{"id":15217,"date":"2026-10-30T08:00:00","date_gmt":"2026-10-30T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/?p=15217"},"modified":"2026-10-30T08:00:00","modified_gmt":"2026-10-30T11:00:00","slug":"viuva-de-naim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/viuva-de-naim\/","title":{"rendered":"Vi\u00fava de Naim: Quem Foi, o Filho que Jesus Ressuscitou e as Li\u00e7\u00f5es de Lucas 7:11-17"},"content":{"rendered":"<p>A <strong>vi\u00fava de Naim<\/strong> \u00e9 a mulher, de nome desconhecido, cujo filho \u00fanico Jesus trouxe de volta \u00e0 vida na porta da cidade, quando o corpo j\u00e1 seguia para o sepultamento. O epis\u00f3dio est\u00e1 em Lucas 7:11-17, e s\u00f3 Lucas o registra.<\/p>\n<p>\u00c9 um texto curto, de sete vers\u00edculos, mas que possui uma densidade rara. Nele aparecem a primeira ressurrei\u00e7\u00e3o narrada no evangelho de Lucas, o eco direto de um milagre de Elias e a resposta que Jesus daria, poucos vers\u00edculos depois, \u00e0 d\u00favida de Jo\u00e3o Batista. Se voc\u00ea prega ou ensina, ele ainda toca num ponto sens\u00edvel de qualquer igreja: o luto.<\/p>\n<p>Hoje, vamos ler o texto de Lucas 7:11-17, entender onde ficava Naim e como era aquele cortejo, ver por que Jesus tocou no esquife e o que a multid\u00e3o quis dizer com &#8220;Deus visitou o seu povo&#8221;. No fim, h\u00e1 tr\u00eas li\u00e7\u00f5es tiradas do pr\u00f3prio texto e um esbo\u00e7o de prega\u00e7\u00e3o sobre a vi\u00fava de Naim.<\/p>\n<nav id=\"sumario-artigo\" aria-labelledby=\"titulo-sumario\" style=\"border: 1px solid #eee; padding: 15px 20px; margin-bottom: 25px; background-color: #f9f9f9;\">\n<h2 id=\"titulo-sumario\" style=\"margin-top: 0; margin-bottom: 15px; font-size: 1.3em;\">Neste Artigo:<\/h2>\n<ul>\n<li><a href=\"#onde-esta\">Onde est\u00e1 na B\u00edblia a hist\u00f3ria da vi\u00fava de Naim<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#naim\">Onde ficava Naim<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#cortejo\">O cortejo na porta da cidade<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#quem-era\">Quem era a vi\u00fava de Naim<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#nao-chores\">&#8220;N\u00e3o chores&#8221;: a compaix\u00e3o que veio antes do pedido<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#esquife\">Por que Jesus tocou no esquife<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#levanta-te\">&#8220;Jovem, a ti te digo: Levanta-te&#8221;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#deus-visitou\">&#8220;Deus visitou o seu povo&#8221; e a pergunta de Jo\u00e3o Batista<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#tres-ressurreicoes\">Tr\u00eas ressurrei\u00e7\u00f5es antes da cruz<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#licoes\">3 li\u00e7\u00f5es da vi\u00fava de Naim<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#esboco\">Esbo\u00e7o de prega\u00e7\u00e3o sobre a vi\u00fava de Naim<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#reflexoes\">Reflex\u00f5es Finais<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#faq\">Perguntas Frequentes<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/nav>\n<h2 id=\"onde-esta\">Onde est\u00e1 na B\u00edblia a hist\u00f3ria da vi\u00fava de Naim<\/h2>\n<p>O relato ocupa os vers\u00edculos 11 a 17 do cap\u00edtulo 7 de Lucas, e nenhum outro evangelista o conta. O epis\u00f3dio vem logo depois da cura do servo do centuri\u00e3o, em Cafarnaum (Lucas 7:1-10), e logo antes da pergunta que Jo\u00e3o Batista manda fazer a Jesus da pris\u00e3o (Lucas 7:18-23).<\/p>\n<p>Este \u00e9 o texto inteiro:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&#8220;E aconteceu que, no dia seguinte, ele foi \u00e0 cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus disc\u00edpulos, e uma grande multid\u00e3o. E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho \u00fanico de sua m\u00e3e, que era vi\u00fava; e com ela ia uma grande multid\u00e3o da cidade.&#8221;<\/em> (Lucas 7:11-12)<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p><em>&#8220;E, vendo-a, o Senhor moveu-se de \u00edntima compaix\u00e3o por ela, e disse-lhe: N\u00e3o chores. E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o que fora defunto assentou-se, e come\u00e7ou a falar. E entregou-o \u00e0 sua m\u00e3e.&#8221;<\/em> (Lucas 7:13-15)<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p><em>&#8220;E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre n\u00f3s, e Deus visitou o seu povo. E correu dele esta fama por toda a Jud\u00e9ia e por toda a terra circunvizinha.