{"id":14855,"date":"2026-08-31T14:00:00","date_gmt":"2026-08-31T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/?p=14855"},"modified":"2026-08-25T22:02:58","modified_gmt":"2026-08-26T01:02:58","slug":"tanque-de-betesda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/tanque-de-betesda\/","title":{"rendered":"Tanque de Betesda: os cinco alpendres e a cura de Jo\u00e3o 5"},"content":{"rendered":"<p><strong>O tanque de Betesda \u00e9 o cen\u00e1rio de uma cura que Jesus fez sem que ningu\u00e9m tivesse pedido.<\/strong> Um homem doente havia trinta e oito anos, deitado entre uma multid\u00e3o de enfermos, e uma pergunta que parece dispens\u00e1vel: &#8220;Queres ficar s\u00e3o?&#8221; (Jo 5:6 ACF).<\/p>\n<p>Jo\u00e3o 5:1-15 \u00e9 o terceiro sinal registrado neste Evangelho e o primeiro que acontece em p\u00fablico, num s\u00e1bado, diante da autoridade religiosa de Jerusal\u00e9m. \u00c9 dali que come\u00e7a a oposi\u00e7\u00e3o declarada contra Jesus, e \u00e9 dali que sai o discurso mais direto sobre a sua igualdade com o Pai.<\/p>\n<p>Este estudo percorre o epis\u00f3dio inteiro: onde ficava o tanque, o que eram os cinco alpendres, o que significa o nome Betesda, por que algumas B\u00edblias trazem o vers\u00edculo 4 entre colchetes, o que era o leito que o homem carregou e por que carreg\u00e1-lo virou caso de pol\u00edcia religiosa.<\/p>\n<nav id=\"sumario-artigo\" style=\"border: 1px solid #eee;padding: 15px 20px;margin-bottom: 25px;background-color: #f9f9f9\">\n<h2 style=\"margin-top: 0;margin-bottom: 15px;font-size: 1.3em\">Neste Artigo:<\/h2>\n<ul>\n<li><a href=\"#onde\">1. Onde ficava o tanque de Betesda<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#alpendres\">2. Os cinco alpendres do tanque de Betesda<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#nome\">3. O que significa Betesda<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#porta\">4. A porta das ovelhas: por que a sua B\u00edblia pode dizer outra coisa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#texto\">5. Jo\u00e3o 5:1-15: o texto do epis\u00f3dio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#versiculo-4\">6. O anjo e o vers\u00edculo 4: por que algumas B\u00edblias o trazem entre colchetes<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#38-anos\">7. Trinta e oito anos: o n\u00famero que Jo\u00e3o faz quest\u00e3o de informar<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#pergunta\">8. &#8220;Queres ficar s\u00e3o?&#8221;: a pergunta e a resposta que desconversa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#leito\">9. &#8220;Toma o teu leito&#8221;: o que era aquele leito<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#sabado\">10. Era s\u00e1bado: a cura que virou acusa\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#nao-peques\">11. &#8220;N\u00e3o peques mais&#8221;: o encontro no templo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#licoes\">12. O que Jo\u00e3o 5 pede de quem o l\u00ea hoje<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#esboco\">13. Esbo\u00e7o de prega\u00e7\u00e3o sobre o tanque de Betesda<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#faq\">14. Perguntas Frequentes sobre o tanque de Betesda<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/nav>\n<h2 id=\"onde\">1. Onde ficava o tanque de Betesda<\/h2>\n<p>Jo\u00e3o situa o lugar com uma precis\u00e3o que ele raramente usa: &#8220;Ora, em Jerusal\u00e9m h\u00e1, pr\u00f3ximo \u00e0 porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres&#8221; (Jo 5:2 ACF).<\/p>\n<p>Repare: s\u00e3o tr\u00eas informa\u00e7\u00f5es numa frase s\u00f3. A cidade, a refer\u00eancia de localiza\u00e7\u00e3o pela porta da muralha e o nome do lugar, dado na l\u00edngua local. Quem escreveu conhecia Jerusal\u00e9m antes da destrui\u00e7\u00e3o de 70 d.C.<\/p>\n<p>O tanque ficava perto do extremo nordeste da cidade antiga, junto \u00e0 porta das Ovelhas.<sup>1<\/sup> Hoje, a \u00e1rea corresponde ao terreno da igreja de Santa Ana, em Jerusal\u00e9m, onde uma escava\u00e7\u00e3o profunda exp\u00f4s a estrutura do reservat\u00f3rio.<sup>1<\/sup><\/p>\n<h3>Por que a localiza\u00e7\u00e3o importa para o texto<\/h3>\n<p>A porta das Ovelhas era por onde entravam os animais destinados ao sacrif\u00edcio no templo. Wiersbe sugere que Jo\u00e3o pode ter visto sentido espiritual nesse detalhe, j\u00e1 que foi o mesmo autor que registrou a apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus como o Cordeiro de Deus (Jo 1:29).<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma leitura poss\u00edvel, n\u00e3o uma afirma\u00e7\u00e3o do texto. Jo\u00e3o n\u00e3o explica o motivo de citar a porta. Mas o dado geogr\u00e1fico \u00e9 s\u00f3lido, e explica por que o epis\u00f3dio acontece a caminho do templo, e n\u00e3o num vilarejo distante.