↑ Este artigo faz parte da coleção Personagens Bíblicos — quem foram e o que ainda ensinam à igreja de hoje.
Marta e Maria eram duas irmãs de Betânia, irmãs de Lázaro, e a casa delas era um dos lugares em que Jesus se hospedava (Jo 11:1-5 ACF). A cena mais conhecida das duas tem cinco versículos: Lucas 10:38-42.
Elas aparecem em três cenas, em dois evangelhos — e este artigo organiza o que cada uma faz e diz em cada uma delas, com a conta fechada.
Neste Artigo:
- 1. Quem foram Marta e Maria
- 2. Onde aparecem na Bíblia: as três cenas
- 3. A cena de Lucas 10, versículo por versículo
- 4. “Uma só é necessária”: o versículo e as versões
- 5. Quem fala, e quantas vezes
- 6. Maria aparece três vezes e sempre no mesmo lugar
- 7. João 12: Marta serve outra vez, e ninguém a repreende
- 8. Maria de Betânia não é Maria Madalena
- 9. 7 lições de Marta e Maria
- 10. Esboço de pregação sobre Marta e Maria
- 11. Perguntas frequentes
Quem foram Marta e Maria
João apresenta a família de uma vez: “Estava, porém, enfermo um certo Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta” (Jo 11:1 ACF). Quatro versículos depois vem a frase que define a relação: “Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro” (Jo 11:5 ACF).
Lucas apresenta as duas de outro jeito, e a diferença já está na primeira linha: a casa é de Marta. É ela quem recebe — “certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa” (Lc 10:38 ACF) — e Maria é apresentada como “uma irmã chamada Maria” (Lc 10:39 ACF).
Vale reparar nisso antes de qualquer aplicação: a cena de Lucas 10 acontece dentro da casa de Marta, e por convite dela. Quem abriu a porta para Jesus foi a irmã que depois reclamou.
Onde aparecem na Bíblia: as três cenas
A conta fecha e dá para conferir: o nome “Marta” aparece 12 vezes na Almeida Corrigida Fiel — 3 em Lucas 10, 8 em João 11 e 1 em João 12. Não há uma décima terceira.
| Lucas 10:38-42 | João 11 | João 12:1-8 | |
| onde | na casa de Marta | em Betânia, no sepulcro | numa ceia em Betânia |
| Marta | recebe, serve e reclama (10:38, 10:40) | sai ao encontro, conversa e crê (11:20-27, 11:39) | “Marta servia” (12:2) |
| Maria | assenta-se aos pés e ouve (10:39) | fica em casa e depois cai aos pés dele (11:20, 11:32) | unge os pés de Jesus (12:3) |
| Lázaro | não é mencionado | morre e é ressuscitado | está à mesa (12:2) |
Citações conforme a ACF.
Repare numa ausência: Lucas 10 não menciona Lázaro. Quem lê a cena da cozinha imaginando o irmão em casa está juntando dois textos — o nome dele só entra em João 11. A história completa da ressurreição está no artigo sobre Lázaro; aqui o foco é a cena de Lucas.
A cena de Lucas 10, versículo por versículo
São cinco versículos, e cada um acrescenta uma peça:
- 10:38 — Jesus entra numa aldeia e Marta “o recebeu em sua casa”;
- 10:39 — Maria, “assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra”;
- 10:40 — Marta “andava distraída em muitos serviços” e faz o pedido;
- 10:41 — a resposta: “Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas”;
- 10:42 — o fecho: “E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (ACF).
Duas coisas no versículo 40 quase sempre se perdem na pregação.
A primeira é o teor da queixa: Marta não pede ajuda a Maria — ela pede a Jesus que mande Maria ajudar. A frase é “Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude” (Lc 10:40 ACF).
A segunda é o que a queixa insinua: “não se te dá” — ou seja, a reclamação começa cobrando o próprio Jesus, e só depois pede providência sobre a irmã.
E a resposta dele não é sobre serviço nenhum. É sobre o estado de quem serve: “ansiosa e afadigada”. Basta ler a frase inteira para ver que o alvo é a distração, não a cozinha.
“Uma só é necessária”: o versículo e as versões
Este é o ponto em que as traduções brasileiras se separam — e quem prega o texto precisa saber, porque a divisão dos versículos muda de lugar:
| ACF | “mas uma só é necessária” (fim do v. 41) |
| ARC | “mas uma só é necessária” (início do v. 42) |
| BKJ 1611 | “mas uma coisa só é necessária” (início do v. 42) |
| NAA | “mas apenas uma é necessária” (v. 42) |
| NVI | “todavia apenas uma é necessária” (v. 42) |
| NVT | “Apenas uma coisa é necessária” (v. 42) |
| ARA | “Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa” (v. 42) |
Citações conforme cada versão indicada. Repare que a frase muda de versículo entre as duas Almeidas mais próximas: na ACF ela fecha o v. 41; na ARC, abre o v. 42.
