Quem foi Apolo na Bíblia?

A vida com Deus é um crescimento diário. A cada novo dia, amadurecemos um pouco mais em nosso relacionamento com Ele e no exercício do nosso chamado.

Por mais que alguém seja usado pelo Senhor em diversas áreas do Seu Reino, ninguém sabe tudo sobre todas as coisas. Sempre haverá espaço para aprendermos algo novo.

Quando realizamos a obra de Deus, precisamos ter o discernimento de que devemos estar sempre prontos para ser discipulados. Afinal, precisamos ser orientados com mais precisão no caminho do Senhor, aprendendo mais sobre a vida e a obra de Jesus.

Muitas vezes, pessoas guiadas pelo Espírito Santo vão perceber que precisamos de alguns ajustes naquilo que fazemos para o Reino. E tudo isso acontece unicamente para nos tornar ainda mais aptos no serviço ao Senhor.

É exatamente isso que vemos no Novo Testamento, no livro de Atos dos Apóstolos.

Durante a segunda viagem missionária do apóstolo Paulo, em Éfeso, a Bíblia nos conta sobre um homem de Alexandria que “era muito culto e tinha grande conhecimento das Escrituras” (At 18.24 NVI).

O texto de Atos também diz que ele era “fervoroso de espírito” (At 18.25 ARC) e “falava com exatidão acerca de Jesus” (At 18.25 NVI). Ou seja, era alguém que pregava o Evangelho com poder, graça, autoridade e ousadia.

O nome desse homem era Apolo.

Mas, mesmo sendo ousado e tão usado por Deus, Apolo precisou passar um tempo com um casal de discípulos. Eles perceberam que o seu ministério ainda precisava de alguns ajustes.

A Vida de Apolo

O nome Apolo tem origem grega (ΑπολλωςApollos) e pode ser uma abreviação de Apolônio, que significa “pertencente a Apolo”.

Na mitologia greco-romana, Apolo era uma das maiores divindades. Ele era filho de Zeus, irmão gêmeo de Ártemis, e conhecido como o deus do sol, das artes, da música, da medicina, da beleza e da perfeição.

No entanto, o Apolo da Bíblia Sagrada entra em cena no livro de Atos dos Apóstolos, bem no meio da segunda viagem missionária de Paulo.

O texto de Atos nos diz o seguinte:

“24 E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, varão eloquente e poderoso nas Escrituras.
25 Este era instruído no caminho do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João”
At 18.24,25 ARC

Essa passagem apresenta Apolo como um judeu, nascido em Alexandria. Ele pregava e ensinava sobre o Senhor Jesus com muito conhecimento e fervor no espírito, além de ser muito bem instruído no caminho do Senhor.

Por ser natural de Alexandria, é bem provável que ele tivesse cidadania alexandrina.

Para você ter uma ideia, Alexandria era uma cidade egípcia fortemente influenciada pela cultura grega. Seu nome foi uma homenagem a Alexandre, o Grande, que derrotou os persas ali e foi recebido como um verdadeiro libertador.

Além disso, essa cidade já foi a capital do Egito e abrigou a maior biblioteca do mundo antigo.

Ser educado em Alexandria, como aconteceu com Apolo, significava ser um homem de conhecimento elevado, intelecto avançado e que dominava os idiomas da época.

Com isso, podemos deduzir que ele pertencia a uma classe social mais alta, dada a qualidade das escolas que frequentou por lá.

O Ministério de Apolo

O livro de Atos não conta os detalhes da conversão de Apolo. Ele apenas surge na história da Igreja como alguém que já tinha algum conhecimento sobre Jesus.

Afinal, ele “falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor” (At 18.25 ARC), mesmo conhecendo “somente o batismo de João” (At 18.25 ARC).

Isso nos mostra que Apolo provavelmente foi influenciado pela mensagem de João Batista. Ele anunciava o Messias judaico com fervor e propriedade, mas ainda não conhecia o batismo cristão nem havia experimentado o batismo no Espírito Santo.

Na prática, conhecer apenas o batismo de João queria dizer que Apolo entendia a urgência do arrependimento e esperava pelo Messias.

Porém, ele ainda não sabia dos eventos grandiosos que formaram a base da fé cristã: a cruz, a ressurreição e a descida do Espírito Santo no Pentecostes.

Apolo pregava tudo o que sabia com muito fogo no coração, mas precisava mergulhar na plenitude da Nova Aliança.

Sua mensagem era poderosa! Misturava uma fala eloquente com um profundo entendimento sobre Jesus através dos textos do Antigo Testamento.

O relato de Atos vai além e diz:

“Porque com grande veemência convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo”
At 18.28 ARC

Mas o ministério de Apolo só ganha raízes mais profundas quando ele cruza o caminho de dois amigos de Paulo: o casal Priscila e Áquila (ou Prisca e Áquila).

Esses dois servos tementes a Deus ouviram Apolo pregando com ousadia em uma sinagoga.

Na mesma hora, eles perceberam que, apesar de toda a eloquência e conhecimento bíblico, Apolo precisava de discipulado para entender com “mais exatidão o caminho de Deus” (At 18.26 NVI).

E é aqui que vemos uma das qualidades mais bonitas de Apolo: a sua profunda humildade.

Pense bem: ele era um homem de classe alta, acadêmico, nascido na intelectual Alexandria e dominava as Escrituras. Mesmo assim, ele não pensou duas vezes antes de se sentar e ser ensinado por um casal de fabricantes de tendas.