&#8221;<\/em> (Lucas 7:16-17)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A ordem dos epis\u00f3dios n\u00e3o \u00e9 casual. No cap\u00edtulo 7, Lucas re\u00fane pessoas que chegam a Jesus em situa\u00e7\u00f5es muito diferentes: um oficial romano com um servo \u00e0 beira da morte, uma vi\u00fava que enterra o filho, um profeta que duvida na pris\u00e3o e uma mulher pecadora que chora aos p\u00e9s dele. Cada uma recebe algo de Jesus, mas a vi\u00fava \u00e9 a \u00fanica que n\u00e3o faz movimento algum: n\u00e3o pede, n\u00e3o pergunta, n\u00e3o se aproxima.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"naim\">Onde ficava Naim<\/h2>\n<p>Naim era uma pequena cidade da Galileia, e Lucas 7:11 \u00e9 a \u00fanica vez que o nome aparece em toda a B\u00edblia. Os dicion\u00e1rios de grego b\u00edblico ligam o nome a uma raiz hebraica que significa ser agrad\u00e1vel, ser formoso.<\/p>\n<p>O texto n\u00e3o informa a dist\u00e2ncia percorrida, mas diz que Jesus estava em Cafarnaum no dia anterior (Lucas 7:1). Entre uma cidade e outra havia cerca de 40 quil\u00f4metros, ent\u00e3o pelo menos um dia inteiro de caminhada.<sup>1<\/sup> Jesus fez esse trajeto com os disc\u00edpulos e com uma multid\u00e3o, sem que ningu\u00e9m de Naim tivesse mandado cham\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Esse detalhe pesa na nossa leitura do epis\u00f3dio. Repare: em Cafarnaum, os anci\u00e3os dos judeus foram at\u00e9 Jesus pedir pelo servo do centuri\u00e3o (Lucas 7:3). Em Naim, ningu\u00e9m foi. Foi ele quem chegou.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"cortejo\">O cortejo na porta da cidade<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/viuva-de-naim-cortejo-na-porta-da-cidade.jpg\" alt=\"Pintura da vi\u00fava de manto escuro caminhando \u00e0 frente do esquife carregado por quatro homens, saindo pela porta da cidade de Naim\" width=\"1200\" height=\"675\" class=\"wp-image-15219\" srcset=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/viuva-de-naim-cortejo-na-porta-da-cidade.jpg 1200w, https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/viuva-de-naim-cortejo-na-porta-da-cidade-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/viuva-de-naim-cortejo-na-porta-da-cidade-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/viuva-de-naim-cortejo-na-porta-da-cidade-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/figure>\n<p>Lucas monta a cena com duas multid\u00f5es. Uma vinha de fora, acompanhando Jesus; a outra sa\u00eda de dentro da cidade, acompanhando a m\u00e3e e o corpo. As duas se encontram na porta.<\/p>\n<p>A pressa do cortejo tamb\u00e9m tem explica\u00e7\u00e3o. Os judeus sepultavam os mortos no mesmo dia da morte, pr\u00e1tica que aparece na pr\u00f3pria lei (Deuteron\u00f4mio 21:23) e em Atos, quando Ananias e Safira s\u00e3o enterrados logo depois de morrer (Atos 5:6, 10). \u00c9 prov\u00e1vel que o rapaz tivesse morrido naquele mesmo dia.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>O corpo ia num esquife. A palavra grega de Lucas 7:14 aparece s\u00f3 aqui no Novo Testamento e n\u00e3o descreve um caix\u00e3o fechado, mas uma padiola aberta, carregada por homens. O pr\u00f3prio relato confirma: o jovem se senta, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel para quem estava deitado sem tampa sobre si, e come\u00e7a a falar, sinal de que o rosto estava descoberto.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>E por que o sepultamento ficava fora da cidade? O texto n\u00e3o explica, mas a lei de Mois\u00e9s ajuda a entender. Quem tocasse um morto ou uma sepultura ficava imundo por sete dias (N\u00fameros 19:16). Portanto, manter os t\u00famulos longe das casas evitava que a vida inteira da cidade convivesse com essa impureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"quem-era\">Quem era a vi\u00fava de Naim<\/h2>\n<p>A B\u00edblia n\u00e3o registra o nome dela, nem o do filho, nem o do marido. Do marido, o texto s\u00f3 permite saber que tinha morrido, j\u00e1 que ela &#8220;era vi\u00fava&#8221; (Lucas 7:12). Quando, como e de qu\u00ea, Lucas n\u00e3o diz, e a causa da morte do filho tamb\u00e9m fica sem registro.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o que Lucas diz \u00e9 suficiente para medir a perda: o morto era <em>&#8220;filho \u00fanico de sua m\u00e3e&#8221;<\/em> (Lucas 7:12), e ele era um jovem, j\u00e1 que Jesus o chama assim no vers\u00edculo 14. A mulher tinha enterrado o marido e agora enterrava o \u00fanico filho.<\/p>\n<p>Naquela sociedade, isso n\u00e3o era s\u00f3 dor. Era tamb\u00e9m desamparo. Sem marido e sem filho, aquela mulher ficava sem fam\u00edlia pr\u00f3xima e sem meios de se manter.<sup>3<\/sup> A lei j\u00e1 tratava a vi\u00fava como algu\u00e9m sob o cuidado direto de Deus:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&#8220;Que faz justi\u00e7a ao \u00f3rf\u00e3o e \u00e0 vi\u00fava, e ama o estrangeiro, dando-lhe p\u00e3o e roupa.