Você já parou para pensar no que realmente significa ungir algo ou alguém com óleo?
No contexto protestante, especialmente nas denominações pentecostais e neopentecostais, essa prática ganhou um destaque impressionante.
Hoje, vemos o azeite de oliva sendo usado para ungir casas, carros, pessoas, ministros, locais, cidades, roupas, enfermos, animais – e basicamente tudo o que pode ser considerado abençoado e protegido por Deus.
Mas aqui está a questão que não podemos ignorar: o que a Bíblia Sagrada realmente afirma sobre o uso do azeite de oliva?
Em que situações o Antigo e o Novo Testamento apontam a unção com óleo?
Para não corrermos o risco de sair por aí ungindo tudo e todos sem fundamento, é essencial conhecermos o que as Escrituras ensinam sobre esse assunto.
Precisamos deixar de lado o misticismo exagerado em torno do azeite da unção, pois, para muitos, parece que esse azeite é mais eficaz do que a autoridade no nome de Jesus.
O Azeite
Na antiguidade, o azeite era produzido de diversas maneiras: extraído de animais como peixes e, principalmente, das oliveiras.
No caso das oliveiras, o processo era simples: as azeitonas eram prensadas com as mãos, com os pés ou esmagadas em um moinho.
Quem prensasse as azeitonas deveria ter o cuidado de não esmagar o caroço junto, pois isso deixaria o óleo com um sabor amargo. Imagina só: uma única oliveira poderia produzir cerca de 60 litros de óleo por ano!
O azeite de oliva era utilizado principalmente como alimento, sendo misturado com a farinha de trigo para a fabricação de pães e bolos.
Também servia como cosmético para ungir os cabelos e o rosto. Os mortos eram ungidos com azeite nos ritos fúnebres como preparo para o sepultamento.
Os doentes esfregavam o azeite no corpo e sobre os ferimentos, pois acreditavam em suas propriedades terapêuticas. Além disso, o azeite era usado como combustível para lâmpadas, candelabros e candeeiros.
Sendo assim, os principais usos do azeite de oliva eram: alimento, cosmético, sobre os mortos, sobre os enfermos, combustível e religioso. Além da unção física, a Bíblia Sagrada também aponta o óleo como um dos símbolos do Espírito Santo.
Não que alguém precise ser ungido com azeite para receber o Espírito Santo, mas quando Ele vem sobre alguém, é de forma semelhante ao óleo derramado sobre os sacerdotes, reis e profetas no Antigo Testamento.
O Uso do Azeite no Antigo Testamento
No Antigo Testamento, o azeite de oliva era usado como alimento, cosmético, sobre os enfermos, como combustível para as lâmpadas e, principalmente, para fins religiosos.
No uso religioso, encontramos a primeira menção quando “Jacó levantou uma coluna de pedra no lugar onde Deus lhe falara” (Gn 35.14 NVI). Jacó fez uso do azeite juntamente com as ofertas dedicadas ao Senhor sobre o altar que havia construído.
Mais tarde, durante a peregrinação no deserto, Deus instruiu Moisés quanto ao local, aos utensílios e às pessoas envolvidas no culto.
Nesse contexto, o azeite deveria ser usado na iluminação do tabernáculo (Êx 25.6), no candelabro (Êx 27.20,21), na consagração dos sacerdotes (Êx 29.7) e na consagração dos utensílios do tabernáculo.
Na consagração dos sacerdotes e dos utensílios, eram utilizados outros elementos junto com o Azeite de Oliva: Mirra Líquida, Canela, Cana Aromática e Cássia (Êx 30.22-24).
Essa mistura era chamada de Óleo da Unção ou santo óleo (Nm 35.25 NVI). Dessa forma, o óleo da unção consistia em: Azeite de Oliva, Mirra Líquida, Canela, Cana Aromática e Cássia.
