ela pediu que não brincassem com aquilo (2Rs 4:16) — a fórmula do anúncio é a de Gênesis: “Ao tempo determinado tornarei a ti por este tempo da vida, e Sara terá um filho” (Gn 18:14 ACF). Sara riu; a sunamita disse “não mintas à tua serva”. Nem o riso de uma nem a desconfiança da outra mexeu no prazo: as duas conceberam “ao tempo determinado” (Gn 21:2; 2Rs 4:17 ACF).

    Aplicação: a palavra se cumpriu porque quem a deu é fiel, e não porque quem a ouviu reagiu bem.

    Quem já levou decepção demais para conseguir se animar com promessa nenhuma não ficou, por isso, fora do alcance dela.

  4. O “vai bem” foi dito em movimento, num dia fora do calendário de procurar profeta (2Rs 4:23-27) — o comentário histórico-cultural junta três peças da cena: lua nova e sábado eram as datas em que se costumava buscar oráculo, e talvez seja por isso que o marido tenha ligado a viagem dela a uma delas; de Suném até a área do Carmelo são uns 32 quilômetros; e agarrar os pés de alguém é gesto de súplica que os textos acadianos registram diante do rei6.

    Junte as três e a sequência fica clara.

    Ela sai num dia comum, manda o servo não afrouxar o passo e faz o caminho inteiro. Diz “tudo vai bem” ao marido e “vai bem” ao servo — e nenhuma das duas vezes ao profeta.

    Diante dele não repete a palavra: cai nos pés dele e cobra. Aplicação: repare no que ela faz com a informação. Despacha quem não podia agir e guarda o assunto para quem podia, sem mentir sobre a própria alma — o profeta diria em seguida que ela estava amarga (2Rs 4:27).

    Escolher a quem levar a dor primeiro é coisa diferente de escondê-la.

    Quem hoje conta a crise a doze pessoas antes de levá-la a Deus está gastando o dia na ordem inversa.

  5. Ela devolveu a Eliseu o juramento do próprio Eliseu (2Rs 4:30) — “Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te hei de deixar” repete a fórmula que ele mesmo havia usado três vezes com Elias, ao se recusar a ficar para trás (2Rs 2:2; 2:4; 2:6 ACF) — no hebraico as duas falas são idênticas palavra por palavra, e é só a Almeida que alterna entre “não te deixarei” e “não te hei de deixar”7.

    O profeta que aprendeu a não largar foi obrigado a atender quem não largava: “então ele se levantou, e a seguiu”.

    E não era a primeira vez que ela segurava alguém — o verbo que a Almeida traduz por “o reteve” para comer pão (2Rs 4:8) é o mesmo de “pegou nos seus pés” (2Rs 4:27). Aplicação: as duas agarradas passam sem uma linha de repreensão. E quem foi importunado tinha sido, ele mesmo, o discípulo grudado que se recusou a ficar para trás — de modo que a insistência entra aqui como fé, e não como falta de modos.

    Vale para quem já pediu a mesma coisa a Deus tantas vezes que passou a se desculpar antes de pedir.

  6. O bordão fez exatamente o que aquele mundo esperaria dele, e não deu em nada (2Rs 4:29-31) — não há no Antigo Testamento outra referência a profeta usando bordão assim; nos textos acadianos de feitiçaria, porém, o cajado aparece como instrumento para expulsar os demônios asaku, tidos como causadores de doença e febre, e daí fazer sentido pô-lo sobre o rosto do menino, já que o mal estava na cabeça dele8.

    O gesto era legível para qualquer vizinho.

    Repare em como o narrador registra o fracasso: “não havia nele voz nem sentido” (2Rs 4:31 ACF).

    O que a Almeida traduz aqui por “sentido” é uma palavra hebraica rara, e ela aparece emparelhada com “voz”, nessa mesma construção negativa, em um único outro lugar de todo o Antigo Testamento: no monte Carmelo, depois de os profetas de Baal gritarem e se retalharem o dia inteiro — “não houve voz, nem resposta, nem atenção alguma” (1Rs 18:29 ACF)7.

    Aplicação: o silêncio que respondeu ao bordão do profeta certo é, palavra por palavra, o silêncio que tinha respondido a Baal.

    O menino volta depois de porta fechada e oração (2Rs 4:33).

    Serve de medida para o que se oferece hoje como método garantido: o objeto abençoado, a palavra decretada, a fórmula que alguém jura ter funcionado.

  7. O filho ressuscitado é a peça jurídica da causa dela (2Rs 8:1-6) — dois costumes explicam a cena do palácio: terra abandonada era confiscada pela coroa até que alguém a reivindicasse, e o fato de ser uma mulher a reivindicar sugere viuvez — nesse caso, quem tinha direito à propriedade era o filho, e é por ele que ela entra com o pedido; além disso, a renda do tempo de ausência normalmente não voltava ao dono, servia de pagamento a quem tinha cultivado a terra9.