&#8221;<\/em> (Deuteron\u00f4mio 10:18)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>H\u00e1 ainda um tra\u00e7o de Lucas que vale notar. No texto grego, a palavra <em>vi\u00fava<\/em> aparece nove vezes no evangelho dele, mais do que em Mateus e Marcos somados: Ana no templo (Lucas 2:37), a vi\u00fava de Sarepta (Lucas 4:26), a de Naim, a vi\u00fava insistente diante do juiz (Lucas 18:3) e a que deu duas moedas (Lucas 21:2). Lucas olha para essas mulheres com aten\u00e7\u00e3o constante.<\/p>\n<p>O termo traduzido por &#8220;filho \u00fanico&#8221; tamb\u00e9m se repete de modo curioso. Lucas o usa tr\u00eas vezes: para o filho da vi\u00fava (Lucas 7:12), para a filha de Jairo (Lucas 8:42) e para o menino endemoninhado cujo pai implora a Jesus (Lucas 9:38). Nos tr\u00eas casos, Jesus devolve aos pais um filho que era tudo o que eles tinham, e no \u00faltimo Lucas repete o gesto de Naim: Jesus curou o menino <em>&#8220;e o entregou a seu pai&#8221;<\/em> (Lucas 9:42).<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"nao-chores\">&#8220;N\u00e3o chores&#8221;: a compaix\u00e3o que veio antes do pedido<\/h2>\n<p>O vers\u00edculo 13 possui dois detalhes que merecem a nossa aten\u00e7\u00e3o. O primeiro \u00e9 o sujeito. Lucas escreve <em>&#8220;o Senhor moveu-se de \u00edntima compaix\u00e3o por ela&#8221;<\/em> (Lucas 7:13), e \u00e9 a primeira vez no evangelho que o pr\u00f3prio narrador chama Jesus de &#8220;o Senhor&#8221;. Antes disso, o t\u00edtulo aparece na boca de anjos, de personagens e do pr\u00f3prio Jesus, mas nunca na voz de quem conta a hist\u00f3ria. Lucas escolhe introduzi-lo diante de um enterro.<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 o verbo. A express\u00e3o &#8220;moveu-se de \u00edntima compaix\u00e3o&#8221; traduz uma palavra grega ligada \u00e0s entranhas, a compaix\u00e3o que se sente no corpo. Lucas a usa s\u00f3 tr\u00eas vezes: aqui, no bom samaritano que v\u00ea o homem ca\u00eddo (Lucas 10:33) e no pai que v\u00ea o filho pr\u00f3digo voltando (Lucas 15:20). Nas tr\u00eas, a compaix\u00e3o nasce de <em>ver<\/em>, e nas tr\u00eas ela se transforma em a\u00e7\u00e3o imediata.<\/p>\n<p>A m\u00e3e provavelmente caminhava \u00e0 frente do esquife, e ent\u00e3o foi ela que Jesus viu primeiro. N\u00e3o houve pedido de ningu\u00e9m, e a iniciativa partiu dele.<sup>4<\/sup> A vi\u00fava n\u00e3o demonstrou f\u00e9, n\u00e3o se prostrou, n\u00e3o disse uma palavra. No mesmo cap\u00edtulo, Jesus elogia a f\u00e9 do centuri\u00e3o (Lucas 7:9) e diz \u00e0 mulher pecadora que a f\u00e9 dela a salvou (Lucas 7:50). Aqui, a palavra f\u00e9 n\u00e3o aparece. O que move a cena \u00e9 a compaix\u00e3o do Senhor, do mesmo modo que no <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/tanque-de-betesda\/\">tanque de Betesda, onde Jesus se aproxima de um homem que n\u00e3o lhe pediu nada<\/a>.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o vem a frase: <em>&#8220;N\u00e3o chores&#8221;<\/em>. Aqui eu acho importante ter cuidado. Jesus disse isso a uma m\u00e3e a quem ele ia devolver o filho dali a um instante. Repetida por n\u00f3s, no vel\u00f3rio de algu\u00e9m, sem esse poder nas m\u00e3os, a mesma frase pode soar como cobran\u00e7a.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Jesus chorou diante do t\u00famulo de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11:35), e Paulo manda <em>&#8220;chorai com os que choram&#8221;<\/em> (Romanos 12:15). O que o ap\u00f3stolo pede aos tessalonicenses \u00e9 que n\u00e3o se entriste\u00e7am <em>&#8220;como os demais, que n\u00e3o t\u00eam esperan\u00e7a&#8221;<\/em> (1 Tessalonicenses 4:13). Ou seja, a Escritura n\u00e3o pro\u00edbe o nosso choro; ela muda o horizonte dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"esquife\">Por que Jesus tocou no esquife<\/h2>\n<p>A lei era clara sobre o contato com mortos:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&#8220;Aquele que tocar em algum morto, cad\u00e1ver de algum homem, imundo ser\u00e1 sete dias.&#8221;<\/em> (N\u00fameros 19:11)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Tocar o esquife era, portanto, chegar perto da impureza que a lei associava ao morto, e qualquer judeu da multid\u00e3o percebeu o gesto. Jesus podia ter falado de longe, como fez com o servo do centuri\u00e3o no mesmo cap\u00edtulo. Portanto, o toque foi escolha dele: ele se aproximou e tocou.<\/p>\n<p>O efeito do toque foi o inverso do previsto pela lei. Em vez de o morto tornar Jesus impuro, a vida de Jesus alcan\u00e7ou o morto. Os carregadores pararam (Lucas 7:14), e o cortejo, que seguia em uma s\u00f3 dire\u00e7\u00e3o, ficou parado diante dele.