<\/p>\n<h2 id=\"alpendres\">2. Os cinco alpendres do tanque de Betesda<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1672\" height=\"941\" src=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tanque-de-betesda-alpendres.jpg\" alt=\"Reconstru\u00e7\u00e3o dos cinco alpendres e colunatas do Tanque de Betesda\" class=\"wp-image-14854\" srcset=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tanque-de-betesda-alpendres.jpg 1672w, https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tanque-de-betesda-alpendres-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tanque-de-betesda-alpendres-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tanque-de-betesda-alpendres-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tanque-de-betesda-alpendres-1536x864.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1672px) 100vw, 1672px\" \/><figcaption>Estrutura dos cinco alpendres e colunatas que cercavam os reservat\u00f3rios de Betesda.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Alpendre, na Almeida, traduz uma estrutura coberta e sustentada por colunas \u2014 o que hoje se chamaria de p\u00f3rtico ou galeria. Eram cinco, e serviam de abrigo para quem passava o dia ali.<\/p>\n<p>H\u00e1 registro hist\u00f3rico e achado arqueol\u00f3gico indicando que dois a\u00e7udes vizinhos abasteciam aquele ponto da cidade.<sup>1<\/sup> Isso ajuda a entender a planta do lugar: quatro alpendres cercando o conjunto e um quinto separando os dois tanques.<\/p>\n<p>As tradu\u00e7\u00f5es descrevem essas estruturas de maneiras diferentes, e vale ver as sete lado a lado, porque o vocabul\u00e1rio muda a imagem que o leitor forma.<\/p>\n<h3>Jo\u00e3o 5:2 nas sete vers\u00f5es<\/h3>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Vers\u00e3o<\/th>\n<th>Como traduz a estrutura<\/th>\n<th>L\u00edngua do nome<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>ACF<\/td>\n<td>cinco alpendres<\/td>\n<td>hebreu<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>ARC<\/td>\n<td>cinco alpendres<\/td>\n<td>hebreu<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>BKJ<\/td>\n<td>cinco alpendres<\/td>\n<td>l\u00edngua hebraica<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>ARA<\/td>\n<td>cinco pavilh\u00f5es<\/td>\n<td>hebraico<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>NAA<\/td>\n<td>cinco p\u00f3rticos<\/td>\n<td>hebraico<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>NVI<\/td>\n<td>cinco entradas em volta<\/td>\n<td>aramaico<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>NVT<\/td>\n<td>cinco p\u00e1tios cobertos<\/td>\n<td>\u2014<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Duas coisas saltam da tabela. A primeira \u00e9 que o n\u00famero cinco n\u00e3o varia em nenhuma delas: \u00e9 dado do texto, n\u00e3o escolha de tradutor. A segunda \u00e9 que a NVI diz aramaico onde as Almeidas dizem hebreu, e a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 erro de ningu\u00e9m. Ou seja, o termo grego traduzido por &#8220;em hebreu&#8221; designa a l\u00edngua falada pelos judeus da Palestina no primeiro s\u00e9culo \u2014 que era o aramaico.<\/p>\n<h2 id=\"nome\">3. O que significa Betesda<\/h2>\n<p>Aqui \u00e9 preciso separar o que se sabe do que se prop\u00f5e. O nome aparece uma \u00fanica vez no Novo Testamento, exatamente em Jo\u00e3o 5:2, e os manuscritos n\u00e3o concordam sobre a sua forma: circulam as grafias Betesda, Betzata e Betsaida. A deriva\u00e7\u00e3o \u00e9 dada como incerta pelos l\u00e9xicos.<\/p>\n<p>Wiersbe registra que o termo admite v\u00e1rias grafias e v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es. Entre as propostas, ele cita &#8220;casa de miseric\u00f3rdia&#8221; e &#8220;casa de gra\u00e7a&#8221;, de um lado, e &#8220;lugar de dois escoamentos&#8221;, de outro.<sup>1<\/sup><\/p>\n<h3>As duas fam\u00edlias de leitura<\/h3>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Proposta<\/th>\n<th>Sentido<\/th>\n<th>O que a sustenta<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>casa de miseric\u00f3rdia \/ casa de gra\u00e7a<\/td>\n<td>teol\u00f3gico<\/td>\n<td>leitura do nome a partir de ra\u00edzes sem\u00edticas de <em>hesed<\/em> e <em>hasda<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>lugar de dois escoamentos<\/td>\n<td>topogr\u00e1fico<\/td>\n<td>os dois reservat\u00f3rios adjacentes atestados na regi\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Por\u00e9m nenhuma das duas \u00e9 afirmada pelo texto b\u00edblico, e o epis\u00f3dio n\u00e3o depende de nenhuma delas. Vale dizer isso com clareza, porque a prega\u00e7\u00e3o popular costuma construir o serm\u00e3o inteiro sobre &#8220;casa de miseric\u00f3rdia&#8221; como se fosse dado revelado. Ou seja: \u00e9 uma proposta etimol\u00f3gica razo\u00e1vel, e \u00e9 s\u00f3 isso.