Quem Foi Elias na Bíblia: O Profeta que Desafiou os Profetas de Baal

Elias foi o profeta que enfrentou o rei Acabe e a rainha Jezabel, chamou Israel de volta ao Senhor no monte Carmelo e deixou este mundo sem passar pela morte, levado ao céu num redemoinho.

A história dele ocupa o trecho final de 1 Reis e o começo de 2 Reis, e o nome do profeta já anuncia o assunto: Elias significa “o Senhor (Jeová) é meu Deus”1.

Ou seja, o nome do homem é exatamente a questão em disputa no livro inteiro — Jeová ou Baal. E é essa a frase que o povo acaba gritando no alto do Carmelo.

Hoje, vamos percorrer a vida de Elias do primeiro versículo em que ele aparece até o carro de fogo, incluindo o dia seguinte à maior vitória, quando o profeta sentou debaixo de um zimbro e pediu para morrer.

Sobre a tradução: as citações bíblicas deste artigo usam a Almeida Corrigida Fiel (ACF), salvo indicação em contrário.

Quem Foi Elias e o que Significa o Nome Dele

Elias entra na Bíblia sem apresentação nenhuma. Não há genealogia, não há relato de nascimento, não há cena de chamado.

O texto simplesmente diz: “Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe” (1Rs 17.1 ACF).

Gileade ficava a leste do Jordão, fora do território onde estavam os centros de culto. O profeta vem da periferia do país, e o comentarista o descreve como um reformador de fala dura, diferente do estilo mais elaborado de Isaías e de Jeremias: um homem cuja mensagem era chamar o povo a largar os ídolos1.

E há o nome. Elias significa “o Senhor (Jeová) é meu Deus”1 — designação apropriada para um homem cuja missão era justamente chamar o povo de volta à adoração a Jeová.

Na Escritura o nome costuma dizer algo sobre a pessoa ou sobre Deus, e vale conhecer os nomes de Deus na Bíblia para perceber o peso que essa escolha carrega.

Repare no desenho: o profeta se chama “o Senhor é meu Deus” e passa a vida inteira disputando com Baal quem é o Deus verdadeiro. No fim, é o povo que grita a frase.

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O Contexto: Acabe, Jezabel e a Adoração a Baal

Para entender Elias, é preciso entender contra o que ele estava.

Acabe reinava sobre Israel, o reino do Norte, e casou-se com “Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios” (1Rs 16.31 ACF), uma princesa fenícia que trouxe consigo a religião de sua terra.

Esse reino do Norte é o que sobrou da divisão do reino unificado que Davi havia consolidado, e a essa altura já vinha de uma sequência de reis que se afastaram do Senhor.

O texto é direto quanto ao resultado: “Acabe fez muito mais para irritar ao Senhor Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele” (1Rs 16.33 ACF).

Acabe cedeu aos desejos da esposa e chegou a construir um templo particular de adoração a Baal, enquanto a rainha se mostrava decidida a extinguir a adoração a Jeová1.

Ou seja, o culto que Deus havia estabelecido para o seu povo, e que tinha lugar próprio nos templos dos hebreus, passou a disputar espaço com o altar de um deus estrangeiro dentro da própria terra.

O povo, no meio disso, não escolheu lado. Tentava servir aos dois ao mesmo tempo, e é essa a acusação que Elias vai fazer no Carmelo.

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A Seca Anunciada — e Por Que Ela Atingiu Baal no Ponto Exato

A primeira palavra de Elias é um anúncio de seca: “nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra” (1Rs 17.1 ACF).

Aqui está o que dá sentido à história inteira: Baal era o deus fenício da fertilidade, aquele que supostamente enviava as chuvas e as colheitas abundantes1.

Ou seja, a seca não foi um castigo aleatório. Foi um ataque no ponto exato onde Baal dizia ter poder — e por três anos e meio o “deus da chuva” não conseguiu produzir uma gota.

Havia também o lado da aliança. As chuvas de outubro e de março eram bênção prometida à obediência do povo, e a advertência contra a desobediência estava escrita desde Moisés:

“E os teus céus, que estão sobre a cabeça, serão de bronze; e a terra que está debaixo de ti, será de ferro” (Dt 28.23 ACF).

Elias não decidiu isso sozinho. Tiago explica que o profeta “orando, pediu que não chovesse e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra” (Tg 5.17 ACF).