Essa atitude nos prova que, no Reino de Deus, o verdadeiro conhecimento sempre anda de braços dados com a mansidão e a vontade de aprender.

Priscila e Áquila foram peças fundamentais no crescimento espiritual e ministerial de Apolo. Eles ajudaram a preencher as lacunas que faltavam em seu entendimento sobre Cristo.

Depois de passar um tempo em Éfeso, Apolo seguiu viagem para Corinto (At 19.1 ARC), onde se tornou um instrumento poderoso nas mãos de Deus para aquela igreja.

O Problema em Corinto

Logo no início da Primeira Carta aos Coríntios, vemos Paulo fazendo um apelo “em nome do Senhor Jesus Cristo” (1Co 1.10 NVI) para que a igreja parasse com as divisões.

O apóstolo deixa claro que a congregação estava rachada. Alguns diziam que eram de Paulo, outros de Apolo, outros de Pedro e alguns afirmavam ser de Cristo (1Co 1.12 NVI).

Encarando de frente a imaturidade daqueles irmãos, Paulo lança uma pergunta dura:

…Será que “Cristo está dividido”? Ou foi ele mesmo, Paulo, crucificado por eles?
1Co 1.13 NVI

Lendo a carta, percebemos rapidamente que o problema nunca foi Apolo. A questão era o comportamento partidário e carnal de alguns membros da igreja.

Na verdade, qualquer líder que pisasse em Corinto acabaria virando motivo para novas divisões.

Sem dúvida, Apolo era um líder influente e tinha o dom da palavra. Mas a divisão não começou com ele. E, para provar que não queria causar confusão na Igreja do Senhor, Apolo decidiu ir embora de Corinto.

Paulo relata:

“Quanto ao irmão Apolo, insisti que fosse com os irmãos visitar vocês. Ele não quis de modo nenhum ir agora, mas irá quando tiver boa oportunidade”
1Co 16.12 NVI

Isso nos mostra que Apolo não causou a confusão na cidade. Se ele fosse o culpado, o apóstolo Paulo, fiel ao seu estilo, o teria corrigido abertamente em sua carta.

Muito pelo contrário! Para acabar de vez com essa falsa rivalidade, Paulo faz questão de destacar que eles eram parceiros ministeriais, trabalhando juntos com funções complementares.

Usando uma bela imagem da agricultura, Paulo diz:

“Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fazia crescer”
1Co 3.6 NVI

Essa frase resume tudo. Paulo foi o pioneiro que fundou a igreja, enquanto Apolo foi o mestre que ajudou a edificá-la.

No final das contas, ambos sabiam que eram apenas instrumentos. Toda a glória e o verdadeiro crescimento sempre pertenceram exclusivamente a Deus.

Os Dias Finais de Apolo

A última vez que a Bíblia menciona Apolo é na carta de Paulo a Tito (Tt 3.13).

Alguns estudiosos do Novo Testamento, incluindo o próprio Jerônimo, acreditam que ele ficou na ilha de Creta esperando a igreja de Corinto amadurecer e acabar com as brigas. Somente depois disso, ele teria voltado para assumir a liderança daquela igreja.

Por outro lado, existem aqueles que defendem que Apolo foi para a região da Frígia, na Ásia Menor, e que acabou se tornando bispo em Cesareia.

Historicamente, muitos até atribuem a ele a autoria da carta aos Hebreus. Essa é uma ideia que ganhou muita força com o reformador Martinho Lutero.

Quem defende essa teoria aponta que o autor de Hebreus escrevia em um grego muito elegante (bem ao estilo acadêmico de Alexandria), conhecia profundamente os rituais do Antigo Testamento e tinha uma retórica impecável. Ou seja, qualidades que se alinham perfeitamente com o Apolo descrito em Atos.

Mas a verdade é que esses detalhes estão fora do texto bíblico. Eles podem ser reais, ou não. Sobre como foram seus últimos dias ou sua morte, não há nenhum registro garantido.

O grande legado que Apolo nos deixa está nas poucas, mas impactantes narrativas bíblicas.

Ele foi um homem transbordante de sabedoria e fervor espiritual. E, ainda assim, teve a humildade de se submeter para aprender os caminhos do Senhor com mais precisão.

Não resta dúvida: depois do tempo em que foi discipulado por Priscila e Áquila, Apolo se transformou em uma ferramenta ainda mais extraordinária na pregação do Evangelho.

O que Aprendemos com Apolo?

Para resumir, a caminhada de Apolo nos deixa lições valiosas para os nossos dias.

Ele nos ensina que ter fogo no espírito e buscar preparo intelectual não são coisas opostas. Pelo contrário, elas devem caminhar de mãos dadas para servir ao Reino de Deus.

Mais do que isso, a vida dele nos desafia a ter um coração sempre disposto a aprender. Não importa o quão talentosos ou usados por Deus nós sejamos, sempre vamos precisar do apoio da Igreja.

Precisamos do discipulado de irmãos maduros para entender o caminho do Senhor com exatidão. E, acima de tudo, Apolo nos inspira a servir a Deus sem a vaidade de buscar os holofotes.

Ele entendeu perfeitamente que todos nós somos apenas ferramentas nas mãos do Mestre. Afinal, uns plantam, outros regam, mas o crescimento sempre vem do Senhor.

E você?

Está disposto a ter um coração humilde e ensinável para crescer na presença de Deus?

Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irmão Moisés Brasil. Você pode acompanhar o seu trabalho excepcional através do YouTube e Instagram.

Fique na Paz!

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