<\/p>\n<p>A miseric\u00f3rdia que o cap\u00edtulo demonstra n\u00e3o vem do nome do lugar. Vem de quem chegou nele.<\/p>\n<h2 id=\"porta\">4. A porta das ovelhas: por que a sua B\u00edblia pode dizer outra coisa<\/h2>\n<p>Um leitor que queira localizar a porta das Ovelhas no Antigo Testamento vai a Neemias, onde ela \u00e9 citada na reconstru\u00e7\u00e3o do muro (Ne 3:1; 12:39). E, dependendo da tradu\u00e7\u00e3o que tiver na m\u00e3o, n\u00e3o vai encontrar o nome.<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Vers\u00e3o<\/th>\n<th>Neemias 3:1<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>ACF<\/td>\n<td>porta do gado<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>ARC<\/td>\n<td>Porta do Gado<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>ARA<\/td>\n<td>Porta das Ovelhas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>BKJ<\/td>\n<td>port\u00e3o das ovelhas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>NAA<\/td>\n<td>Port\u00e3o das Ovelhas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>NVI<\/td>\n<td>porta das Ovelhas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>NVT<\/td>\n<td>porta das Ovelhas<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Afinal, \u00e9 a mesma porta. As Almeidas mais antigas optaram por um termo gen\u00e9rico para o rebanho, e as demais especificaram. Quem estuda pela ACF precisa saber disso para n\u00e3o concluir que Jo\u00e3o citou uma porta inexistente no Antigo Testamento.<\/p>\n<p>O detalhe tamb\u00e9m confirma o cen\u00e1rio: uma porta por onde passava rebanho de sacrif\u00edcio, com um reservat\u00f3rio de \u00e1gua logo ao lado. \u00c1gua e rebanho ficam perto pelo motivo mais prosaico poss\u00edvel.<\/p>\n<h2 id=\"texto\">5. Jo\u00e3o 5:1-15: o texto do epis\u00f3dio<\/h2>\n<p>O relato \u00e9 curto e vale l\u00ea-lo inteiro antes de destrinchar as partes. As cita\u00e7\u00f5es abaixo seguem a ACF.<\/p>\n<blockquote><p>Depois disto havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusal\u00e9m. Ora, em Jerusal\u00e9m h\u00e1, pr\u00f3ximo \u00e0 porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres. Nestes jazia grande multid\u00e3o de enfermos, cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento da \u00e1gua (Jo 5:1-3 ACF).<\/p><\/blockquote>\n<p>Jo\u00e3o n\u00e3o informa qual festa era. Wiersbe considera o dado dispens\u00e1vel e l\u00ea o prop\u00f3sito da subida em outra chave: Jesus n\u00e3o foi a Jerusal\u00e9m para cumprir calend\u00e1rio religioso, mas para curar um homem e transformar o milagre em ponto de partida de uma mensagem ao povo.<sup>1<\/sup><\/p>\n<h3>A multid\u00e3o que ningu\u00e9m descreve<\/h3>\n<p>A lista de Jo\u00e3o \u00e9 seca: enfermos, cegos, mancos e ressicados. O \u00faltimo termo, na ACF, traduz a condi\u00e7\u00e3o de membros atrofiados; outras vers\u00f5es preferem &#8220;paral\u00edticos&#8221;.<\/p>\n<p>Vale medir o tamanho do estrago que aquela cena representa.<sup>1<\/sup> E vale lembrar que a cura dessas mesmas enfermidades era anunciada como marca do minist\u00e9rio messi\u00e2nico: &#8220;Ent\u00e3o os coxos saltar\u00e3o como cervos, e a l\u00edngua dos mudos cantar\u00e1&#8221; (Is 35:6 ACF). A lideran\u00e7a religiosa que conhecia esse texto tinha diante dos olhos o seu cumprimento.<sup>1<\/sup><\/p>\n<h2 id=\"versiculo-4\">6. O anjo e o vers\u00edculo 4: por que algumas B\u00edblias o trazem entre colchetes<\/h2>\n<p>Esta \u00e9 a pergunta que mais aparece sobre o cap\u00edtulo, e ela tem resposta objetiva. O vers\u00edculo 4 explica o motivo da espera: um anjo descia, agitava a \u00e1gua, e o primeiro a entrar sarava (Jo 5:4 ACF).<\/p>\n<p>Parte dos manuscritos antigos n\u00e3o traz o final do vers\u00edculo 3 nem o vers\u00edculo 4 inteiro.<sup>1<\/sup> Por isso as tradu\u00e7\u00f5es tratam o trecho de maneiras diferentes.<\/p>\n<h3>Como cada vers\u00e3o apresenta o trecho<\/h3>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Vers\u00e3o<\/th>\n<th>Tratamento do trecho<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>ACF<\/td>\n<td>vers\u00edculo 4 no corpo do texto, sem marca\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>ARA<\/td>\n<td>vers\u00edculo 4 no corpo do texto<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>BKJ<\/td>\n<td>vers\u00edculo 4 no corpo do texto<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>NVI<\/td>\n<td>vers\u00edculo 4 no corpo do texto<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>NVT<\/td>\n<td>vers\u00edculo 4 no corpo do texto<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>ARC<\/td>\n<td>trecho impresso entre colchetes, sinalizando a quest\u00e3o textual<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>NAA<\/td>\n<td>trecho impresso entre colchetes, sinalizando a quest\u00e3o textual<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3>O argumento a favor de manter o trecho<\/h3>\n<p>Wiersbe reconhece a quest\u00e3o manuscrita e argumenta pela perman\u00eancia, por um motivo interno ao relato: sem essa explica\u00e7\u00e3o, o epis\u00f3dio deixa de fazer sentido, e a resposta do homem no vers\u00edculo 7 fica sem referente.