Viúva de Naim: Quem Foi, o Filho que Jesus Ressuscitou e as Lições de Lucas 7:11-17

A viúva de Naim é a mulher, de nome desconhecido, cujo filho único Jesus trouxe de volta à vida na porta da cidade, quando o corpo já seguia para o sepultamento. O episódio está em Lucas 7:11-17, e só Lucas o registra.

É um texto curto, de sete versículos, mas que possui uma densidade rara. Nele aparecem a primeira ressurreição narrada no evangelho de Lucas, o eco direto de um milagre de Elias e a resposta que Jesus daria, poucos versículos depois, à dúvida de João Batista. Se você prega ou ensina, ele ainda toca num ponto sensível de qualquer igreja: o luto.

Hoje, vamos ler o texto de Lucas 7:11-17, entender onde ficava Naim e como era aquele cortejo, ver por que Jesus tocou no esquife e o que a multidão quis dizer com “Deus visitou o seu povo”. No fim, há três lições tiradas do próprio texto e um esboço de pregação sobre a viúva de Naim.

Onde está na Bíblia a história da viúva de Naim

O relato ocupa os versículos 11 a 17 do capítulo 7 de Lucas, e nenhum outro evangelista o conta. O episódio vem logo depois da cura do servo do centurião, em Cafarnaum (Lucas 7:1-10), e logo antes da pergunta que João Batista manda fazer a Jesus da prisão (Lucas 7:18-23).

Este é o texto inteiro:

“E aconteceu que, no dia seguinte, ele foi à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma grande multidão. E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade.” (Lucas 7:11-12)

“E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores. E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o que fora defunto assentou-se, e começou a falar. E entregou-o à sua mãe.” (Lucas 7:13-15)

“E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo. E correu dele esta fama por toda a Judéia e por toda a terra circunvizinha.” (Lucas 7:16-17)

A ordem dos episódios não é casual. No capítulo 7, Lucas reúne pessoas que chegam a Jesus em situações muito diferentes: um oficial romano com um servo à beira da morte, uma viúva que enterra o filho, um profeta que duvida na prisão e uma mulher pecadora que chora aos pés dele. Cada uma recebe algo de Jesus, mas a viúva é a única que não faz movimento algum: não pede, não pergunta, não se aproxima.

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Onde ficava Naim

Naim era uma pequena cidade da Galileia, e Lucas 7:11 é a única vez que o nome aparece em toda a Bíblia. Os dicionários de grego bíblico ligam o nome a uma raiz hebraica que significa ser agradável, ser formoso.

O texto não informa a distância percorrida, mas diz que Jesus estava em Cafarnaum no dia anterior (Lucas 7:1). Entre uma cidade e outra havia cerca de 40 quilômetros, então pelo menos um dia inteiro de caminhada.1 Jesus fez esse trajeto com os discípulos e com uma multidão, sem que ninguém de Naim tivesse mandado chamá-lo.

Esse detalhe pesa na nossa leitura do episódio. Repare: em Cafarnaum, os anciãos dos judeus foram até Jesus pedir pelo servo do centurião (Lucas 7:3). Em Naim, ninguém foi. Foi ele quem chegou.

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O cortejo na porta da cidade

Pintura da viúva de manto escuro caminhando à frente do esquife carregado por quatro homens, saindo pela porta da cidade de Naim

Lucas monta a cena com duas multidões. Uma vinha de fora, acompanhando Jesus; a outra saía de dentro da cidade, acompanhando a mãe e o corpo. As duas se encontram na porta.

A pressa do cortejo também tem explicação. Os judeus sepultavam os mortos no mesmo dia da morte, prática que aparece na própria lei (Deuteronômio 21:23) e em Atos, quando Ananias e Safira são enterrados logo depois de morrer (Atos 5:6, 10). É provável que o rapaz tivesse morrido naquele mesmo dia.1

O corpo ia num esquife. A palavra grega de Lucas 7:14 aparece só aqui no Novo Testamento e não descreve um caixão fechado, mas uma padiola aberta, carregada por homens. O próprio relato confirma: o jovem se senta, o que só é possível para quem estava deitado sem tampa sobre si, e começa a falar, sinal de que o rosto estava descoberto.2

E por que o sepultamento ficava fora da cidade? O texto não explica, mas a lei de Moisés ajuda a entender. Quem tocasse um morto ou uma sepultura ficava imundo por sete dias (Números 19:16). Portanto, manter os túmulos longe das casas evitava que a vida inteira da cidade convivesse com essa impureza.

