Quem Foi Ester na Bíblia: A História da Rainha que Salvou o Seu Povo

↑ Este artigo faz parte da coleção Personagens Bíblicos — quem foram e o que ainda ensinam à igreja de hoje.

Ester foi uma jovem judia órfã que se tornou rainha do Império Persa e usou essa posição para impedir o extermínio do seu povo.

A história dela ocupa um livro inteiro do Antigo Testamento. E esse livro tem uma particularidade que costuma passar despercebida: o nome de Deus não aparece nele uma única vez.

Ainda assim, poucos textos da Escritura falam de forma tão clara sobre a providência divina. É uma história em que Deus não é citado, mas está em cada reviravolta.

Hoje, vamos percorrer a vida de Ester na ordem em que ela aconteceu: a origem no exílio, a chegada ao palácio de Susã, o decreto que condenou os judeus à morte, a decisão que arriscou a própria vida e a festa que Israel celebra até hoje por causa dela.

As citações bíblicas deste artigo seguem a tradução João Ferreira de Almeida Corrigida Fiel (ACF).

A História de Ester em uma Linha do Tempo

Quando O que aconteceu Referência
486 a.C. Assuero (Xerxes I) assume o trono persa Ester 1:1
483 a.C. O banquete de 180 dias em Susã; Vasti é destituída Ester 1:3-22
480–479 a.C. Assuero comanda a campanha militar contra a Grécia
479 a.C. Ester é coroada rainha Ester 2:16-17
479 a.C. Mardoqueu denuncia a conspiração contra o rei Ester 2:21-23
474 a.C. Hamã é promovido e trama o extermínio dos judeus Ester 3:1-15
474 a.C. O jejum de três dias e a ida de Ester ao rei Ester 4:16
474 a.C. Hamã é executado; um novo decreto é publicado Ester 7:10; 8:9
473 a.C. Os judeus se defendem; institui-se a Festa de Purim Ester 9:1-32

As datas seguem a cronologia do reinado de Assuero e são aproximadas. O que o texto bíblico fixa com precisão é a sequência dos fatos, não o calendário.

Voltar ao topo

Quem Foi Ester e o Significado do Seu Nome

Ester era uma jovem judia nascida no exílio, órfã de pai e mãe, criada pelo primo Mardoqueu como se fosse filha dele.

O texto registra que ele “criara a Hadassa (que é Ester, filha de seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era jovem bela de presença e formosa”, e que, morrendo os pais dela, “Mardoqueu a tomara por sua filha” (Et 2.7 ACF).

Uma observação sobre o nome dele: a Almeida Corrigida Fiel grafa Mardoqueu, que é a forma adotada neste artigo. Outras traduções e comentários trazem Mordecai — é a mesma pessoa.

Esse versículo apresenta os dois nomes dela. Hadassa, em hebraico, quer dizer “murta”, um arbusto comum na Palestina. Ester é a forma persa, ligada ao termo que designa “estrela”.

Há um detalhe curioso nessa dupla nomeação. A flor da murta tem justamente o formato de uma estrela, de modo que os dois nomes, em línguas diferentes, acabam apontando para a mesma imagem.

Repare também no que o texto não diz. Não sabemos quando ela perdeu os pais, nem em que circunstâncias.

A Escritura registra o fato e segue adiante. O que importa para a narrativa é que ela crescia sem a proteção natural de uma família.

Voltar ao topo

O Contexto: Judeus no Império Persa

Mapa do Império Persa no tempo de Ester, da Índia à Etiópia
O Império Persa no tempo de Ester, da Índia à Etiópia, com Susã em destaque

Para compreendermos a história de Ester, é importante entender por que havia judeus na Pérsia.

Jerusalém tinha sido destruída pelos babilônios, e boa parte do povo de Judá foi levada cativa. Quando o Império Persa substituiu o babilônico, Ciro autorizou o retorno dos judeus à sua terra. Porém, nem todos voltaram.

Muitos já tinham construído vida no exílio. Os persas se mostraram bem mais tolerantes com os estrangeiros do que os babilônios, e diversos judeus prosperaram na terra onde eram cativos. Mardoqueu é exemplo disso, pois chegou a ocupar cargo no governo, sentando-se à porta do rei.

Ou seja, a família de Ester pertencia àquela parcela do povo que permaneceu fora da Terra Prometida.

Esse detalhe é importante, porque é ele que explica como uma judia pôde chegar ao harém real sem que ninguém percebesse sua origem.

