↑ Este artigo faz parte da coleção Personagens Bíblicos — quem foram e o que ainda ensinam à igreja de hoje.
Ana foi a mulher de Elcana que orou em silêncio no santuário de Siló, prometeu o filho que pedia e se tornou mãe do profeta Samuel (1Sm 1:11 ACF). É a Ana mais citada em pregação — mas não é a única do texto sagrado.
A outra é Ana, filha de Fanuel, viúva e profetisa, que reconheceu o menino Jesus no templo (Lc 2:36-38 ACF). Este artigo separa as duas e organiza o que cada texto diz — inclusive o que ele não diz.
Neste Artigo:
- 1. Quem foi Ana na Bíblia
- 2. As duas Anas: onde cada uma aparece
- 3. A oração de Ana em 1 Samuel 1
- 4. O voto de Ana e o nazireado
- 5. Ana e Penina: o que o texto diz da rivalidade
- 6. “Parte excelente” ou “porção dupla”? o que está no hebraico
- 7. O cântico de Ana e o cântico de Maria
- 8. Quantos filhos Ana teve
- 9. Ana, a profetisa de Lucas 2
- 10. A “oração de Ana para engravidar”: o que o texto não diz
- 11. 6 lições da história de Ana
- 12. Esboço de pregação sobre Ana
- 13. Perguntas frequentes
Quem foi Ana na Bíblia
Ana era uma das duas mulheres de Elcana, morador de Ramataim-Zofim, na montanha de Efraim (1Sm 1:1-2 ACF). O texto a apresenta por uma ausência: “E Penina tinha filhos, porém Ana não os tinha” (1Sm 1:2 ACF).
O nome dela significa graça. Vale registrar o hebraico: Channah, da mesma raiz do verbo que a Almeida traduz por “ser benigno” e “favorecer” — e o texto usa exatamente esse campo de sentido quando Ana pede a Eli: “Ache a tua serva graça aos teus olhos” (1Sm 1:18 ACF).
Elcana subia todo ano a Siló para adorar e sacrificar “ao Senhor dos Exércitos” (1Sm 1:3 ACF).
Este é o primeiro lugar da Bíblia em que esse título aparece — a observação é de Warren Wiersbe1, e ela confere: na Almeida Corrigida Fiel, “Senhor dos Exércitos” ocorre 237 vezes, e nenhuma delas antes de 1 Samuel 1:3. O nome de Deus que abre a história de Ana é o do Deus que comanda exércitos.
As duas Anas: onde cada uma aparece
Confundir uma com a outra é comum, e a separação é simples de fazer porque a conta fecha: o nome “Ana” aparece 13 vezes na Almeida Corrigida Fiel — 12 delas em 1 Samuel, uma em Lucas.
- Ana, mãe de Samuel — 1Sm 1:2, 1:5, 1:7, 1:8, 1:9, 1:13, 1:15, 1:19, 1:20, 1:22 e 2:1, 2:21;
- Ana, a profetisa — Lc 2:36, e só ali.
Fora dessas 13, o que aparece são nomes parecidos e pessoas diferentes: Aná, filho de Zibeão (1Cr 1:40), Anás, o sumo sacerdote (Lc 3:2), e Ananias (At 5:1).
Nenhum tem relação com nenhuma das duas.
Uma curiosidade de tradução que vale registrar: no hebraico de 1 Samuel 1:7 o nome não está escrito — o original diz “quando ela subia”. No texto etiquetado, Channah aparece 11 vezes; a Almeida repõe o nome nesse versículo para deixar claro de quem se fala.
A oração de Ana em 1 Samuel 1
Quem procura “a oração de Ana” costuma estar procurando uma de duas coisas, e são orações diferentes, em capítulos diferentes:
- O pedido — 1 Samuel 1:10-16, feito em Siló, em silêncio, com amargura de alma;
- O louvor — 1 Samuel 2:1-10, feito depois, quando ela já tinha entregado o menino.
O pedido tem três detalhes que o texto guarda com cuidado. O primeiro é o estado dela: “com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (1Sm 1:10 ACF).
O segundo é o modo: “Ana no seu coração falava; só se moviam os seus lábios, porém não se ouvia a sua voz” (1Sm 1:13 ACF).
O terceiro é o mal-entendido: “pelo que Eli a teve por embriagada”, e o sacerdote a repreende — “Até quando estarás tu embriagada?” (1Sm 1:13-14 ACF).