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Quem era a viúva de Naim

A Bíblia não registra o nome dela, nem o do filho, nem o do marido. Do marido, o texto só permite saber que tinha morrido, já que ela “era viúva” (Lucas 7:12). Quando, como e de quê, Lucas não diz, e a causa da morte do filho também fica sem registro.

Porém, o que Lucas diz é suficiente para medir a perda: o morto era “filho único de sua mãe” (Lucas 7:12), e ele era um jovem, já que Jesus o chama assim no versículo 14. A mulher tinha enterrado o marido e agora enterrava o único filho.

Naquela sociedade, isso não era só dor. Era também desamparo. Sem marido e sem filho, aquela mulher ficava sem família próxima e sem meios de se manter.3 A lei já tratava a viúva como alguém sob o cuidado direto de Deus:

“Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa.” (Deuteronômio 10:18)

Há ainda um traço de Lucas que vale notar. No texto grego, a palavra viúva aparece nove vezes no evangelho dele, mais do que em Mateus e Marcos somados: Ana no templo (Lucas 2:37), a viúva de Sarepta (Lucas 4:26), a de Naim, a viúva insistente diante do juiz (Lucas 18:3) e a que deu duas moedas (Lucas 21:2). Lucas olha para essas mulheres com atenção constante.

O termo traduzido por “filho único” também se repete de modo curioso. Lucas o usa três vezes: para o filho da viúva (Lucas 7:12), para a filha de Jairo (Lucas 8:42) e para o menino endemoninhado cujo pai implora a Jesus (Lucas 9:38). Nos três casos, Jesus devolve aos pais um filho que era tudo o que eles tinham, e no último Lucas repete o gesto de Naim: Jesus curou o menino “e o entregou a seu pai” (Lucas 9:42).

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“Não chores”: a compaixão que veio antes do pedido

O versículo 13 possui dois detalhes que merecem a nossa atenção. O primeiro é o sujeito. Lucas escreve “o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela” (Lucas 7:13), e é a primeira vez no evangelho que o próprio narrador chama Jesus de “o Senhor”. Antes disso, o título aparece na boca de anjos, de personagens e do próprio Jesus, mas nunca na voz de quem conta a história. Lucas escolhe introduzi-lo diante de um enterro.

O segundo é o verbo. A expressão “moveu-se de íntima compaixão” traduz uma palavra grega ligada às entranhas, a compaixão que se sente no corpo. Lucas a usa só três vezes: aqui, no bom samaritano que vê o homem caído (Lucas 10:33) e no pai que vê o filho pródigo voltando (Lucas 15:20). Nas três, a compaixão nasce de ver, e nas três ela se transforma em ação imediata.

A mãe provavelmente caminhava à frente do esquife, e então foi ela que Jesus viu primeiro. Não houve pedido de ninguém, e a iniciativa partiu dele.4 A viúva não demonstrou fé, não se prostrou, não disse uma palavra. No mesmo capítulo, Jesus elogia a fé do centurião (Lucas 7:9) e diz à mulher pecadora que a fé dela a salvou (Lucas 7:50). Aqui, a palavra fé não aparece. O que move a cena é a compaixão do Senhor, do mesmo modo que no tanque de Betesda, onde Jesus se aproxima de um homem que não lhe pediu nada.

E então vem a frase: “Não chores”. Aqui eu acho importante ter cuidado. Jesus disse isso a uma mãe a quem ele ia devolver o filho dali a um instante. Repetida por nós, no velório de alguém, sem esse poder nas mãos, a mesma frase pode soar como cobrança.