Vale notar que Ester não é o primeiro caso desse tipo na Escritura. Séculos antes, José do Egito também foi levado para longe da sua terra, alcançou posição de destaque numa corte estrangeira e acabou usando esse lugar para preservar a vida do seu povo.

O império era enorme. Estendia-se da Índia à Etiópia e se dividia em 127 províncias. Susã, onde a história se passa, era uma das capitais.

Voltar ao topo

A Rainha Vasti e o Trono Vago

Tudo começa com uma festa.

O rei Assuero, o Xerxes I da história grega, ofereceu um banquete de 180 dias para exibir a riqueza do seu reino, seguido de mais sete dias de festa para todo o povo de Susã. No sétimo dia, embriagado, mandou chamar a rainha Vasti para que sua beleza fosse exibida aos convidados.

Vasti se recusou.

A recusa desencadeou uma crise política desproporcional. O rei consultou seus sete conselheiros, e eles trataram o episódio não como uma desavença doméstica, mas como ameaça à ordem do império inteiro.

O argumento deles foi que, se a notícia se espalhasse, as mulheres de todas as províncias passariam a desprezar a autoridade dos maridos.

A astúcia desses conselheiros está justamente em exagerar o problema. Ao transformar um desentendimento familiar em questão de Estado, eles garantiam que a decisão fosse irreversível e, de quebra, protegiam os próprios cargos.

Vasti foi destituída. O trono ficou vago.

Voltar ao topo

Ester Se Torna Rainha

Passada a ira do rei, seus servos sugeriram reunir as jovens mais belas do império para que ele escolhesse uma nova rainha. Ester foi uma das levadas ao palácio.

O texto descreve um longo processo de preparação. Foram doze meses de tratamentos com óleos e especiarias antes que cada jovem fosse apresentada ao rei.

Dois detalhes chamam a atenção nesse trecho.

O primeiro é que Hegai, o camareiro do rei encarregado da casa das mulheres, distinguiu Ester entre todas e lhe deu o melhor lugar da casa. O segundo é que, quando chegou a sua vez, Ester não pediu nada além do que Hegai lhe indicou, enquanto as outras jovens escolhiam livremente o que levar consigo.

O desfecho o texto registra assim: “E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens; e pôs a coroa real na sua cabeça, e a fez rainha em lugar de Vasti” (Et 2.17 ACF).

Não foi só a beleza que a destacou. O texto insiste que Ester alcançava graça diante de todos que a viam, o que sugere algo nela que ia além da aparência.

Mesmo coroada, Ester manteve em segredo sua origem judaica, seguindo a orientação de Mardoqueu.

Entretanto, vale registrar que esse silêncio não é apresentado pela Escritura como virtude. É um dado da narrativa, e um dado desconfortável: uma judia no palácio pagão, escondendo a própria identidade e vivendo sob costumes que a Lei condenava.

O livro de Ester não idealiza seus personagens. Ele mostra pessoas reais tomando decisões difíceis dentro de circunstâncias que não escolheram.

Voltar ao topo

Mardoqueu e a Conspiração Contra o Rei

Mardoqueu continuava rondando o palácio para saber notícias da prima. Numa dessas ocasiões, ouviu dois oficiais tramando o assassinato do rei.

Ele avisou Ester, que informou ao rei em nome de Mardoqueu. A conspiração foi apurada, os oficiais executados, e o episódio registrado nas crônicas do reino.

Mardoqueu não recebeu recompensa alguma na ocasião. Nada aconteceu.

Guarde esse detalhe. Aquele registro esquecido num livro de crônicas voltará à história no momento mais decisivo, e é um dos pontos em que a providência divina fica mais visível dentro de um livro que nunca menciona Deus.

Voltar ao topo

Hamã e um Ódio Muito Antigo

Algum tempo depois, o rei promoveu Hamã ao cargo mais alto do reino, abaixo apenas dele próprio. Todos deveriam curvar-se diante dele.

Mardoqueu não se curvou.

A recusa enfureceu Hamã. Porém, em vez de punir apenas Mardoqueu, ele decidiu exterminar todo o povo a que Mardoqueu pertencia.

A desproporção da vingança tem uma explicação que o texto oferece discretamente, logo na apresentação do personagem. Hamã era agagita, e Mardoqueu era da tribo de Benjamim.