Repare na ARA: ela é a única das sete que traz duas leituras juntas — “pouco é necessário ou mesmo uma só coisa”. As outras seis escolhem uma; a ARA registra as duas possibilidades no próprio versículo.
O que não muda em nenhuma das sete é a segunda metade: Maria escolheu a boa parte, e essa parte não lhe será tirada. O argumento de um sermão pode se apoiar nisso com segurança; na contagem exata de “uma coisa” ou “poucas coisas”, não.
Quem fala, e quantas vezes
Aqui está o dado que muda a leitura das duas irmãs, e ele não é interpretação — é contagem.
Marta tem cinco falas registradas na Bíblia. Maria de Betânia tem uma.
| onde | o que diz | |
| Marta 1 | Lc 10:40 | “Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude” |
| Marta 2 | Jo 11:21-22 | “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” |
| Marta 3 | Jo 11:24 | “Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia” |
| Marta 4 | Jo 11:27 | “Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” |
| Marta 5 | Jo 11:39 | “Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias” |
| Maria 1 | Jo 11:32 | “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” |
Citações conforme a ACF. E a coincidência salta da tabela:
A única frase que a Bíblia registra na boca de Maria é exatamente a mesma que Marta disse onze versículos antes. Palavra por palavra, na Almeida Corrigida Fiel.
Isso desmonta a caricatura das duas. A irmã “contemplativa” fala uma vez na vida, e repete a fala da irmã “agitada”. E a confissão de fé mais completa das duas — *”creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus”* — não é de Maria: é de Marta, em João 11:27.
Uma ressalva de método: falar pouco não é o mesmo que crer pouco, e o inverso também vale. A contagem mostra quem os evangelistas citaram, não quem tinha mais fé.
Maria aparece três vezes e sempre no mesmo lugar
Warren Wiersbe faz uma observação sobre Maria de Betânia que é simples de conferir e difícil de esquecer: nas três cenas em que ela aparece, está no mesmo lugar — aos pés de Jesus1.
São as três cenas:
- Lucas 10:39 — “assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra”;
- João 11:32 — “lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui…”;
- João 12:3 — “ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos” (ACF).
Ouvindo, chorando e adorando — sempre na mesma posição. É a mesma mulher em três circunstâncias completamente diferentes.
Wiersbe acrescenta que cada uma das três cenas tem um cheiro (o da comida, o da morte e o do perfume). As duas últimas estão escritas — “já cheira mal” (Jo 11:39) e “encheu-se a casa do cheiro do ungüento” (Jo 12:3). A primeira é inferência dele: Lucas fala de “muitos serviços”, não de cheiro de comida.
João 12: Marta serve outra vez, e ninguém a repreende
Este é o detalhe que fecha a história das duas, e ele cabe em quatro palavras: “e Marta servia” (Jo 12:2 ACF).
A cena é uma ceia em Betânia, seis dias antes da Páscoa, com Lázaro à mesa (Jo 12:1-2). Marta está fazendo exatamente o que fazia em Lucas 10 — servindo — e agora não há nenhuma repreensão registrada.
Wiersbe lê aí uma lição aprendida: Marta preparou a ceia sem se queixar2. Vale marcar o limite dessa leitura: o texto registra que ela servia e não registra queixa. Que ela tenha “aprendido a lição” é conclusão razoável, não afirmação de João.
E há um contraste dentro da própria cena que o texto sim declara: a queixa dessa vez vem de outra pessoa. Quem reclama do gesto de Maria é Judas — “Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?” (Jo 12:5 ACF) —, e João explica o motivo real dele no versículo seguinte (Jo 12:6).
Maria de Betânia não é Maria Madalena
Vale desfazer a confusão mais comum a respeito dessa família, porque ela é fácil de resolver por contagem: “Maria Madalena” é nomeada 12 vezes nos quatro evangelhos — em Mateus 27-28, Marcos 15-16, Lucas 8 e 24, e João 19-20 —, sempre ligada ao grupo da Galileia, à crucificação e à manhã da ressurreição.
Nenhuma dessas 12 ocorrências está em Betânia, e nenhum texto identifica uma com a outra. São duas mulheres diferentes que compartilham o mesmo nome — e o sobrenome de cada uma, no texto, é o lugar: Betânia e Magdala.
O assunto está detalhado no artigo sobre Lázaro de Betânia, junto com a outra confusão parecida — a de misturar a unção de João 12 com a da mulher pecadora de Lucas 7.
7 lições de Marta e Maria
O que segue sai das palavras que Lucas escolheu — o verbo do versículo 38, os dois passivos da repreensão, o substantivo do versículo 42 — e não do contraste de temperamento com que a cena costuma ser pregada.