A resposta de Ana é o momento mais firme do capítulo, e ela não se defende com indignação: “eu sou uma mulher atribulada de espírito; nem vinho nem bebida forte tenho bebido; porém tenho derramado a minha alma perante o SENHOR” (1Sm 1:15 ACF).
E o desfecho vem em duas frases curtas. Eli abençoa (1Sm 1:17). Repare no que vem em seguida: “comeu, e o seu semblante já não era triste” (1Sm 1:18 ACF).
Repare na ordem, porque ela é contraintuitiva: o semblante muda antes de haver qualquer notícia de filho. A concepção só é registrada depois da volta para Ramá (1Sm 1:19-20 ACF).
O voto de Ana e o nazireado
O pedido de Ana vem com um voto, e o voto tem uma cláusula específica: “ao Senhor o darei todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha” (1Sm 1:11 ACF).
Essa segunda parte não é invenção dela. Vale conferir: é citação de lei. A ordenança do nazireado, em Números 6, diz: “Todos os dias do voto do seu nazireado sobre a sua cabeça não passará navalha” (Nm 6:5 ACF).
Ou seja: Ana não inventou uma promessa própria — ela aplicou ao filho um voto que a Lei já previa, e que Números 6:2 abre explicitamente a homem e mulher.
O que o texto não diz: a palavra “nazireu” não aparece em 1 Samuel 1, e o capítulo não menciona as outras duas cláusulas do nazireado — a abstinência de vinho e o não se aproximar de morto (Nm 6:3, 6:6 ACF). O que Ana repete é a cláusula da navalha.
Ana e Penina: o que o texto diz da rivalidade
Penina aparece pouco e o pouco é duro.
O texto registra três fatos e nenhum diálogo dela:
- Ela tinha filhos, e Ana não (1Sm 1:2);
- Ela provocava — “a sua rival excessivamente a provocava, para a irritar” (1Sm 1:6 ACF);
- A provocação era anual e ligada ao culto — “Sempre que Ana subia à casa do Senhor, a outra a irritava; por isso chorava, e não comia” (1Sm 1:7 ACF).
O detalhe que muda a leitura da cena é esse: a irritação acontecia na viagem de adoração. Não era o convívio de casa, era a subida a Siló — o momento em que Ana mais precisaria estar em paz.
E há um dado que só o silêncio entrega. Repare: Ana não responde a Penina em nenhum versículo. A única fala longa dela no capítulo é dirigida a Deus (1Sm 1:11) e ao sacerdote (1Sm 1:15-16).
O texto também não faz de Penina um monstro nem explica o motivo dela; e não diz que a esterilidade de Ana era castigo. Duas vezes ele atribui o fechamento da madre ao Senhor (1Sm 1:5-6 ACF), sem dar razão. Quem preenche essa lacuna está pregando inferência, não texto.
“Parte excelente” ou “porção dupla”? o que está no hebraico
Aqui as traduções brasileiras se dividem. Vale saber por quê antes de pregar sobre o gesto de Elcana — o versículo é 1 Samuel 1:5:
| ACF | “dava uma parte excelente” |
| ARC | “dava uma parte excelente” |
| BKJ 1611 | “dava uma porção digna” |
| NVT | “dava uma porção especial” |
| ARA | “dava porção dupla” |
| NAA | “dava uma porção dobrada” |
| NVI | “dava uma porção dupla” |
Citações conforme cada versão indicada. E a razão da divisão está numa palavra: o hebraico traz manah achat appayim — literalmente “uma porção” seguida de appayim, termo que o texto etiquetado glosa como “double” e que, em outros usos, tem o sentido de “duas faces”.
Quem lê appayim como quantidade escreve “porção dupla”; quem o lê como qualidade escreve “parte excelente”. A cena é a mesma, o afeto de Elcana é o mesmo, e o argumento de um sermão não deveria depender de qual das duas se escolheu.
O cântico de Ana e o cântico de Maria
O capítulo 2 abre com Ana orando de novo, e o tom é outro: “O meu coração exulta ao SENHOR”, e o versículo fecha em “porquanto me alegro na tua salvação” (1Sm 2:1 ACF).
