{"id":14269,"date":"2026-07-06T16:00:40","date_gmt":"2026-07-06T19:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/?p=14269"},"modified":"2026-08-16T15:18:30","modified_gmt":"2026-08-16T18:18:30","slug":"parabolas-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/parabolas-de-jesus\/","title":{"rendered":"As Par\u00e1bolas de Jesus &#8211; Estudo Completo (O Rico e L\u00e1zaro)"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar em como Jesus ensinava as multid\u00f5es? De maneira bem semelhante aos mestres da antiguidade, especialmente os orientais, Ele usava um recurso did\u00e1tico muito interessante: <strong><em>as par\u00e1bolas<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>N\u00e3o vale arriscar um n\u00famero aqui \u2014 as contagens variam conforme o que cada autor considera par\u00e1bola. Mas o pr\u00f3prio evangelho diz algo mais forte que qualquer estat\u00edstica sobre os <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/sermao-da-montanha\/\">ensinamentos de Jesus<\/a>: <em>&#8220;Tudo isto disse Jesus, por par\u00e1bolas \u00e0 multid\u00e3o, e nada lhes falava sem par\u00e1bolas&#8221;<\/em> (Mt 13:34 ACF). Marcos repete a informa\u00e7\u00e3o e acrescenta o contraponto: <em>&#8220;E sem par\u00e1bolas nunca lhes falava; por\u00e9m, tudo declarava em particular aos seus disc\u00edpulos&#8221;<\/em> (Mc 4:34 ACF).<\/p>\n<h3>O Foco nos Evangelhos Sin\u00f3ticos<\/h3>\n<p>Claro, voc\u00ea pode lembrar de alguns textos do Evangelho de Jo\u00e3o, como o bom pastor (Jo 10:1-5) ou a videira verdadeira (Jo 15:1-10).<\/p>\n<p>Mas, na pr\u00e1tica, a ideia central \u00e9 que as par\u00e1bolas de Jesus est\u00e3o registradas apenas nos Evangelhos Sin\u00f3ticos (Mateus, Marcos e Lucas). Isso ocorre porque os textos de Jo\u00e3o funcionam muito mais como alegorias do que como par\u00e1bolas.<\/p>\n<p>Mantendo essa premissa de que as par\u00e1bolas se concentram nos Sin\u00f3ticos, chegamos a um n\u00famero que gira em torno de quarenta hist\u00f3rias, variando conforme a interpreta\u00e7\u00e3o dos diversos eruditos da B\u00edblia Sagrada.<\/p>\n<h3>A Par\u00e1bola do Rico e L\u00e1zaro<\/h3>\n<p>Entre todas elas, a par\u00e1bola do rico e L\u00e1zaro, narrada unicamente no Evangelho de Lucas (Lc 16:19-31), \u00e9 uma das mais discutidas.<\/p>\n<p>Primeiramente, o debate come\u00e7a logo na d\u00favida se o texto \u00e9 ou n\u00e3o uma par\u00e1bola. Al\u00e9m disso, a narrativa traz elementos curiosos como o Hades, o seio de Abra\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o entre pessoas que j\u00e1 morreram, o estado de consci\u00eancia plena e um abismo entre os dois ambientes.<\/p>\n<p>Enfim, n\u00e3o d\u00e1 para negar que esse texto de Lucas apresenta algumas dificuldades reais em sua interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 uma Par\u00e1bola?<\/h2>\n<p>Antes de entrarmos no texto do Evangelho de Lucas, \u00e9 fundamental entendermos o que vem a ser uma par\u00e1bola.<\/p>\n<p>Elas est\u00e3o presentes no Antigo Testamento, como a par\u00e1bola de Jot\u00e3o (Jz 9:7-15), a ovelhinha do pobre dita por Nat\u00e3 ao <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/quem-foi-davi-na-biblia\/\">Rei Davi<\/a> (2Sm 12:1-5), e a do espinheiro e do cedro (2Rs 14:9).<\/p>\n<p>No Novo Testamento, lembramos do joio e do trigo (Mt 13:24-30), do tesouro escondido (Mt 13:44) e da grande par\u00e1bola das coisas perdidas: a ovelha (Lc 15:4-7), a moeda (Lc 15:8-10) e o filho (Lc 15:11-32).