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>O racioc\u00ednio dele \u00e9 o do leitor comum, e \u00e9 bom. Por que um doente de trinta e oito anos passaria a vida naquele lugar se nada de especial acontecesse ali? Depois de tanto tempo sem nenhum resultado, o esperado era desistir e procurar outro lugar.<sup>1<\/sup> Alguma coisa fora do comum mantinha aquela gente reunida \u00e0 beira da \u00e1gua.<sup>1<\/sup><\/p>\n<h3>O que isso muda na leitura<\/h3>\n<p>Pouco \u2014 e vale dizer isso com todas as letras. A cura do cap\u00edtulo n\u00e3o acontece pela \u00e1gua. O homem nunca entra no tanque. Ele \u00e9 curado pela palavra de Jesus, a metros de dist\u00e2ncia do reservat\u00f3rio que ele passou d\u00e9cadas tentando alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Se o vers\u00edculo 4 pertence ao texto, ele explica a expectativa daquela multid\u00e3o. Se n\u00e3o pertence, a expectativa continua explicada pelo vers\u00edculo 7, na boca do pr\u00f3prio doente. Em nenhuma das hip\u00f3teses o milagre depende do anjo.<\/p>\n<h2 id=\"38-anos\">7. Trinta e oito anos: o n\u00famero que Jo\u00e3o faz quest\u00e3o de informar<\/h2>\n<p>&#8220;E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo&#8221; (Jo 5:5 ACF). Repare que Jo\u00e3o podia ter escrito &#8220;havia muitos anos&#8221;. Ele deu o n\u00famero.<\/p>\n<p>Wiersbe levanta uma possibilidade que a pr\u00f3pria Escritura autoriza: trinta e oito \u00e9 exatamente o tempo que Israel levou de Cades-Barn\u00e9ia at\u00e9 o ribeiro de Zerede, enquanto a gera\u00e7\u00e3o da incredulidade se consumia no deserto (Dt 2:14).<sup>1<\/sup> Nessa leitura, o homem deitado seria um retrato da na\u00e7\u00e3o \u2014 impotente, parada, \u00e0 espera de que algo acontecesse.<sup>1<\/sup><\/p>\n<h3>As dura\u00e7\u00f5es que o texto informa<\/h3>\n<p>Quando os Evangelhos e Atos registram h\u00e1 quanto tempo dura o mal, o n\u00famero costuma vir junto com a impossibilidade humana de resolv\u00ea-lo:<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Epis\u00f3dio<\/th>\n<th>Refer\u00eancia<\/th>\n<th>Dura\u00e7\u00e3o informada<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>o homem de Betesda<\/td>\n<td>Jo 5:5<\/td>\n<td>trinta e oito anos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>a mulher encurvada<\/td>\n<td>Lc 13:16<\/td>\n<td>dezoito anos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>En\u00e9ias, em Lida<\/td>\n<td>At 9:33<\/td>\n<td>oito anos<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os dois primeiros t\u00eam mais em comum do que a dura\u00e7\u00e3o: as duas curas acontecem em dia de s\u00e1bado e as duas geram conflito com a autoridade religiosa. A <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/a-mulher-encurvada-na-biblia\/\">mulher encurvada de Lucas 13<\/a> \u00e9 o paralelo mais pr\u00f3ximo deste epis\u00f3dio em todo o Evangelho.<\/p>\n<h2 id=\"pergunta\">8. &#8220;Queres ficar s\u00e3o?&#8221;: a pergunta e a resposta que desconversa<\/h2>\n<p>Jesus v\u00ea o homem deitado, sabe h\u00e1 quanto tempo aquilo dura, e pergunta: &#8220;Queres ficar s\u00e3o?&#8221; (Jo 5:6 ACF). A pergunta soa desnecess\u00e1ria. \u00c9 por isso que ela est\u00e1 ali.<\/p>\n<p>A resposta \u00f3bvia seria um sim. N\u00e3o \u00e9 o que vem. O homem responde com a explica\u00e7\u00e3o de por que ainda n\u00e3o conseguiu: n\u00e3o tem quem o ponha no tanque, e enquanto ele se arrasta, outro desce primeiro (Jo 5:7 ACF).<\/p>\n<p>Wiersbe l\u00ea a cena com dureza: tanto tempo naquela situa\u00e7\u00e3o deixou a vontade do homem t\u00e3o paralisada quanto o corpo.<sup>2<\/sup> Ele n\u00e3o pede cura. Ele apresenta o hist\u00f3rico do fracasso.<\/p>\n<h3>A liga\u00e7\u00e3o com o vers\u00edculo 40<\/h3>\n<p>O mesmo cap\u00edtulo termina com Jesus dizendo \u00e0 lideran\u00e7a religiosa que eles n\u00e3o querem vir a ele para ter vida (Jo 5:40 ACF). Wiersbe p\u00f5e os dois vers\u00edculos lado a lado e v\u00ea no doente uma ilustra\u00e7\u00e3o do estado espiritual de Israel.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>A cura, quando vem, \u00e9 por ordem: levantar, pegar o leito e andar (Jo 5:8 ACF). Jesus manda o homem fazer justamente aquilo que ele n\u00e3o podia fazer, e d\u00e1, na mesma ordem, a capacidade de obedecer.