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um caso isolado nos evangelhos. Jesus toca leprosos (Lucas 5:13) e pega na m\u00e3o da filha de Jairo j\u00e1 morta (Lucas 8:54). Em todos esses casos, o gesto que deveria afast\u00e1-lo das pessoas \u00e9 justamente o que o aproxima delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"levanta-te\">&#8220;Jovem, a ti te digo: Levanta-te&#8221;<\/h2>\n<p>Jesus n\u00e3o orou, n\u00e3o pediu nada ao Pai em voz alta, n\u00e3o repetiu o gesto. Disse uma frase: <em>&#8220;Jovem, a ti te digo: Levanta-te&#8221;<\/em> (Lucas 7:14). A \u00eanfase est\u00e1 no &#8220;a ti te digo&#8221;. \u00c9 a autoridade de quem fala em nome pr\u00f3prio. No vers\u00edculo 15, o morto se senta, fala, e \u00e9 devolvido por Jesus \u00e0 m\u00e3e.<\/p>\n<p>Quem conhecia as Escrituras de Israel lembraria de duas cenas. A primeira \u00e9 a de <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/quem-foi-elias-na-biblia\/\">Elias com a vi\u00fava de Sarepta<\/a>, que tamb\u00e9m perdeu o \u00fanico filho (1 Reis 17:17-24). A segunda \u00e9 a de Eliseu com a mulher de Sun\u00e9m, cujo menino morreu no colo dela (2 Reis 4:32-37), hist\u00f3ria contada em detalhe no artigo sobre <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/quem-foi-a-sunamita\/\">quem foi a sunamita<\/a>.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o mostra semelhan\u00e7as e uma diferen\u00e7a enorme, ent\u00e3o vamos ler a tabela at\u00e9 a \u00faltima linha:<\/p>\n<table style=\"width:100%; border-collapse: collapse;\">\n<thead>\n<tr>\n<th style=\"text-align:left; border-bottom:2px solid #ddd; padding:6px;\"><\/th>\n<th style=\"text-align:left; border-bottom:2px solid #ddd; padding:6px;\">Elias (1 Reis 17)<\/th>\n<th style=\"text-align:left; border-bottom:2px solid #ddd; padding:6px;\">Eliseu (2 Reis 4)<\/th>\n<th style=\"text-align:left; border-bottom:2px solid #ddd; padding:6px;\">Jesus (Lucas 7)<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">A m\u00e3e<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">vi\u00fava estrangeira, de Sarepta<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">mulher casada, de Sun\u00e9m<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">vi\u00fava de Naim<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">Onde estava o morto<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">no quarto de cima, na cama do profeta<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">na cama do profeta, porta fechada<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">no esquife, a caminho da sepultura<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">O que o profeta fez<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">clamou ao Senhor e se estendeu sobre o menino tr\u00eas vezes<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">orou, deitou-se sobre o menino, andou pela casa e repetiu<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">tocou o esquife e falou uma frase<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">A quem pediu<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">ao Senhor<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">ao Senhor<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">a ningu\u00e9m<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">O desfecho<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">&#8220;e o deu \u00e0 sua m\u00e3e&#8221; (1 Reis 17:23)<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">&#8220;Toma o teu filho&#8221; (2 Reis 4:36)<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">&#8220;E entregou-o \u00e0 sua m\u00e3e&#8221; (Lucas 7:15)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Repare no desfecho: a semelhan\u00e7a entre o primeiro e o \u00faltimo relato \u00e9 literal. Em portugu\u00eas, as tradu\u00e7\u00f5es variam (&#8220;deu&#8221; em 1 Reis, &#8220;entregou&#8221; em Lucas), mas no grego a frase \u00e9 a mesma. Os judeus que falavam grego liam o Antigo Testamento numa tradu\u00e7\u00e3o chamada Septuaginta, e nela 1 Reis 17:23 diz <em>kai ed\u014dken auton t\u0113 m\u0113tri autou<\/em>, ou seja, &#8220;e o deu \u00e0 sua m\u00e3e&#8221;. Lucas 7:15 traz exatamente essas seis palavras. Lucas escreve a cena de Naim com a frase de Elias.<\/p>\n<p>E Lucas j\u00e1 tinha preparado o leitor para isso. No serm\u00e3o de Nazar\u00e9, Jesus lembrou que havia muitas vi\u00favas em Israel nos dias de Elias e que o profeta foi enviado a uma s\u00f3, em Sarepta (Lucas 4:25-26). Tr\u00eas cap\u00edtulos depois, uma vi\u00fava recebe o filho de volta das m\u00e3os de algu\u00e9m maior que Elias. Elias implorou; Jesus ordenou.