Além dos sacerdotes, o Antigo Testamento nos informa que os reis eram ungidos com óleo, como no caso de Saul (1Sm 10.1) e Davi (1Sm 16.13). Os profetas também recebiam essa unção, como Eliseu, que foi ungido por Elias (1Rs 19.16).
Algumas traduções ainda afirmam que os escudos dos guerreiros eram ungidos com azeite (1Sm 1.21). Resumindo: Além do tabernáculo e seus utensílios, profetas, reis e sacerdotes eram ungidos com o azeite.
O Uso do Azeite no Novo Testamento
O Novo Testamento nos conta que os doze discípulos, quando foram enviados por Jesus para anunciar o Reino de Deus, “saíram e pregaram ao povo que se arrependesse. Expulsavam muitos demônios e ungiam muitos doentes com óleo, e os curavam” (Mc 6.12,13 NVI).
Na Parábola do Bom Samaritano, Jesus afirma que o samaritano aplicou “vinho e óleo” (Lc 10.34 NVI)
sobre os ferimentos do homem que foi atacado pelos salteadores.
A unção com óleo ainda é mencionada na Epístola de Tiago:
“Entre vocês há alguém que esteja doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor. A oração da fé curará o doente; o Senhor o levantará. E se houver cometido pecados, ele será perdoado”
(Tg 5.14,15 NVI)
Aqui está o ponto central: nesse texto de Tiago, o contexto é a oração. Não é o óleo que cura o doente, mas “a oração feita com fé”. Além disso, o texto ainda afirma “em nome do Senhor”, deixando claro
que a oração da fé em nome do Senhor Jesus Cristo é o elemento central da cura.
Muitos estudiosos da Bíblia afirmam que, tanto no texto de Marcos quanto nesse texto de Tiago, a cura se dá pela fé e pela autoridade do nome de Jesus. O uso do óleo seria apenas medicinal, como utilizado no Antigo Testamento e no caso do Bom Samaritano.
Acrescentam ainda que as instruções de Jesus não apontam a unção com óleo sobre os enfermos, mas que seus seguidores deveriam usar da autoridade do seu nome – ou seja, curar em nome de Jesus.
Nesse contexto, não há informação no Novo Testamento de que alguém recebeu unção com óleo para ser separado a algum serviço no Reino de Deus – seja como pastor, presbítero, apóstolo ou diácono.
O que encontramos é apenas a imposição das mãos, como no caso dos diáconos em Atos dos Apóstolos (At 6.1-5), de Paulo e Barnabé (At 13.1-3) e de Timóteo (1Tm 4.14; 2Tm 1.6).
Utiliza-se a unção com óleo na separação de ministros com base no Antigo Testamento, da mesma forma que reis, profetas e sacerdotes eram ungidos. Mas no Novo Testamento não encontramos referências bíblicas que reafirmem essa prática na separação de ministros.
Conclusão
A prática da unção com óleo no Novo Testamento, embora presente em alguns relatos, parece estar mais associada a usos medicinais e culturais da época do que a uma prática ritual com poder curativo em si mesma.
A ênfase bíblica recai sobre a fé e a autoridade de Jesus Cristo como fonte de cura e libertação. A oração, feita com fé em nome de Jesus, é o elemento central na experiência de cura divina.
O uso do óleo, quando mencionado, pode ser visto como um símbolo ou um meio de ministrar cuidado aos enfermos, mas não como um requisito para a cura.
E mesmo que se faça uso da unção com óleo sobre os enfermos e na separação de ministros ao serviço do Reino de Deus, essa unção é secundária à oração da fé, à imposição das mãos e, principalmente, à autoridade no nome de Jesus.
E você?
O que pensa sobre o uso do azeite e a unção com óleo na igreja de hoje?
O que o Tabernáculo de Moisés revela sobre a sua caminhada com Deus?
Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irmão Moisés Brasil. Você pode acompanhar o seu trabalho excepcional através do YouTube e Instagram.
Fique na paz!