<\/p>\n<p>Assim, inicialmente, uma par\u00e1bola \u00e9 um dos diversos <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/como-estudar-biblia\/\">g\u00eaneros liter\u00e1rios contidos na B\u00edblia Sagrada<\/a>. Ela caminha lado a lado com a prosa, a poesia, a narrativa, o mandamento, a profecia, a <a href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/epistolas-de-paulo\/\">ep\u00edstola<\/a> e a novela, por exemplo.<\/p>\n<h3>Defini\u00e7\u00e3o e Prop\u00f3sito das Par\u00e1bolas<\/h3>\n<p>De maneira bem simples, uma par\u00e1bola \u00e9 uma narrativa que faz uso de elementos reais e cotidianos, como um lavrador, um pai de fam\u00edlia, um empregado, um rei ou um pastor de ovelhas. Contudo, n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria verdadeira em si.<\/p>\n<p>O mais fascinante \u00e9 que a par\u00e1bola n\u00e3o \u00e9 apenas uma hist\u00f3ria contada ao vento. Ela traz ao ouvinte a oportunidade de se identificar com o que est\u00e1 ouvindo e chegar a uma conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a par\u00e1bola apresenta uma ideia a ser refletida, um ensino moral e \u00e9tico a ser comparado com a realidade que se est\u00e1 vivendo.<\/p>\n<p>E \u00e9 exatamente isso que a express\u00e3o grega \u03c0\u03b1\u03c1\u03b1\u03b2\u03bf\u03bb\u03b7 (<em>parabole<\/em>) significa: &#8220;ato de colocar algo ao lado&#8221; ou &#8220;compara\u00e7\u00e3o de uma coisa com outra&#8221;.<\/p>\n<p>Essa ideia tem ra\u00edzes no termo hebraico <em>mashal<\/em>, que tamb\u00e9m carrega o sentido de prov\u00e9rbio, ditado ou narrativa de sabedoria.<\/p>\n<p>Ao comparar o que est\u00e1 ouvindo com a pr\u00f3pria vida, consequentemente, o ouvinte capta o ensino a ser transmitido. Desse modo, ela prop\u00f5e uma forte liga\u00e7\u00e3o entre o narrador, a mensagem e o ouvinte.<\/p>\n<h3>Estrutura e Personagens<\/h3>\n<p>E n\u00e3o pense que ela \u00e9 complexa! Pelo contr\u00e1rio, fazendo uso de poucos personagens, a estrutura de uma par\u00e1bola \u00e9 simples e descomplicada, tornando poss\u00edvel a compreens\u00e3o de quem a ouve.<\/p>\n<p>Ainda que tenha uma ideia central, a par\u00e1bola apresenta pontos secund\u00e1rios importantes. Um exemplo \u00e9 a par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo (Lc 15:25-32), em que o filho mais velho ganha destaque na narrativa em um dado momento.<\/p>\n<p>Uma particularidade nas par\u00e1bolas de Jesus \u00e9 que em nenhuma delas Ele cita o nome de algu\u00e9m. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a par\u00e1bola do rico e L\u00e1zaro.<\/p>\n<p>Nas demais hist\u00f3rias, Jesus sempre fez uso de express\u00f5es gen\u00e9ricas, como &#8220;um rei&#8221;, &#8220;um semeador&#8221;, &#8220;um homem&#8221; ou &#8220;uma mulher&#8221;. Por\u00e9m, nessa par\u00e1bola de Lucas, Jesus afirmou:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Havia tamb\u00e9m um certo mendigo, chamado L\u00e1zaro&#8221;<br \/>\nLc 16.20 ARC<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa exce\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente o que promove a discuss\u00e3o sobre se o texto \u00e9 ou n\u00e3o uma par\u00e1bola.<\/p>\n<h2>O Texto B\u00edblico<\/h2>\n<h3>O Contraste entre os Personagens<\/h3>\n<p>O texto do Evangelho de Lucas (16.19-31) traz uma hist\u00f3ria que se inicia de maneira muito semelhante \u00e0s demais par\u00e1bolas de Jesus:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de p\u00farpura e de linho fin\u00edssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.<br \/>\n20 Havia tamb\u00e9m um certo mendigo, chamado L\u00e1zaro, que jazia cheio de chagas \u00e0 porta daquele.