Quem conhece o cântico de Maria, em Lucas 1, reconhece o parentesco na primeira linha. Porém o parentesco vai muito além dela:
| Ana (1 Samuel 2) | Maria (Lucas 1) | |
| abertura | “O meu coração exulta ao SENHOR” (2:1) | “A minha alma engrandece ao Senhor” (1:46) |
| alegria | “me alegro na tua salvação” (2:1) | “o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (1:47) |
| a serva | “a aflição da tua serva” (1:11) | “atentou na baixeza de sua serva” (1:48) |
| santidade | “Não há santo como o Senhor” (2:2) | “santo é seu nome” (1:49) |
| os soberbos | “nem saiam coisas arrogantes da vossa boca” (2:3) | “Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações” (1:51) |
| a inversão | “O arco dos fortes foi quebrado, e os que tropeçavam foram cingidos de força” (2:4) | “Depôs dos tronos os poderosos, E elevou os humildes” (1:52) |
| fome e fartura | “Os fartos se alugaram por pão, e cessaram os famintos” (2:5) | “Encheu de bens os famintos, E despediu vazios os ricos” (1:53) |
| o pobre | “Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado” (2:8) | “elevou os humildes” (1:52) |
Citações conforme a Almeida Corrigida Fiel.
O que as duas mulheres fazem é a mesma coisa, e é maior do que a história pessoal delas: nenhuma das duas canta sobre o próprio filho. Ana tem um bebê nos braços e canta sobre Deus quebrar arcos e levantar pobres do pó; Maria também. A notícia particular virou tema nacional.
O texto não afirma que Maria citou Ana. A semelhança é evidente e antiga, mas Lucas não faz a remissão — dizer “Maria se inspirou no cântico de Ana” é leitura, não dado.
Quantos filhos Ana teve
A conta do texto dá seis:
- Samuel, o primeiro (1Sm 1:20);
- mais três filhos e duas filhas — “Visitou, pois, o Senhor a Ana, que concebeu, e deu à luz três filhos e duas filhas” (1Sm 2:21 ACF).
E aí aparece a pergunta que costuma travar quem prepara a mensagem. Afinal, o cântico dela diz “até a estéril deu à luz sete filhos” (1Sm 2:5 ACF). Seis ou sete?
As duas frases não estão falando da mesma coisa. 1 Samuel 2:21 é narrativa e faz a conta da família de Ana; 1 Samuel 2:5 está dentro do cântico e fala da estéril em geral, na mesma série em que os fartos passam fome e o arco dos fortes se quebra. É a linguagem de reversão que atravessa o poema todo — sete é o número da plenitude, não um censo.
Por isso, no púlpito, não convém dizer “Ana teve sete filhos”.
O único versículo que conta os filhos dela conta seis.
Ana, a profetisa de Lucas 2
A segunda Ana aparece em três versículos e cada um traz um dado:
- Origem — “a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser” (Lc 2:36 ACF);
- História — “tinha vivido com o marido sete anos, desde a sua virgindade” (Lc 2:36 ACF);
- Rotina — “não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia” (Lc 2:37 ACF).
E o que ela faz quando vê o menino é uma frase só: “ela dava graças a Deus, e falava dele a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém” (Lc 2:38 ACF).
Ana é chamada de profetisa e a única profecia dela que o texto registra é essa: falar de Jesus a quem esperava. Afinal, Lucas não guarda nenhuma frase dela em discurso direto.
Sobre os 84 anos, as traduções se dividem de novo — e a diferença muda a idade dela:
- ACF, ARC e BKJ — “era viúva, de quase oitenta e quatro anos”;
- ARA e NAA — “viúva de oitenta e quatro anos”.
Dá para ler as duas como “tinha 84 anos de idade” ou como “estava viúva havia 84 anos” — e, nesta segunda leitura, ela passaria dos cem.
O texto não resolve, e é honesto dizer isso em vez de escolher o número que soa melhor. O que ele afirma sem ambiguidade são os sete anos de casamento e a permanência no templo.
A “oração de Ana para engravidar”: o que o texto não diz
Circula na internet uma “oração de Ana para engravidar em 21 dias”, com dias contados e palavras a repetir. Basta confrontar isso com o capítulo para ver o tamanho da diferença.
1 Samuel 1 não registra prazo, número de repetições nem fórmula. O que ele registra é o contrário disso em três pontos:
- A oração não tinha texto fixo — era feita em silêncio, com os lábios se movendo (1Sm 1:13);
- Não houve resposta imediata — Ana voltou para casa em Ramá e a concepção vem depois (1Sm 1:19-20);
- Ana devolveu o que pediu — o voto era entregar o filho ao Senhor “todos os dias da sua vida” (1Sm 1:11), e ela cumpriu (1Sm 1:28).