    Repare em quem está de pé ao lado dela na sala do trono: “esta é a mulher, e este o seu filho a quem Eliseu ressuscitou” (2Rs 8:5 ACF).

    O menino que morreu no colo dela ao meio-dia é, sete anos depois, a razão de a causa ter dono.

    E o rei passa do costume: manda restituir “todas as rendas das terras desde o dia em que deixou a terra até agora” (2Rs 8:6 ACF). Aplicação: o que ela chorou no capítulo 4 é o que a sustenta no capítulo 8, e nenhuma das duas coisas ela armou. Isso não se enxerga de dentro da perda.

    E o que a história pede de quem está no meio de uma é só isto: que pare de exigir hoje a explicação dela.

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Esboço de pregação sobre a sunamita

Um roteiro em três pontos que segue 2 Reis 4 e fecha em 2 Reis 8. Serve para mensagem, culto de mulheres, célula ou EBD.

Tema: a mulher que disse “vai bem”. Texto: 2 Reis 4:8-37 (versículo-chave: 4:26).

  1. O quarto que ela construiu (2Rs 4:8-13) — a observação, a proposta ao marido, os quatro móveis e a recusa de falar ao rei. Aplicação: hospitalidade planejada é ministério, e quem serve assim costuma não pedir nada;
  2. As três perguntas e as duas palavras (2Rs 4:14-28) — o filho prometido, o “não mintas à tua serva”, a morte ao meio-dia e o “vai bem” dito ao servo.

    Aplicação: dá para andar em direção a Deus com a alma amargurada;

  3. O bordão, o profeta e o menino (2Rs 4:29-37) — a tentativa que falhou, a mãe que não largou, a oração com a porta fechada e os sete espirros. Aplicação: quando o atalho não resolve, insista pela presença.

Conclusão sugerida: ler 2 Reis 8:5 e mostrar o fecho da história — ela chega para pedir a casa no minuto em que a história dela está sendo contada ao rei.

Alternativa para culto de gratidão: pregar só o “vai bem contigo” (2Rs 4:26) com a tabela da seção 6, e terminar em 2 Reis 4:37 — a mulher sai em silêncio, com o filho no colo.

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Perguntas frequentes

Quem foi a sunamita na Bíblia?

Foi uma mulher de Suném que hospedou o profeta Eliseu, construindo para ele um quarto na sua casa. A Bíblia a chama de “mulher importante” e nunca diz o nome dela. A história está em 2 Reis 4:8-37, e ela reaparece em 2 Reis 8:1-6.

Qual era o nome da sunamita?

O texto não diz. Ela é identificada pela cidade — Suném — e pela condição: “uma mulher importante” (2Rs 4:8). Nem o nome dela nem o do marido aparecem.

A sunamita é a mesma Abisague?

Não. São duas mulheres diferentes chamadas de sunamitas. A palavra aparece oito vezes na ACF: cinco delas são Abisague, a jovem que servia ao rei Davi (1Rs 1 e 2), e três são a mulher de Suném do tempo de Eliseu (2Rs 4:12, 4:25 e 4:36).

O que a sunamita colocou no quarto do profeta?

Quatro coisas, e o texto as lista uma por uma: uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro (2Rs 4:10). O quarto foi construído “junto ao muro” da casa.

O que significa “vai bem contigo”?

É a pergunta que Eliseu manda Geazi fazer a ela no monte Carmelo, em três partes: “Vai bem contigo? Vai bem com teu marido? Vai bem com teu filho?” (2Rs 4:26). Ela responde com duas palavras — “Vai bem” — enquanto o filho estava morto em casa.

Por que o bordão de Eliseu não ressuscitou o menino?

O texto registra que não funcionou e não explica por quê. Geazi pôs o bordão sobre o rosto do menino e “não havia nele voz nem sentido” (2Rs 4:31). A ressurreição só acontece quando Eliseu chega em pessoa, ora e se estende sobre a criança.

O que aconteceu com a sunamita depois?

Ela reaparece em 2 Reis 8:1-6. Avisada por Eliseu de uma fome de sete anos, peregrinou na terra dos filisteus e voltou para reclamar a casa e as terras. Ela chega diante do rei no exato momento em que Geazi contava a história do filho dela, e o rei ordena a restituição de tudo, inclusive as rendas do período.

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Fontes

Texto bíblico: Almeida Corrigida Fiel (ACF). As contagens de ocorrências referem-se ao texto da ACF.

  1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 521.
  2. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 504.
  3. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 506.
  4. WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Trad. Noemi Valéria Altoé. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 400.
  5. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 505.
  6. WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 401.
  7. TYNDALE HOUSE. STEP Bible — Translators Amalgamated Hebrew Old Testament (TAHOT). Texto hebraico etiquetado de 2 Reis 2:2; 4:8; 4:27; 4:30 e 4:31, e de 1 Reis 18:29.
  8. WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 402.
  9. WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 407.

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