<br \/>\n21 E desejava comer as migalhas que ca\u00edam da mesa do rico; e os pr\u00f3prios c\u00e3es vinham lamber-lhe as chagas&#8221;<br \/>\nLc 16.19-21 ARC<\/p><\/blockquote>\n<p>No primeiro s\u00e9culo, vestir-se de &#8220;p\u00farpura e linho fin\u00edssimo&#8221; indicava um n\u00edvel alt\u00edssimo de luxo e ostenta\u00e7\u00e3o, acess\u00edvel a pouqu\u00edssimos.<\/p>\n<p>Em contraste direto, L\u00e1zaro n\u00e3o apenas vivia na extrema mis\u00e9ria, mas experimentava o c\u00famulo da impureza ritual para um judeu da \u00e9poca: ter suas feridas lambidas por c\u00e3es de rua.<\/p>\n<p>Para a cultura judaica daqueles dias, que associava riqueza de forma direta ao favor divino, a invers\u00e3o de pap\u00e9is apresentada a seguir seria culturalmente chocante.<\/p>\n<h3>A Realidade Ap\u00f3s a Morte<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s isso, Jesus afirma que esses dois homens morreram. L\u00e1zaro foi levado ao &#8220;seio de Abra\u00e3o&#8221;, enquanto o rico simplesmente &#8220;foi sepultado&#8221;.<\/p>\n<p>No Hades, o homem rico viu L\u00e1zaro no seio de Abra\u00e3o. Clamando, pediu-lhe que mandasse L\u00e1zaro molhar a ponta do dedo na \u00e1gua para refrescar sua l\u00edngua (Lc 16:24, ARC), pois estava num lugar de grande tormento.<\/p>\n<p>Em resposta, Abra\u00e3o lembra que, por toda a sua vida, o rico recebeu o que havia de bom e melhor, enquanto L\u00e1zaro recebeu somente os males. Abra\u00e3o tamb\u00e9m ressalta que agora h\u00e1 um imenso e intranspon\u00edvel abismo entre eles (Lc 16:26).<\/p>\n<h3>O Di\u00e1logo e as S\u00faplicas do Rico<\/h3>\n<p>N\u00e3o se contentando com a resposta, o rico pede que algu\u00e9m v\u00e1 \u00e0 casa de seu pai para avisar seus irm\u00e3os sobre a realidade daquele lugar de tormento.<\/p>\n<p>Abra\u00e3o, ent\u00e3o, lhe responde prontamente:<\/p>\n<blockquote><p><strong>&#8220;Eles t\u00eam Mois\u00e9s e os Profetas&#8221;<br \/>\n<\/strong>Lc 16.29 ARC<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim, deveriam ouvi-los para n\u00e3o terem o mesmo destino. Ainda insatisfeito, o rico implora que algu\u00e9m dentre os mortos ressuscite para avisar seus parentes, a fim de que se arrependam.<\/p>\n<p>Contudo, Abra\u00e3o d\u00e1 a palavra final:<\/p>\n<blockquote><p><strong>&#8220;Se n\u00e3o ouvem a Mois\u00e9s e aos Profetas, tampouco acreditar\u00e3o, ainda que algum dos mortos ressuscite&#8221;<br \/>\n<\/strong>Lc 16.31 ARC<\/p><\/blockquote>\n<h2>Uma Pequena Interpreta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<h3>\u00c9 Realmente uma Par\u00e1bola?<\/h3>\n<p>Como j\u00e1 foi apontado, esse texto, muitas vezes intitulado de A Par\u00e1bola do Rico e L\u00e1zaro, levanta discuss\u00f5es sobre ser ou n\u00e3o uma par\u00e1bola.<\/p>\n<p>Essa d\u00favida ocorre porque Jesus cita o nome pr\u00f3prio de L\u00e1zaro. Afinal, se o texto n\u00e3o for uma par\u00e1bola, trata-se de uma narrativa de um fato real, o que abre portas para a formula\u00e7\u00e3o de doutrinas b\u00edblicas.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar dessa exce\u00e7\u00e3o, a maioria dos eruditos e int\u00e9rpretes do Novo Testamento \u2014 como Joachim Jeremias, C. H. Dodd e Kenneth Bailey \u2014 afirma que o texto \u00e9, sim, uma par\u00e1bola magistralmente estruturada por Jesus.<\/p>\n<h3>O Contexto e a Mensagem de Jesus<\/h3>\n<p>Para analisarmos melhor, precisamos entender o contexto. Esse texto vem logo ap\u00f3s a par\u00e1bola do mordomo infiel (Lc 16:1-13) e a repreens\u00e3o aos fariseus, a quem Jesus chamou de &#8220;avarentos&#8221; (Lc 16:14-18).<\/p>\n<p>Assim, a par\u00e1bola \u00e9 a resposta de Jesus aos avarentos fariseus, que se portavam de maneira infiel com o que o Senhor lhes havia confiado.