Aqui a história ganha profundidade. Agague era o rei dos amalequitas, o povo que atacou Israel pela retaguarda logo após o Êxodo, quando os hebreus estavam exaustos. Por causa daquele ataque, Deus declarou guerra permanente a Amaleque.

Séculos depois, o rei Saul, um benjamita, recebeu a ordem de destruir os amalequitas e não a cumpriu inteiramente. Perdeu a coroa por isso, e alguns amalequitas sobreviveram.

Agora, no palácio de Susã, um descendente daquele povo tenta terminar o serviço contra os judeus. E quem se levanta contra ele é outro benjamita.

O rei Saul, benjamita, não destruiu os amalequitas. Mardoqueu, também benjamita, entrou na mesma batalha e derrotou Hamã.1

Ou seja, o que parece uma desavença de palácio é o capítulo final de um conflito que atravessa séculos.

Voltar ao topo

O Decreto de Extermínio

Hamã apresentou o plano ao rei de forma calculada. Falou de “certo povo” espalhado pelas províncias, com leis diferentes das do império, e ofereceu uma soma enorme aos cofres reais.

O rei aprovou sem sequer perguntar de que povo se tratava. Entregou a Hamã seu anel de selar, ou seja, a autoridade para redigir o decreto em nome do trono.

Cartas foram enviadas a todas as províncias determinando que, num único dia, todos os judeus fossem mortos: homens, mulheres, crianças e idosos.

O decreto foi selado com o anel do rei. E pela lei persa, o que era selado assim não podia ser revogado nem pelo próprio rei.

Esse detalhe jurídico é essencial para entender o resto da história. A questão não seria simplesmente cancelar a ordem, porque isso era juridicamente impossível.

Voltar ao topo

“Para Tal Tempo Como Este”

Ao saber do decreto, Mardoqueu rasgou suas vestes, vestiu-se de saco e cinza e chorou em alta voz no meio da cidade. Mandou a Ester uma cópia do edital, pedindo que ela intercedesse junto ao rei.

Ester respondeu com um problema concreto. Qualquer pessoa que entrasse no pátio interior sem ser chamada estava sujeita à morte, a menos que o rei estendesse o cetro de ouro. E ela não era chamada à presença dele havia trinta dias.

A resposta de Mardoqueu é o centro do livro: “Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” (Et 4.14 ACF).

Há duas afirmações nesse versículo, e elas puxam em direções diferentes.

A primeira é que o livramento viria de qualquer forma. Mardoqueu não duvida disso. Se Ester se calar, “socorro e livramento doutra parte sairá”, pois o propósito de Deus não depende da coragem dela.

A segunda é que a posição que ela ocupa não é acaso. “Quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?”

A pergunta não afirma, sugere. E é justamente essa contenção que a torna tão poderosa.

Repare que Mardoqueu não promete que dará certo. Ele apresenta a Ester a possibilidade de que toda a sua trajetória improvável — a orfandade, o palácio, a coroa — tivesse um propósito que só agora se revelava.

Voltar ao topo

O Jejum de Três Dias

Ester aceitou. E antes de agir, convocou jejum: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas servas também assim jejuaremos. E assim irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci” (Et 4.16 ACF).

“Se perecer, pereci” não é resignação. É uma decisão tomada com os olhos abertos para o custo.

Vale observar um detalhe do texto. Ester ordena que também as suas servas participem do jejum, e elas eram, muito provavelmente, gentias. O nome de Deus não é mencionado nessa passagem, mas o ato de humilhação é evidentemente dirigido ao Senhor, e certamente acompanhado de oração.

Nas Escrituras, jejum e oração aparecem juntos com frequência, porque jejuar é um preparo para orar com mais humildade e atenção. O jejum em si não garante bênção alguma. Sem quebrantamento sincero, vira apenas ritual.

Esse episódio deu origem a uma prática que muitos cristãos observam até hoje. Se você quer entender como ela funciona e o que a Bíblia de fato ensina sobre ela, escrevemos um artigo específico sobre o jejum de Ester.

Voltar ao topo

Os Dois Banquetes e a Queda de Hamã

Ao terceiro dia, Ester vestiu seus trajes reais e se apresentou no pátio interior. O rei estendeu o cetro.

Aqui aparece a sabedoria dela. Tendo o favor do rei e a promessa de “até metade do reino”, Ester não fez o pedido.

Em vez disso, chamou os dois homens para um banquete, o rei e o próprio Hamã. E ao fim daquela refeição, em vez de falar, marcou uma segunda para o dia seguinte.