A história de Ana é sobre um pedido sincero e um voto cumprido, não sobre uma técnica que funciona.
Quem transforma o capítulo em receita de 21 dias inverte o que ele mostra: Ana não conseguiu o filho por ter achado a fórmula certa — ela orou sem fórmula nenhuma, e o texto diz simplesmente que “o Senhor se lembrou dela” (1Sm 1:19 ACF).
6 lições da história de Ana
As lições abaixo saem do lugar que estes dois capítulos ocupam dentro do livro.
O sacerdócio de Israel apodrecia em Siló, e é do útero fechado de uma mulher de Ramataim que Deus começa a levantar o profeta que faria a virada.
- O texto diz quem cerrou a madre e se recusa a dizer por quê (1Sm 1:5-6) — duas vezes o narrador atribui ao Senhor a esterilidade de Ana, e nenhuma vez apresenta um motivo. No mundo em que ela vivia, não ter filhos passava por sinal de castigo divino, e a esterilidade rebaixava a posição da mulher dentro da própria família — quando não lhe custava o casamento2. O narrador dá o dado que sustentaria a acusação e não faz a acusação.
Quem hoje explica a aflição alheia com uma causa que Deus não revelou está preenchendo a lacuna que o texto deixou aberta de propósito;
-
Ela orou sem as palavras que a religião do seu tempo exigia (1Sm 1:13) — e essa é a parte da cena que o leitor de hoje passa direto.
No antigo Oriente Próximo, orar era em boa medida recitar: as preces seguiam fórmula, muitas nasciam de encantamentos, e a oração espontânea deixou pouquíssimo registro — a de Ana é a única oração silenciosa que o Antigo Testamento descreve por dentro3.
Ela estava num santuário, a poucos metros do sumo sacerdote, e não usou nada disso: mexeu os lábios e não saiu som.
O mercado religioso que vende palavras exatas e prazos contados não é invenção da nossa época — é o que Ana atravessou sem comprar;
- O que ela prometeu pagar foi o próprio pedido (1Sm 1:11; 1:28). A Lei abria uma saída: o primogênito consagrado ao Senhor podia ser remido, com os levitas tomando o lugar dele (Nm 3:12-13).
O voto de Ana fechou essa saída4. Ela pediu um filho e pagou com o filho — e é isso que separa o capítulo de uma barganha bem-sucedida, porque o preço do voto era exatamente aquilo que ela tinha ido buscar;
-
Ela deixou o menino na casa que o próprio livro está prestes a condenar (1Sm 1:24-28; 2:12-17).
Repare no vocabulário.
Quando Eli a acusa, Ana pede que ele não a tenha “por filha de Belial” (1Sm 1:16 ACF); um capítulo depois, o narrador usa a mesma palavra hebraica para apresentar os “filhos de Belial” — os dois filhos do sacerdote, que arrancavam com garfo a carne do sacrifício antes de a gordura ser queimada ao Senhor (1Sm 2:12-17 ACF). São as duas primeiras ocorrências do termo no livro, e o texto as coloca em lados opostos. Foi ali, sob aqueles homens, que Ana deixou uma criança recém-desmamada5.
O voto tinha sido feito ao Senhor dos Exércitos, e não à casa de Eli.
Quem serve hoje numa igreja cuja liderança falhou vive dessa distinção;
- A última palavra do cântico é “ungido”, e Israel não tinha rei nenhum (1Sm 2:10). Juízes fecha registrando exatamente isso — “não havia rei em Israel” (Jz 21:25 ACF) — e o pedido do povo por um rei só aparece seis capítulos depois do cântico (1Sm 8:5). Ana está com um bebê nos braços e termina louvando pelo rei que Deus ainda daria à nação. O que ela recebeu foi um filho; o que ela cantou de volta foi o rei da nação inteira.
Vale conferir onde termina a nossa lista de oração;
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A reforma que o livro conta começa numa casa particular, não no santuário (1Sm 1:1-2; 3:1) — e esse é o quadro que dá sentido a tudo o que veio antes.
Em Siló, os filhos do sacerdote faziam com que os homens desprezassem “a oferta do Senhor” (1Sm 2:17 ACF); em Israel, “a palavra do SENHOR era de muita valia naqueles dias; não havia visão manifesta” (1Sm 3:1 ACF).