<\/p>\n<p>Nessa narrativa, o rico representa a classe religiosa de Israel, enquanto L\u00e1zaro representa aqueles que dependem unicamente de Deus.<\/p>\n<p>Vale notar que as maldades do rico n\u00e3o s\u00e3o sequer listadas. O grande erro dele foi simplesmente evitar fazer o bem \u00e0quele que se alimentava das migalhas de sua mesa.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Jesus nos ensina que n\u00e3o apenas praticar o mal, mas deixar de fazer o bem, j\u00e1 \u00e9 algo condenat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o fale sobre o sepultamento de L\u00e1zaro, Jesus apresenta um contraste claro. L\u00e1zaro foi do sofrimento terreno ao prazeroso descanso eterno, enquanto o rico foi do moment\u00e2neo prazer terreno ao eterno sofrimento.<\/p>\n<h3>O Estado Intermedi\u00e1rio e o Abismo<\/h3>\n<p>Jesus tamb\u00e9m adentra na cren\u00e7a judaica de que quem estivesse no seio de Abra\u00e3o (para\u00edso) ou no Hades (inferno, lugar de tormento) poderia ter a vis\u00e3o uns dos outros.<\/p>\n<p>Acreditava-se em um estado intermedi\u00e1rio antes da condena\u00e7\u00e3o, onde j\u00e1 era poss\u00edvel ter a no\u00e7\u00e3o do para\u00edso ou do sofrimento eterno.<\/p>\n<p>Mas, mesmo nesse estado intermedi\u00e1rio, j\u00e1 existia um grande e intranspon\u00edvel abismo entre os dois lugares. Diante do desespero, o rico suplica para avisar seus irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Contudo, Abra\u00e3o informa que, na vida terrena, eles j\u00e1 t\u00eam Mois\u00e9s e os Profetas. Ou seja, enquanto vivemos aqui, possu\u00edmos a Palavra de Deus para nos advertir sobre a vida e o sofrimento eterno.<\/p>\n<p>Fica n\u00edtido que Jesus est\u00e1, de forma indireta, apontando para si mesmo. Afinal, Ele \u00e9 o cumprimento de Mois\u00e9s (a Lei) e dos Profetas. Em outras palavras, Jesus \u00e9 o caminho para a vida eterna.<\/p>\n<h3>A Dureza do Cora\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Como pedido final, o rico pede a ressurrei\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m para advertir sua fam\u00edlia. A resposta de Abra\u00e3o mostra que, se eles n\u00e3o acreditam em Mois\u00e9s e nos profetas \u2014 isto \u00e9, se n\u00e3o acreditam em Jesus \u2014, tamb\u00e9m n\u00e3o acreditariam caso algu\u00e9m ressuscitasse.<\/p>\n<p>Alguns estudiosos interpretam que a cita\u00e7\u00e3o do nome L\u00e1zaro seja uma refer\u00eancia \u00e0quele que Jesus, de fato, ressuscitou, j\u00e1 que a classe religiosa intentava mat\u00e1-lo:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;10 E os principais dos sacerdotes tomaram delibera\u00e7\u00e3o para matar tamb\u00e9m a L\u00e1zaro,<br \/>\n11 porque muitos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus&#8221;<br \/>\nJo 12.10,11 ARC<\/p><\/blockquote>\n<p>L\u00e1zaro, irm\u00e3o de Marta e Maria, certamente testemunhou esse estado intermedi\u00e1rio. Ele regressou como uma testemunha viva de quem \u00e9 Jesus; contudo, a classe religiosa ainda assim pretendia mat\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9: mesmo que algu\u00e9m ressuscitasse e pregasse sobre o que h\u00e1 depois da morte, o cora\u00e7\u00e3o endurecido n\u00e3o acreditaria.<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o e Aplica\u00e7\u00e3o Pr\u00e1tica<\/h2>\n<h3>Quem s\u00e3o os Nossos L\u00e1zaros?<\/h3>\n<p>Quem s\u00e3o os nossos &#8220;L\u00e1zaros&#8221;? Quem s\u00e3o aqueles que jazem invis\u00edveis \u00e0s nossas portas?<\/p>\n<p>Jesus nos ensina que a omiss\u00e3o diante da necessidade do pr\u00f3ximo \u00e9 t\u00e3o condenat\u00f3ria quanto a pr\u00e1tica deliberada do mal. A riqueza, quando nos cega para o amor ao pr\u00f3ximo, torna-se um la\u00e7o.