O próprio Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro (João 11:35), e Paulo manda “chorai com os que choram” (Romanos 12:15). O que o apóstolo pede aos tessalonicenses é que não se entristeçam “como os demais, que não têm esperança” (1 Tessalonicenses 4:13). Ou seja, a Escritura não proíbe o nosso choro; ela muda o horizonte dele.

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Por que Jesus tocou no esquife

A lei era clara sobre o contato com mortos:

“Aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias.” (Números 19:11)

Tocar o esquife era, portanto, chegar perto da impureza que a lei associava ao morto, e qualquer judeu da multidão percebeu o gesto. Jesus podia ter falado de longe, como fez com o servo do centurião no mesmo capítulo. Portanto, o toque foi escolha dele: ele se aproximou e tocou.

O efeito do toque foi o inverso do previsto pela lei. Em vez de o morto tornar Jesus impuro, a vida de Jesus alcançou o morto. Os carregadores pararam (Lucas 7:14), e o cortejo, que seguia em uma só direção, ficou parado diante dele.

Não é um caso isolado nos evangelhos. Jesus toca leprosos (Lucas 5:13) e pega na mão da filha de Jairo já morta (Lucas 8:54). Em todos esses casos, o gesto que deveria afastá-lo das pessoas é justamente o que o aproxima delas.

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“Jovem, a ti te digo: Levanta-te”

Jesus não orou, não pediu nada ao Pai em voz alta, não repetiu o gesto. Disse uma frase: “Jovem, a ti te digo: Levanta-te” (Lucas 7:14). A ênfase está no “a ti te digo”. É a autoridade de quem fala em nome próprio. No versículo 15, o morto se senta, fala, e é devolvido por Jesus à mãe.

Quem conhecia as Escrituras de Israel lembraria de duas cenas. A primeira é a de Elias com a viúva de Sarepta, que também perdeu o único filho (1 Reis 17:17-24). A segunda é a de Eliseu com a mulher de Suném, cujo menino morreu no colo dela (2 Reis 4:32-37), história contada em detalhe no artigo sobre quem foi a sunamita.

A comparação mostra semelhanças e uma diferença enorme, então vamos ler a tabela até a última linha:

Elias (1 Reis 17) Eliseu (2 Reis 4) Jesus (Lucas 7)
A mãe viúva estrangeira, de Sarepta mulher casada, de Suném viúva de Naim
Onde estava o morto no quarto de cima, na cama do profeta na cama do profeta, porta fechada no esquife, a caminho da sepultura
O que o profeta fez clamou ao Senhor e se estendeu sobre o menino três vezes orou, deitou-se sobre o menino, andou pela casa e repetiu tocou o esquife e falou uma frase
A quem pediu ao Senhor ao Senhor a ninguém
O desfecho “e o deu à sua mãe” (1 Reis 17:23) “Toma o teu filho” (2 Reis 4:36) “E entregou-o à sua mãe” (Lucas 7:15)

Repare no desfecho: a semelhança entre o primeiro e o último relato é literal. Em português, as traduções variam (“deu” em 1 Reis, “entregou” em Lucas), mas no grego a frase é a mesma. Os judeus que falavam grego liam o Antigo Testamento numa tradução chamada Septuaginta, e nela 1 Reis 17:23 diz kai edōken auton tē mētri autou, ou seja, “e o deu à sua mãe”. Lucas 7:15 traz exatamente essas seis palavras. Lucas escreve a cena de Naim com a frase de Elias.

E Lucas já tinha preparado o leitor para isso. No sermão de Nazaré, Jesus lembrou que havia muitas viúvas em Israel nos dias de Elias e que o profeta foi enviado a uma só, em Sarepta (Lucas 4:25-26). Três capítulos depois, uma viúva recebe o filho de volta das mãos de alguém maior que Elias. Elias implorou; Jesus ordenou.

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“Deus visitou o seu povo” e a pergunta de João Batista

A reação da multidão tem duas partes: “Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo” (Lucas 7:16).

A primeira parte é verdadeira, mas insuficiente. Chamar Jesus de grande profeta era, provavelmente, o título mais alto que aquelas pessoas conheciam, e ele ainda ficava aquém de quem Jesus era.4 A promessa de Moisés, de que Deus levantaria um profeta como ele (Deuteronômio 18:15), estava na memória do povo, e a lembrança de Elias também: foi exatamente isso que perguntaram a João Batista no Jordão, se ele era Elias ou o profeta (João 1:21).