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O primeiro gesto da cena é creditado a Marta, e a palavra é forte. “O recebeu em sua casa” (Lc 10:38 ACF) traduz um verbo que aparece só quatro vezes no Novo Testamento: aqui; em Zaqueu, que “recebeu-o alegremente” (Lc 19:6 ACF); em Jasom, que abriu a casa para Paulo e Silas (At 17:7); e em Raabe, que “recolheu os emissários” — o gesto pelo qual Tiago diz que ela foi justificada (Tg 2:25 ACF).
É com isso que Lucas abre a cena, e nada do que Jesus diz três versículos adiante apaga o versículo 38.
Quem hoje segura a hospitalidade de uma igreja — a casa que recebe a célula, a cozinha que serve o almoço de domingo — não está um degrau abaixo de quem estuda: o texto começa por ela;
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Onde Maria se assentou era o lugar do aluno, e a Escritura mostra isso em outros dois lugares. Paulo se apresenta como quem foi “criado aos pés de Gamaliel” (At 22:3 ACF), e o próprio Lucas já usara a expressão para o homem de quem os demônios saíram, achado “assentado aos pés de Jesus” (Lc 8:35 ACF).
É ali que Maria está, e o verbo do que ela faz vem no imperfeito: “ouvia a sua palavra” (Lc 10:39 ACF), ação em curso.
Repare agora na ordem que abre toda essa parte de Lucas, a única que o Pai pronuncia em voz alta no evangelho inteiro: “a ele ouvi” (Lc 9:35 ACF), dita no monte, pouco antes de Jesus firmar o rosto para Jerusalém (Lc 9:51).
Maria fez, ali, a única coisa que o Pai tinha mandado fazer;
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A queixa tem duas frases, e o pedido está na segunda. “Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude” (Lc 10:40 ACF).
O pedido em si é legítimo: o verbo que Marta usa significa pegar junto, do outro lado do peso, e sua única outra aparição no Novo Testamento é a do Espírito que “ajuda as nossas fraquezas” (Rm 8:26 ACF).
O que a frase entrega é o endereço — ela cobra o hóspede e manda recado para a irmã que está a três passos dali. Diante da doença de Lázaro, as mesmas irmãs pedem de outro jeito: “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas” (Jo 11:3 ACF).
Informam a necessidade e param aí, sem dizer a ele o que fazer3.
Vale conferir de quem você tem cobrado aquilo que ainda não pediu a ninguém;
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Os dois verbos da repreensão estão na voz passiva. “Andava distraída” (Lc 10:40 ACF) traduz um verbo que não reaparece em nenhum outro lugar do Novo Testamento e quer dizer puxar para os lados; está no imperfeito passivo, ou seja, Marta estava sendo puxada.
E “afadigada” (Lc 10:41 ACF) é o verbo do alvoroço: o mesmo que descreve as carpideiras na casa de Jairo — “por que vos alvoroçais e chorais?” (Mc 5:39 ACF) — e a turba que, em Tessalônica, “alvoroçaram a cidade” (At 17:5 ACF).
Some as duas coisas e veja o quadro que sai: uma mulher sendo arrastada, com um tumulto por dentro. Isso separa o que a escala embaralha — agenda cheia é uma coisa, coração alvoroçado é outra, e tirar tarefa da agenda não cura a segunda;
- “Ansiosa” amarra a cena a uma parábola que Lucas já tinha contado. É o verbo de “não estejais apreensivos pela vossa vida” (Lc 12:22 ACF) e o substantivo da terra que produz espinhos: “são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida” (Lc 8:14 ACF). E aquele versículo começa dizendo de quem se trata: “esses são os que ouviram”.
Ou seja: o cuidado não sufoca uma palavra que ninguém ouviu — sufoca a que já foi ouvida. É risco de quem está há anos na igreja, não de quem chegou ontem;
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“Boa parte” é vocabulário de herança, e o capítulo abriu com uma pergunta sobre herdar. O doutor da lei começa perguntando “que farei para herdar a vida eterna?” (Lc 10:25 ACF), e o capítulo responde em duas cenas. A do samaritano termina em ordem: “Vai, e faze da mesma maneira” (Lc 10:37 ACF).
A da casa termina em promessa, e a palavra que Jesus escolhe é a que a Septuaginta usa para o quinhão — a parte que cabe a cada um na partilha da terra.
É a palavra da frase que sobrou para Levi, o único que não recebeu terra nenhuma: “eu sou a tua parte e a tua herança” (Nm 18:20 ACF), retomada depois em “o Senhor é a porção da minha herança” (Sl 16:5 ACF) e em “a minha porção é o Senhor, diz a minha alma” (Lm 3:24 ACF).