<\/p>\n<p>Hoje, somos desafiados a construir pontes sobre os abismos sociais, tendo sempre a Palavra de Deus (Mois\u00e9s e os Profetas) como nossa b\u00fassola moral e espiritual.<\/p>\n<h3>Recomenda\u00e7\u00f5es de Leitura<\/h3>\n<p>Se voc\u00ea deseja conhecer mais sobre as par\u00e1bolas, elementos liter\u00e1rios e interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica, recomendo que conhe\u00e7a estas obras:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>A Espiral Hermen\u00eautica: uma nova abordagem \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica<\/strong> (<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B0iJBXGp6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/link.amazon\/B0iJBXGp6<\/a>)<\/li>\n<li><strong>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Interpreta\u00e7\u00e3o B\u00edblica<\/strong> (<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B03LiAePN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/link.amazon\/B03LiAePN<\/a>)<\/li>\n<\/ul>\n<p>S\u00e3o duas obras muito profundas que apresentam diversos aspectos da interpreta\u00e7\u00e3o e hermen\u00eautica b\u00edblica.<\/p>\n<p><em>Esse artigo foi adaptado do artigo original do nosso irm\u00e3o Mois\u00e9s Brasil. Voc\u00ea pode acompanhar o seu trabalho excepcional atrav\u00e9s do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/c\/moisesbrasilmaciel\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">YouTube<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/moises.brasil.maciel\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instagram<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>E voc\u00ea?<\/p>\n<p>O que essa hist\u00f3ria de Jesus revela sobre a forma como voc\u00ea tem tratado o pr\u00f3ximo?<\/p>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas Frequentes<\/h2>\n<h3>O que \u00e9 uma par\u00e1bola na B\u00edblia?<\/h3>\n<p>\u00c9 uma narrativa curta, montada com figuras do cotidiano \u2014 um lavrador, um pai de fam\u00edlia, um pastor de ovelhas \u2014, que n\u00e3o relata um epis\u00f3dio ocorrido, mas p\u00f5e uma cena ao lado da vida de quem escuta para que o pr\u00f3prio ouvinte chegue \u00e0 conclus\u00e3o. \u00c9 o que diz o termo grego <em>parabole<\/em>, ligado \u00e0 ideia de comparar; a raiz est\u00e1 no <em>mashal<\/em> hebraico, palavra que cobre tamb\u00e9m prov\u00e9rbio e ditado de sabedoria. O recurso n\u00e3o come\u00e7ou com Jesus: Jot\u00e3o (Jz 9:7-15) e Nat\u00e3 diante de Davi (2Sm 12:1-5) j\u00e1 o haviam usado.<\/p>\n<h3>Quantas par\u00e1bolas Jesus contou?<\/h3>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um n\u00famero fechado: a conta muda conforme o que cada estudioso aceita como par\u00e1bola. Levando em conta apenas os Sin\u00f3ticos, o total costuma girar em torno de quarenta. O que a Escritura afirma sem margem \u00e9 a frequ\u00eancia, n\u00e3o a soma \u2014 Mateus registra que Jesus falava \u00e0 multid\u00e3o por par\u00e1bolas, e Marcos acrescenta que Ele explicava tudo em particular aos disc\u00edpulos (Mt 13:34; Mc 4:34).<\/p>\n<h3>Por que as par\u00e1bolas de Jesus n\u00e3o aparecem no Evangelho de Jo\u00e3o?<\/h3>\n<p>Jo\u00e3o traz imagens que se parecem com par\u00e1bolas, como o bom pastor (Jo 10:1-5) e a videira verdadeira (Jo 15:1-10). Elas funcionam, por\u00e9m, mais como alegorias, e \u00e9 por isso que o conjunto das par\u00e1bolas \u00e9 estudado a partir de Mateus, Marcos e Lucas.<\/p>\n<h3>O rico e L\u00e1zaro \u00e9 uma par\u00e1bola ou um relato de fato real?