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>Isso \u00e9 o oposto de uma cura condicionada \u00e0 f\u00e9 do doente. O texto n\u00e3o registra f\u00e9 alguma da parte dele. Registra iniciativa da parte de Jesus, num homem que n\u00e3o pediu nada e que, pouco depois, nem saberia informar quem o havia curado (Jo 5:13 ACF).<\/p>\n<h2 id=\"leito\">9. &#8220;Toma o teu leito&#8221;: o que era aquele leito<\/h2>\n<p>A palavra grega usada aqui \u00e9 <em>krabattos<\/em>, e n\u00e3o \u00e9 o termo comum para cama. \u00c9 um empr\u00e9stimo popular, do latim <em>grabatus<\/em>, que designa o catre, a esteira, o colchonete de quem n\u00e3o tem mais do que isso.<\/p>\n<p>Ela ocorre doze vezes no Novo Testamento, e a distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 reveladora:<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Onde<\/th>\n<th>Refer\u00eancias<\/th>\n<th>Contexto<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Marcos<\/td>\n<td>Mc 2:4, 9, 11, 12; 6:55<\/td>\n<td>o paral\u00edtico descido pelo telhado e os enfermos trazidos a Jesus<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Jo\u00e3o<\/td>\n<td>Jo 5:8, 9, 10, 11, 12<\/td>\n<td>o homem de Betesda<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Atos<\/td>\n<td>At 5:15; 9:33<\/td>\n<td>os doentes postos nas ruas e En\u00e9ias, em Lida<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Ou seja: nas doze ocorr\u00eancias a palavra est\u00e1 ligada a algu\u00e9m que n\u00e3o anda por conta pr\u00f3pria. \u00c9 o objeto da depend\u00eancia.<\/p>\n<h3>A ordem que se repete<\/h3>\n<p>Em Marcos, ao paral\u00edtico do telhado, Jesus diz: &#8220;Levanta-te, e toma o teu leito, e anda&#8221; (Mc 2:9 ACF). Em Jo\u00e3o, ao homem de Betesda: &#8220;Levanta-te, toma o teu leito, e anda&#8221; (Jo 5:8 ACF). \u00c9 a mesma ordem, com a mesma palavra para o leito.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 o que cada uma provoca. Em Marcos, a discuss\u00e3o que se segue \u00e9 sobre autoridade para perdoar pecados. Em Jo\u00e3o, \u00e9 sobre o s\u00e1bado. O mesmo ato encontra acusa\u00e7\u00f5es diferentes, dependendo do que o acusador estava disposto a defender.<\/p>\n<h3>Por que carregar o leito era o problema<\/h3>\n<p>Os escribas mantinham uma lista de trinta e nove trabalhos proibidos no shabbath, e transportar carga era um deles.<sup>2<\/sup> O homem curado n\u00e3o estava trabalhando: estava levando embora o objeto que o representava havia trinta e oito anos. Para a regra, era carga.<\/p>\n<h2 id=\"sabado\">10. Era s\u00e1bado: a cura que virou acusa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Jo\u00e3o guarda a informa\u00e7\u00e3o para o fim do vers\u00edculo 9: &#8220;E aquele dia era s\u00e1bado&#8221; (Jo 5:9 ACF). Por\u00e9m \u00e9 essa frase que reposiciona tudo o que veio antes.<\/p>\n<p>O milagre n\u00e3o teria gerado conflito em outro dia da semana.<sup>2<\/sup> Jesus podia ter ido ao tanque na v\u00e9spera ou esperado o dia seguinte, e n\u00e3o fez nem uma coisa nem outra.<sup>2<\/sup> A escolha do dia \u00e9 deliberada.<\/p>\n<h3>A acusa\u00e7\u00e3o muda de figura<\/h3>\n<p>Os l\u00edderes abordam o homem curado, n\u00e3o Jesus, e a primeira frase que dirigem a algu\u00e9m que acabou de andar depois de trinta e oito anos \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o de ilegalidade (Jo 5:10 ACF). Infelizmente, nenhuma pergunta sobre a cura, e nenhuma alegria.<\/p>\n<p>Quando o alvo passa a ser Jesus, a resposta dele \u00e9 curta: &#8220;Meu Pai trabalha at\u00e9 agora, e eu trabalho tamb\u00e9m&#8221; (Jo 5:17 ACF). O argumento \u00e9 o seguinte: aquele repouso do s\u00e9timo dia j\u00e1 havia sido quebrado quando o pecado entrou, e de G\u00eanesis 3 em diante o Pai nunca interrompeu a obra de resgatar quem se perdeu.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>A lideran\u00e7a entendeu na hora o que estava sendo dito. Jesus usou &#8220;meu Pai&#8221;, e n\u00e3o a f\u00f3rmula coletiva que os judeus empregavam; a acusa\u00e7\u00e3o ent\u00e3o deixa de ser viola\u00e7\u00e3o do s\u00e1bado e passa a ser blasf\u00eamia.<sup>3<\/sup> O pr\u00f3prio Jo\u00e3o explica: procuravam mat\u00e1-lo porque, al\u00e9m do s\u00e1bado, ele se fazia igual a Deus (Jo 5:18 ACF).<\/p>\n<h3>O que estava realmente em jogo<\/h3>\n<p>O s\u00e1bado era d\u00e1diva, e as tradi\u00e7\u00f5es legalistas o haviam convertido numa pris\u00e3o de regulamentos.<sup>2<\/sup> Jesus desafiou isso de prop\u00f3sito, e o fez mais de uma vez: curou outro homem no s\u00e1bado adiante, no cap\u00edtulo 9 (Jo 9:14 ACF), e defendeu os disc\u00edpulos acusados de colher espigas (Mt 12:1-8).<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>\u00c9 aqui que come\u00e7a a persegui\u00e7\u00e3o oficial, que termina na cruz.