Há um jogo de palavras que a tradução Almeida (ACF) preserva bem. Jesus disse ao rapaz “Levanta-te”, e a multidão responde que um grande profeta “se levantou” entre eles. No grego é o mesmo verbo. O jovem foi levantado do esquife, e o povo percebe que alguém tinha sido levantado por Deus no meio deles.

A segunda parte é ainda mais forte. O verbo “visitar” é o mesmo que Zacarias usa no cântico do capítulo 1: “Bendito o Senhor Deus de Israel, Porque visitou e remiu o seu povo” (Lucas 1:68).

No Antigo Testamento, a expressão marca os momentos em que Deus intervém a favor do povo: no Egito, Israel adora ao ouvir “que o Senhor visitava aos filhos de Israel, e que via a sua aflição” (Êxodo 4:31), e foi uma viúva, Noemi, que voltou de Moabe ao saber “que o Senhor tinha visitado o seu povo, dando-lhe pão” (Rute 1:6).

A multidão de Naim reconhece, talvez sem medir o alcance do que dizia, que aquele socorro era o próprio Deus agindo.

Logo em seguida, Lucas conta que a notícia chegou a João Batista, que estava preso. João manda dois discípulos perguntar: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” (Lucas 7:19). Jesus não responde com um argumento. Cura muitos naquela hora e manda dizer a João o que viram, incluindo isto: “os mortos ressuscitam” (Lucas 7:22).

O detalhe passa fácil na nossa leitura, mas até esse ponto do evangelho só um morto tinha sido ressuscitado, e foi em Naim. A resposta a João começa ali, na porta daquela cidade.

Os sinais que Jesus listou ecoam as promessas de Isaías sobre os dias do Messias (Isaías 35:5-6; 61:1), sinais que João, conhecedor dos profetas, saberia reconhecer. A pergunta de João nasceu da dúvida de um homem cansado na prisão, e a resposta de Jesus foi gentil: em vez de repreender, ele mostrou.5

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Três ressurreições antes da cruz

Os evangelhos narram em detalhe três ressurreições feitas por Jesus antes da cruz, e a de Naim é a primeira delas em Lucas.

Filho da viúva de Naim Filha de Jairo Lázaro
Onde está Lucas 7:11-17 Lucas 8:40-56 (também Mateus 9 e Marcos 5) João 11:1-44
Quem pediu ninguém o pai, Jairo (Lucas 8:41) as irmãs mandaram avisar (João 11:3)
Há quanto tempo estava morto já ia para a sepultura tinha acabado de morrer, em casa (Lucas 8:49) quatro dias na sepultura (João 11:17)
Filho único? sim (Lucas 7:12) sim, filha única (Lucas 8:42) não; irmão de Marta e Maria
O que Jesus disse “Jovem, a ti te digo: Levanta-te” “Levanta-te, menina” “Lázaro, sai para fora”
O gesto tocou o esquife pegou-lhe na mão mandou tirar a pedra (João 11:39)
Quem viu as duas multidões Pedro, Tiago, João e os pais (Lucas 8:51) muitos dos judeus que tinham ido a Maria (João 11:45)

A sequência cresce: um rapaz a caminho da sepultura, uma menina que acabara de morrer e um homem sepultado havia quatro dias. A história de Lázaro é a mais longa das três e a que fica mais perto da cruz.

Há um ponto que os três casos têm em comum e que separa todos eles da ressurreição de Cristo. O filho da viúva, a filha de Jairo e Lázaro voltaram ao mesmo corpo mortal e morreram de novo mais tarde. Cristo ressuscitou num corpo que não morre mais, e por isso a Escritura o chama de “o primogênito dentre os mortos” (Colossenses 1:18).4 O que aconteceu em Naim foi um sinal, uma amostra de algo maior que ainda viria.

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3 lições da viúva de Naim

As lições abaixo nascem do que o texto significou para os primeiros leitores de Lucas, e só depois apontam para nós, hoje.