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"deus-visitou\">&#8220;Deus visitou o seu povo&#8221; e a pergunta de Jo\u00e3o Batista<\/h2>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o da multid\u00e3o tem duas partes: <em>&#8220;Um grande profeta se levantou entre n\u00f3s, e Deus visitou o seu povo&#8221;<\/em> (Lucas 7:16).<\/p>\n<p>A primeira parte \u00e9 verdadeira, mas insuficiente. Chamar Jesus de grande profeta era, provavelmente, o t\u00edtulo mais alto que aquelas pessoas conheciam, e ele ainda ficava aqu\u00e9m de quem Jesus era.<sup>4<\/sup> A promessa de Mois\u00e9s, de que Deus levantaria um profeta como ele (Deuteron\u00f4mio 18:15), estava na mem\u00f3ria do povo, e a lembran\u00e7a de Elias tamb\u00e9m: foi exatamente isso que perguntaram a Jo\u00e3o Batista no Jord\u00e3o, se ele era Elias ou o profeta (Jo\u00e3o 1:21).<\/p>\n<p>H\u00e1 um jogo de palavras que a tradu\u00e7\u00e3o Almeida (ACF) preserva bem. Jesus disse ao rapaz &#8220;Levanta-te&#8221;, e a multid\u00e3o responde que um grande profeta &#8220;se levantou&#8221; entre eles. No grego \u00e9 o mesmo verbo. O jovem foi levantado do esquife, e o povo percebe que algu\u00e9m tinha sido levantado por Deus no meio deles.<\/p>\n<p>A segunda parte \u00e9 ainda mais forte. O verbo &#8220;visitar&#8221; \u00e9 o mesmo que Zacarias usa no c\u00e2ntico do cap\u00edtulo 1: <em>&#8220;Bendito o Senhor Deus de Israel, Porque visitou e remiu o seu povo&#8221;<\/em> (Lucas 1:68).<\/p>\n<p>No Antigo Testamento, a express\u00e3o marca os momentos em que Deus interv\u00e9m a favor do povo: no Egito, Israel adora ao ouvir <em>&#8220;que o Senhor visitava aos filhos de Israel, e que via a sua afli\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em> (\u00caxodo 4:31), e foi uma vi\u00fava, Noemi, que voltou de Moabe ao saber <em>&#8220;que o Senhor tinha visitado o seu povo, dando-lhe p\u00e3o&#8221;<\/em> (Rute 1:6).<\/p>\n<p>A multid\u00e3o de Naim reconhece, talvez sem medir o alcance do que dizia, que aquele socorro era o pr\u00f3prio Deus agindo.<\/p>\n<p>Logo em seguida, Lucas conta que a not\u00edcia chegou a Jo\u00e3o Batista, que estava preso. Jo\u00e3o manda dois disc\u00edpulos perguntar: <em>&#8220;\u00c9s tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?&#8221;<\/em> (Lucas 7:19). Jesus n\u00e3o responde com um argumento. Cura muitos naquela hora e manda dizer a Jo\u00e3o o que viram, incluindo isto: <em>&#8220;os mortos ressuscitam&#8221;<\/em> (Lucas 7:22).<\/p>\n<p>O detalhe passa f\u00e1cil na nossa leitura, mas at\u00e9 esse ponto do evangelho s\u00f3 um morto tinha sido ressuscitado, e foi em Naim. A resposta a Jo\u00e3o come\u00e7a ali, na porta daquela cidade.<\/p>\n<p>Os sinais que Jesus listou ecoam as promessas de Isa\u00edas sobre os dias do Messias (Isa\u00edas 35:5-6; 61:1), sinais que Jo\u00e3o, conhecedor dos profetas, saberia reconhecer. A pergunta de Jo\u00e3o nasceu da d\u00favida de um homem cansado na pris\u00e3o, e a resposta de Jesus foi gentil: em vez de repreender, ele mostrou.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"tres-ressurreicoes\">Tr\u00eas ressurrei\u00e7\u00f5es antes da cruz<\/h2>\n<p>Os evangelhos narram em detalhe tr\u00eas ressurrei\u00e7\u00f5es feitas por Jesus antes da cruz, e a de Naim \u00e9 a primeira delas em Lucas.<\/p>\n<table style=\"width:100%; border-collapse: collapse;\">\n<thead>\n<tr>\n<th style=\"text-align:left; border-bottom:2px solid #ddd; padding:6px;\"><\/th>\n<th style=\"text-align:left; border-bottom:2px solid #ddd; padding:6px;\">Filho da vi\u00fava de Naim<\/th>\n<th style=\"text-align:left; border-bottom:2px solid #ddd; padding:6px;\">Filha de Jairo<\/th>\n<th style=\"text-align:left; border-bottom:2px solid #ddd; padding:6px;\">L\u00e1zaro<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">Onde est\u00e1<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">Lucas 7:11-17<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">Lucas 8:40-56 (tamb\u00e9m Mateus 9 e Marcos 5)<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">Jo\u00e3o 11:1-44<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">Quem pediu<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">ningu\u00e9m<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">o pai, Jairo (Lucas 8:41)<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">as irm\u00e3s mandaram avisar (Jo\u00e3o 11:3)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">H\u00e1 quanto tempo estava morto<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">j\u00e1 ia para a sepultura<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">tinha acabado de morrer, em casa (Lucas 8:49)<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">quatro dias na sepultura (Jo\u00e3o 11:17)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">Filho \u00fanico?