<sup>3<\/sup><\/p>\n<h2 id=\"nao-peques\">11. &#8220;N\u00e3o peques mais&#8221;: o encontro no templo<\/h2>\n<p>O epis\u00f3dio tem um segundo tempo. Jesus encontra o homem no templo e diz: &#8220;Eis que j\u00e1 est\u00e1s s\u00e3o; n\u00e3o peques mais, para que n\u00e3o te suceda alguma coisa pior&#8221; (Jo 5:14 ACF).<\/p>\n<p>A frase d\u00e1 a entender que havia rela\u00e7\u00e3o entre o sofrimento daquele homem e algum pecado.<sup>2<\/sup> Mas \u00e9 preciso ler o que Jesus n\u00e3o disse: ao contr\u00e1rio do paral\u00edtico de Marcos 2, aqui n\u00e3o h\u00e1 declara\u00e7\u00e3o de perd\u00e3o.<sup>2<\/sup><\/p>\n<h3>O contraste com Jo\u00e3o 9<\/h3>\n<p>O leitor que tirar daqui a regra &#8220;doen\u00e7a \u00e9 castigo de pecado&#8221; precisa explicar o cap\u00edtulo 9 do mesmo Evangelho. Diante do cego de nascen\u00e7a, os disc\u00edpulos fazem exatamente essa pergunta, e Jesus a recusa: &#8220;Nem ele pecou nem seus pais&#8221; (Jo 9:3 ACF).<\/p>\n<p>Basta p\u00f4r os dois lado a lado: mesmo livro, mesmo autor, respostas opostas. A conclus\u00e3o honesta \u00e9 que a Escritura n\u00e3o autoriza generaliza\u00e7\u00e3o em nenhuma das duas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>O que o homem fez depois<\/h3>\n<p>Ele foi contar \u00e0 lideran\u00e7a quem o havia curado (Jo 5:15 ACF). O texto n\u00e3o diz por qu\u00ea. Tamb\u00e9m n\u00e3o guarda nenhum sinal de f\u00e9 da parte dele, nem, por outro lado, de hostilidade contra quem o curou.<sup>2<\/sup> Wiersbe registra o estranhamento com franqueza: algu\u00e9m pode sair curado do encontro com Cristo sem que isso signifique ter sido salvo por ele.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o detalhe mais desconfort\u00e1vel do epis\u00f3dio, e o pregador que o omite entrega uma vers\u00e3o mais bonita e menos verdadeira do texto.<\/p>\n<h2 id=\"licoes\">12. O que Jo\u00e3o 5 pede de quem o l\u00ea hoje<\/h2>\n<p>O caminho aqui \u00e9 o mesmo do texto: primeiro o que aconteceu ali, depois o que permanece.<\/p>\n<h3>A iniciativa \u00e9 de quem cura, n\u00e3o de quem precisa<\/h3>\n<p>Naquele alpendre havia uma multid\u00e3o. Jesus escolheu um, e escolheu o que n\u00e3o o procurou, n\u00e3o sabia quem ele era e respondeu \u00e0 oferta de cura com uma reclama\u00e7\u00e3o sobre log\u00edstica.<\/p>\n<p>O que permanece disso n\u00e3o \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o sobre esfor\u00e7o. \u00c9 uma afirma\u00e7\u00e3o sobre o car\u00e1ter de Deus: a gra\u00e7a de Betesda n\u00e3o foi resposta a m\u00e9rito, a f\u00e9 demonstrada ou a pedido bem formulado. Foi decis\u00e3o de quem chegou. Quem l\u00ea o pr\u00f3prio caso pela r\u00e9gua do merecimento est\u00e1 lendo pela r\u00e9gua errada.<\/p>\n<h3>Um diagn\u00f3stico exato do pr\u00f3prio impasse ainda n\u00e3o \u00e9 uma senten\u00e7a<\/h3>\n<p>O homem estava certo sobre os fatos. Ele realmente n\u00e3o tinha quem o ajudasse, e realmente sempre chegava depois. O diagn\u00f3stico dele sobre a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o era exato \u2014 e completamente irrelevante para o que aconteceu em seguida.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma dist\u00e2ncia entre descrever bem o pr\u00f3prio impasse e concluir que ele \u00e9 definitivo. A ordem de Jesus atravessou trinta e oito anos de evid\u00eancia acumulada em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n<h3>Religi\u00e3o pode ficar cega para o bem que acontece na frente dela<\/h3>\n<p>Um homem anda pela primeira vez em quase quatro d\u00e9cadas, e a autoridade religiosa consegue enxergar apenas a esteira debaixo do bra\u00e7o dele. N\u00e3o era hipocrisia deliberada; era um sistema de regras que havia substitu\u00eddo o objeto do cuidado.<\/p>\n<p>O aviso \u00e9 para quem hoje ocupa a fun\u00e7\u00e3o que eles ocupavam. E voc\u00ea, diante de uma vida transformada de um jeito que n\u00e3o segue o nosso procedimento, qual \u00e9 a primeira coisa que pergunta? Vale responder com honestidade, porque \u00e9 a primeira rea\u00e7\u00e3o que denuncia o que se estava protegendo.<\/p>\n<h3>O texto n\u00e3o fecha a hist\u00f3ria do homem, e isso \u00e9 proposital<\/h3>\n<p>Jo\u00e3o n\u00e3o informa se ele creu. Registra que foi ao templo, encontrou Jesus, ouviu um aviso e depois foi falar com os l\u00edderes. Fim.<\/p>\n<p>Se o Evangelho de Jo\u00e3o foi escrito para que os leitores creiam e tenham vida (Jo 20:31), ent\u00e3o um personagem que recebe o milagre e sai de cena sem decis\u00e3o registrada \u00e9 um espelho posto na frente do leitor. Afinal, cura de corpo e vida eterna n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa, e o cap\u00edtulo diz onde est\u00e1 a segunda: quem ouve a palavra de Jesus e cr\u00ea passou da morte para a vida (Jo 5:24 ACF).