Repare no que o Novo Testamento destaca da vida dele: não foi o fogo, foi a oração. Se esse é o ponto que te interessa, vale ver o que a oração na Bíblia representa em outras passagens.

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O Ribeiro de Querite: Sustentado por Corvos

Mapa dos deslocamentos de Elias, de Tisbe em Gileade ao monte Horebe
Mapa da Rota de Elias, de Gileade ao Monte Horebe

Anunciada a seca, Deus manda o profeta se esconder. O esconderijo fica a leste do Jordão, junto a um ribeiro, e a provisão vem de um jeito que nenhum israelita imaginaria: “eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem” (1Rs 17.4 ACF).

O texto registra o cumprimento: “E os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã; como também pão e carne à noite; e bebia do ribeiro” (1Rs 17.6 ACF).

Vale notar o incômodo que isso representava. Na lista mosaica de animais proibidos, o corvo era considerado imundo e abominável (Lv 11.13-15), e ainda assim Deus usou essas aves para sustentar a vida do seu servo2.

Depois de um tempo, o ribeiro secou. E Elias não se moveu enquanto a palavra de Deus não veio dizer o que fazer.

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A Viúva de Sarepta: a Farinha, o Azeite e o Filho

A ordem seguinte manda o profeta para o lugar mais improvável: “Levanta-te, e vai para Sarepta, que é de Sidom, e habita ali” (1Rs 17.9 ACF).

Repare onde fica Sarepta. É território fenício, na região de Sidom — a terra natal de Jezabel. Deus envia o profeta perseguido para dentro do país da rainha que quer matá-lo2.

E a anfitriã escolhida é uma viúva em fim de recursos: “nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela, e um pouco de azeite numa botija; e vês aqui apanhei dois cavacos, e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos, e morramos” (1Rs 17.12 ACF).

A promessa que Elias entrega é simples: “A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a terra” (1Rs 17.14 ACF).

E o texto confirma que foi assim, dia após dia, até o fim da seca (1Rs 17.16).

Depois disso, o filho da viúva adoece e morre. Elias o leva para o quarto de cima e ora: “Ó Senhor meu Deus, rogo-te que a alma deste menino torne a entrar nele” (1Rs 17.21 ACF).

“E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu” (1Rs 17.22 ACF). Não há, em toda a Escritura, relato de ressurreição anterior a este3.

A reação da mãe fecha o episódio: “Nisto conheço agora que tu és homem de Deus, e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade” (1Rs 17.24 ACF).

Dessa forma, os três anos de esconderijo tiveram uma função. Foi ali, no ministério a uma única família estrangeira, que Elias aprendeu o que levaria ao Carmelo: que Deus sustenta a vida e que Deus dá a vida4.

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O Monte Carmelo: o Desafio aos Profetas de Baal

Passados os três anos, Deus manda Elias se apresentar a Acabe. O encontro começa com uma acusação do rei: “És tu o perturbador de Israel?” (1Rs 18.17 ACF).

A resposta do profeta devolve a acusação ao remetente: “Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor, e seguistes a Baalim” (1Rs 18.18 ACF).

O local escolhido para o confronto tem significado. O Carmelo ficava na divisa entre o território de Israel e o da Fenícia, ou seja, no ponto onde as duas religiões se encostavam — e é ali que o deus importado vai ser posto à prova diante do Deus da aliança5.

Diante do povo reunido, Elias faz a pergunta que resume tudo: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o” (1Rs 18.21 ACF).

E o texto registra o silêncio: “Porém o povo nada lhe respondeu” (1Rs 18.21 ACF).

A regra do desafio é proposta em seguida: “o deus que responder por meio de fogo esse será Deus” (1Rs 18.24 ACF).

Elias dá todas as vantagens aos adversários. Eles constroem o altar primeiro, escolhem o sacrifício, começam primeiro e clamam o tempo que quiserem6.

Ao meio-dia, com nada acontecendo, vem a zombaria: “Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e despertará” (1Rs 18.27 ACF).

Então Elias reconstrói o altar do Senhor com doze pedras, reafirmando a unidade espiritual do povo apesar da divisão política6, e faz o contrário do que faria quem quisesse facilitar: cava um rego em volta e encharca tudo de água.

A oração dele é curta e não fala de si: “Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo conheça que tu és o Senhor Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração” (1Rs 18.37 ACF).

“Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego” (1Rs 18.38 ACF).

E o povo, que estava calado, finalmente responde — dizendo o nome do profeta: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!” (1Rs 18.39 ACF).

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A Chuva Volta e Elias Corre à Frente do Carro

Terminado o confronto, Elias sobe ao alto do monte para orar pela chuva. Manda o servo olhar para o mar, e por seis vezes o servo volta sem ver nada.

Na sétima, aparece “uma pequena nuvem, como a mão de um homem, subindo do mar” (1Rs 18.44 ACF).

Vale notar o contraste com o altar. A oração pelo fogo foi respondida na hora; a oração pela chuva exigiu sete idas do servo, e o profeta não desistiu no meio7.

Depois veio o aguaceiro, e com ele uma cena curiosa: “E a mão do Senhor estava sobre Elias, o qual cingiu os lombos, e veio correndo perante Acabe, até à entrada de Jizreel” (1Rs 18.46 ACF).

O profeta não tinha carro nem cavalos, e mesmo assim chegou antes do rei, percorrendo perto de trinta quilômetros7.

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Do Auge ao Fundo do Poço: Elias Debaixo do Zimbro

Aqui a história vira, e vira depressa.

Jezabel manda avisar que vai matá-lo, e o homem que enfrentou 450 profetas sozinho foge. Vai até Berseba, no extremo sul de Judá, deixa o servo lá e segue mais um dia deserto adentro.

Então senta debaixo de um arbusto e faz um pedido: “Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” (1Rs 19.4 ACF).

O quadro que o texto descreve é de exaustão física, perda de apetite, isolamento e desejo de morrer, logo depois da maior vitória. Wiersbe lê o episódio como um caso de colapso emocional e físico8 — leitura dele, vale dizer, e não uma afirmação da Escritura, que não dá diagnóstico.

E repare no que Deus faz primeiro. Não repreende, não corrige, não cobra: “E deitou-se, e dormiu debaixo do zimbro; e eis que então um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te, come” (1Rs 19.5 ACF).

O anjo volta uma segunda vez com o mesmo cuidado e uma explicação: “Levanta-te e come, porque te será muito longo o caminho” (1Rs 19.7 ACF).

Ou seja, o primeiro atendimento ao profeta desanimado foi comida e sono. A conversa veio depois.

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Horebe: o Vento, o Terremoto, o Fogo — e a Voz Mansa

Alimentado, Elias caminha “quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus” (1Rs 19.8 ACF) — o mesmo monte onde Moisés recebera a Lei.

Lá, entra numa caverna, e a palavra do Senhor lhe faz uma pergunta em vez de uma acusação: “Que fazes aqui Elias?” (1Rs 19.9 ACF).

A resposta do profeta mistura zelo e autopiedade. Ele começa apresentando o seu serviço, “Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos”, e termina numa queixa que o texto registra sem suavizar: “e só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem” (1Rs 19.10 ACF).

Então vem a cena mais conhecida do capítulo. Um vento que fendia os montes e quebrava as penhas, “porém o Senhor não estava no vento”; depois um terremoto, e o Senhor não estava no terremoto (1Rs 19.11 ACF).

Depois um fogo, e o Senhor também não estava no fogo. “E depois do fogo uma voz mansa e delicada” (1Rs 19.12 ACF).

Foi essa voz que fez o profeta se mover: “ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para fora, e pôs-se à entrada da caverna” (1Rs 19.13 ACF).

Vale notar quem estava recebendo essa lição. O homem que tinha acabado de ver fogo cair do céu precisou aprender que Deus costuma falar de outro jeito9.

E a queixa do “só eu fiquei” recebe um número por resposta: “Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal” (1Rs 19.18 ACF).

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O Chamado de Eliseu e a Capa Lançada

A resposta de Deus ao desânimo do profeta não foi um descanso maior — foi trabalho, e trabalho voltado para a geração seguinte.

Elias recebe três incumbências: ungir Hazael rei da Síria, ungir Jeú rei de Israel e ungir Eliseu como seu sucessor.

O chamado do sucessor acontece sem uma palavra: “Elias passou por ele, e lançou a sua capa sobre ele” (1Rs 19.19 ACF).

Eliseu estava arando com doze juntas de bois, sinal de que a família tinha condição financeira acima da média11. Deixou tudo e seguiu o profeta.