<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">sim (Lucas 7:12)<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">sim, filha \u00fanica (Lucas 8:42)<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">n\u00e3o; irm\u00e3o de Marta e Maria<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">O que Jesus disse<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">&#8220;Jovem, a ti te digo: Levanta-te&#8221;<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">&#8220;Levanta-te, menina&#8221;<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">&#8220;L\u00e1zaro, sai para fora&#8221;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">O gesto<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">tocou o esquife<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">pegou-lhe na m\u00e3o<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">mandou tirar a pedra (Jo\u00e3o 11:39)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">Quem viu<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">as duas multid\u00f5es<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">Pedro, Tiago, Jo\u00e3o e os pais (Lucas 8:51)<\/td>\n<td style=\"border-bottom:1px solid #eee; padding:6px;\">muitos dos judeus que tinham ido a Maria (Jo\u00e3o 11:45)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A sequ\u00eancia cresce: um rapaz a caminho da sepultura, uma menina que acabara de morrer e um homem sepultado havia quatro dias. A <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/quem-foi-lazaro-na-biblia\/\">hist\u00f3ria de L\u00e1zaro<\/a> \u00e9 a mais longa das tr\u00eas e a que fica mais perto da cruz.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ponto que os tr\u00eas casos t\u00eam em comum e que separa todos eles da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. O filho da vi\u00fava, a filha de Jairo e L\u00e1zaro voltaram ao mesmo corpo mortal e morreram de novo mais tarde. Cristo ressuscitou num corpo que n\u00e3o morre mais, e por isso a Escritura o chama de <em>&#8220;o primog\u00eanito dentre os mortos&#8221;<\/em> (Colossenses 1:18).<sup>4<\/sup> O que aconteceu em Naim foi um sinal, uma amostra de algo maior que ainda viria.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"licoes\">3 li\u00e7\u00f5es da vi\u00fava de Naim<\/h2>\n<p>As li\u00e7\u00f5es abaixo nascem do que o texto significou para os primeiros leitores de Lucas, e s\u00f3 depois apontam para n\u00f3s, hoje.<\/p>\n<h3>1. Deus v\u00ea quem n\u00e3o tem mais a quem pedir<\/h3>\n<p>Para um leitor judeu, a vi\u00fava sem filho era a imagem do desamparo, e a lei dizia que o pr\u00f3prio Deus cuidava dela (Deuteron\u00f4mio 10:18). O salmista chama Deus de <em>&#8220;Pai de \u00f3rf\u00e3os e juiz de vi\u00favas&#8221;<\/em> (Salmos 68:5).<\/p>\n<p>Em Naim, esse cuidado ganha rosto. Ningu\u00e9m intercedeu pela vi\u00fava, e ela mesma n\u00e3o pediu nada. Foi o Senhor quem a viu. H\u00e1 pessoas nas nossas igrejas que est\u00e3o exatamente nesse lugar: n\u00e3o pedem ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o procuram o pastor, n\u00e3o falam do que perderam. O texto nos lembra que elas n\u00e3o est\u00e3o fora do olhar de Deus.<\/p>\n<h3>2. O milagre de Naim foi um sinal para todos, e n\u00e3o uma promessa a cada enlutado<\/h3>\n<p>Este \u00e9 o ponto em que eu pe\u00e7o mais cuidado a voc\u00ea que prega. Jesus n\u00e3o esvaziou os cemit\u00e9rios da Galileia. Os evangelhos narram tr\u00eas ressurrei\u00e7\u00f5es, e as tr\u00eas pessoas morreram de novo. O filho da vi\u00fava foi devolvido \u00e0 m\u00e3e como sinal de quem Jesus era, o mesmo sinal que ele apontou a Jo\u00e3o Batista (Lucas 7:22).<\/p>\n<p>Prometer a uma fam\u00edlia enlutada que Deus vai fazer o mesmo \u00e9 tirar do texto algo que ele n\u00e3o diz. O que o texto garante \u00e9 outra coisa: que a morte encontrou algu\u00e9m mais forte do que ela, e que <em>&#8220;o \u00faltimo inimigo que h\u00e1 de ser aniquilado \u00e9 a morte&#8221;<\/em> (1 Cor\u00edntios 15:26). A nossa esperan\u00e7a diante do t\u00famulo est\u00e1 na ressurrei\u00e7\u00e3o que Cristo inaugurou e que ainda vai alcan\u00e7ar os seus.<\/p>\n<h3>3. Quem foi visitado por Deus aprende a visitar<\/h3>\n<p>A multid\u00e3o disse que Deus tinha visitado o seu povo. Tiago usa o mesmo verbo grego quando define a religi\u00e3o que agrada a Deus: <em>&#8220;Visitar os \u00f3rf\u00e3os e as vi\u00favas nas suas tribula\u00e7\u00f5es, e guardar-se da corrup\u00e7\u00e3o do mundo&#8221;<\/em> (Tiago 1:27).