<\/p>\n<h2 id=\"esboco\">13. Esbo\u00e7o de prega\u00e7\u00e3o sobre o tanque de Betesda<\/h2>\n<p><strong>Texto<\/strong>: Jo\u00e3o 5:1-15 \u00b7 <strong>Tema<\/strong>: a gra\u00e7a que chega antes do pedido<\/p>\n<h3>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Situar o lugar: Jerusal\u00e9m, junto \u00e0 porta das Ovelhas, cinco alpendres cheios de gente esperando um movimento na \u00e1gua. Perguntar \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o o que \u00e9 esperar trinta e oito anos por alguma coisa.<\/p>\n<h3>1. O lugar da espera (vv. 1-4)<\/h3>\n<p>Uma multid\u00e3o organizada em torno de uma esperan\u00e7a de que s\u00f3 um seria atendido de cada vez. A religiosidade sem Cristo produz exatamente esse arranjo: muita gente, pouca chance, e o mais fraco sempre por \u00faltimo.<\/p>\n<h3>2. A pergunta que exp\u00f5e (vv. 5-7)<\/h3>\n<p>&#8220;Queres ficar s\u00e3o?&#8221; O homem responde com o hist\u00f3rico do fracasso. Mostrar como o diagn\u00f3stico correto da pr\u00f3pria impot\u00eancia n\u00e3o produz, sozinho, nenhuma mudan\u00e7a.<\/p>\n<h3>3. A palavra que levanta (vv. 8-9a)<\/h3>\n<p>Jesus ordena o imposs\u00edvel e concede, na ordem, a capacidade de cumpri-la. Ligar com Jo 5:24: a mesma palavra que levantou o corpo \u00e9 a que d\u00e1 vida ao esp\u00edrito.<\/p>\n<h3>4. O dia que revela cora\u00e7\u00f5es (vv. 9b-13)<\/h3>\n<p>Era s\u00e1bado. A rea\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a exp\u00f5e o que ela realmente protegia. Aplica\u00e7\u00e3o para a igreja: o que a nossa primeira pergunta diante do inesperado revela sobre n\u00f3s.<\/p>\n<h3>5. O reencontro no templo (vv. 14-15)<\/h3>\n<p>O aviso de Jesus e o sil\u00eancio do texto sobre a f\u00e9 do homem. Fechar com o apelo: o corpo dele saiu de p\u00e9 daquele alpendre, e o cap\u00edtulo ainda pergunta pela alma.<\/p>\n<h3>Sugest\u00e3o de conclus\u00e3o<\/h3>\n<p>Betesda tinha cinco alpendres e uma \u00e1gua que atendia um por vez. O Evangelho n\u00e3o tem fila. Quem ouve e cr\u00ea passa da morte para a vida, sem depender de chegar primeiro.<\/p>\n<h2 id=\"faq\">14. Perguntas Frequentes sobre o tanque de Betesda<\/h2>\n<h3>O que era o tanque de Betesda?<\/h3>\n<p>Era um reservat\u00f3rio de \u00e1gua em Jerusal\u00e9m, junto \u00e0 porta das Ovelhas, cercado por cinco estruturas cobertas que a Almeida chama de alpendres. Ali se reunia uma multid\u00e3o de enfermos, cegos, mancos e paral\u00edticos, que esperava um movimento na \u00e1gua. \u00c9 o cen\u00e1rio do terceiro sinal registrado no Evangelho de Jo\u00e3o, a cura de um homem doente havia trinta e oito anos, em Jo\u00e3o 5:1-15.<\/p>\n<h3>O que significa Betesda?<\/h3>\n<p>A deriva\u00e7\u00e3o do nome \u00e9 incerta, e os manuscritos trazem formas diferentes: Betesda, Betzata e Betsaida. Entre as propostas mais citadas est\u00e3o casa de miseric\u00f3rdia ou casa de gra\u00e7a, de leitura teol\u00f3gica, e lugar de dois escoamentos, de leitura topogr\u00e1fica, ligada aos dois reservat\u00f3rios vizinhos atestados naquela regi\u00e3o. Nenhuma delas \u00e9 afirmada pelo texto b\u00edblico.<\/p>\n<h3>O que eram os cinco alpendres do tanque de Betesda?<\/h3>\n<p>Estruturas cobertas e sustentadas por colunas, que abrigavam quem passava o dia \u00e0 beira do tanque. Outras tradu\u00e7\u00f5es as chamam de p\u00f3rticos, pavilh\u00f5es, p\u00e1tios cobertos ou entradas. O n\u00famero cinco n\u00e3o varia em nenhuma das vers\u00f5es, porque \u00e9 dado do texto e n\u00e3o escolha de tradutor. A planta prov\u00e1vel \u00e9 a de quatro estruturas ao redor do conjunto e uma quinta separando os dois reservat\u00f3rios.<\/p>\n<h3>Onde fica o tanque de Betesda hoje?<\/h3>\n<p>No extremo nordeste da cidade antiga de Jerusal\u00e9m, na \u00e1rea que hoje corresponde ao terreno da igreja de Santa Ana, onde uma escava\u00e7\u00e3o profunda exp\u00f4s a estrutura do reservat\u00f3rio. A refer\u00eancia de localiza\u00e7\u00e3o dada por Jo\u00e3o, a porta das Ovelhas, \u00e9 a mesma porta citada na reconstru\u00e7\u00e3o do muro em Neemias 3:1 e 12:39.<\/p>\n<h3>Por que algumas B\u00edblias n\u00e3o trazem Jo\u00e3o 5:4?<\/h3>\n<p>H\u00e1 uma diverg\u00eancia entre as c\u00f3pias antigas do Evangelho: nem todas trazem o trecho sobre o anjo. Diante disso, ARC e NAA optaram por imprimi-lo entre colchetes, sinalizando a d\u00favida ao leitor, enquanto ACF, ARA, BKJ, NVI e NVT o mant\u00eam sem marca\u00e7\u00e3o. Quem defende a perman\u00eancia argumenta pela coer\u00eancia da narrativa, j\u00e1 que a queixa do doente adiante pressup\u00f5e justamente essa expectativa. Seja como for, nada no milagre depende disso: o homem jamais chega a entrar na \u00e1gua.<\/p>\n<h3>Por que Jesus perguntou se o homem queria ser curado?