Repare no encaminhamento. A queixa do profeta olhava para trás e para os contemporâneos, e a tarefa que ele recebeu olhava para a frente: preparar quem viria depois dele10.

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A Vinha de Nabote: Quando o Profeta Confronta o Rei

Anos depois, Elias reaparece por causa de uma vinha.

Acabe cobiçou a propriedade de um homem chamado Nabote, que se recusou a vendê-la — a terra pertencia ao Senhor e devia permanecer na família (Lv 25.23-28).

Jezabel resolveu o problema do marido com um julgamento forjado: uma carta oficial, um jejum religioso de fachada, testemunhas mentirosas e o apedrejamento de Nabote12.

Com o dono morto, Acabe foi tomar posse. E encontrou o profeta esperando por ele.

Quem fala primeiro é o rei: “Já me achaste, inimigo meu?”, ao que Elias responde: “Achei-te; porquanto já te vendeste para fazeres o que é mau aos olhos do Senhor” (1Rs 21.20 ACF).

A sentença é anunciada no mesmo lugar do crime: “No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote lamberão também o teu próprio sangue” (1Rs 21.19 ACF).

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O Carro de Fogo: o Homem que Não Morreu

O fim da vida de Elias na terra é contado em 2 Reis 2, e a Escritura só registra um caso parecido.

Sabendo que seria levado, o profeta percorre Gilgal, Betel e Jericó, visitando as escolas de profetas, e segue até o Jordão com Eliseu ao lado.

Antes da despedida, oferece um presente ao sucessor. Eliseu pede: “Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim” (2Rs 2.9 ACF).

Então acontece: “indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho” (2Rs 2.11 ACF).

Eliseu vê e grita: “Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros!” (2Rs 2.12 ACF).

Elias é, com Enoque, uma das duas pessoas que as Escrituras dizem não ter passado pela morte.

Vale notar o que ele fez com o tempo que sabia ser o último. Em vez de parar, visitou três escolas de profetas e ministrou aos discípulos, e não disse ao sucessor “vou te deixar”, mas “vou a Betel, a Jericó, ao Jordão”13.

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Elias no Novo Testamento

Elias não termina em 2 Reis. Ele é figura importante no Novo Testamento1, e por três caminhos.

A profecia de Malaquias. O Antigo Testamento se encerra com uma promessa: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor” (Ml 4.5 ACF).

João Batista. O anjo diz a Zacarias que o filho “irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos” (Lc 1.17 ACF). Ou seja, João não era Elias reencarnado — veio no mesmo espírito e na mesma força.

A transfiguração. No monte, ao lado de Jesus, “lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele” (Mt 17.3 ACF). A Lei e os Profetas, os dois representados diante do Filho.

E as semelhanças entre os dois homens que apareceram ali são muitas: os dois dividiram águas, os dois viram fogo descer do céu, os dois foram associados a montes e os dois tiveram um fim singular — Deus sepultou Moisés onde ninguém achou, e levou Elias num redemoinho13.

Se você quiser ver o outro lado dessa cena, vale conhecer a história completa em quem foi Moisés na Bíblia.

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Quem Elias Era como Pessoa

Tiago faz questão de registrar: “Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós” (Tg 5.17 ACF).

Foi corajoso a ponto de confrontar o rei pessoalmente e desafiar os profetas de Baal em público. E foi o mesmo homem que fugiu de um recado da rainha e pediu para morrer debaixo de um arbusto.

Foi homem de oração. A seca veio pela oração dele, a chuva voltou pela oração dele, e o menino de Sarepta reviveu pela oração dele (Tg 5.17,18).

E teve suas quedas de julgamento. Disse “só eu fiquei” quando havia sete mil, e exagerou o tamanho da oposição9.

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Lições da Vida de Elias para Hoje

A provação costuma vir depois da vitória, e não antes. Elias despencou no capítulo 19 justamente depois do capítulo 18. Quem vive um momento alto faria bem em se preparar para o que costuma vir logo em seguida. É um traço que reaparece em outras histórias, como a de Ester e a de Pedro.

Deus cuida do corpo antes de cobrar do espírito. O primeiro atendimento ao profeta que queria morrer foi comida e sono, entregues por um anjo, duas vezes. Só depois veio a conversa em Horebe.