<\/p>\n<p>A igreja primitiva levou isso a s\u00e9rio desde o come\u00e7o, a ponto de organizar o cuidado com as vi\u00favas quando ele come\u00e7ou a falhar (Atos 6:1). Se voc\u00ea lidera um minist\u00e9rio, a li\u00e7\u00e3o \u00e9 concreta: o luto de uma fam\u00edlia n\u00e3o termina no dia do enterro, e a visita que mais conta costuma ser a das semanas seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"esboco\">Esbo\u00e7o de prega\u00e7\u00e3o sobre a vi\u00fava de Naim<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>Texto:<\/strong> Lucas 7:11-17<\/li>\n<li><strong>Tema:<\/strong> Quando Deus visita o cortejo<\/li>\n<li><strong>Ideia central:<\/strong> Em Naim, o Senhor v\u00ea a dor de quem n\u00e3o pediu nada, enfrenta a morte com a sua palavra e se revela como a visita de Deus ao seu povo.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Apresente as duas multid\u00f5es que se encontram na porta de Naim (vv. 11-12). Uma segue Jesus; a outra segue um morto. Uma entra na cidade; a outra sai dela. O serm\u00e3o mostra o que acontece quando essas duas prociss\u00f5es se cruzam.<\/p>\n<h3>1. O cortejo da morte (vv. 11-12)<\/h3>\n<p>Descreva a perda da vi\u00fava: o marido j\u00e1 morto, o filho \u00fanico no esquife, o sustento e o futuro indo junto. Mostre que Jesus percorreu cerca de 40 quil\u00f4metros sem ser chamado. Aplica\u00e7\u00e3o: Deus n\u00e3o espera ser convidado para se aproximar de quem sofre.<\/p>\n<h3>2. O Senhor que v\u00ea (v. 13)<\/h3>\n<p>Destaque o t\u00edtulo &#8220;o Senhor&#8221; e o verbo da compaix\u00e3o que se sente nas entranhas, ligando-o ao samaritano (Lucas 10:33) e ao pai do pr\u00f3digo (Lucas 15:20). Explique o &#8220;n\u00e3o chores&#8221; no contexto: \u00e9 a palavra de quem est\u00e1 prestes a agir, e o mesmo Jesus chorou junto ao t\u00famulo de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11:35).<\/p>\n<h3>3. A palavra que vence a morte (vv. 14-15)<\/h3>\n<p>Mostre o toque no esquife \u00e0 luz de N\u00fameros 19:11 e a \u00fanica frase de Jesus, em contraste com as ora\u00e7\u00f5es de Elias e de Eliseu (1 Reis 17:21; 2 Reis 4:33). Termine no gesto final: ele entregou o filho \u00e0 m\u00e3e.<\/p>\n<h3>4. Deus visitou o seu povo (vv. 16-17)<\/h3>\n<p>Relacione a rea\u00e7\u00e3o do povo com Lucas 1:68 e com a resposta a Jo\u00e3o Batista (Lucas 7:22). O milagre aponta para quem Jesus \u00e9, e para a ressurrei\u00e7\u00e3o maior que ainda viria (1 Cor\u00edntios 15:20).<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o:<\/strong> N\u00e3o prometa ao ouvinte o milagre de Naim. Anuncie o Senhor de Naim. Termine com 1 Tessalonicenses 4:13-14, a esperan\u00e7a de quem chora sabendo que Deus <em>&#8220;os tornar\u00e1 a trazer com ele&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Uma observa\u00e7\u00e3o para culto f\u00fanebre:<\/strong> este texto \u00e9 muito usado em vel\u00f3rios, e ele cabe ali, desde que a mensagem n\u00e3o insinue \u00e0 fam\u00edlia que faltou f\u00e9 para o morto levantar. A for\u00e7a do texto, nessa hora, est\u00e1 nos vers\u00edculos 13 e 16: o Senhor v\u00ea, e Deus visita.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"reflexoes\">Reflex\u00f5es Finais<\/h2>\n<p>A vi\u00fava de Naim n\u00e3o diz uma palavra em todo o relato. Lucas n\u00e3o registra a f\u00e9 dela, nem um pedido, nem um agradecimento. Tudo o que sabemos \u00e9 o que ela perdeu e o que recebeu de volta.<\/p>\n<p>Talvez esteja a\u00ed a raz\u00e3o de o epis\u00f3dio falar tanto a quem est\u00e1 de luto. Ele n\u00e3o exige nada de quem chora. Mostra um Senhor que atravessou a Galileia, parou um cortejo e tocou o que ningu\u00e9m queria tocar.<\/p>\n<p>O filho dela voltou a morrer algum tempo depois, e \u00e9 honesto dizer isso tamb\u00e9m a quem est\u00e1 de luto, porque a resposta definitiva \u00e0 morte n\u00e3o ficou em Naim. Ela veio no t\u00famulo vazio de Jerusal\u00e9m, e a promessa final \u00e9 que Deus <em>&#8220;limpar\u00e1 de seus olhos toda a l\u00e1grima; e n\u00e3o haver\u00e1 mais morte&#8221;<\/em> (Apocalipse 21:4).<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, n\u00f3s, como igreja, choramos com os que choram, e visitamos. E voc\u00ea, sabe quem est\u00e1 hoje, na sua igreja, no lugar daquela vi\u00fava? Quem vai bater \u00e0 porta dela na semana que vem?<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"faq\">Perguntas Frequentes<\/h2>\n<h3>Onde est\u00e1 na B\u00edblia a hist\u00f3ria da vi\u00fava de Naim?<\/h3>\n<p>Est\u00e1 em Lucas 7:11-17, e \u00e9 um epis\u00f3dio exclusivo desse evangelho, sem paralelo em Mateus, Marcos ou Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo, ele fica entre a cura do servo do centuri\u00e3o e a pergunta de Jo\u00e3o Batista, e essa posi\u00e7\u00e3o ajuda a entender a resposta que Jesus manda ao profeta preso.