<\/h3>\n<p>A pergunta parece dispens\u00e1vel e \u00e9 justamente por isso que aparece. O homem n\u00e3o responde sim: responde com a explica\u00e7\u00e3o de por que nunca conseguiu chegar primeiro ao tanque. Depois de tanto tempo naquela condi\u00e7\u00e3o, a vontade estava t\u00e3o parada quanto o corpo. A pergunta exp\u00f5e isso antes que a cura aconte\u00e7a.<\/p>\n<h3>Quantos anos o homem de Betesda estava doente?<\/h3>\n<p>Jo\u00e3o 5:5 informa o n\u00famero exato: trinta e oito. Curiosamente, Deuteron\u00f4mio 2:14 usa a mesma cifra para o trecho da peregrina\u00e7\u00e3o entre Cades-Barn\u00e9ia e o ribeiro de Zerede, per\u00edodo em que morreu a gera\u00e7\u00e3o que se recusara a entrar na terra. H\u00e1 comentaristas que leem a\u00ed um paralelo deliberado, com o doente funcionando como imagem de Israel \u2014 sem for\u00e7a para se mover e \u00e0 espera de uma interven\u00e7\u00e3o que n\u00e3o vinha.<\/p>\n<h3>Por que carregar o leito no s\u00e1bado era proibido?<\/h3>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica havia catalogado trinta e nove atividades vetadas no shabbath, e o transporte de peso figurava entre elas. Ainda que ningu\u00e9m pudesse chamar aquilo de of\u00edcio \u2014 era apenas a esteira em que ele passara d\u00e9cadas \u2014, o enquadramento formal se aplicava assim mesmo. Da\u00ed a cena: os primeiros a falar com o rec\u00e9m-curado escolheram apontar a infra\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o celebrar o que acabara de acontecer com ele.<\/p>\n<h3>O homem curado em Betesda se converteu?<\/h3>\n<p>O texto n\u00e3o diz. Ele foi ao templo, encontrou Jesus, ouviu o aviso para n\u00e3o pecar mais e em seguida informou aos l\u00edderes quem o havia curado. N\u00e3o h\u00e1 registro de f\u00e9 da parte dele, nem sinal de oposi\u00e7\u00e3o a Jesus. O sil\u00eancio parece proposital: receber um milagre e receber a vida eterna n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa, e o pr\u00f3prio cap\u00edtulo diz onde est\u00e1 a segunda, em Jo\u00e3o 5:24.<\/p>\n<h3>Qual a diferen\u00e7a entre a cura de Betesda e a do cego de nascen\u00e7a?<\/h3>\n<p>As duas acontecem em s\u00e1bado, no mesmo Evangelho, e geram conflito com a lideran\u00e7a religiosa. A diferen\u00e7a est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o entre doen\u00e7a e pecado. Em Jo\u00e3o 5:14, Jesus adverte o homem curado a n\u00e3o pecar mais, para que n\u00e3o lhe aconte\u00e7a coisa pior. Em Jo\u00e3o 9:3, diante do cego, ele recusa expressamente a associa\u00e7\u00e3o, dizendo que nem ele nem seus pais pecaram. Os dois casos juntos impedem a generaliza\u00e7\u00e3o em qualquer das duas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes<\/h2>\n<p>Texto b\u00edblico: Almeida Corrigida Fiel (ACF), com as demais vers\u00f5es identificadas quando citadas. As formas gregas, as glosas e as contagens de ocorr\u00eancia referem-se ao texto etiquetado do STEPBible (TAGNT, CC BY 4.0). Veja tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/quem-foi-nicodemos\/\">quem foi Nicodemos<\/a>, outro di\u00e1logo particular registrado s\u00f3 por Jo\u00e3o, e a mulher encurvada, a outra cura de s\u00e1bado que terminou em controv\u00e9rsia.<\/p>\n<ol>\n<li>WIERSBE, Warren W. <em>Coment\u00e1rio B\u00edblico Expositivo<\/em>: Novo Testamento, volume I. Santo Andr\u00e9, SP: Geogr\u00e1fica Editora, 2006, p. 391.<\/li>\n<li>WIERSBE, Warren W. <em>Coment\u00e1rio B\u00edblico Expositivo<\/em>: Novo Testamento, volume I. Santo Andr\u00e9, SP: Geogr\u00e1fica Editora, 2006, p. 392.<\/li>\n<li>WIERSBE, Warren W. <em>Coment\u00e1rio B\u00edblico Expositivo<\/em>: Novo Testamento, volume I. Santo Andr\u00e9, SP: Geogr\u00e1fica Editora, 2006, p. 393.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tanque de Betesda \u00e9 o cen\u00e1rio de uma cura que Jesus fez sem que ningu\u00e9m tivesse pedido. Um homem doente havia trinta e oito anos, deitado entre uma multid\u00e3o de enfermos, e uma pergunta que parece dispens\u00e1vel: &#8220;Queres ficar s\u00e3o?&#8221; (Jo 5:6 ACF). Jo\u00e3o 5:1-15 \u00e9 o terceiro sinal registrado neste Evangelho e o &#8230; <a title=\"Tanque de Betesda: os cinco alpendres e a cura de Jo\u00e3o 5\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/tanque-de-betesda\/\" aria-label=\"Read more about Tanque de Betesda: os cinco alpendres e a cura de Jo\u00e3o 5\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":14853,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[138,140],"tags":[],"class_list":["post-14855","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-devocionais","category-teologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14855"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14855\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14856,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14855\/revisions\/14856"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}