1. Deus vê quem não tem mais a quem pedir

Para um leitor judeu, a viúva sem filho era a imagem do desamparo, e a lei dizia que o próprio Deus cuidava dela (Deuteronômio 10:18). O salmista chama Deus de “Pai de órfãos e juiz de viúvas” (Salmos 68:5).

Em Naim, esse cuidado ganha rosto. Ninguém intercedeu pela viúva, e ela mesma não pediu nada. Foi o Senhor quem a viu. Há pessoas nas nossas igrejas que estão exatamente nesse lugar: não pedem oração, não procuram o pastor, não falam do que perderam. O texto nos lembra que elas não estão fora do olhar de Deus.

2. O milagre de Naim foi um sinal para todos, e não uma promessa a cada enlutado

Este é o ponto em que eu peço mais cuidado a você que prega. Jesus não esvaziou os cemitérios da Galileia. Os evangelhos narram três ressurreições, e as três pessoas morreram de novo. O filho da viúva foi devolvido à mãe como sinal de quem Jesus era, o mesmo sinal que ele apontou a João Batista (Lucas 7:22).

Prometer a uma família enlutada que Deus vai fazer o mesmo é tirar do texto algo que ele não diz. O que o texto garante é outra coisa: que a morte encontrou alguém mais forte do que ela, e que “o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (1 Coríntios 15:26). A nossa esperança diante do túmulo está na ressurreição que Cristo inaugurou e que ainda vai alcançar os seus.

3. Quem foi visitado por Deus aprende a visitar

A multidão disse que Deus tinha visitado o seu povo. Tiago usa o mesmo verbo grego quando define a religião que agrada a Deus: “Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tiago 1:27).

A igreja primitiva levou isso a sério desde o começo, a ponto de organizar o cuidado com as viúvas quando ele começou a falhar (Atos 6:1). Se você lidera um ministério, a lição é concreta: o luto de uma família não termina no dia do enterro, e a visita que mais conta costuma ser a das semanas seguintes.

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Esboço de pregação sobre a viúva de Naim

  • Texto: Lucas 7:11-17
  • Tema: Quando Deus visita o cortejo
  • Ideia central: Em Naim, o Senhor vê a dor de quem não pediu nada, enfrenta a morte com a sua palavra e se revela como a visita de Deus ao seu povo.

Introdução: Apresente as duas multidões que se encontram na porta de Naim (vv. 11-12). Uma segue Jesus; a outra segue um morto. Uma entra na cidade; a outra sai dela. O sermão mostra o que acontece quando essas duas procissões se cruzam.

1. O cortejo da morte (vv. 11-12)

Descreva a perda da viúva: o marido já morto, o filho único no esquife, o sustento e o futuro indo junto. Mostre que Jesus percorreu cerca de 40 quilômetros sem ser chamado. Aplicação: Deus não espera ser convidado para se aproximar de quem sofre.

2. O Senhor que vê (v. 13)

Destaque o título “o Senhor” e o verbo da compaixão que se sente nas entranhas, ligando-o ao samaritano (Lucas 10:33) e ao pai do pródigo (Lucas 15:20). Explique o “não chores” no contexto: é a palavra de quem está prestes a agir, e o mesmo Jesus chorou junto ao túmulo de Lázaro (João 11:35).

3. A palavra que vence a morte (vv. 14-15)

Mostre o toque no esquife à luz de Números 19:11 e a única frase de Jesus, em contraste com as orações de Elias e de Eliseu (1 Reis 17:21; 2 Reis 4:33). Termine no gesto final: ele entregou o filho à mãe.

4. Deus visitou o seu povo (vv. 16-17)

Relacione a reação do povo com Lucas 1:68 e com a resposta a João Batista (Lucas 7:22). O milagre aponta para quem Jesus é, e para a ressurreição maior que ainda viria (1 Coríntios 15:20).

Conclusão: Não prometa ao ouvinte o milagre de Naim. Anuncie o Senhor de Naim. Termine com 1 Tessalonicenses 4:13-14, a esperança de quem chora sabendo que Deus “os tornará a trazer com ele”.