A voz mansa faz mais do que o espetáculo. O vento, o terremoto e o fogo passaram sem mensagem; o Senhor falou no sussurro. Vale lembrar disso quando o barulho parece medida de espiritualidade.

Servir escondido prepara para servir diante de todos. Foram três anos entre um ribeiro e a casa de uma viúva estrangeira antes do Carmelo. O tempo pequeno veio primeiro, e foi ele que sustentou o dia grande.

Ninguém é indispensável, e isso é um alívio. “Só eu fiquei” era queixa e também engano: havia sete mil. Deus preserva o seu povo mesmo quando não conseguimos enxergá-lo.

A obra continua na geração seguinte. A resposta de Deus ao desânimo foi mandar ungir um sucessor. Elias lançou a capa sobre Eliseu e a história seguiu adiante.

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Perguntas Frequentes

Quem foi Elias na Bíblia?

Elias foi um profeta do reino de Israel, natural de Tisbe, em Gileade, que atuou durante o reinado de Acabe e Jezabel. Anunciou uma seca de três anos e meio, desafiou os profetas de Baal no monte Carmelo e foi levado ao céu num carro de fogo, sem passar pela morte.

O que significa o nome Elias?

Elias significa “o Senhor (Jeová) é meu Deus”. O nome resume a missão do profeta, que era chamar Israel de volta à adoração ao Senhor, e é praticamente a mesma frase que o povo grita no Carmelo: “Só o Senhor é Deus!” (1Rs 18.39).

Por que Elias não morreu?

A Bíblia relata que Elias foi levado vivo ao céu num redemoinho, separado de Eliseu por um carro de fogo com cavalos de fogo (2Rs 2.11). Ele e Enoque são os dois casos registrados nas Escrituras de pessoas que não passaram pela morte. O texto não explica o motivo; apenas narra o fato.

Quanto tempo durou a seca de Elias?

Três anos e seis meses, conforme Tiago 5.17. Em 1 Reis 18.1 fala-se em três anos, contados a partir do anúncio ao rei — a diferença se explica porque a estação seca de seis meses já havia corrido antes de Elias se apresentar a Acabe.

Elias e João Batista são a mesma pessoa?

Não. O anjo disse que João iria adiante do Senhor “no espírito e virtude de Elias” (Lc 1.17), ou seja, com a mesma força e o mesmo tipo de ministério, cumprindo a profecia de Malaquias 4.5. Elias em pessoa apareceu depois, vivo, no monte da transfiguração (Mt 17.3).

O que aconteceu no monte Carmelo?

Elias reuniu o povo e os profetas de Baal e propôs um teste: o deus que respondesse com fogo seria o Deus verdadeiro. Os profetas de Baal clamaram o dia inteiro sem resposta. Elias reconstruiu o altar do Senhor, encharcou tudo com água, orou, e o fogo caiu do céu e consumiu o sacrifício, a lenha, as pedras, o pó e a água (1Rs 18.20-39).

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Conclusão

A vida de Elias cabe entre duas frases. A primeira é o nome dele, “o Senhor é meu Deus”, carregado desde Tisbe por um homem que entra na história sem genealogia e sem apresentação. A segunda é o grito do povo no alto do Carmelo: “Só o Senhor é Deus!” (1Rs 18.39 ACF). Entre uma e outra estão a seca, os corvos, a farinha da viúva, o fogo e a chuva.

E está também o zimbro. O mesmo homem que enfrentou os profetas de Baal diante do povo inteiro pediu para morrer no dia seguinte, e o que recebeu de Deus foi comida, sono e uma pergunta — não uma repreensão.

E você?

Diante do que a vida de Elias mostra, o que tem falado mais alto no seu dia a dia: o barulho do vento e do fogo, ou a voz mansa e delicada?

Se este artigo te ajudou, o nosso guia de personagens bíblicos reúne a história dos homens e mulheres que marcaram a Escritura, e a coleção de versículos explicados traz as passagens mais buscadas explicadas uma a uma.

Fique na paz!

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Fontes

  1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 462.
  2. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 463.
  3. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 464.
  4. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 465.
  5. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 466.
  6. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 467.
  7. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 468.
  8. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 469.
  9. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 472.
  10. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 474.
  11. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 475.
  12. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 481.
  13. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo, vol. II, p. 497.
  14. Bíblia Almeida Corrigida Fiel (ACF). Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

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