O adiamento parece hesitação, mas foi o que permitiu que os fatos se alinhassem.

Naquela mesma noite, o rei não conseguiu dormir. Mandou trazer o livro das crônicas e ouviu o registro esquecido: Mardoqueu havia salvado sua vida e nunca fora recompensado.

Justamente nesse momento Hamã chegava ao palácio para pedir autorização para enforcar Mardoqueu na forca que mandara preparar. O rei perguntou o que se deveria fazer ao homem que ele desejava honrar. Hamã, convencido de que falava de si mesmo, descreveu as maiores honras que imaginou, e foi obrigado a executá-las em favor de Mardoqueu.

No segundo banquete, Ester finalmente falou. Revelou sua origem judaica e denunciou que o homem que tramava a destruição do seu povo estava ali à mesa.

Hamã foi enforcado na forca que preparara para Mardoqueu.

Voltar ao topo

A Reviravolta e a Festa de Purim

A morte de Hamã não resolvia o problema. O decreto continuava válido, e a lei persa não permitia revogá-lo.

A solução foi um segundo decreto. Os judeus receberam autorização real para se reunir e defender suas vidas no dia marcado.

Quando o dia chegou, aconteceu o contrário do que os inimigos esperavam. Em vez de exterminados, os judeus prevaleceram.

Mardoqueu instituiu então a Festa de Purim, celebrada anualmente. O nome vem de “pur”, a sorte que Hamã lançou para escolher a data do extermínio. Dessa forma, a data sorteada para a destruição virou a data da comemoração.

Purim é celebrada pelos judeus até hoje. Nela, o livro de Ester é lido publicamente na sinagoga e, a cada vez que o nome de Hamã é pronunciado, a congregação faz barulho para que aquele nome seja apagado.

Voltar ao topo

Por Que o Nome de Deus Não Aparece no Livro

Ester é o único livro da Bíblia em que Deus não é mencionado uma única vez. Não há oração registrada, não há profeta, não há milagre, não há menção ao templo ou à Lei.

Isso incomodou leitores por séculos. No entanto, o silêncio parece ser proposital, e é ele que dá ao livro a sua força.

Considere a sequência de coincidências:

  • Uma órfã judia chega ao trono do maior império do mundo;
  • O primo dela ouve por acaso uma conspiração;
  • O registro dessa denúncia é esquecido por anos;
  • O rei tem insônia justamente na noite anterior ao pedido de Hamã;
  • Manda ler justamente aquele trecho das crônicas;
  • Hamã chega justamente naquele momento.

Nenhum desses fatos é atribuído a Deus pelo texto. Todos, juntos, são difíceis de atribuir ao acaso.

É esse o tema do livro: a providência de Deus na proteção do seu povo. Não a intervenção espetacular do Êxodo, com mar aberto e coluna de fogo, mas a ação silenciosa que trabalha através de decisões humanas, coincidências e até de reis pagãos que não fazem ideia de estar servindo a um propósito.

O que me chama a atenção é que Deus escolheu registrar essa história justamente assim. Havia livros no Antigo Testamento cheios de prodígios; este ficou sem nenhum, e nem por isso ficou de fora do cânon.

Ou seja, Ester descreve o modo como Deus age na maior parte do tempo, inclusive hoje.

Voltar ao topo

Quem Ester Era como Pessoa

A Escritura descreve Ester em ação, não em adjetivos. Ainda assim, alguns traços se repetem:

  • Prudência: ouvia conselho e não agia por impulso, pedindo jejum antes de qualquer atitude e adiando o pedido ao rei até o momento certo;
  • Domínio próprio: guardou segredo sobre a própria origem durante anos, mesmo já sendo rainha;
  • Coragem: entrou na presença do rei sabendo que aquilo podia custar-lhe a vida;
  • Lealdade: continuou obedecendo a Mardoqueu depois de coroada, quando já não precisava;
  • Senso de oportunidade: escolheu o momento e as palavras da denúncia com cuidado, na presença do próprio acusado.

Note que nenhuma dessas qualidades é sobrenatural. Ester não recebe visão, não profetiza, não faz milagre. Ela apenas decide bem, na hora certa, com medo.

É o mesmo tipo de fidelidade discreta que aparece em Rute, o outro livro da Bíblia que leva o nome de uma mulher. Se você quer conhecer outras trajetórias assim, reunimos todas em nosso guia de personagens bíblicos.