Uma observação para culto fúnebre: este texto é muito usado em velórios, e ele cabe ali, desde que a mensagem não insinue à família que faltou fé para o morto levantar. A força do texto, nessa hora, está nos versículos 13 e 16: o Senhor vê, e Deus visita.

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Reflexões Finais

A viúva de Naim não diz uma palavra em todo o relato. Lucas não registra a fé dela, nem um pedido, nem um agradecimento. Tudo o que sabemos é o que ela perdeu e o que recebeu de volta.

Talvez esteja aí a razão de o episódio falar tanto a quem está de luto. Ele não exige nada de quem chora. Mostra um Senhor que atravessou a Galileia, parou um cortejo e tocou o que ninguém queria tocar.

O filho dela voltou a morrer algum tempo depois, e é honesto dizer isso também a quem está de luto, porque a resposta definitiva à morte não ficou em Naim. Ela veio no túmulo vazio de Jerusalém, e a promessa final é que Deus “limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte” (Apocalipse 21:4).

Até lá, nós, como igreja, choramos com os que choram, e visitamos. E você, sabe quem está hoje, na sua igreja, no lugar daquela viúva? Quem vai bater à porta dela na semana que vem?

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Perguntas Frequentes

Onde está na Bíblia a história da viúva de Naim?

Está em Lucas 7:11-17, e é um episódio exclusivo desse evangelho, sem paralelo em Mateus, Marcos ou João.

No capítulo, ele fica entre a cura do servo do centurião e a pergunta de João Batista, e essa posição ajuda a entender a resposta que Jesus manda ao profeta preso.

Quem era o marido da viúva de Naim?

A Bíblia não informa. O texto diz apenas que a mulher era viúva, sem citar o nome do marido, a causa ou a época da morte dele.

Também não há nome para ela nem para o filho. Toda informação além disso, em pregações ou sites, é suposição.

De que morreu o filho da viúva de Naim?

Lucas não diz. Sabemos que ele era jovem, que era filho único e que o corpo já era levado para o sepultamento, provavelmente no mesmo dia da morte, segundo o costume judaico.

Por que o cemitério ficava fora da cidade de Naim?

A Bíblia não dá uma explicação direta para Naim. A lei de Moisés, porém, declarava imundo por sete dias quem tocasse num cadáver ou numa sepultura (Números 19:16).

Com os túmulos longe das casas, o dia a dia da cidade não ficava exposto a essa impureza, e por isso o cortejo saía pela porta.

O que Lucas 7:11 nos ensina?

O versículo mostra Jesus chegando a Naim no dia seguinte à cura em Cafarnaum, cercado de discípulos e de muita gente. Ninguém o tinha chamado.

É o começo do encontro entre duas multidões, a que acompanhava a vida e a que acompanhava a morte, e prepara a iniciativa de Jesus no versículo 13.

Jesus teve compaixão da viúva de Naim?

Sim. Lucas 7:13 diz que, ao vê-la, o Senhor se moveu de íntima compaixão por ela. Foi essa compaixão, e não um pedido da mãe, que levou Jesus a agir.

O mesmo verbo aparece em Lucas para o samaritano diante do ferido e para o pai diante do filho pródigo.

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Fontes

  1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 253.
  2. BOICE, James Montgomery. Fundamentos da Fé Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 304.
  3. HAYS, J. Daniel. Manual Bíblico Ilustrado Vida. São Paulo: Editora Vida, 2015, livro de Lucas, verbete “A cura do filho de uma viúva (7.11-17)”.
  4. BÍBLIA de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã; Sociedade Bíblica do Brasil, 1999, notas a Lc 7.13, 7.15 e 7.16, p. 1192.
  5. WIERSBE, Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol. I, p. 254.

Também foram consultados o texto grego do Novo Testamento com numeração de Strong (STEPBible, TAGNT), para as palavras de Lucas 7:11-16 e suas ocorrências, e a Septuaginta, para 1 Reis 17:23.

Nota sobre as citações bíblicas: todas as citações deste artigo seguem a versão Almeida Corrigida Fiel (ACF).

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