<\/h3>\n<p>A d\u00favida nasce de um detalhe \u00fanico: \u00e9 a \u00fanica hist\u00f3ria de Jesus em que um personagem recebe nome pr\u00f3prio \u2014 nas demais Ele fica em figuras gen\u00e9ricas, um rei, um semeador, uma mulher. A pergunta tem consequ\u00eancia pr\u00e1tica: se fosse relato de um acontecimento, elementos como o Hades e o seio de Abra\u00e3o passariam a servir de base para formular doutrina. Ainda assim, a maioria dos int\u00e9rpretes do Novo Testamento, entre eles Joachim Jeremias, C. H. Dodd e Kenneth Bailey, entende que se trata de par\u00e1bola.<\/p>\n<h3>A quem Jesus dirigiu a par\u00e1bola do rico e L\u00e1zaro?<\/h3>\n<p>Aos fariseus. A hist\u00f3ria vem logo depois da par\u00e1bola do mordomo infiel (Lc 16:1-13) e de uma repreens\u00e3o dirigida a eles, que ouviam a Jesus e zombavam (Lc 16:14-18). O contexto muda o alvo da leitura: em vez de um aviso gen\u00e9rico sobre dinheiro, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a lideran\u00e7a religiosa de Israel, representada no rico que administrava mal o que Deus lhe confiara \u2014 e, do outro lado, L\u00e1zaro, a figura de quem nada tem al\u00e9m de Deus.<\/p>\n<h3>O que \u00e9 o seio de Abra\u00e3o e por que h\u00e1 um abismo entre ele e o Hades?<\/h3>\n<p>S\u00e3o os dois lados do estado intermedi\u00e1rio, conforme a cren\u00e7a judaica que a par\u00e1bola pressup\u00f5e: o seio de Abra\u00e3o como lugar de consolo e o Hades como lugar de tormento, ambos antes do ju\u00edzo definitivo. Na narrativa os dois se enxergam, mas est\u00e3o separados por um abismo que ningu\u00e9m atravessa (Lc 16:26). A situa\u00e7\u00e3o de cada um j\u00e1 estava decidida ali, e nenhum pedido do rico altera o desfecho.<\/p>\n<h3>O que Abra\u00e3o quis dizer ao responder que eles t\u00eam Mois\u00e9s e os Profetas?<\/h3>\n<p>Que os irm\u00e3os do rico j\u00e1 tinham em vida tudo o que precisavam para ser advertidos: a Lei e os Profetas, isto \u00e9, a Palavra de Deus (Lc 16:29). A palavra final de Abra\u00e3o vai al\u00e9m \u2014 quem fecha o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 Escritura n\u00e3o se convence nem diante de algu\u00e9m que ressuscite (Lc 16:31). Como Jesus \u00e9 o cumprimento da Lei e dos Profetas, recusar o que est\u00e1 escrito termina em recus\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Fique na Paz!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar em como Jesus ensinava as multid\u00f5es? De maneira bem semelhante aos mestres da antiguidade, especialmente os orientais, Ele usava um recurso did\u00e1tico muito interessante: as par\u00e1bolas. N\u00e3o vale arriscar um n\u00famero aqui \u2014 as contagens variam conforme o que cada autor considera par\u00e1bola. Mas o pr\u00f3prio evangelho diz algo mais &#8230; <a title=\"As Par\u00e1bolas de Jesus &#8211; Estudo Completo (O Rico e L\u00e1zaro)\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/parabolas-de-jesus\/\" aria-label=\"Read more about As Par\u00e1bolas de Jesus &#8211; Estudo Completo (O Rico e L\u00e1zaro)\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":14270,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[138],"tags":[],"class_list":["post-14269","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-devocionais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14269"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14269\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14762,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14269\/revisions\/14762"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.zeke.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}