Maria não escolheu um humor melhor naquela tarde: escolheu quinhão.
E o verbo de “não lhe será tirada” está no futuro passivo: a garantia está fora das mãos dela. Ninguém tira.
Quem serve por temporadas já sentiu a diferença: a função muda, o projeto acaba, a doença tira você da escala, e o que foi ouvido continua sendo seu;
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A mulher repreendida em Lucas 10 é a que faz, em João 11, a confissão que o quarto evangelho persegue. “Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 11:27 ACF) está no perfeito grego, o tempo do que se firmou e continua valendo: creu e permanece crendo4.
Wiersbe a inclui na lista das seis pessoas que, nesse evangelho, testemunham que Jesus é Deus, ao lado de João Batista, de Natanael, de Pedro, do cego curado e de Tomé5.
Afinal, é exatamente essa confissão que João diz ter escrito o livro para produzir (Jo 20:31). A repreensão da cozinha não foi veredito sobre ela. Levar corretivo do Senhor não tira ninguém da lista dele.
Esboço de pregação sobre Marta e Maria
Um roteiro em três pontos que segue Lucas 10 e fecha em João 12 — de propósito, para não terminar a mensagem no meio da história. Serve para culto, célula ou EBD.
Tema: a casa, a queixa e a boa parte. Texto: Lucas 10:38-42 (versículo-chave: 10:42).
- A casa que se abriu (Lc 10:38-39) — Marta recebe Jesus; Maria se assenta aos pés dele. As duas estão no mesmo lugar, fazendo coisas diferentes. Aplicação: hospitalidade e atenção não são rivais;
- A queixa que se voltou para o alto (Lc 10:40) — “não se te dá… dize-lhe que me ajude”.
Aplicação: quando o serviço vira peso, a primeira vítima é a relação com quem estamos servindo;
- A resposta que não tirou a cozinha de ninguém (Lc 10:41-42) — ansiosa e afadigada, e a boa parte que não se tira. Aplicação: Jesus corrigiu o estado do coração, não a tarefa das mãos.
Conclusão sugerida: ler João 12:2 em voz alta — “e Marta servia”. Afinal, a mesma mulher, o mesmo serviço, e nenhuma palavra de repreensão.
Alternativa para culto de mulheres: pregar em João 11:20-27 e mostrar que a confissão de fé mais completa da família é de Marta, usando a tabela da seção 5.
Perguntas frequentes
Quem foram Marta e Maria na Bíblia?
Duas irmãs de Betânia, irmãs de Lázaro, em cuja casa Jesus se hospedava. Marta é a que recebe Jesus em casa e serve; Maria é a que se assenta aos pés dele para ouvir. Elas aparecem em Lucas 10:38-42, João 11 e João 12:1-8.
Onde está a história de Marta e Maria?
Em três cenas: Lucas 10:38-42, a visita em que Marta reclama; João 11, a morte e a ressurreição de Lázaro; e João 12:1-8, a ceia em que Maria unge os pés de Jesus. O nome “Marta” aparece doze vezes na Bíblia, todas nesses três textos.
O que significa “Maria escolheu a boa parte”?
É a frase com que Jesus encerra a cena de Lucas 10. No contexto, a boa parte é ouvir o ensino dele — e a resposta não condena o serviço de Marta: condena a distração e a ansiedade com que ela servia (Lc 10:41).
Quantas vezes Maria de Betânia fala na Bíblia?
Uma única vez: em João 11:32, quando diz “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. É exatamente a mesma frase que Marta havia dito onze versículos antes (Jo 11:21). Marta, por comparação, tem cinco falas registradas.
Jesus repreendeu Marta por estar trabalhando?
O texto não repreende o trabalho. As palavras de Jesus em Lucas 10:41 são sobre o estado dela: “estás ansiosa e afadigada com muitas coisas”. E em João 12:2, na ceia de Betânia, Marta serve outra vez e nenhuma repreensão é registrada.
Maria de Betânia é Maria Madalena?
Não. São duas mulheres diferentes, e a Bíblia nunca as identifica uma com a outra. “Maria Madalena” é nomeada doze vezes nos quatro evangelhos, sempre ligada à Galileia, à crucificação e à ressurreição; Maria de Betânia aparece em Lucas 10 e João 11-12.
Qual era a diferença entre Marta e Maria?
O texto mostra a diferença por gestos, não por rótulos. Marta recebe, serve, sai ao encontro e fala; Maria se assenta, ouve, cai aos pés e unge. As duas creem: é Marta quem faz a confissão de fé de João 11:27.
Fontes
Texto bíblico: Almeida Corrigida Fiel (ACF), com as demais versões identificadas quando citadas. As contagens de ocorrências referem-se ao texto da ACF.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 276.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 277.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 431.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 433.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 369.