<\/p>\n<h3>Quem era o marido da vi\u00fava de Naim?<\/h3>\n<p>A B\u00edblia n\u00e3o informa. O texto diz apenas que a mulher era vi\u00fava, sem citar o nome do marido, a causa ou a \u00e9poca da morte dele.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nome para ela nem para o filho. Toda informa\u00e7\u00e3o al\u00e9m disso, em prega\u00e7\u00f5es ou sites, \u00e9 suposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>De que morreu o filho da vi\u00fava de Naim?<\/h3>\n<p>Lucas n\u00e3o diz. Sabemos que ele era jovem, que era filho \u00fanico e que o corpo j\u00e1 era levado para o sepultamento, provavelmente no mesmo dia da morte, segundo o costume judaico.<\/p>\n<h3>Por que o cemit\u00e9rio ficava fora da cidade de Naim?<\/h3>\n<p>A B\u00edblia n\u00e3o d\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o direta para Naim. A lei de Mois\u00e9s, por\u00e9m, declarava imundo por sete dias quem tocasse num cad\u00e1ver ou numa sepultura (N\u00fameros 19:16).<\/p>\n<p>Com os t\u00famulos longe das casas, o dia a dia da cidade n\u00e3o ficava exposto a essa impureza, e por isso o cortejo sa\u00eda pela porta.<\/p>\n<h3>O que Lucas 7:11 nos ensina?<\/h3>\n<p>O vers\u00edculo mostra Jesus chegando a Naim no dia seguinte \u00e0 cura em Cafarnaum, cercado de disc\u00edpulos e de muita gente. Ningu\u00e9m o tinha chamado.<\/p>\n<p>\u00c9 o come\u00e7o do encontro entre duas multid\u00f5es, a que acompanhava a vida e a que acompanhava a morte, e prepara a iniciativa de Jesus no vers\u00edculo 13.<\/p>\n<h3>Jesus teve compaix\u00e3o da vi\u00fava de Naim?<\/h3>\n<p>Sim. Lucas 7:13 diz que, ao v\u00ea-la, o Senhor se moveu de \u00edntima compaix\u00e3o por ela. Foi essa compaix\u00e3o, e n\u00e3o um pedido da m\u00e3e, que levou Jesus a agir.<\/p>\n<p>O mesmo verbo aparece em Lucas para o samaritano diante do ferido e para o pai diante do filho pr\u00f3digo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes<\/h2>\n<ol>\n<li>WIERSBE, Warren W. <em>Coment\u00e1rio B\u00edblico Expositivo<\/em>: Novo Testamento, vol. I. Trad. Susana E. Klassen. Santo Andr\u00e9, SP: Geogr\u00e1fica Editora, 2006, p. 253.<\/li>\n<li>BOICE, James Montgomery. <em>Fundamentos da F\u00e9 Crist\u00e3<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultura Crist\u00e3, 2010, p. 304.<\/li>\n<li>HAYS, J. Daniel. <em>Manual B\u00edblico Ilustrado Vida<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Vida, 2015, livro de Lucas, verbete &#8220;A cura do filho de uma vi\u00fava (7.11-17)&#8221;.<\/li>\n<li>B\u00cdBLIA de Estudo de Genebra. S\u00e3o Paulo e Barueri: Cultura Crist\u00e3; Sociedade B\u00edblica do Brasil, 1999, notas a Lc 7.13, 7.15 e 7.16, p. 1192.<\/li>\n<li>WIERSBE, <em>Coment\u00e1rio B\u00edblico Expositivo<\/em>: Novo Testamento, vol. I, p. 254.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Tamb\u00e9m foram consultados o texto grego do Novo Testamento com numera\u00e7\u00e3o de Strong (STEPBible, TAGNT), para as palavras de Lucas 7:11-16 e suas ocorr\u00eancias, e a Septuaginta, para 1 Reis 17:23.<\/p>\n<p><strong>Nota sobre as cita\u00e7\u00f5es b\u00edblicas:<\/strong> todas as cita\u00e7\u00f5es deste artigo seguem a vers\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.biblias.com.br\/artigos\/introduo-edio-almeida-corrigida-fiel-acf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Almeida Corrigida Fiel (ACF)<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: right; font-size: 0.9em;\"><a href=\"#sumario-artigo\">Voltar ao topo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vi\u00fava de Naim \u00e9 a mulher, de nome desconhecido, cujo filho \u00fanico Jesus trouxe de volta \u00e0 vida na porta da cidade, quando o corpo j\u00e1 seguia para o sepultamento. O epis\u00f3dio est\u00e1 em Lucas 7:11-17, e s\u00f3 Lucas o registra. \u00c9 um texto curto, de sete vers\u00edculos, mas que possui uma densidade rara. &#8230; <a title=\"Vi\u00fava de Naim: Quem Foi, o Filho que Jesus Ressuscitou e as Li\u00e7\u00f5es de Lucas 7:11-17\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/viuva-de-naim\/\" aria-label=\"Read more about Vi\u00fava de Naim: Quem Foi, o Filho que Jesus Ressuscitou e as Li\u00e7\u00f5es de Lucas 7:11-17\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":15218,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[],"class_list":["post-15217","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15217"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15415,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15217\/revisions\/15415"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15218"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}