Voltar ao topo

Lições para os Dias de Hoje

A posição que você ocupa pode ter um propósito que você ainda não enxerga. Ester não pediu para ser rainha, e a coroa parecia irrelevante para a fé dela, até o dia em que foi a única coisa capaz de salvar um povo.

Deus age mesmo quando não se manifesta. Em Ester não há milagre, profeta ou oração registrada, e ainda assim o livramento acontece. Talvez seja essa a lição mais aplicável à vida cristã comum.

Coragem não é ausência de medo. Ester tinha medo, e disse isso a Mardoqueu com todas as letras. Agiu assim mesmo.

O silêncio também é uma escolha. Mardoqueu alerta que calar-se não protegeria Ester. Há situações em que não decidir já é ter decidido.

Preparo espiritual vem antes da ação. Antes de entrar no salão do trono, Ester jejuou três dias e pediu que todos os judeus de Susã jejuassem com ela.

Voltar ao topo

Como Estudar Ester na Célula ou na EBD

O livro de Ester funciona bem em pequenos grupos porque a narrativa é contínua e não exige conhecimento prévio.

Uma divisão possível em quatro encontros:

1. A chegada ao palácio (Ester 1–2): contexto do exílio, a queda de Vasti e a coroação; 2. A ameaça (Ester 3–4): Hamã, o decreto e o diálogo de 4:13-14; 3. A reviravolta (Ester 5–7): os banquetes, a insônia do rei e a queda de Hamã; 4. A vitória e a festa (Ester 8–10): o segundo decreto e a instituição de Purim.

Para grupos que preferem discussão a exposição, a pergunta de Mardoqueu em 4:14 sustenta um encontro inteiro sozinha: onde você está hoje que talvez não seja acaso?

Um caminho que costuma funcionar bem é comparar Ester com personagens de outras épocas, como Davi ou Estêvão, observando como Deus age de maneiras bem diferentes em cada história — às vezes de forma visível, às vezes em silêncio.

Agora, se a sua igreja trabalha com pequenos grupos e você quer estruturar melhor esse tipo de estudo, vale a leitura do nosso guia de células.

Voltar ao topo

Perguntas Frequentes

Quem foi Ester na Bíblia?

Ester foi uma jovem judia órfã, criada pelo primo Mardoqueu durante o exílio na Pérsia. Tornou-se rainha do Império Persa ao se casar com o rei Assuero e usou essa posição para impedir o extermínio dos judeus tramado por Hamã. A história dela está no livro que leva seu nome.

Qual era o outro nome de Ester?

Ela tinha dois. Hadassa, em hebraico, quer dizer “murta”, um arbusto comum na Palestina.

Ester é a forma persa, ligada ao termo que designa “estrela”. Curiosamente, a flor da murta tem formato de estrela.

Quem era o rei com quem Ester se casou?

Assuero, identificado pela maioria dos estudiosos como Xerxes I, que governou o Império Persa de 486 a 465 a.C. Era filho de Dario I e neto de Ciro, o Grande.

Por que o nome de Deus não aparece no livro de Ester?

É o único livro da Bíblia em que Deus não é mencionado. O silêncio parece proposital, pois o tema do livro é a providência divina agindo de forma discreta, através de acontecimentos aparentemente comuns, e não por meio de milagres visíveis.

O que é a Festa de Purim?

É a festa instituída por Mardoqueu para celebrar o livramento dos judeus. O nome vem de “pur”, a sorte que Hamã lançou para escolher o dia do extermínio. Os judeus a celebram até hoje, com a leitura pública do livro de Ester.

Ester era mesmo prima de Mardoqueu?

Sim. Ester 2:7 diz que Mardoqueu criou Hadassa, “filha de seu tio”, ou seja, prima dele. Como ela era órfã, Mardoqueu a tomou por filha e a criou.

Voltar ao topo

Conclusão

Resumindo, a história de Ester é a de uma pessoa comum colocada num lugar improvável, que precisou decidir se usaria aquela posição ou se protegeria a si mesma.

Ela decidiu com medo, depois de jejuar, e sem qualquer garantia de que daria certo.

Talvez seja por isso que esse livro continue sendo lido dois mil e quinhentos anos depois. Ele não descreve um herói inalcançável. Descreve alguém que fez o que era certo no lugar em que estava.

E você?

Já parou para pensar que o lugar onde está hoje pode não ser acaso?

Fique na paz!

Voltar ao topo

Fontes e Referências

1 WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 700.

Demais referências:

Voltar ao topo

Deixe um comentário