O anúncio de que Deus suscitaria para si “um sacerdote fiel” (1Sm 2:35 ACF) só vem no fim do capítulo 2 — mas o livro já havia mostrado onde essa obra tinha começado: dois capítulos antes, numa casa de Ramataim, no choro de uma mulher que ninguém em Siló levou a sério. É o que convém lembrar quando parecer que a igreja depende de quem está no púlpito.
Esboço de pregação sobre Ana
Um roteiro em três pontos a partir de 1 Samuel 1, seguindo a ordem do próprio capítulo. Serve para mensagem, célula ou EBD.
Tema: a oração que ninguém ouviu. Texto: 1 Samuel 1:1-28 (versículo-chave: 1:19).
- A ferida que voltava todo ano (1Sm 1:1-8) — a casa dividida, a rival, a viagem de adoração que virava data marcada de tristeza. Aplicação: há dores que não se resolvem com o tempo, e o texto não finge o contrário;
- A oração sem voz e o voto com preço (1Sm 1:9-18) — a amargura, os lábios se movendo, a acusação de Eli, a resposta serena e o voto da navalha (Nm 6:5).
Aplicação: quem entrega o pedido a Deus já sai diferente da mesa;
- O Senhor se lembrou dela (1Sm 1:19-28) — a volta para Ramá, o nascimento, o desmame e o menino deixado em Siló. Aplicação: a resposta de Deus não encerrou a obediência de Ana — começou a parte caríssima dela.
Conclusão sugerida: ler 1 Samuel 2:1-2 em voz alta e mostrar o que Ana faz com a resposta.
Ou seja: ela não canta sobre o filho, canta sobre Deus.
Alternativa para culto de mulheres ou missões: pregar em 1 Samuel 2:1-10 e fechar no cântico de Maria (Lc 1:46-55), usando o comparativo da seção 7. Dois cânticos, duas mulheres, mesmo Deus que inverte a ordem das coisas.
Perguntas frequentes
Quem foi Ana na Bíblia?
Há duas. A mais conhecida é Ana, mulher de Elcana e mãe do profeta Samuel, cuja história está em 1 Samuel 1 e 2. A outra é Ana, filha de Fanuel, profetisa e viúva que reconheceu o menino Jesus no templo (Lc 2:36-38 ACF).
Onde está a oração de Ana na Bíblia?
Em dois lugares, e são orações diferentes. O pedido silencioso, feito em Siló, está em 1 Samuel 1:10-16. O cântico de louvor, feito depois que Samuel foi entregue, está em 1 Samuel 2:1-10.
Quantos filhos Ana teve?
Seis, segundo o texto: Samuel (1Sm 1:20) e mais três filhos e duas filhas (1Sm 2:21). O “sete filhos” de 1 Samuel 2:5 está dentro do cântico dela e fala da estéril em geral — não faz a conta da família.
O que significa o nome Ana?
Graça, ou favor. O hebraico é Channah, da mesma raiz do verbo traduzido por “ser benigno” e “favorecer”.
Quantos anos tinha Ana, a profetisa de Lucas 2?
A frase é ambígua e as traduções se dividem. A ACF diz “era viúva, de quase oitenta e quatro anos”; a ARA e a NAA dizem “viúva de oitenta e quatro anos”. Dá para ler como a idade dela ou como o tempo de viuvez, e o texto não resolve.
Elcana era levita se morava em Efraim?
As duas coisas estão no texto. 1 Samuel 1:1 diz de onde ele era — Ramataim-Zofim, na montanha de Efraim; 1 Crônicas 6:33-38 registra a genealogia dele na linha de Coate, filho de Levi6. Uma informação é geográfica, a outra é tribal.
Existe uma oração de Ana para engravidar em 21 dias?
Não na Bíblia. 1 Samuel 1 não registra número de dias, repetição prescrita nem fórmula a ser copiada. O que o capítulo registra é um pedido feito em silêncio, com um voto — e a resposta vem depois de Ana voltar para casa (1Sm 1:19-20 ACF).
Fontes
Texto bíblico: Almeida Corrigida Fiel (ACF), com as demais versões identificadas quando citadas. Palavras hebraicas e contagem de ocorrências no texto etiquetado: STEPBible (CC BY 4.0).
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 200.
- WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Trad. Noemi Valéria Altoé. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 290.
- WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Trad. Noemi Valéria Altoé. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 292.
- WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Trad. Noemi Valéria Altoé. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003, p. 293.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 204.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento, vol. II — Histórico. Trad. Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006, p. 201.